Fábio Cegatto Martins nasceu em Dracena, cresceu em Junqueirópolis e hoje atende como médico reumatologista na cidade onde veio ao mundo. Filho de professora de Ciências e caçula de três irmãos, ele conta no episódio 494 do AdamiCast como chegou a uma das especialidades menos compreendidas da medicina.
Na conversa com Mariana e Pedro Adami, gravada ao vivo em Dracena, o Dr. Fábio explica o que faz um reumatologista, por que a fibromialgia ainda carrega tanto preconceito e por que o “simples bem feito” (exercício, sono e acolhimento) continua sendo um dos melhores remédios. É um episódio útil para quem convive com dor crônica e para quem cuida de alguém que convive.
De Dracena a Junqueirópolis: a semente da medicina
Ele nasceu no antigo Hospital da Mulher, em Dracena, prédio que depois passou a abrigar o AME, o Ambulatório Médico de Especialidades. A infância foi em Junqueirópolis, ao lado da mãe professora de Ciências e dos irmãos. A irmã mais velha, Luciana, foi a primeira médica da família e abriu as portas da medicina para ele.
A graduação foi em Presidente Prudente e a residência em Clínica Médica, no Hospital de Base de São José do Rio Preto. Ao voltar, o primeiro trabalho foi justamente no AME de Dracena, no mesmo prédio onde nasceu. Ele conta essa coincidência com emoção, e ela dá ao episódio um sabor muito regional.
O médico que tinha medo de sangue
A contradição rende uma das passagens mais divertidas da conversa: o futuro médico tinha medo de sangue. A resposta que ele deu a si mesmo foi simples, a gente consegue se adaptar, e foi se adaptando aos poucos até o medo deixar de ser obstáculo.
A escolha da especialidade veio por eliminação. Durante a formação, foi descobrindo o que não queria, passou pela clínica médica em Rio Preto, conheceu a equipe de Reumatologia e encontrou ali um mentor que o incentivou. Para estudantes, fica a lição de que saber o que você não quer também funciona como bússola.
Reumatologia, a especialidade Sherlock Holmes
Segundo ele, quando ninguém sabe o que a pessoa tem, acaba chamando um reumatologista. A especialidade não cuida de um órgão só: investiga dor, inflamação e doenças autoimunes, em que o sistema de defesa ataca o próprio corpo. A imagem que ele usa é a do detetive, porque muitas vezes a doença não lê o livro.
Para o Dr. Fábio, dor não aparece em exame e diagnóstico não é sentença. Tratar doença crônica é olhar a pessoa inteira, criar vínculo e acompanhar uma jornada longa, que ele compara a um casamento, com altos e baixos. Bom controle, para ele, é autonomia: tomar banho sozinho, visitar os netos.
Fibromialgia: a doença sem exame e o preconceito dentro de casa
Um dos blocos mais longos do episódio é sobre fibromialgia. Não existe exame que feche o diagnóstico, e os exames pedidos servem para descartar outras doenças. Como não aparece em resultado, muita gente acha que a doença não existe. Dentro de casa, o paciente ouve que é preguiça ou falta de fé, e por isso o médico pede que quem mora junto vá à consulta.
O principal tratamento, explica, é a atividade física, e a forma de contar isso ao paciente faz toda a diferença. Ele também defende que o paciente seja reconhecido para ter acesso a um tratamento melhor, com hidroterapia e fisioterapia. Na conversa, ele lembra ainda que a gota é mais comum em homens, que o lúpus e a fibromialgia são mais comuns em mulheres, e fala da sobrecarga de quem cuida de todo mundo.
Imunobiológicos, informação e o simples bem feito
Quando começou a residência, a recepção do ambulatório parecia um cenário de guerra, com pacientes deformados pela doença. Os imunobiológicos mudaram esse quadro. Sobre o aparente aumento das doenças autoimunes, ele cita envelhecimento da população, diagnóstico melhor e estilo de vida, sem apostar numa resposta única.
Ele também alerta que pacientes crônicos são frágeis e que número de seguidores não substitui especialidade e reputação. Defende a IA como ferramenta, parecida com um microscópio, que só ajuda quem sabe olhar. E prescreve exercício por escrito, porque o papel vira compromisso. A filosofia dele cabe em três verbos: acolher, aliviar e ajudar.
Onde encontrar
O Dr. Fábio Cegatto Martins atende em Dracena, SP, e está no Instagram em @fabiocegatto.
Este conteúdo é informativo e não substitui a consulta com um médico.
Resumo do episódio
Fábio Cegatto Martins é reumatologista, nascido em Dracena e criado em Junqueirópolis. Filho de professora de Ciências e irmão de uma médica, entrou na Medicina apesar do medo de sangue e chegou à Reumatologia por eliminação, depois da clínica médica em Rio Preto. Voltou para trabalhar no AME de Dracena, no prédio onde nasceu. No episódio, explica o que faz a especialidade, como os imunobiológicos mudaram o tratamento e por que a fibromialgia, sem exame que a confirme, ainda sofre preconceito. Fecha defendendo exercício, informação confiável e acolhimento.
Principais aprendizados
- Escolher uma especialidade por eliminação, descobrindo o que você não quer, também é um caminho legítimo.
- Reumatologia é investigação: muitas vezes a doença não lê o livro, e o diagnóstico exige olhar a pessoa inteira.
- Fibromialgia não aparece em exame, e os exames servem para descartar outras doenças, não para confirmá-la.
- O preconceito com a dor invisível começa dentro de casa, por isso levar a família à consulta ajuda o tratamento.
- Prescrever exercício por escrito cria compromisso, e o papel na mão do paciente funciona como um contrato.
Perguntas respondidas neste episódio
O que faz um reumatologista?
O reumatologista investiga e trata dores, inflamações e doenças autoimunes, em que o sistema de defesa ataca o próprio corpo. Como a especialidade não cuida de um único órgão, o médico precisa olhar a pessoa inteira. Segundo o Dr. Fábio Cegatto Martins, é uma especialidade de investigação, parecida com o trabalho de um detetive.
Fibromialgia aparece em exame?
Não. Não existe exame que confirme o diagnóstico de fibromialgia. Os exames pedidos servem para descartar outras doenças que podem ser confundidas com ela, e o diagnóstico depende da avaliação clínica. Por não aparecer em resultado, muita gente acha que a doença não existe, o que alimenta o preconceito.
Por que as doenças autoimunes parecem estar aumentando?
Para o Dr. Fábio, é um conjunto de fatores: a população vive mais, o diagnóstico melhorou e o estilo de vida mudou. Ele ressalta que dificilmente haverá uma resposta única para essa pergunta.
Dor na articulação: procurar ortopedista ou reumatologista?
Quando a dor vem de um trauma, o caminho costuma ser o ortopedista. Quando não houve trauma e a dor persiste, vale procurar o reumatologista, que tem o conhecimento para investigar a causa. Em caso de dúvida, a avaliação de um médico é o melhor ponto de partida.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.