O episódio 312 do AdamiCast recebeu o Dr. Heleno, médico ortopedista especialista em quadril e joelho, que veio contar sua trajetória desde os tempos de escola em Dracena até se tornar referência regional em cirurgias de prótese e técnicas minimamente invasivas. Assumidamente tímido, ele topou o desafio de participar do podcast e acabou entregando uma conversa cheia de histórias de plantão, ciclismo, fé e família, sempre voltando ao mesmo ponto: disciplina é a base de tudo que ele construiu.
Do sonho de ser piloto de caça ao consultório
Antes de pensar em medicina, o Dr. Heleno queria ser piloto de caça da Força Aérea. Gostava de velocidade, carros, motos, aviões, chegou a pilotar aeromodelo e, mais tarde, kart por 15 anos, sete deles como piloto profissional. Mas foi num casamento de família, em Campo Grande, por volta dos 9 ou 10 anos de idade, que a semente da medicina foi plantada. Vestido todo de branco pela mãe, ouviu de um tio a frase que ficou marcada: “vai ser médico”. “Foi o primeiro momento que surgiu aquela questão de quero ser médico. Foi ali”, contou. Ele se tornou o primeiro médico da família em sua geração, movimento que arrastou depois irmão e primos para a profissão.
A trajetória acadêmica passou pelo João Vendramini, pelo Ângulo e pelo Objetivo em Dracena, um terceirão em Presidente Prudente voltado ao vestibular de medicina, a faculdade em Marília e a residência em ortopedia, com um ano extra dedicado à subespecialização em cirurgia de quadril e joelho. Ainda na faculdade, dois anos de plantão em Santa Mercedes e Castilho deram a ele experiência prática que, segundo ele, a teoria da faculdade não ensina. Foi justamente num desses plantões, ao auxiliar o colega Dr. Eduardo Yeni a reduzir a fratura do punho de uma criança, que decidiu seguir para a ortopedia. “Me senti importante naquele momento. E isso me despertou a fazer a ortopedia”, relembrou.
A volta para Dracena e a força do grupo
Depois de terminar a residência e receber convites para ficar em Marília ou ir para Sinop, no Mato Grosso, o Dr. Heleno optou por voltar para Dracena em 2011, motivado pelos laços de amizade e pela proximidade da família. Hoje ele integra a equipe do IOTD, o Instituto de Ortopedia e Traumatologia de Dracena, junto com os doutores Eduardo, Marcelo Manzano, Giovanni Bottasso e Oscar Aramaki. Ele destacou que o grupo não funciona como concorrência, mas como parceria: “a gente se completa. Um busca uma coisa, o outro busca outra, tudo em prol do paciente.” As cirurgias mais comuns realizadas pela equipe envolvem lesões de ligamento e menisco, comuns entre os “atletas de final de semana”, e próteses de quadril e joelho, sobretudo em pacientes idosos que sofrem fraturas de fêmur, quase uma rotina semanal na Santa Casa.
Ele também comentou que Dracena vem se tornando um polo médico na região, atraindo profissionais de fora que escolheram a cidade para montar consultório. Uma novidade em discussão é a possível chegada de um robô cirúrgico para a Santa Casa de Dracena, tema que já entrou em conversas com a administração do hospital durante a ampliação do centro cirúrgico. Se confirmado, Dracena poderia se tornar a primeira cidade num raio de trezentos quilômetros a contar com o equipamento, já que cidades maiores como Marília, Presidente Prudente e Araçatuba ainda não o possuem.
Cirurgia navegada e robótica: a evolução da prótese
Um dos pontos altos da conversa foi a explicação sobre os avanços da ortopedia moderna. Na área de trauma, as antigas cirurgias abertas e agressivas foram substituídas por técnicas minimamente invasivas, como a haste intramedular, que reduz cortes e acelera a recuperação. Já na cirurgia de prótese, o Dr. Heleno descreveu a evolução da técnica navegada, que utiliza marcadores e leitura computadorizada para posicionar o implante com mais precisão, até a chegada da robótica, representada pelo robô Rosa, lançado em 2019. “O braço robótico não vai fazer a cirurgia. Ele só vai posicionar o gabarito para você realizar os cortes no local certo”, explicou. Segundo ele, a vantagem principal não é a velocidade, já que o preparo com o robô leva de 20 a 30 minutos mais que o convencional, mas a durabilidade da prótese, que pode significar anos de diferença na vida do implante.
Plantões, disciplina e o paciente que era ele mesmo
Entre as histórias mais marcantes, o Dr. Heleno contou sobre um plantão em Castilho, ainda recém-formado, em que precisou realizar três partos normais numa mesma noite sem a presença de um obstetra, contando apenas com o apoio de uma enfermeira experiente. Relembrou também o dia em que, após sofrer um acidente numa moto aquática e passar por uma cirurgia no ombro operada por colegas de equipe, decidiu se dar alta poucas horas depois e foi almoçar uma costela justamente no restaurante onde toda a equipe médica também estava. Dois dias depois, viajou para um curso em Miami ainda com a tipoia. O próprio médico resume o episódio com humor: “faço o que eu falo, mas não faço o que eu faço.”
A disciplina, no entanto, é a marca real de sua rotina. Ele conta que treina de bicicleta praticamente todos os dias às 4h30 da manhã, participa de competições de ciclismo com o grupo IOTD Cicles e há alguns anos realiza o Caminho da Fé, um percurso de aproximadamente 320 quilômetros pedalando de Águas da Prata até Aparecida, feito anualmente no mês de dezembro. Ele relacionou a experiência à fé pessoal e à busca por equilíbrio: “a gente primeiro tem que agradecer a Deus por ter saúde, para poder ser um bom pai de família.”
