#367

Pele, ouvido e amor pela medicina: a história de Tainara e Stefano Manzano | #367

14 de janeiro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #367 do AdamiCast

O AdamiCast recebeu um casal fora do comum: a dermatologista Tainara Batista de Sá Manzano e o otorrinolaringologista Stefano Matsushita Manzano. Dois médicos que se conheceram na fila da matrícula da residência médica em Marília e que, quase dez anos depois, dividem não só a vida, mas também pacientes, casos clínicos e, vez ou outra, a seringa de botox. A conversa foi descontraída, cheia de histórias e de informação de qualidade, do tipo que raramente se encontra fora de um consultório.

Nenhum dos dois tinha médico na família. Tainara, natural de Goiânia, foi a primeira médica de toda a sua linhagem, tanto do lado do pai quanto da mãe. Stefano, de Bastos, no interior paulista, seguiu os passos do irmão mais velho que também prestou medicina, e os dois chegaram a se formar no mesmo ano, com Stefano concluindo o curso um mês depois da namorada, detalhe que ele faz questão de frisar com bom humor até hoje.

A escolha pela medicina e pelas especialidades

A medicina nunca foi um sonho de infância para nenhum dos dois. A decisão veio no ensino médio, quando a identificação com as ciências biológicas se transformou em foco e disciplina. Tainara fez um ano de cursinho e passou direto para a FAMEMA, em Marília, a 780 km de Goiânia, com 17 ou 18 anos. Stefano fez dois anos de cursinho, trabalhou por três anos após se formar antes de entrar na residência, e essa diferença de tempo foi exatamente o que os colocou no mesmo lugar, na mesma hora.

A dermatologia conquistou Tainara no quinto ano da faculdade, durante os estágios, quando percebeu que a especialidade reunia tudo o que queria: procedimentos, clínica, estética e pacientes de zero a cem anos. A qualidade de vida que a dermato proporciona, com horários mais fixos e menos plantões, também pesou na decisão de quem já sabia que queria ser mãe e ter uma família estruturada. Stefano chegou à otorrinolaringologia por um caminho parecido: a variedade de casos, a parte cirúrgica e o atendimento clínico combinados numa só especialidade foram o que definiram sua escolha.

O encontro na matrícula e a vinda para Dracena

Os dois se conheceram no dia da matrícula da residência médica em Marília, em 2015. Stefano estava acompanhando o irmão, que já havia feito residência lá, e Tainara foi dar um oi ao colega quando viu Stefano ao lado. Quase dez anos juntos nasceram desse encontro. O interessante, como eles mesmos observam, é que se Stefano tivesse passado na residência um ano antes, como quase aconteceu, os dois provavelmente nunca teriam se cruzado. O quebra-cabeça se encaixou direitinho.

A chegada a Dracena em 2018 foi o resultado de uma oportunidade indicada por uma professora da residência. Nenhum dos dois conhecia a cidade. Stefano veio primeiro checar, Tainara estava viajando e topou na palavra dele. O começo não foi fácil, especialmente para Tainara, acostumada com Goiânia e com Marília. Mas a qualidade de vida da cidade, especialmente depois do nascimento da filha Isabela, foi conquistando os dois. Hoje são sete anos em Dracena e a resposta é unânime: não tem do que reclamar.

O que os pacientes trazem e o que o estresse causa

Na dermatologia, as queixas variam com a época do ano, mas o que mais chamou atenção de Tainara foi o aumento de doenças de pele ligadas ao estado emocional durante e após a pandemia. Eczemas, urtiçárias e outras dermatoses agravadas pelo estresse se tornaram muito mais frequentes. O próprio Stefano é exemplo: quando o trabalho apertava, surgiam as coceiras; quando o ritmo diminuiu depois das festas de fim de ano, a pele voltou ao normal.

Na otorrinolaringologia, Stefano observou o mesmo fenômeno com a tontura e o zumbido. Na pandemia, atendia de três a quatro pacientes por dia com essas queixas, todas ligadas ao estresse extremo. O zumbido em particular virou um dos casos mais desafiadores da especialidade: cada paciente tem uma causa diferente e um tratamento diferente, e muitas vezes o caminho começa por explicar ao paciente o que é o sintoma, de onde vem e que não vai causar surdez, o que por si só já traz alívio e melhora a adesão ao tratamento.

