#345

Ortopedia e dedicação em Dracena: a historia do doutor Oscar Aramaki | #345

04 de outubro de 2024 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #345 do AdamiCast

O episodio 345 do AdamiCast recebeu o ortopedista Oscar Aramaki, profissional que ha 24 anos atua em Dracena e se tornou uma referencia na regiao. Natural de Junqueirópolis, ele contou como a medicina entrou na sua vida quase por acaso, como escolheu a ortopedia sem nenhum planejamento e como construiu, ao lado de outros colegas, um grupo que fez a especialidade crescer na cidade. No meio do caminho, ainda sobrou espaco para falar de pescaria, beach tennis, criacao das filhas e do jeito que ele lida com pacientes de diferentes idades no consultorio.

Um caminho traçado pelo pai

Oscar contou sem rodeios que a escolha pela medicina não foi dele, mas do pai, agricultor que sonhava em ter um filho medico. “Eu não tenho vergonha de falar que eu sou médico hoje devido ao meu pai. Eu não tinha essa ideia. Foi totalmente estímulo total dele e eu sou médico por causa dele”, disse. Ele é o mais novo de quatro irmãos, entre eles um que cursou agronomia, outra que fez fisioterapia e outra que seguiu odontologia. “E aí sobrou pra mim”, brincou, lembrando que o pai sempre repetia o desejo de “ter um médico operador”.

Antes de decidir por medicina, Oscar contou que também pensou em arquitetura, area em que tinha facilidade por gostar de matemática. Mas as coisas foram se moldando naturalmente. Ele fez o primário e o ginásio em Junqueirópolis, o colegial em Dracena, no CID, e o terceiro ano em Bauru, viajando de trem com amigos. Não passou no vestibular na primeira tentativa e foi fazer cursinho em São Paulo, morando em república, onde chegou a dividir quarto apertado com colegas, um deles dormindo no chão por falta de cama. Prestou apenas duas faculdades, Catanduva e Marília, e optou pela Famema, em Marília, por ser mais barata e mais próxima de casa.

A ortopedia que não estava nos planos

A escolha da especialidade também foi cheia de reviravoltas. Nos últimos anos da faculdade, Oscar pensava em oftalmologia, chegou a fazer um estágio em São Paulo, mas não se sentiu bem e voltou para casa. Foi trabalhar em Herculândia, perto de Tupã, onde morou praticamente no fundo de um hospital e acabou acompanhando serviços de ortopedia e cirurgia geral por influência de colegas de república. Foi ali que conheceu o professor Roberto Mizobuchi, que segundo ele foi decisivo. “Essa empatia, essa troca, acabou facilitando eu acabar prestando ortopedia”, contou. Ele passou em segundo lugar no processo seletivo e seguiu a residência na área.

Sobre o processo de formação, Oscar relembrou o estágio de residência em artroscopia em São Paulo, quando precisava lidar com cadáveres para treinar cirurgias de joelho. “Isso é um trabalho que eu não tenho recordação boa, porque você tinha que… tinha um BIP que tocava: chegou o cadáver”, contou, descrevendo um ambiente pesado, entre o cheiro forte e a rotina que o deixou sem dormir bem por semanas, até encontrar conforto frequentando uma igreja próxima à faculdade.

A primeira cirurgia em Dracena

Ao decidir voltar para a região após a morte do irmão em 1993, Oscar formou-se em 1995 e começou a se articular para conseguir uma vaga em Dracena, contando com a ajuda de um primo e de colegas já estabelecidos na cidade, como o ortopedista Carlos André Rissoli e o já falecido Carlos Polli. Sua primeira cirurgia na cidade foi, segundo ele, um verdadeiro teste de fogo: “Quem me auxiliou foi o Carlos Polli… foi a primeira cirurgia aqui em Dracena. Teste de fogo.” A primeira cirurgia por vídeo de ligamento cruzado que realizou infeccionou, episódio que ele lembra com humor hoje, mas que na época o fez até pensar em desistir daquele tipo de procedimento na cidade.

Ele também contou que, quando chegou, Dracena não tinha aparelho de vídeo para cirurgia artroscópica, item que só veio graças à articulação do então prefeito Cláudio Grando. A partir daí, a tecnologia foi evoluindo e baratenado, e Oscar destacou como as técnicas de reconstrução de ligamento e menisco mudaram completamente nas últimas décadas, com resultados cada vez melhores e recuperações mais rápidas para os pacientes.

Um grupo de ortopedistas que cresceu junto

Um dos pontos que Oscar mais valorizou na conversa foi o esforço para manter unido o grupo de ortopedistas da cidade ao longo dos anos, com reuniões periódicas para alinhar condutas. “Eu acho que a ortopedia em Dracena cresceu muito… hoje eu digo que praticamente 90% das doenças cirúrgicas a gente consegue segurar aqui em Dracena”, afirmou, destacando que antes muitos pacientes precisavam ser encaminhados para Marília ou Presidente Prudente. Ele citou parcerias importantes, como a que mantém com um especialista em coluna e outro em ombro para casos que exigem apoio externo, além do trabalho que desenvolveu para tratar pé torto congênito em crianças, área delicada que poucos colegas se dedicam a atender.

Coluna, joelho e a rotina do consultório

Ao falar sobre os problemas ortopédicos mais frequentes, Oscar foi direto: “O problema ortopédico mais frequente é coluna.” Segundo ele, a dor na coluna tem causas difíceis de identificar, muitas vezes ligadas tanto a questões mecânicas quanto emocionais, o que torna a consulta mais demorada e o tratamento mais complexo, dependendo bastante do trabalho conjunto com fisioterapeutas. Já sobre o joelho, contou que a lesão de ligamento cruzado é a mais comum entre atletas, principalmente no futebol, por causa do mecanismo de torção provocado pela crava da chuteira no chão.

