#397

Programação de jogos digitais e o futuro da educação técnica: a história de Cátia e Alexandre | #397

20 de maio de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #397 do AdamiCast

Cátia Afonso é diretora do Colégio Maxi, uma iniciativa do CEP Umi ligado à Fundec, em Dracena, SP. Ao lado do professor Alexandre Queiroz, especialista em tecnologia da informação com décadas de experiência em linguagens de programação, ela veio ao AdamiCast para contar como uma escola pensada para a comunidade local está formando os programadores de amanhã, com equipamentos de ponta e uma proposta curricular que combina ensino médio e curso técnico em programação de jogos digitais em um único percurso de três anos.

O episódio foi mais do que uma conversa sobre tecnologia: foi uma aula sobre o que significa preparar jovens para um mercado de trabalho que muda mais rápido do que qualquer grade curricular consegue acompanhar. Enquanto Alexandre falava de C Sharp, Unity e lógica de programação, Cátia revelava o lado humano do projeto: os alunos tímidos que ganharam voz na feira de profissões, a aluna de 17 anos com quatro propostas de trabalho no currículo, o olhar emocionado dos pais ao ver o jogo que o filho desenvolveu.

O Colégio Maxi e a proposta das duas formações

O Colégio Maxi nasceu com um objetivo claro: oferecer ao aluno que termina o nono ano do ensino fundamental a chance de cursar o ensino médio e um curso técnico em programação de jogos digitais ao mesmo tempo. São três anos de formação integrada, com sete aulas diárias mesclando disciplinas da base curricular e matérias técnicas, tudo isso por R$ 659 mensais em 2025, valor que já inclui o material didático da plataforma Somos Educação.

A escola faz parte do CEP Umi, mantido pela Fundec, a mesma instituição que mantém a Unifadra. Isso garante que os professores das disciplinas técnicas são os mesmos docentes da faculdade, enquanto os professores da base curricular são os mesmos do Ângulo. “São dois cursos em um só caminho”, resume Cátia. A integração é deliberada: reuniões de professores são sempre conjuntas, e a proposta é que o aluno sinta desde o início que está numa única jornada, não em dois mundos paralelos.

Alexandre Queiroz e o amor pela programação

Alexandre Queiroz tem uma trajetória que começa nos anos 1990, com cursos de Dbase e Clipper na própria Fundec, passando por dezesseis linguagens de programação ao longo da carreira. Hoje, como especialista em TI e professor no Maxi e no curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Unifadra, ele é o responsável por apresentar a lógica de programação para jovens de 14 e 15 anos que muitas vezes nunca abriram um editor de código.

Para Alexandre, a linguagem não é o ponto de partida: a lógica é. “Todo mundo usa lógica no dia a dia, só não chama de lógica”, ele diz. O curso começa pelo pensamento algorítmico, pelo entendimento de como estruturar um passo a passo, e só depois mergulha nas ferramentas: Unity, Unreal, C Sharp e Blueprint, a linguagem visual por blocos. O objetivo não é formar só game developers, mas profissionais que entendem como sistemas funcionam, de carros automatizados a aplicações web.

Quando jogar vira trabalho: o mercado de jogos digitais

Uma das histórias mais marcantes do episódio é a de uma aluna de 17 anos que, a partir de um trabalho indicado pelo próprio Alexandre para um médico local, acabou acumulando quatro propostas de trabalho simultâneas, incluindo uma de uma plataforma de São Paulo que viu seu portfólio online. É esse tipo de trajetória que o professor usa para mostrar que a formação técnica em jogos abre portas muito além dos games em si.

Alexandre explica que 80% das pessoas que usam algum dispositivo digital interagem com algum tipo de jogo ou aplicativo interativo. Depois da pandemia, esse número só cresceu. E os princípios que governam a programação de um personagem num cenário virtual são os mesmos que controlam um carro autônomo, um drone agrícola ou um simulador de voo. “A diferença entre um Tesla que anda sozinho e um jogo é que um está na vida real e no jogo você não corre risco”, resume Alexandre.

A feira de profissões e os jogos feitos pelos alunos

No ano anterior à gravação, o stand do Colégio Maxi na feira de profissões foi o mais visitado do evento. Os alunos apresentaram jogos que eles mesmos haviam desenvolvido, instalaram nas máquinas, explicaram o processo para os visitantes, receberam perguntas de pais que muitas vezes não tinham ideia do que os filhos estavam aprendendo. Cátia lembra da surpresa ao ver alunos tímidos ganharem desenvoltura diante das câmeras e do público. “Quando é você que fez, você tem clareza para falar tudo.”

