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Educação como vocação: a história de Irmes Mattara | #424

14 de outubro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #424 do AdamiCast

Irmes Roque Mattara está na educação há mais de 30 anos, mas sua história começa muito antes do cargo. Começou como professora de magistério aos 17 anos, grávida, conciliando estudos, filhos e trabalho em Ilha Solteira. Voltou à faculdade dez anos depois, fez ciências, matemática, pedagogia, pós-graduação, mestrado e passou no concurso de supervisão de ensino. Hoje é Dirigente Regional de Ensino da Unidade Regional de Adamantina, responsável por 22 municípios, 33 escolas estaduais e cerca de 20 mil alunos.

O episódio 424 do AdamiCast foi gravado no Dia do Professor, e a conversa mistura memória afetiva, análise de políticas públicas e uma franqueza rara sobre os desafios de gerir pessoas numa rede tão grande. Irmes chegou em Dracena para uma visita que virou um bate-papo de mais de uma hora, cheio de referências à realidade da Nova Alta Paulista.

A mãe professora e o primeiro aluno

Irmes cresceu vendo a mãe dar aulas. Professora de artes e primária, ela tinha um jeito visionário de enxergar o potencial das pessoas. Quando percebeu que a filha tinha habilidade para ensinar, delegou: o irmão mais novo, sete anos menor que Irmes, virou o primeiro aluno. Logo os amigos do irmão também apareciam no fundo de quintal para aprender. Essa turma improvisada foi o começo de tudo.

A mãe também foi a força que empurrou Irmes de volta aos estudos depois de dez anos longe da faculdade. Ficava com os netos, bancava cuidadoras, fazia o que fosse necessário para a filha continuar. Irmes credita a ela não só o incentivo, mas a visão de que educar é um ato que vai muito além da sala de aula.

De Ilha Solteira a Dracena, de Dracena a Adamantina

O primeiro emprego foi na PAI, em Ilha Solteira, com o magistério ainda incompleto. Ela tinha a filha bebê no colo e acabou ficando dez anos na cidade, tendo os três filhos e trabalhando meio período. Quando voltou a estudar, fez três graduações seguidas: ciências, matemática e pedagogia. Depois vieram a pós em psicopedagogia, o mestrado, o concurso de supervisão de ensino e o ingresso em São Paulo, na Diretoria de Casa Verde. De lá foi para Andradina e depois para Adamantina, onde está desde 2013. Assumiu a Diringência Regional em 2019.

Durante esse percurso, Irmes também foi Secretária Municipal de Educação de Dracena, na gestão do então prefeito Célio Regiani, e deu aulas na faculdade, no curso de pedagogia. Cada etapa foi um degrau que ela descreve com clareza: sem o acúmulo de experiências, não teria o olhar que tem hoje para gerir uma rede tão grande.

A pandemia e a virada de chave

A pandemia acelerou mudanças que a educação vinha adiando há décadas. O celular, que antes era proibido em sala de aula, virou a única ferramenta. Plataformas digitais foram adotadas em massa. Mas quando as aulas voltaram presencialmente, os problemas apareceram: conflitos que lembravam situações superadas vinte anos antes, dificuldade de concentração, alunos que nunca haviam se separado da tela.

A Diretoria Regional firmou parcerias para enfrentar isso, incluindo um trabalho conjunto com a juíza de Adamantina em torno do programa Justiça pela Paz, focado na convivência e na resolução de conflitos. A lógica, explica Irmes, é focar na solução, não no problema. Um dos resultados mais concretos veio na sequência: a lei de proibição do celular em sala de aula, que consolidou o que muitos professores já pediam.

Prontos pro Mundo: alunos de escola pública no exterior

Um dos programas que Irmes menciona com mais entusiasmo é o Prontos pro Mundo, da Secretaria Estadual de Educação. Estudantes do ensino médio passam por processo seletivo com provas e critérios de frequência e podem ir para países de língua inglesa como Irlanda, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, por 90 dias, custeados pelo estado.

Na Regional de Adamantina, o impacto no ensino de inglês foi imediato. A média na prova paulista bimestral dessa disciplina dobrou: saiu de 39-40% de rendimento para mais de 65%. Alunos de Dracena já participaram em semestres anteriores, e mais três estavam se preparando para embarcar para o Reino Unido, Austrália e Irlanda ao final de 2025. O programa existe porque um aluno de escola pública muitas vezes nunca saiu da cidade onde nasceu. Ir para fora por mérito próprio, sem custo, muda perspectivas de vida.

