Zé Márcio Fruchi cresceu numa família com propriedade rural, cercado de gado, cachorros e gatos, então nem precisou escolher a veterinária: ela sempre esteve por perto. Entrou na faculdade pensando em trabalhar com grande porte, cavalo, boi, mas foi nos estágios com pets que encontrou o que viraria sua profissão para o resto da vida.
Formado no final de 2006, ele passou por um começo de carreira nada glamouroso: um plantão de 24 horas numa clínica do Paraná, morando literalmente em cima do consultório. Durou pouco mais de um mês. Voltou para Dracena e, em junho ou julho de 2007, abriu as portas da World Pet, clínica que comanda até hoje.
Da fazenda ao consultório: uma paixão que vem de longe
Zé Márcio conta que sempre teve animal em casa, desde criança. Isso moldou a escolha da faculdade e, mais tarde, mudou de rumo dentro dela: o plano inicial era clinicar grandes animais, mas o contato direto com cães e gatos nos estágios reorientou toda a carreira.
Ele também observa como o mercado mudou ao longo desses quase 20 anos: o animal deixou de ser só “bicho de guarda” e passou a ser tratado como parte da família, o que mudou tudo, do consumo de ração e acessórios até a forma como o tutor vive o luto quando o pet morre.
O plantão no Paraná e a decisão de voltar para casa
Antes de abrir a própria clínica, Zé Márcio testou o outro lado da profissão: foi trabalhar de trem para o Paraná, aceitou um plantão de 24 horas e passou a morar em cima da própria clínica onde atendia. A rotina pesou rápido, e pouco mais de um mês depois ele já estava de volta.
Foi essa experiência que o empurrou de vez para Dracena. Ele procurou um imóvel na cidade e montou a estrutura que, com o tempo, se tornaria a World Pet, hoje uma referência local em atendimento veterinário.
Quase duas décadas de evolução: da cirurgia à ração
Um dos fios condutores do episódio é o quanto a veterinária avançou desde que Zé Márcio começou. As cirurgias, segundo ele, ficaram muito menos invasivas: cortes que antes eram bem maiores hoje se resumem a um único ponto pequeno em procedimentos como castração.
O mesmo vale para a nutrição. Antigamente existiam basicamente dois tipos de ração, filhote e adulto. Hoje há linhas terapêuticas específicas para cada fase e cada necessidade do animal, e ele defende que investir em uma ração melhor tende a evitar gastos maiores com remédio mais à frente.
O lado emocional: quando o veterinário precisa “prevalecer”
Lidar com o tutor é, segundo Zé Márcio, uma das partes mais difíceis do trabalho, às vezes mais difícil do que o procedimento clínico em si. Ele descreve casos de emergência tensos, como um episódio noturno em que o dono tinha certeza de que havia matado o próprio cachorro, e a cirurgia que reverteu a situação.
Ele também fala sobre o limite entre ser “amigo” do tutor e ser o profissional que precisa tomar a decisão certa, mesmo quando ela não é a mais simpática no momento. Às vezes isso significa assumir um procedimento na própria clínica, mesmo sabendo que o animal vai ficar bravo com ele, para garantir que o tratamento realmente aconteça.
Empreender além da técnica: precificação, estoque e equipe
Passado o susto do começo de carreira, veio outro desafio: transformar conhecimento técnico em negócio. Zé Márcio é direto ao dizer que ninguém ensina isso na faculdade. Uma coisa é saber a veterinária, outra é precificar o serviço, controlar estoque, gerir equipe e cuidar da parte fiscal, tudo isso empreendendo no Brasil, com toda a burocracia que isso envolve.
É um retrato comum entre profissionais técnicos de cidades como Dracena, que abrem consultório, clínica ou oficina e descobrem, na prática, que também viraram gestores do próprio negócio.
Nas duas rodas: motos de alta velocidade como segunda paixão
Fora da clínica, Zé Márcio tem outra paixão declarada: motociclismo de estrada e velocidade. Já fez viagens de quase 3.000 km e relembra perrengues como enfrentar a Serra do Rio do Rastro a 8°C debaixo de chuva.
Ele também conta a frustração de ter uma viagem para acompanhar o Moto GP na Argentina cancelada dias antes de embarcar, e uma lição que aprendeu estradas afora: cruzou com motoqueiros de moto simples e presumiu que era por falta de condição financeira, até descobrir que eram profissionais bem-sucedidos, médico e promotor entre eles, que escolhiam viajar devagar por prazer, não por limitação.
Onde encontrar
O papo completo com José Márcio Fruchi foi gravado em Dracena, SP, no estúdio do AdamiCast. Para acompanhar o trabalho dele na clínica, siga @jfruchi e @worldpetclinicaveterinaria no Instagram.
Resumo do episódio
José Márcio Fruchi cresceu rodeado de animais e consolidou essa paixão na veterinária, descobrindo durante os estágios que pets o atraíam mais que grandes animais. Depois de uma breve experiência com plantão no Paraná, abriu a World Pet em Dracena em 2007, onde comanda até hoje uma clínica que acompanhou a transformação do mercado pet, que deixou de ver o animal como simples bicho de guarda para tratá-lo como membro da família. O episódio documenta quase duas décadas de evolução na medicina veterinária, os desafios de empreender sem formação em gestão e a outra paixão de Fruchi: motociclismo de estrada.
Principais aprendizados
- A escolha da veterinária de pets sobre grandes animais veio durante os estágios, reorientando um plano inicial de clinicar cavalos e boi.
- Cirurgias veterinárias ficaram muito menos invasivas ao longo dos anos, reduzindo cortes grandes a um único ponto pequeno em procedimentos como castração.
- O mercado de ração evoluiu de dois tipos básicos (filhote e adulto) para linhas terapêuticas específicas para cada fase e necessidade do animal.
- A faculdade de veterinária não ensina precificação, controle de estoque, gestão de equipe e burocracia fiscal, obrigando técnicos a aprender na prática como empreender.
- Lidar com o tutor do animal é frequentemente mais desafiador que o procedimento clínico em si, exigindo equilíbrio entre ser amigo e tomar decisões profissionais impopulares.
Perguntas respondidas neste episódio
Como surgiu a World Pet e quando começou a funcionar?
A clínica foi aberta em junho ou julho de 2007 em Dracena, pouco tempo depois que José Márcio retornou de uma experiência com plantão no Paraná que durou pouco mais de um mês.
Por que José Márcio mudou do interesse em grandes animais para focar em pets?
Durante os estágios da faculdade, o contato direto com cães e gatos reorientou toda a sua carreira, levando-o a escolher trabalhar com pets em vez de prosseguir com o plano inicial de clinicar grandes animais.
Como mudou a forma como as pessoas tratam seus animais de estimação?
O animal deixou de ser visto apenas como bicho de guarda e passou a ser tratado como parte da família, mudando tudo desde o consumo de ração e acessórios até a forma como o tutor vive o luto quando o pet morre.
Qual a principal dificuldade em ser veterinário segundo José Márcio?
Lidar com o tutor é uma das partes mais difíceis do trabalho, às vezes mais difícil que o procedimento clínico em si, especialmente quando é preciso tomar decisões que não são simpáticas no momento mas são necessárias para o tratamento.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.