#501

Medicina do estilo de vida com os médicos Paula Osaki da Fonseca e Marcelo Ribeiro da Fonseca | #501

29 de outubro de 2026 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #501 do AdamiCast

A ginecologista Paula Erika Osaki da Fonseca e o angiologista e cirurgião vascular Marcelo Ribeiro da Fonseca são casados, trabalham juntos na Climed Dracena e somam quase 30 anos de medicina. Ela é de Marília e se formou na FAMEMA. Ele é mineiro, com família em Barbacena e faculdade em Juiz de Fora. Os dois se encontraram em São Paulo, na residência médica, e acabaram construindo a vida no interior.

No episódio 501 do AdamiCast, gravado em Dracena, o casal conta como tudo começou, por que escolheu uma cidade onde não conhecia ninguém e o que mudou depois de 24 anos no mesmo ponto. A conversa segue por medicina do estilo de vida, saúde vascular, menopausa, inteligência artificial e prevenção.

Dois residentes brigando por escala de plantão

Na residência em São Paulo, com rodízio por três hospitais, os plantões chegavam a 48 e 60 horas, da sexta às 19h até a segunda de manhã. Marcelo representava a cirurgia, Paula a ginecologia, e os dois disputavam escala. Nas palavras dela, “não começou com amizade, começou com os atritos”. Eles acabaram casando, e o casamento veio junto com a mudança de cidade.

Paula conta que queria cirurgia, mas o mercado de trinta anos atrás era mais machista, e a ginecologia juntou o que ela gostava: clínica e cirurgia. Marcelo fez cirurgia geral em São Paulo e depois a especialização em cirurgia vascular em São José do Rio Preto.

Dracena, o “interior do interior”

Em Dracena eles não tinham parentes nem conhecidos. A cidade estava sem cirurgião vascular, pacientes da região sugeriram que o casal fosse conhecer o lugar, e o Dr. Alcides Soriano, então diretor clínico, fez o convite. A frase que resume a escolha: “Precisa de um interior no interior”. Marcelo, mineiro, gosta dessa vida mais tranquila, e a conta fecha: levar o filho à escola e almoçar em casa pesou contra o trânsito da capital.

Chegaram com um bebê de dois meses e sem rede de apoio. Foi um “plantão de babás”, os dois operavam juntos e o filho subia para o hospital na cestinha. Hoje os filhos, de 27 e 25 anos, também são médicos: um faz oftalmologia na FAMERP e o outro, psiquiatria. Paula ainda dá aula de medicina na Unifadra desde a primeira turma, o que ela trata quase como hobby.

Clínica nova e medicina do estilo de vida

Depois de 24 anos no mesmo ponto, perto da Santa Casa, o casal montou uma clínica nova na mesma rua. Marcelo resume a experiência: “reforma é pior do que construir do zero”. A ideia foi criar um ambiente acolhedor para quem chega com dor e nervoso.

Junto veio um serviço novo, fruto de uma “ressignificação” que eles dizem ter vivido no último ano: a medicina do estilo de vida. São sete pilares: alimentação, atividade física, estresse, sono, conexões sociais, substâncias nocivas e propósito. Para Paula, o plano precisa caber na rotina: “não adianta eu te falar que você precisa cumprir 150 minutos por semana se você não tem esse período”. Por isso a proposta é gradual, com questionário e acompanhamento, já que o remédio conserta naquele momento, mas não trata a causa. Atividade física, diz ela, é uma poupança.

Saúde vascular: sinais que ninguém deveria ignorar

Marcelo recomenda que quem trabalha sentado levante e ande a cada duas horas, e diz que perna ou braço inchado de forma diferente do outro lado é sinal para procurar médico. Ele atende trombose “praticamente todos os dias” e desfaz um mito: a trombose venosa tem tratamento clínico, e é a arterial que pode exigir cirurgia ou levar a amputação.

Outro alerta é a claudicação: a pessoa anda cerca de 200 metros, precisa parar, acha que é idade e passa a ficar cada vez mais dentro de casa. Pela observação clínica dele, o cigarro eletrônico trouxe de volta, nos últimos cinco ou seis anos, a tromboangeíte, doença grave e mutilante que era rara. Sobre as canetas emagrecedoras, ele afirma que toda perda de peso ajuda a parte vascular: “não tem nada a favor do ganho de peso”.

Menopausa, prevenção e Outubro Rosa

Segundo Marcelo, enquanto não está na menopausa a mulher está protegida: abaixo dos 50 anos, infarto e AVC são muito mais comuns em homens, e depois da menopausa a incidência quase se iguala. Paula reforça que a abordagem da menopausa é sempre individual e que mulheres ativas costumam sofrer menos com os sintomas.