Um dos projetos mais criativos em andamento na época da gravação era uma suíte de jogos educacionais desenvolvida pelas três turmas do Maxi, voltada para alunos do fundamental 2. Cada grupo escolheu uma disciplina e criou um jogo para gamificar o aprendizado. A ideia é apresentar os resultados na próxima feira de profissões, com demos disponíveis para celular.

Tecnologia, inteligência artificial e o papel do inglês

A conversa entre Alexandre e Pedro percorreu um terreno amplo: o uso da inteligência artificial como ferramenta de aprendizado na programação, a realidade aumentada nas aulas de história, alunos construindo mesquitas em 3D para “visitá-las” com óculos de realidade virtual, e a questão energética do processamento de IA em escala global. Alexandre foi direto sobre o que pensa: “Se você não utilizar IA daqui alguns anos, você está fora do mercado.”

Outro ponto de destaque foi o inglês técnico. Alexandre admitiu ter perdido uma oportunidade de emprego por não dominar o idioma com fluência, e destacou que ler em inglês é pré-requisito para qualquer programador. A linguagem de programação já é em inglês por natureza: entender a documentação, os fóruns e os tutoriais é parte indissociável da formação.

Onde encontrar

Cátia Afonso e Alexandre Queiroz estão em Dracena, SP. O Colégio Maxi fica na Rua Brasil, 1487. As inscrições para o ensino médio integrado ao técnico em programação de jogos digitais abrem em agosto para o ano seguinte. O CEP Umi também oferece cursos técnicos noturnos em enfermagem, radiologia, segurança do trabalho, estética e edificações, com matrículas abertas para 2026.

Siga a Cátia no Instagram: @catiaboaretto. Siga o Alexandre: @_alex.queiroz. Siga o Colégio Maxi: @maxidracena.

Resumo do episódio

O episódio aborda a formação integrada de ensino médio e curso técnico em programação de jogos digitais oferecida pelo Colégio Maxi em Dracena. Cátia Afonso, diretora, e Alexandre Queiroz, professor especialista em tecnologia, explicam como a escola prepara jovens para um mercado de trabalho que exige compreensão de lógica de programação, ferramentas como Unity e C Sharp, e fluência em inglês técnico. Histórias concretas de alunos que já têm propostas de trabalho e a experiência bem-sucedida na feira de profissões mostram o impacto prático da formação.

Principais aprendizados

  • A formação integrada no Colégio Maxi combina ensino médio com curso técnico em três anos, com sete aulas diárias e custo de R$ 659 mensais incluindo material didático.
  • A lógica de programação é ensinada antes das ferramentas específicas, com foco em pensamento algorítmico aplicável desde jovens de 14 e 15 anos.
  • Princípios de programação de jogos governam também sistemas reais como carros autônomos e drones agrícolas, ampliando as oportunidades profissionais além dos games.
  • Alunos do Maxi desenvolvem projetos práticos e reais, como uma aluna de 17 anos que recebeu quatro propostas de trabalho a partir de um projeto indicado pelo professor.
  • O domínio do inglês técnico é pré-requisito indissociável para programadores, necessário para ler documentação, fóruns e tutoriais.

Perguntas respondidas neste episódio

Quanto custa o curso de ensino médio integrado ao técnico em programação de jogos digitais no Colégio Maxi?

O curso integrado tem mensalidade de R$ 659 em 2025, valor que inclui o material didático da plataforma Somos Educação. A formação dura três anos após a conclusão do nono ano do ensino fundamental.

Por onde começa o ensino de programação para iniciantes sem experiência?

O ensino começa pela lógica e pensamento algorítmico, ensinando como estruturar um passo a passo antes de mergulhar em ferramentas específicas como Unity, Unreal, C Sharp e Blueprint. A abordagem reconhece que todos usam lógica no dia a dia.

Quais são as oportunidades de carreira após a formação em programação de jogos digitais?

As oportunidades vão além de desenvolvimento de games. Os mesmos princípios de programação aplicam-se a carros autônomos, drones agrícolas e simuladores de voo. Alunos já conquistam propostas de trabalho durante o curso, inclusive de empresas em São Paulo.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.