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Cogumelos, ciência e paixão: a trajetória do professor Diego Zied | #406

07 de julho de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #406 do AdamiCast

De Tupã para o mundo, o engenheiro agrônomo Diego Cunha Zied fez um caminho que poucos imaginam possível quando se fala em cogumelos. Professor da Unesp de Dracena, ele transformou um nicho da microbiologia agrícola em referência nacional e internacional, levando pesquisas da zona oeste paulista até congressos na China, na Espanha e na Argentina.

O episódio 406 do AdamiCast abre as portas de um laboratório que poucos dracenenses conhecem, mas que já rendeu parcerias com pesquisadores de mais de 10 países, uma máquina doada pela China e artigos publicados em revistas do Canadá. E tudo começou na graduação, com um sócio, um cheque sem fundo e muita serragem.

Do campo ao laboratório: os primeiros cogumelos

Quando Diego estava no segundo ano da graduação em Engenharia Agronômica, já cultivava cogumelo do Sol junto com um sócio. A produção era vendida desidratada, com fins farmacológicos, e chegou a atrair compradores de Patos de Minas interessados em exportar para o Japão. A virada aconteceu quando um comprador devolveu metade da mercadoria em comprimidos, depois de um cheque sem fundo.

A lição foi clara: precisava de estabilidade. Foi assim que Diego decidiu trilhar a carreira acadêmica. Para atuar com pesquisa em cogumelos em concurso público, o caminho natural era universidade ou instituto de pesquisa, e isso exigia mestrado e doutorado.

Mestrado em Botucatu, doutorado na Espanha

Em 2006, Diego ingressou no mestrado na Unesp de Botucatu, o maior centro de pesquisa de cogumelos da época. No final do mestrado, já tinha clareza: queria o doutorado sandúiche. Em 2009, foi para Albacete, na Espanha, estudar na Universidade de Castilla-La Mancha com o professor José Emílio Pardo, e teve acesso ao centro de pesquisa do renomado Artur, referência que Diego lia em livros desde a graduação.

Foi lá que desenvolveu uma metodologia inédita de indicadores de qualidade para cogumelos, tema que existia para solo mas nunca tinha sido aplicado ao produto em si. O resultado foi um artigo publicado em uma revista de agricultura do Canadá, um marco na carreira do pesquisador.

A chegada a Dracena e a construção do zero

Em 2014, abriu um concurso para microbiologia agrícola na Unesp de Dracena, então com o curso de Engenharia Agronômica recém-criado. Diego, natural de Tupã, cidade vizinha que já havia atravessado Dracena várias vezes a caminho do Carnaval de Panorama, não hesitou. Passou no concurso e foi um dos quatro primeiros professores do curso.

Quando chegou, não havia nada de cogumelos no campus. Mas a ausência de uma estrutura estabelecida também significava liberdade total para montar a pesquisa do jeito certo. Diego submeteu projetos à FAPESP, usou o currículo construído em Botucatu e na Espanha como credencial, e foi ganhando território. Uma parceria com uma empresa chinesa resultou na doação de uma autoclave e de máquinas capazes de produzir 1.200 blocos de serragem por hora.

O que a Unesp de Dracena faz com cogumelos

Hoje, o laboratório mantém um banco de germoplasma com cerca de 250 espécies de cogumelos comestíveis e medicinais. Os mais pesquisados são as variedades de pleurotus (o shimeji), o shitake, o champignon, o cogumelo do Sol e o Juba de Leão, este último em alta por estudos que relacionam seu consumo a benefícios na memória, especialmente após o COVID-19.

A pesquisa em Dracena foca em tecnologia de cultivo: produzir mais, com qualidade, gastando menos e com responsabilidade ambiental. Um projeto em andamento substitui a serragem de eucalipto pelo palhaco de braquíaria, que cresce em 3 a 4 meses em vez de 7 anos. Outro experimento usou resíduos de urucum, abundante na região, como substrato para shimeji, com resultados de produtividade superiores ao controle.