Oscar também relatou um episódio pessoal de saúde que o fez repensar o ritmo de trabalho: há cerca de oito anos, teve um princípio de crise que o levou a suspeitar de um tumor raro, mas que na verdade era excesso de estresse por atender uma quantidade excessiva de pacientes por tarde. Desde então, reduziu o número de atendimentos diários e passou a valorizar mais a qualidade do próprio tempo. “O corpo da gente manda um sinalzinho… você precisa só prestar atenção”, disse, incentivando os pacientes a não negligenciarem pequenos sintomas.

Pescaria, família e o gosto pela terceira idade no consultório

Fora do consultório, Oscar contou que pratica pesca esportiva há anos, com uma viagem anual que já foi ao Pantanal e hoje é feita em Corrientes, na Argentina, onde as regras de pesca são mais rígidas e a fiscalização mais intensa. Ele também comentou sobre a rotina em casa com a esposa Rosana e as filhas Marília e Helena, e sobre como incentivou a esposa a acompanhá-lo às atividades físicas, hoje parte fundamental de sua rotina de prevenção contra lesões ortopédicas que ele mesmo trata em seus pacientes.

Ao ser questionado sobre as diferenças entre atender pacientes jovens e mais velhos, Oscar foi carinhoso ao falar da terceira idade: “Eu cada vez gosto mais de tratar a terceira idade… eu troco 10 vozinhos por um jovem no consultório.” Para ele, os pacientes mais velhos costumam seguir as orientações com mais disciplina, o que facilita o acompanhamento e traz resultados mais visíveis, enquanto os mais jovens muitas vezes abandonam o tratamento assim que sentem uma leve melhora.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @droscararamaki.

Resumo do episódio

O ortopedista Oscar Aramac, de Dracena, conta como se tornou médico por incentivo do pai, sua formação em Marília, o início da carreira em ortopedia por acaso e a trajetória construindo um serviço de cirurgia por vídeo na cidade ao longo de 24 anos. Ele explica a evolução das técnicas cirúrgicas de joelho, a importância do exame clínico mesmo com exames de imagem modernos, os desafios do tratamento de coluna, cuidados com pé torto congênito e reflete sobre um episódio de estresse extremo que o levou a mudar sua rotina de atendimento. Também comenta sobre a presença crescente de mulheres na ortopedia e compartilha detalhes de seu hobby de pescaria.

Principais aprendizados

  • A escolha da especialização médica pode acontecer de forma gradual e não planejada, construída por experiências e influências ao longo da formação.
  • O exame clínico continua sendo fundamental na ortopedia mesmo com o avanço dos exames de imagem, pois avalia aspectos dinâmicos que a ressonância não capta.
  • O tratamento de coluna é considerado o mais difícil na ortopedia porque envolve causas mecânicas e psicogênicas nem sempre fáceis de identificar.
  • O pé torto congênito deve ser tratado logo após o nascimento com gessos semanais, e o atraso no tratamento pode exigir cirurgias corretivas mais complexas depois.
  • Sinais de estresse físico e emocional no corpo não devem ser negligenciados, pois podem indicar problemas de saúde que se agravam com o tempo.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual é o problema ortopédico mais difícil de tratar no consultório?

A coluna é considerada o problema mais complicado de tratar, pois nem sempre é possível identificar com clareza a causa da dor. Ela pode ter origem mecânica, como má postura ou sedentarismo, mas também pode estar relacionada a fatores emocionais e tensionais. Por isso, a consulta para esse tipo de queixa costuma ser mais demorada, exigindo um questionamento amplo sobre hábitos, rotina e estado emocional do paciente antes de definir o tratamento.

Como deve ser tratado o pé torto congênito em bebês?

O tratamento do pé torto congênito, também chamado de equinovário, deve começar logo após o nascimento, entre uma e duas semanas de vida, com uso de gesso trocado semanalmente. Esse processo continua até por volta do quarto ou quinto mês, quando geralmente é feita uma pequena cirurgia para corrigir a posição do pé. Depois disso, o acompanhamento segue com uso de aparelhos específicos. Se o tratamento não for iniciado corretamente desde o começo, pode haver recidiva e necessidade de cirurgia corretiva mais tarde.

O beach tennis machuca menos que o tênis convencional?

Sim, o beach tennis é considerado um esporte que machuca menos que o tênis convencional, já que no tênis o movimento do braço é mais completo, envolvendo ombro, punho e cotovelo de forma ampla. No beach tennis os movimentos são mais curtos e rápidos, o que exerce bastante estresse sobre o punho e pode levar à epicondilite, uma inflamação no cotovelo causada pela repetição desses movimentos curtos, especialmente em quem começa a praticar sem preparo físico adequado.

Como manter a saúde óssea ao longo da vida?

Manter a saúde óssea depende principalmente de atividade física com impacto e fortalecimento muscular, que geram estímulo ósseo e ajudam a evitar a perda de massa óssea. Também é importante cuidar da alimentação e evitar vícios como tabagismo e alcoolismo, que aceleram esse processo de perda óssea. Não existe segredo complexo nessa prevenção, apenas a combinação de exercício regular e hábitos saudáveis de vida ao longo do tempo.

Qual é a lesão de joelho mais comum relacionada à prática de esportes?

A lesão do ligamento cruzado é a mais comum entre lesões de joelho causadas por esportes, principalmente o futebol. Isso ocorre por um mecanismo de torção do joelho, quando o pé fica fixo no chão, geralmente por causa da trava da chuteira, e o corpo gira, causando uma rotação forçada que lesiona o ligamento. Esse mesmo mecanismo também ocorre em outros esportes que utilizam calçados com travas fixas no solo, como o beisebol nos Estados Unidos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.