A Dra. Marilda Abreu é dermatologista em Dracena, SP, e foi a primeira médica da especialidade com residência completa a atuar na Alta Paulista. Veio de Panorama, formou-se em Pouso Alegre (MG), fez Dermatologia no Hospital das Clínicas da USP e voltou pra região em 1983 com uma filha no colo e outra a caminho. Hoje soma quase 40 anos de consultório e quatro filhas em casa. A mais nova, Maria Helena, está cursando medicina, não por acaso.
Marilda faz parte daquela geração de médicos que se formou longe, casou longe, mas escolheu voltar pro interior pra ficar perto da família. Encontrou o marido, o oftalmologista Fernando, na mesma turma da faculdade. Construiu em Dracena a vida inteira, com o Dr. Arnon, médico que a inspirou desde a infância em Panorama, como referência profissional permanente.
A menina de Panorama que virou médica
Marilda nasceu em Minas, mas cresceu em Panorama desde os 5 anos, quando a família mudou pra São Paulo. O pai montou a primeira cerâmica da cidade, em família de ceramistas de Valinhos. O vizinho era o Dr. Arnon, clínico geral que cuidava da saúde de todo mundo. Marilda cresceu vendo o pai ajudar o médico a carregar pacientes pros partos no sítio. Achava aquilo lindo. Antes mesmo de falar direito, já dizia pros pais que queria ser “meca”.
Aos 13, foi pra colégio interno em Adamantina, colégio de freiras voltado pra parte da mulher. O material era mais leve do que ela precisava pra fazer medicina, então pediu pro pai sair e fazer o Estadual em Junqueirópolis. Por causa da distância, acordava às 5, pegava trem às 6:30, fazia a pé a primeira parte do trajeto até chegar no Isaac Pinto, em Adamantina. Voltava no fim da tarde. Dois anos assim, todo dia, pra concluir o que precisava pra tentar a vaga de Medicina.
Medicina veio em Pouso Alegre, no sul de Minas. Ali ela conheceu o Fernando, na mesma turma. Quando terminaram a faculdade, fizeram o internato em São Paulo nos hospitais municipais. A especialidade ela só foi definir depois: clínica geral primeiro, depois Pediatria, e entrou por fim na Dermatologia, no Hospital das Clínicas da USP, porque era o caminho que fazia sentido.
A formação em São Paulo e a escolha de voltar pra Dracena
A passagem pela USP foi puxada. Residência em Dermatologia nos anos 80 ainda era restrita, com poucas vagas no país. Marilda ficou no Hospital das Clínicas e fez estágio extra em Queimados, porque sabia que voltaria pro interior e precisaria lidar com emergência de tudo que é tipo.
A decisão de voltar virou regra antes de virar caso. Quando ela ainda namorava o Fernando, ele veio a Panorama conhecer a família dela, adorou a região, e estabeleceu a condição: se casassem, era pra voltar. Marilda aceitou sem pensar duas vezes. Dracena virou o endereço: a cidade já tinha um dermatologista formado, o Dr. Arnon, o mesmo vizinho da infância, e ela chegava pra somar, não pra substituir.
Voltou em 1983, grávida da segunda filha, com a primeira no colo. O consultório foi sendo montado em paralelo à maternidade. Marilda se tornava a primeira dermatologista com residência completa da Alta Paulista.
A vida em Dracena, a explosão de casos e a maternidade
A rotina em Dracena se encheu rápido. Marilda atendia no consultório e foi chamada na noite de Natal de 1986, porque o pai dela, vestido de Papai Noel, acabou virando tocha humana quando o algodão da barba pegou fogo no fósforo do cigarro. Queimaduras graves de terceiro grau nas mãos e partes do peito, dois meses de tratamento quase diário até a recuperação. Foi o caso que a marcou como nenhum outro.
Em paralelo, vieram as quatro filhas. A mais nova, Maria Helena, viu a tia Dermatologista atendendo a família inteira e decidiu fazer medicina. As outras três tomaram outros rumos, mas o consultório virou ponto de encontro da família ampliada. Marilda virou a médica dos parentes, dos vizinhos e dos conhecidos que batiam na porta com uma pinta suspeita, uma alergia ou um problema que parecia pequeno mas não era.
A médica da família e a geração que vem
Marilda fala da dermatologia com a tranquilidade de quem viu de tudo. Atende numa cidade onde todo mundo conhece todo mundo, e isso funciona a favor e contra. A favor porque o paciente confia e segue o tratamento. Contra porque é difícil desligar do celular depois do expediente. Mas ela observa no horizonte uma mudança de comportamento: mais gente procurando o dermatologista cedo, não só na fase tardia.
O Dr. Arnon segue vivo e lúcido, com quase 95 anos. Marilda trata dele até hoje, com a mesma reverência de quem aprendeu com ele na infância. Quando uma paciente chega com hanseníase, com uma pinta que precisa de biópsia, ou com psoríase que acabou de aparecer, Marilda explica que cada caso é um caso, e que o caminho é simples: consulta cedo, diagnóstico correto, tratamento contínuo. O resto é consequência.
A nova geração, Maria Helena e os outros jovens que cresceram vendo a tia atender, entra na carreira de olho no que ela representa: medicina de interior com formação de hospital escola. Esse é o legado mais bonito que ela deixa pra cidade.
Onde encontrar
A Dra. Marilda Abreu atende em Dracena, SP, com consultório próprio e foco em dermatologia clínica, oncologia cutânea e dermatologia pediátrica. Para agendar consulta ou tirar dúvidas, basta seguir o perfil no Instagram: @marildaderma.
Resumo do episódio
A Dra. Marilda Abreu é a primeira dermatologista com residência completa a atuar na Alta Paulista. O episódio conta a trajetória de quem cresceu em Panorama, formou-se em Minas Gerais, especializou-se na USP e retornou à região em 1983 para construir quase 40 anos de consultório, combinando prática clínica com maternidade e inspirando a próxima geração de médicos.
Principais aprendizados
- A decisão de retornar ao interior foi estabelecida como condição antes do casamento, combinando vida profissional e familiar na região de origem.
- Residência em Dermatologia nos anos 80 era restrita com poucas vagas, exigindo formação complementar em queimados para atuar em emergência no interior.
- Atender em cidade pequena onde todo mundo se conhece facilita a confiança e adesão ao tratamento, mas torna difícil desligar do trabalho após o expediente.
- O caso de queimadura grave do pai em 1986 foi marcante na carreira e demonstrou a importância da formação complementar em emergências.
- Medicina de interior com formação de hospital escola é o legado que inspira novos médicos a escolher atuar nas cidades pequenas.
Perguntas respondidas neste episódio
Como foi a formação profissional da Dra. Marilda Abreu?
Formou-se em Medicina em Pouso Alegre, fez internato em hospitais municipais de São Paulo, cursou Clínica Geral e Pediatria, e especializou-se em Dermatologia no Hospital das Clínicas da USP, onde também fez estágio extra em Queimados.
Por que Marilda voltou para a região interior após a formação?
Seu marido, oftalmologista Fernando, estabeleceu a condição de voltar ao interior como requisito para casamento. Marilda aceitou, e Dracena tornou-se o destino escolhido, onde já havia o Dr. Arnon como referência profissional.
Qual foi o evento mais marcante na carreira clínica de Marilda?
O atendimento ao pai em 1986, na noite de Natal, quando ele sofreu queimaduras graves de terceiro grau nas mãos e peito após pegar fogo na barba. O caso exigiu dois meses de tratamento quase diário até a recuperação.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.