Cursos técnicos, estágio remunerado e o futuro do ensino médio

A rede estadual também vem expandindo os cursos técnicos integrados ao ensino médio. Na Regional de Adamantina, já existem técnicos em vendas, administração, agronegócio e informática. Para 2026, chegará o primeiro curso técnico em farmácia numa escola estadual da região. O modelo funciona junto com o programa Estágio do Bem: enquanto o aluno cursa o ensino médio, o estado de São Paulo custeia o estágio em empresas parceiras. Empregador, aluno e escola saem ganhando.

Para Irmes, o raciocínio é simples: o aluno que sai com um curso técnico começa a vida profissional num degrau acima. Se não tiver condições de pagar uma faculdade de imediato, já tem uma profissão. Se quiser seguir estudando, parte de um lugar melhor. E o conhecimento, ela lembra, ninguém tira.

O desafio maior: gerir pessoas

Quando Pedro pergunta qual é o principal desafio do cargo, a resposta de Irmes é direta: gestão de pessoas. Numa rede com mais de 700 professores e 20 mil alunos só nas escolas estaduais, cumprir o que está posto em lei significa, muitas vezes, dizer não. E dizer não desagrada.

Ela descreve esse equilíbrio com precisão: agir dentro dos parâmetros legais é o que garante direitos iguais para todos, mas nem sempre é o que cada pessoa quer ouvir. Ao mesmo tempo, reconhece que a complexidade das relações humanas hoje, com menos convivência presencial e mais individualismo alimentado pelas telas, torna esse trabalho ainda mais delicado. A frase que resume sua postura: quando você agrada a todos, você não faz gestão.

Onde encontrar

Irmes Roque Mattara está em Dracena, SP. Você pode acompanhar o trabalho dela pelo Instagram: @irmesroquemattara e @ure.adamantina.

Resumo do episódio

Irmes Mattara, Dirigente Regional de Ensino de Adamantina há mais de 30 anos na educação, conta sua trajetória desde professora aos 17 anos até gestora de uma rede com 22 municípios, 33 escolas e 20 mil alunos. A conversa aborda como a pandemia acelerou transformações digitais, programas de mobilidade internacional para alunos de escola pública, expansão de cursos técnicos integrados ao ensino médio e o desafio central da gestão de pessoas numa rede complexa.

Principais aprendizados

  • A pandemia consolidou mudanças que a educação adiava há décadas, como a integração de plataformas digitais e celulares, que exigiu novas estratégias para lidar com conflitos e concentração após o retorno presencial.
  • O programa Prontos pro Mundo permite que alunos de escola pública sejam selecionados por mérito para estudar no exterior por 90 dias, custeados pelo estado, impactando imediatamente o desempenho em língua inglesa na região.
  • Cursos técnicos integrados ao ensino médio, como vendas, administração, agronegócio e informática, permitem que alunos entrem no mercado de trabalho num patamar mais elevado ou continuem estudando com melhor base.
  • A influência educacional não começa na carreira profissional: Irmes teve sua mãe como modelo de educadora visionária que reconheceu e desenvolveu seu potencial desde criança.
  • Gerir uma rede pública grande significa cumprir parâmetros legais que garantem direitos iguais, nem sempre alinhados com desejos individuais, exigindo clareza sobre prioridades coletivas.

Perguntas respondidas neste episódio

Como o programa Prontos pro Mundo funciona para alunos de escola pública?

Estudantes do ensino médio passam por seleção com provas e critérios de frequência, podendo ir para países de língua inglesa como Irlanda, Reino Unido, Canadá, Nova Zelândia e Austrália por 90 dias, com custos totalmente cobertos pelo estado. O programa busca ampliar perspectivas de alunos que muitas vezes nunca saíram da cidade onde nasceram.

Qual foi o impacto do programa Prontos pro Mundo no ensino de inglês na região?

A média na prova paulista bimestral de inglês dobrou na Regional de Adamantina, saindo de 39-40% de rendimento para mais de 65%. O programa demonstrou seu efeito imediato na motivação e desempenho dos alunos.

Quais são os cursos técnicos disponíveis integrados ao ensino médio na rede estadual?

A rede estadual oferece técnicos em vendas, administração, agronegócio e informática, com planos de adicionar um curso técnico em farmácia para 2026. Os alunos cursam o ensino médio e fazem estágios remunerados em empresas parceiras pelo programa Estágio do Bem.

Como a pandemia transformou a abordagem do uso de celular nas escolas?

O celular, antes proibido em sala de aula, tornou-se ferramenta essencial durante o fechamento das escolas. Após o retorno presencial, surgiram novos desafios de concentração e conflitos. A resposta foi a lei de proibição do celular em sala, consolidando o que muitos professores já solicitavam.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.