Tecnologia, redes sociais e o básico que nunca muda

Os dois acompanham com entusiasmo os avanços tecnológicos nas suas áreas: o dermatroscópio que analisa pintas com muito mais precisão e pode evitar cirurgias desnecessárias, as câmeras de videoendoscopia que permitem examinar laringe e nariz com riqueza de detalhes, os aparelhos auditivos modernos que conseguem filtrar ruídos e equalizar sons em ambientes barulhentos, e o uso crescente de inteligência artificial no diagnóstico auditivo.

Mas os dois são unânimes num ponto: nenhuma tecnologia substitui o médico que sabe ouvir o paciente. Tainara costuma identificar o diagnóstico só de olhar para a lesão de pele, mas isso não significa que vai apressar a consulta. O paciente precisa contar a história dele. Quando ele entende o que tem e por que usa aquele medicamento, a adesão ao tratamento muda completamente. O médico que explica é o médico que o paciente recomenda.

Mitos, cotonetes e o protetor solar que não causa câncer

A pergunta sobre mitos rendeu as histórias mais animadas da conversa. Tainara já ouviu com frequência que protetor solar causa câncer, um mito que ela rebate com firmeza: o protetor protege, e a exposição solar crônica sem proteção é fator de risco real para o câncer de pele. Câmara de bronzeamento artificial é totalmente contraindicada e aumenta o risco de forma importante.

Stefano levantou o caso dos famosos cones de vela de ouvido, que prometem tirar cera com uma chama mas não têm eficácia comprovada e já causaram queimaduras ao derreter a parafina dentro do canal auditivo. E o cotonete, campeão de perguntas no consultório, não foi feito para limpar dentro do ouvido: o canal auditivo se autolimpa, e o cotonete empurra a cera para dentro, podendo tapar o canal. A orientação é limpar apenas o que está visível na entrada do ouvido, depois do banho, sem enfiar nada para dentro.

Onde encontrar

Tainara e Stefano atendem em Dracena, SP. Siga o trabalho dos dois nas redes sociais:

Dra. Tainara Manzano no Instagram

Dr. Stefano Manzano no Instagram

Resumo do episódio

Tainara, dermatologista, e Stefano, otorrinolaringologista, dividem consultório e vida em Dracena após se conhecerem na matrícula da residência médica em Marília. A conversa aborda como ambos escolheram suas especialidades, o impacto do estresse em doenças de pele e problemas auditivos, o papel da tecnologia nos consultórios modernos e mitos comuns sobre protetor solar, cotonete e câmara de bronzeamento.

Principais aprendizados

  • Eczemas, urtiçárias e outras dermatoses aumentaram significativamente durante e após a pandemia, ligadas ao estado emocional e estresse dos pacientes.
  • Zumbido e tontura viram queixas muito mais frequentes na pandemia, todas associadas ao estresse extremo, e cada caso requer diagnóstico e tratamento individualizados.
  • Protetor solar protege contra câncer de pele, enquanto câmaras de bronzeamento artificial são contraindicadas e aumentam o risco de forma importante.
  • Cotonete empurra a cera para dentro do canal auditivo em vez de limpá-lo, pois o canal auditivo se autolimpa naturalmente.
  • Nenhuma tecnologia substitui o médico que sabe ouvir o paciente e explicar adequadamente o diagnóstico, o que melhora a adesão ao tratamento.

Perguntas respondidas neste episódio

O protetor solar causa câncer de pele?

Não. O protetor solar protege contra o câncer de pele. A exposição solar crônica sem proteção é o fator de risco real para o câncer de pele. Câmaras de bronzeamento artificial são totalmente contraindicadas e aumentam o risco de forma importante.

Como limpar o ouvido corretamente?

Limpe apenas o que está visível na entrada do ouvido, após o banho, sem enfiar nada para dentro. O canal auditivo se autolimpa naturalmente. O cotonete empurra a cera para dentro, podendo tapar o canal e causar problemas auditivos.

Qual é a causa do zumbido e como tratar?

Cada paciente com zumbido tem uma causa diferente e requer um tratamento diferente. O tratamento frequentemente começa explicando ao paciente o que é o sintoma, de onde vem e que não causa surdez, o que por si só traz alívio e melhora a adesão ao tratamento.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.