A enfermeira Ivana Bueno Stocco Cassiano contou no AdamiCast uma trajetória que começou em Dracena, passou por dez anos de trabalho com povos indígenas em Rondônia e terminou na linha de frente do combate à Covid-19, incluindo a perda do próprio irmão para a doença.
De Dracena a Rondônia por amor
Formada em enfermagem em Adamantina, Ivana conheceu o marido, veterinário natural de Rondônia, ainda na faculdade. Em 2009, logo após se formar, mudou-se sozinha para Cacoal, no interior de Rondônia, para acompanhá-lo, começando a trabalhar como voluntária na Casa de Saúde Indígena da região.
Dez anos entre os povos Cinta Larga e Suruí
Ao longo de uma década, Ivana coordenou o apoio a indígenas que vinham das aldeias para tratamento médico na cidade, viajou por aldeias de difícil acesso no Mato Grosso e no Pará, enfrentou emergências como falha de motor em voos de pequeno porte e travessias de rio, e criou vínculos profundos com famílias das etnias Cinta Larga e Suruí, incluindo um período em que acolheu em casa uma criança indígena que precisava de cuidados médicos contínuos.
Um trabalho de vocação, não de bolsa
Ivana fez questão de desconstruir preconceitos comuns sobre os povos indígenas, lembrando que não recebem auxílio automático do Estado e enfrentam, em muitos casos, décadas de contato recente com a sociedade não indígena, marcado por episódios de violência, como o massacre do Paralelo 11 contra o povo Cinta Larga na década de 1960.
Volta a Dracena e o início da pandemia
Por motivos familiares, Ivana retornou a Dracena e ingressou na Santa Casa local, adaptando-se a uma rotina hospitalar totalmente diferente da que vivia nas aldeias. Pouco depois, começou a Covid-19, e ela passou a atuar no SEMAC, o serviço municipal de urgência, montado às pressas para dar conta da demanda da cidade.
A perda do irmão
Durante a pandemia, Ivana viveu o momento mais duro da carreira: atendeu o próprio irmão quando ele chegou ao SEMAC com sintomas graves de Covid-19, acompanhou sua internação e intubação na UTI da Santa Casa, e o perdeu poucos dias depois, em meio à rotina exaustiva do plantão.
Reconhecimento e próximos passos
Ivana defende maior valorização salarial da enfermagem, lembrando a sobrecarga de trabalho e o desgaste emocional da profissão, ainda mais evidente durante a pandemia. Hoje considera uma nova mudança de país junto ao marido, tendo recentemente concluído um certificado de proficiência em inglês por uma universidade canadense.
Onde encontrar
Instagram da convidada: @iiva_bueno
Resumo do episódio
Ivana Bueno Stocco Cassiano, enfermeira formada em Adamantina, viveu uma trajetória que inclui dez anos trabalhando com povos indígenas Cinta Larga e Suruí em Rondônia, retorno a Dracena e atuação na linha de frente da Covid-19, onde enfrentou a perda do próprio irmão. O episódio aborda trabalho voluntário em saúde indígena, desafios da profissão de enfermagem e impacto emocional da pandemia.
Principais aprendizados
- Povos indígenas não recebem auxílio automático do Estado e enfrentam décadas de contato recente com a sociedade não indígena marcado por episódios de violência.
- Trabalho voluntário em saúde indígena envolve logística complexa, como viagens a aldeias de difícil acesso e emergências durante voos de pequeno porte.
- A enfermagem enfrenta sobrecarga de trabalho e desgaste emocional intensificados durante crises sanitárias como a Covid-19.
- Profissionais de saúde podem vivenciar momentos extremamente difíceis quando atendem familiares próprios em situações críticas.
- A carreira em saúde indígena demanda vocação genuína e vínculos profundos com comunidades, transcendendo compensação financeira.
Perguntas respondidas neste episódio
Como é trabalhar com povos indígenas na saúde?
O trabalho envolve coordenar apoio a indígenas que vêm das aldeias para tratamento médico na cidade, viajar por aldeias de difícil acesso e criar vínculos profundos com famílias. Exige enfrentamento de emergências como falha de motor em voos de pequeno porte e travessias de rio, além de lidar com populações que enfrentam décadas de contato recente com a sociedade não indígena.
Qual a realidade financeira dos povos indígenas?
Povos indígenas não recebem auxílio automático do Estado. Além disso, muitos enfrentam décadas de contato recente com a sociedade não indígena, período marcado por episódios de violência histórica, como o massacre do Paralelo 11 contra o povo Cinta Larga na década de 1960.
Como foi atuar na linha de frente da Covid-19?
A profissional atuou no SEMAC, o serviço municipal de urgência montado às pressas para dar conta da demanda. Vivenciou o momento mais duro da carreira ao atender o próprio irmão com sintomas graves de Covid-19, acompanhando sua internação, intubação na UTI e óbito poucos dias depois em meio à rotina exaustiva do plantão.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.