Cogumelos na mesa: sabor, saúde e a cultura que falta

No Brasil, o cogumelo mais consumido ainda é o champignon em conserva, presente em pratos de filé ao molho madeira e no estrogonofe. Mas Diego vê uma mudança em curso, puxada pelos restaurantes japoneses, pelo crescimento dos pratos instagramaveis durante a pandemia e por uma consciência crescente sobre alimentação saudável.

Cogumelos são ricos em fibras, vitamina D, beta-glucanos e outros compostos medicinais, e não contêm colesterol. Expostos ao sol antes do preparo, os champignons frescos chegam a quintuplicar o teor de vitamina D. O preço ainda é uma barreira, mas a popularização, segundo Diego, é questão de tempo.

Congresso na China e a vida fora da academia

Diego participa de congressos na Argentina, no México, na França, na Espanha e na China, onde ficou encantado com a hospitalidade e com as dezenas de espécies de cogumelos servidas nos jantares científicos. Orienta alunos de mestrado e doutorado de vários estados e, desde que o filho Francisco nasceu, há 3 anos, estabeleceu uma fronteira clara: depois das 18h, nem sábado nem domingo, ele é pai.

No domingo, é ele quem cozinha. Arroz com nozes e cogumelo, frango com cogumelo e pimentão, macarrão, pizza e cogumelo empanado frito, estilo milanesa. A esposa aprecia, mas às vezes discretamente deixa um pouquinho de lado no prato.

Onde encontrar

O professor Diego Zied atua na Unesp de Dracena, SP. Para conhecer o laboratório ou bater um papo sobre cogumelos, ele está à disposição no campus. Siga no Facebook: @diego.zied.2025.

Resumo do episódio

O engenheiro agrônomo Diego Cunha Zied transformou a pesquisa em cogumelos na Unesp de Dracena em referência nacional e internacional, partindo de uma experiência fracassada como produtor na graduação. Seu laboratório mantém um banco de germoplasma com cerca de 250 espécies e desenvolve tecnologias de cultivo sustentável, substituindo materiais tradicionais por resíduos regionais. A pesquisa abrange desde melhoramento de variedades medicinais como o Juba de Leão até estratégias para aumentar a popularidade do consumo de cogumelos no Brasil.

Principais aprendizados

  • Cogumelos comestíveis e medicinais podem ser cultivados em substratos alternativos, como palhaco de braquíaria e resíduos de urucum, com resultados de produtividade superiores ao substrato convencional.
  • Champignons frescos expostos ao sol antes do preparo quintuplicam seu teor de vitamina D, tornando-se fonte mais significativa deste nutriente.
  • O cogumelo Juba de Leão é estudado pela relação de seu consumo a benefícios na memória, especialmente após o COVID-19.
  • Um banco de germoplasma mantém 250 espécies de cogumelos comestíveis e medicinais para pesquisa, permitindo desenvolvimento contínuo de novas metodologias.
  • A pesquisa em tecnologia de cultivo de cogumelos reduz custos de produção e impacto ambiental ao substituir matérias-primas que levam 7 anos para crescer por alternativas que levam 3 a 4 meses.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é o valor nutricional dos cogumelos?

Cogumelos são ricos em fibras, vitamina D, beta-glucanos e outros compostos medicinais, sem conter colesterol. Champignons frescos expostos ao sol antes do preparo quintuplicam o teor de vitamina D.

Que tipos de cogumelos são pesquisados na Unesp de Dracena?

O laboratório pesquisa pleurotus (shimeji), shitake, champignon, cogumelo do Sol e Juba de Leão. Este último recebe atenção especial devido a estudos que relacionam seu consumo a benefícios na memória, particularmente após o COVID-19.

Como a pesquisa de cogumelos busca melhorar a sustentabilidade?

A Unesp de Dracena substitui a serragem de eucalipto por palhaco de braquíaria, que cresce em 3 a 4 meses em vez de 7 anos. Outro projeto usa resíduos de urucum, abundante na região, como substrato para shimeji, com resultados de produtividade superiores ao controle.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.