#449

Da enfermagem à nefrologia: a trajetória de Wilson Baptista de Jesus Filho | #449

26 de fevereiro de 2026 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #449 do AdamiCast

No episódio #449 do AdamiCast, Pedro e Mariana receberam Wilson Baptista de Jesus Filho, ex-enfermeiro com 32 anos de carreira e pós-graduado em nefrologia. Uma trajetória que começou no Hospital Maternidade de Dracena, passou pela UTI da Santa Casa, percorreu anos de hemodiálise e chegou até as salas de aula e, mais recentemente, ao diaconato. Wilson contou histórias que poucos ousariam guardar só para si.

O trem de madrugada e a faculdade em Adamantina

Wilson começou a carreira sem ter curso superior. Para conseguir estudar, pegava o trem da FEPASA de madrugada, ia até Adamantina, assistia às aulas na FEL (hoje Unify) e voltava para trabalhar. Fez isso por anos. O esforço não era exceção, era rotina. Foi assim que construiu a base que sustentou três décadas de carreira.

Do Hospital Maternidade a UTI da Santa Casa

O começo foi no Hospital Maternidade de Dracena. Com o tempo, Wilson foi para a UTI da Santa Casa, onde o ritmo e a gravidade dos casos eram outros. Foi ali que aprendeu o que é trabalhar com vida pendente por um fio, e que o técnico de enfermagem não é apenas executor de ordens, mas alguém que lê o paciente o tempo todo.

O lobinho: o paciente que voltou para agradecer

Um dos momentos mais marcantes que Wilson contou foi o de um paciente em coma. Wilson conversava com ele durante os cuidados, como fazia com todos, sem saber se alguém ouvia. O paciente se recuperou. Tempos depois voltou ao hospital e procurou Wilson. Havia guardado a voz. Havia entendido as palavras. Para agradecer, trouxe uma plaquinha de madeira entalhada com o nome de Wilson. Esse episódio virou símbolo do que Wilson chama de presença: o corpo do profissional está ali, mas o cuidado vai além do técnico.

O acidente de 1991 e as 60 horas sem dormir

Em 1991, um ônibus com estudantes sofreu um acidente que parou Dracena. Quatorze mortos. O hospital não tinha estrutura para absorver aquele volume de vítimas ao mesmo tempo. Wilson trabalhou 60 horas seguidas. No meio do caos, encontrou um estudante que estava dado como morto, virado de bruços em uma maca. Ao virar o corpo, percebeu que o jovem estava vivo. Foi um dos momentos mais pesados e mais marcantes de toda a trajetória.

17 anos na nefrologia e hemodialise

Os últimos 17 anos da carreira de Wilson foram dedicados à nefrologia e à hemodiálise. Fez a pós-graduação na área e trabalhou num setor que exige vínculo diferente com o paciente: quem faz hemodiálise volta três vezes por semana, toda semana. O paciente não é um desconhecido. É alguém que você conhece pelo nome, pela família, pelo humor de cada dia. Wilson diz que esse vínculo é o que torna o setor exigente e ao mesmo tempo muito humano.

Professor em tres instituicoes

Enquanto atuava como enfermeiro, Wilson também dava aulas. Passou por FUNDEC, FAI (hoje Unify) e Unifadra. Chegou a ter cinco carteiras assinadas ao mesmo tempo, somando plantões, atendimentos e aulas. Não era falta de planejamento, era o custo de construir uma carreira diversa numa cidade do interior onde cada oportunidade valia.

Diretor de saude mental em 2023

Em 2023, Wilson assumiu a diretoria de saúde mental de Dracena. A mudança de função depois de décadas na enfermagem clínica exigiu adaptação, mas a base era a mesma: entender o que o outro precisa antes de falar o que você tem para oferecer. A passagem pela gestão foi mais um capítulo numa carreira que nunca ficou parada.

