O Dr. Wesley Miqueloti nasceu e cresceu em Panorama, estudou medicina em Marília e hoje opera coluna em Dracena. O Dr. Heleno Cavalcante, na terceira participação no AdamiCast, trabalha com próteses de quadril e joelho e atende em cinco cidades, entre elas Dracena, Presidente Prudente, Birigui e duas do leste de Mato Grosso do Sul. Os dois atendem na Dracena Medical e levaram ao episódio #496 uma conversa sobre ortopedia moderna.
O papo começa no medo de operar coluna, passa por endoscopia, cirurgia navegada e robô, e chega ao que quase ninguém quer ouvir: antes e depois da cirurgia, o paciente também precisa fazer a parte dele. Tudo o que aparece aqui é relato e opinião dos médicos, não promessa de resultado. Cada caso é avaliado em consulta.
De Panorama a Belo Horizonte, e de volta para a região
Depois de formado, o Dr. Wesley voltou para a região em 2017 e trabalhou como clínico geral por pouco mais de três anos. Em seguida fez a residência de ortopedia e traumatologia na Santa Casa de Marília e o fellowship em coluna em Belo Horizonte.
Ele se mudou para Dracena em março e conta que escolheu a coluna também por um motivo prático: "aqui também não tinha". A decisão de voltar para perto de casa trouxe para o interior uma especialidade que antes exigia viagem.
O mito de que coluna não fica boa depois de operar
Segundo o Dr. Wesley, muita gente tem receio de cirurgia de coluna e acaba procurando o médico tarde demais. Ele lembra que nem tudo é cirurgia, mas que esperar demais pode custar caro, como no caso de um pé caído. Em muitos casos, diz ele, operar serve para não deixar o quadro piorar.
A endoscopia de coluna entrou na conversa com humor: "não é aquela endoscopia". Na hérnia de disco, o corte pode ter de menos de 1 cm a cerca de 1,5 cm, e os médicos contam que o procedimento que antes levava de 4 a 5 horas hoje pode durar de 40 minutos a 1 hora. Eles reforçam que existem casos e casos, e que a indicação depende da avaliação de cada paciente.
Cirurgia navegada, robô e a mão do cirurgião
O Dr. Heleno explicou que navegada e robótica são coisas diferentes. Na navegação, o sistema orienta a colocação da prótese de quadril ou joelho com margem de erro submilimétrica, mas quem opera é o cirurgião. Para ele, um cirurgião experiente, com a mão apurada, se aproxima da precisão do robô, e cerca de 80% das cirurgias da equipe dele usam navegação.
Ele cita uma diferença de custo de 4 a 5 mil reais em relação à prótese convencional e conta que o equipamento chega a Dracena em caixas e fica cerca de uma semana, com as cirurgias agrupadas, antes de seguir para Bauru, Araçatuba e Rio Preto. Para o Dr. Wesley, o maior obstáculo na região ainda é o boca a boca: tem paciente que espera três anos porque "fulano falou" que a cirurgia não deu certo.
Preparo do solo: antes de operar, cuidar
Um dos conceitos mais lembrados do episódio é o "preparo do solo". A ideia do Dr. Heleno é que, antes de operar, vale tratar a osteoporose e controlar peso e glicemia. Segundo ele, o paciente bem preparado tende a se recuperar mais rápido. E depois da cirurgia o cuidado continua: "antes de operar, você tem que cuidar. Se você operou, vai ter que cuidar do mesmo jeito".
Os médicos também falaram de osteossarcopenia, a perda combinada de osso e músculo, que eles esperam ver crescer com o envelhecimento da população. Eles contaram ainda o caso de uma paciente que caiu porque o fêmur quebrou, e não o contrário, um exemplo de osteoporose sem diagnóstico.
Outra observação veio do centro cirúrgico. Segundo o Dr. Heleno, depois da pandemia apareceram mais casos de necrose da cabeça do fêmur: de 2 a 3 por ano, o número teria no mínimo triplicado nos últimos dois anos. É uma percepção clínica deles, e os próprios médicos ressalvam que não há estudo que comprove essa relação.
Canetas emagrecedoras: com acompanhamento e sem perder músculo
O tema das canetas emagrecedoras entrou na conversa porque Pedro e Mariana usam tirzepatida com acompanhamento do Dr. Caio Bittencourt, que atende na Dracena Medical. Para os ortopedistas, o ponto de atenção é o uso sem acompanhamento. Eles contam que a dose é individual e que tem gente que perde peso rápido, perde músculo junto e depois volta pior, a famosa "canetinha na esquina".
A definição do Dr. Heleno é objetiva: "emagrecimento saudável é você perder gordura sem perder massa muscular". Um dos médicos lembrou que, em quem é sedentário, a massa muscular já cai cerca de 0,5% depois dos 40 e 1% depois dos 60, e que perder peso rápido sem cuidar do músculo piora esse quadro. O recado é perder peso com qualidade, com acompanhamento médico e atividade física.
Inteligência artificial no consultório, com atendimento humano
Na parte de tecnologia, os médicos descreveram o uso de IA no alinhamento personalizado de próteses, na realidade aumentada durante a cirurgia e até no prontuário, para o médico olhar para o paciente em vez de ficar digitando. Sobre o paciente que chega com o laudo do ChatGPT, a conclusão foi equilibrada: ajuda, mas falta contexto, e o ideal é discutir com o médico.
O Dr. Heleno defendeu que a medicina moderna é atendimento humano, não um robô de WhatsApp com "aperte A, aperte B". Ele também contou que passou a olhar o paciente como um todo, e não só o quadril ou o joelho, com apoio de fisioterapia, nutrição e uma equipe que acompanha cada fase do pós-operatório.