Para a ginecologista, o maior mito da saúde feminina é achar que o anticoncepcional dificulta engravidar. E o recado do Outubro Rosa é direto: perca o receio do exame, porque a intenção é a prevenção. Eles também notam que o homem vai menos ao médico, mas, quando vai, costuma ser mais disciplinado.

IA, paciente informado e o fim do “especialista do dedinho”

Paula prevê uma revolução da inteligência artificial na medicina e vê com bons olhos o paciente que chega com o ChatGPT: “hoje as condutas são compartilhadas”. No papo, Pedro resumiu a IA como uma ferramenta, uma chave de fenda, que depende de quem sabe usar.

A conversa também passou pelo fim do especialista hiperfocado, com uma visão mais integral do paciente, e por pacientes de 96, 98 e 100 anos que aparecem com frequência. O episódio termina com o depoimento ao vivo da ouvinte Débora, que contou que Marcelo e o Dr. Eduardo salvaram a vida e o braço dela em 2007, depois de um acidente.

Onde encontrar

Paula e Marcelo atendem na Climed Dracena, em Dracena, SP, na mesma rua onde ficaram por 24 anos, perto da Santa Casa.

Instagram da Climed Dracena, da Dra. Paula e do Dr. Marcelo: @climeddracena

Resumo do episódio

A ginecologista Paula Erika Osaki da Fonseca e o angiologista e cirurgião vascular Marcelo Ribeiro da Fonseca, casal à frente da Climed Dracena, contam quase 30 anos de medicina juntos. Se conheceram brigando por escala de plantão na residência em São Paulo e escolheram Dracena sem conhecer ninguém, levados por pacientes da região. Depois de 24 anos no mesmo ponto, inauguram uma clínica nova e um serviço de medicina do estilo de vida, baseado em sete pilares. A conversa passa por saúde vascular, menopausa, cigarro eletrônico, tirzepatida e inteligência artificial na medicina.

Principais aprendizados

  • Segundo Paula, não adianta prescrever 150 minutos de atividade física por semana a quem não tem esse tempo: a mudança de hábito funciona quando o plano é gradual, individual e acompanhado.
  • Quem trabalha sentado deve levantar e andar a cada duas horas, recomenda Marcelo, e perna ou braço inchado de um lado só, diferente do outro, é sinal para procurar um médico.
  • Trombose venosa tem tratamento clínico, e o risco de cirurgia ou amputação está ligado à trombose arterial, o que desfaz o mito de que ouvir "trombose" significa perder a perna.
  • Dor que obriga a parar depois de andar cerca de 200 metros (claudicação) não é envelhecimento normal e merece avaliação vascular.
  • Enquanto não está na menopausa, a mulher está protegida: abaixo dos 50 anos infarto e AVC são muito mais frequentes em homens, e depois da menopausa a incidência quase se iguala.

Perguntas respondidas neste episódio

Quais são os sete pilares da medicina do estilo de vida?

Segundo a ginecologista Paula Osaki da Fonseca, os sete pilares são alimentação, atividade física, estresse, sono, conexões sociais, substâncias nocivas e propósito. A Climed Dracena está introduzindo um serviço baseado nesses pilares, com avaliação individual, metas graduais e acompanhamento. A ideia é tratar a causa do problema, já que o remédio sozinho conserta apenas naquele momento.

Quando procurar um cirurgião vascular?

O angiologista e cirurgião vascular Marcelo Ribeiro da Fonseca orienta procurar atendimento diante de perna ou braço inchado de forma diferente do outro lado, dor, sensação de peso, cansaço nas pernas ou dor ao caminhar que obriga a parar, como a que surge depois de cerca de 200 metros. Quem trabalha sentado deve levantar e andar a cada duas horas. Ele atende casos de trombose praticamente todos os dias.

Por que o risco de infarto e AVC da mulher aumenta depois da menopausa?

De acordo com o Dr. Marcelo, enquanto a mulher não está na menopausa ela está protegida, e por isso abaixo dos 50 anos infarto e AVC são muito mais frequentes em homens. Depois da menopausa, a incidência nas mulheres quase se iguala à dos homens. A ginecologista Paula acrescenta que a abordagem da menopausa é sempre individual e que mulheres ativas costumam sofrer menos com os sintomas.

Por que o casal Paula e Marcelo escolheu Dracena para morar e trabalhar?

Sem parentes na cidade, os dois vieram para Dracena porque a cidade estava sem cirurgião vascular e pacientes da região indicaram que fossem conhecer o lugar. Também pesou o convite do Dr. Alcides Soriano, então diretor clínico, e a qualidade de vida do interior, que permite levar o filho à escola e almoçar em casa. Chegaram com um bebê de dois meses e estão há 24 anos no mesmo ponto, perto da Santa Casa.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.