A teologia, o diaconato e a pastoral

Depois de encerrar a carreira na enfermagem, Wilson entrou para a escola de teologia da Fajopa em Marília e para a escola diaconal da Diocese de Marília. Hoje atua na Pastoral da Consolação e da Esperança, fazendo a bênção de Ezéquias em funerárias. É a mesma presença que ele exercia na UTI e na hemodiálise, agora em outro contexto. Wilson diz que a passagem pela enfermagem preparou bem para isso: são mais de três décadas cuidando de pessoas no pior momento.

Topicos abordados no episodio

  • O trem da FEPASA de madrugada para estudar na FEL em Adamantina
  • O início no Hospital Maternidade de Dracena e a passagem para a UTI da Santa Casa
  • O paciente em coma que voltou para agradecer com uma plaquinha de madeira entalhada
  • O acidente com o ônibus de estudantes em 1991: 14 mortos, 60 horas seguidas de trabalho
  • O estudante encontrado vivo na maca depois de ser dado como morto
  • 17 anos de nefrologia e hemodiálise e o vínculo com o paciente que volta três vezes por semana
  • A pós-graduação em nefrologia e a formação contínua ao longo da carreira
  • As aulas em FUNDEC, FAI/Unify e Unifadra
  • As cinco carteiras assinadas simultâneas
  • A diretoria de saúde mental de Dracena em 2023
  • A escola de teologia na Fajopa Marília e a escola diaconal da Diocese de Marília
  • A Pastoral da Consolação e da Esperança e a bênção de Ezéquias em funerárias
  • A presença como fio condutor de toda a trajetória: na UTI, na hemodiálise e na pastoral

O AdamiCast #449 é um episódio sobre uma vida construída no cuidado ao outro. Trinta e dois anos de enfermagem, dezenas de histórias que ficaram, e uma nova etapa que começa onde a carreira terminou.

Resumo do episódio

Wilson Baptista de Jesus Filho relata sua trajetória de 32 anos na enfermagem, começando sem curso superior ao pegar o trem de madrugada para estudar em Adamantina enquanto trabalhava. Passou pelo Hospital Maternidade de Dracena, UTI da Santa Casa, 17 anos em nefrologia e hemodiálise, além de lecionar em três instituições simultaneamente. Suas histórias revelam como a presença atenta e o cuidado genuíno marcaram pacientes em momentos críticos, incluindo um acidente em 1991 com 14 mortos e pacientes que voltaram para agradecer. Atualmente atua na pastoral e escola diaconal, levando para a fé a mesma dedicação que exerceu na enfermagem.

Principais aprendizados

  • O estudo em paralelo ao trabalho exigiu sacrifício de rotina: Wilson pegava trem de madrugada para assistir aulas em Adamantina enquanto mantinha emprego em Dracena.
  • Na UTI, o técnico de enfermagem não executa apenas ordens, mas lê o paciente o tempo todo e detecta sinais que salvam vidas.
  • O vínculo diferenciado ocorre em hemodiálise porque o paciente retorna três vezes por semana, tornando a relação humana e exigente simultaneamente.
  • Conversar com paciente em coma pode ser escutado e registrado, como demonstrado pelo paciente que voltou tempos depois para agradecer.
  • A presença profissional vai além da execução técnica: é estar inteiro para o outro, o que prepara para cuidado em qualquer contexto, inclusive pastoral.

Perguntas respondidas neste episódio

Como Wilson Baptista conseguiu estudar enfermagem trabalhando em Dracena?

Pegava o trem da FEPASA de madrugada, ia até Adamantina para assistir às aulas na FEL e voltava para trabalhar. Manteve essa rotina por anos enquanto construía sua carreira, combinando estudo e trabalho.

Qual foi a importância do trabalho em hemodiálise na carreira de Wilson?

Dedicou 17 anos à hemodiálise após pós-graduação em nefrologia. Este setor criou vínculo diferente com pacientes que retornavam três vezes por semana, tornando a relação muito humana e exigente pela continuidade do cuidado.

O que foi o acidente de 1991 que marcou a carreira de Wilson?

Um ônibus com estudantes sofreu acidente que causou 14 mortos em Dracena. Wilson trabalhou 60 horas seguidas. Entre as vítimas, encontrou um estudante dado como morto que estava vivo, conseguindo salvá-lo ao virar o corpo que estava de bruços.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.