Prevenir é mexer o corpo todos os dias
Quando perguntados sobre a melhor prevenção, os dois foram diretos: atividade física, dieta e acompanhamento. O dia tem 24 horas, e pelo menos 40 minutos podem ser só da pessoa. Para eles, a melhor atividade é a que a pessoa realmente faz, e quem pretende correr deve avaliar coração e osso antes e não aumentar o ritmo rápido demais, por causa do risco de fratura por estresse.
A tese que mais ficou na cabeça foi a do Dr. Heleno: com a tecnologia, "a gente acabou economizando calorias". Pagar boleto, acender a luz e trocar o canal deixaram de pedir movimento, e hoje boa parte do trabalho é feito diante de uma tela. A conveniência tem um custo que não aparece na fatura.
Onde encontrar
O episódio foi gravado em Dracena, SP, e os dois ortopedistas atendem na Dracena Medical. Para conhecer o trabalho de cada um, o Dr. Heleno Cavalcante está no Instagram em @ortopedistadrhelenocavalcante e o Dr. Wesley Miqueloti, especialista em coluna, em @drwesleymiqueloticoluna.
Resumo do episódio
No episódio #496 do AdamiCast, os ortopedistas Dr. Heleno Cavalcante e Dr. Wesley Miqueloti, da Dracena Medical, explicam o que mudou na ortopedia e por que isso já chega ao interior. Dr. Wesley, de Panorama, voltou à região depois da residência em Marília e de um fellowship em coluna em Belo Horizonte. Dr. Heleno, na terceira participação, opera próteses de quadril e joelho com navegação e atende em cinco cidades. A conversa passa pelo mito de que coluna não fica boa depois de operar, pela endoscopia de coluna, pela diferença entre cirurgia navegada e robótica e pelo que o paciente precisa fazer antes e depois da cirurgia e pelo cuidado com o músculo no uso de canetas emagrecedoras. Fecha com inteligência artificial no consultório, atendimento humano e o papel da atividade física na prevenção.
Principais aprendizados
- A endoscopia de coluna para hérnia de disco é feita por um corte de cerca de 1 a 1,5 cm nas costas e não tem relação com a endoscopia pela boca, segundo os médicos, que reforçam que cada caso é avaliado individualmente.
- A navegação em prótese de quadril e joelho custa em torno de 4 a 5 mil reais a mais que a cirurgia convencional, segundo o Dr. Heleno, e cerca de 80% das cirurgias da equipe dele já são feitas por navegação.
- No interior, o boca a boca ainda pesa mais que a informação: o Dr. Wesley relata pacientes que chegam ao consultório depois de três anos convivendo com a dor porque alguém disse que a cirurgia não deu certo.
- Segundo o Dr. Heleno, emagrecimento saudável é perder gordura sem perder massa muscular, e por isso as canetas emagrecedoras pedem acompanhamento médico e atividade física, já que em quem é sedentário o músculo cai cerca de 0,5% após os 40 e 1% após os 60.
- Para os médicos, a base da prevenção é atividade física, com pelo menos 40 minutos por dia, dieta equilibrada e acompanhamento, e a melhor atividade é a que a pessoa de fato consegue manter.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a endoscopia de coluna para tratar hérnia de disco?
Segundo o Dr. Wesley Miqueloti, a endoscopia de coluna é uma cirurgia feita por um corte de menos de 1 cm até cerca de 1,5 cm, com uma câmera fina, e não tem relação com a endoscopia pela boca. Os médicos relatam que, antes, a hérnia exigia um corte grande e cirurgias de 4 a 5 horas, e que hoje o procedimento endoscópico leva de 40 minutos a 1 hora e o paciente costuma ir para casa no mesmo dia. A indicação depende de cada caso e só o ortopedista pode avaliar.
Qual a diferença entre cirurgia navegada e cirurgia robótica na prótese de quadril e joelho?
Na cirurgia navegada, um sistema de navegação orienta o cirurgião durante a colocação da prótese, que continua sendo feita pela mão dele. Na robótica, existe um braço robótico, que no relato do Dr. Heleno Cavalcante pesa de 400 a 500 kg e fica instalado no hospital. Ele afirma que um cirurgião experiente se aproxima da precisão do robô e que cerca de 80% das cirurgias da equipe dele usam navegação, que custa em torno de 4 a 5 mil reais a mais que a convencional.
O que é o preparo do solo antes de uma cirurgia ortopédica?
É a expressão que o Dr. Heleno Cavalcante usa para o preparo do corpo antes de operar, como tratar a osteoporose, controlar o peso e a glicemia e fortalecer a musculatura. A ideia é que o paciente chegue à cirurgia em melhores condições e, segundo ele, tenda a se recuperar mais rápido. Depois da operação, o cuidado continua, porque a cirurgia sozinha não resolve o problema de fundo.
Por que usar caneta emagrecedora sem acompanhamento médico preocupa os ortopedistas?
Para os ortopedistas Heleno Cavalcante e Wesley Miqueloti, o risco está em perder peso rápido sem cuidar da massa muscular. O Dr. Heleno define emagrecimento saudável como perder gordura sem perder músculo, e lembra que em quem é sedentário o músculo já cai cerca de 0,5% depois dos 40 e 1% depois dos 60. Segundo os médicos, a dose é individual e o uso deve ter acompanhamento e atividade física. É uma orientação geral do episódio, e a decisão sobre usar ou não é sempre com o médico.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.