Medicina preventiva e o alerta sobre osteoporose
Ao responder perguntas do público durante o programa, o Dr. Heleno reforçou a importância da musculação como base de qualquer atividade física e alertou sobre a necessidade de acompanhamento com educador físico para evitar lesões, especialmente em quem pratica esportes de fim de semana como beach tennis e crossfit. Sobre a terceira idade, destacou a relevância da prevenção da osteoporose a partir dos 45 ou 50 anos, com avaliação médica, suplementação adequada e estímulo à atividade física, já que a perda de massa óssea sem cuidado pode levar a fraturas graves. “Tem que se cuidar. Todo ano a gente vê muitos casos assim”, comentou, relacionando a agilidade no tratamento cirúrgico de fraturas de fêmur em idosos à redução de riscos e à recuperação da qualidade de vida.
Encerrando a conversa, o Dr. Heleno agradeceu o convite e destacou o carinho recebido de pacientes, colegas e amigos que acompanharam a live, reforçando o vínculo que construiu com a cidade ao longo dos anos. Apesar da timidez declarada no início, terminou o papo dizendo que se sentiu à vontade e satisfeito por ter compartilhado sua trajetória, da infância em Dracena até o consultório e centro cirúrgico onde hoje ajuda a moldar o futuro da ortopedia na região.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @ortopedistadrhelenoneto.
Resumo do episódio
O episódio traz uma conversa com o médico ortopedista Heleno, especialista em quadril e joelho, que conta sua trajetória desde a infância em Dracena até a residência em Marília e o retorno à cidade para atuar junto a uma equipe de ortopedistas. Ele explica avanços técnicos da área, como cirurgias minimamente invasivas, hastes intramedulares, placas bloqueadas e a cirurgia navegada e robótica para prótese de quadril e joelho, além de comentar sobre prevenção de lesões, importância da musculação, cuidados com osteoporose e fraturas em idosos. Também fala sobre sua rotina de estudos constantes, ciclismo como esporte e disciplina pessoal, e sobre o trabalho colaborativo entre os ortopedistas de Dracena.
Principais aprendizados
- Cirurgias minimamente invasivas com haste intramedular reduzem agressão a partes moles e aceleram a recuperação em fraturas de fêmur.
- A cirurgia navegada e a robótica em prótese de quadril e joelho aumentam a precisão do posicionamento do implante, o que está diretamente relacionado à sua durabilidade.
- A musculação é considerada a base para a prática segura de qualquer esporte, incluindo beach tennis e crossfit, prevenindo lesões por falta de fortalecimento muscular.
- Fraturas de fêmur em idosos têm alta mortalidade, por isso a cirurgia é feita o mais rápido possível para permitir que o paciente sente e retome a rotina rapidamente.
- A partir dos 45-50 anos é recomendado buscar acompanhamento médico para avaliar massa óssea e muscular, especialmente por conta do risco de osteoporose após a menopausa.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a cirurgia robótica de prótese de joelho e quadril?
A cirurgia utiliza um braço robótico que posiciona um gabarito no local exato para realizar os cortes durante a operação, sem que o robô execute a cirurgia sozinho. Esse recurso usa o mesmo princípio da navegação, com marcadores no fêmur e na tíbia que permitem leitura computadorizada da anatomia do paciente, garantindo maior precisão no posicionamento do implante e, consequentemente, maior durabilidade da prótese.
Vale a pena fazer musculação antes de praticar esportes como beach tennis?
Sim, a musculação é apontada como a base necessária para qualquer esporte, incluindo beach tennis e crossfit, pois fortalece a musculatura e evita sobrecarga no esqueleto, prevenindo lesões. A recomendação é sempre praticar com acompanhamento de educador físico, já que exercícios feitos de forma incorreta podem piorar ou causar lesões, principalmente na coluna.
Por que fraturas de fêmur em idosos são operadas com urgência?
Fraturas de fêmur em pessoas idosas apresentam mortalidade elevada, por isso a cirurgia é realizada o mais rápido possível, muitas vezes já no dia seguinte à fratura, para permitir que o paciente seja sentado rapidamente. Isso melhora a função respiratória e ajuda a devolver ao paciente a rotina que tinha antes, reduzindo o tempo de imobilidade que é considerado prejudicial à recuperação.
Quando é recomendado começar a se preocupar com a saúde óssea e muscular?
A recomendação é procurar um médico a partir dos 45 a 50 anos para fazer uma avaliação, principalmente para checar deficiências de cálcio, vitamina D e outros nutrientes, além de acompanhar a saúde óssea. Pessoas sedentárias ao longo da vida podem precisar iniciar esse cuidado um pouco antes, mas em qualquer idade nunca é tarde para começar a se cuidar com atividade física e boa alimentação.
Como funciona a diferença entre prótese convencional e prótese navegada ou robótica?
Na prótese convencional os gabaritos usados durante a cirurgia são padronizados, com angulações e tamanhos fixos, e o cirurgião escolhe o que mais se aproxima da anatomia do paciente através de estimativas. Já na navegação e na robótica, o sistema faz uma leitura precisa do fêmur do paciente e indica o tamanho e a angulação exatos, semelhante a uma leitura de raio-x instantânea, tornando o procedimento mais assertivo.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.