Neste episódio o bate-papo foi com a Dra. Natália Hosoume, ginecologista e obstetra que atua em Dracena, interior de São Paulo. Com 10 anos de formada e uma residência no ABC que rendeu cerca de 450 partos por mês, Natália chegou ao estúdio saindo correndo do hospital porque, como ela mesma explicou, alguém estava nascendo. A conversa abriu espaço para falar de parto humanizado, atividade física na gravidez, epigenética, câncer de mama e muito mais.
Da cirurgia às salas de parto: a trajetória da Dra. Natália
Natália cresceu dentro da medicina. O pai é neurocirurgião, e ela conta que aos 13 anos assistiu a uma cirurgia ao lado dele pela primeira vez. Logo em seguida, outros médicos a convidaram para ver uma cesárea. Foi amor. Só que, ao entrar na faculdade em Taubaté, ela jurava de pés juntos que jamais faria ginecologia ou pediatria. Pagou a língua.
Antes de entrar em medicina chegou a cursar três meses de Psicologia, mas sentiu que não era o seu lugar. No internato, durante os últimos estágios da faculdade, a ginecologia e obstetrícia viraram a especialidade certa. Faltando sete dias para fechar o prazo de inscrição na prova de residência, ela ligou para o pai e revelou a escolha. Ele ficou uma semana sem falar com ela, pois queria vê-la na neurocirurgia. Mas Natália passou na residência no ABC e em Rio Preto e escolhou seguir o próprio caminho.
Tipos de parto: o que mudou e o que é parto humanizado
Natália explicou que hoje o correto é falar em parto vaginal e cesariana, sem usar o termo “parto normal” como oposto ao cesáreo, porque ambos são considerados normais quando indicados corretamente.
O parto humanizado, seja vaginal ou cesariana, coloca a mulher como protagonista do próprio processo. Antigamente a gestante chegava ao hospital, era despida, tinha as mãos amarradas, recebia ocitocina de rotina, ficava na posição ginecológica sem escolha e passava por episiotomia de rotina. Hoje a proposta é diferente: a mulher escolhe a posição, a equipe intervém o mínimo possível, não há ruptura de bolsa ou aceleração do processo sem indicação, e o recém-nascido vai direto para o colo da mãe.
Na cesariana humanizada, as mãos da gestante não são mais amarradas, o campo cirúrgico é abaixado para que ela veja o bebê nascer, o clampeamento do cordão é tardio (três minutos ou até parar de pulsar) e o contato pele a pele acontece ainda na sala, com a amamentação na primeira hora, a chamada “hora de ouro”.
Natália também falou sobre o parto domiciliar: ela respeita a escolha, mas pessoalmente prefere o ambiente hospitalar pela segurança em caso de intercorrências. O parto em casa é indicado apenas para gestações de baixo risco e, mesmo assim, imprevistos podem acontecer.
Gravidez saudável: sexo, exercício e o que realmente é contraindicado
Uma das perguntas mais comuns no consultório de Natália envolve a relação sexual durante a gestação. A resposta é simples: em uma gravidez evoluindo normalmente, sem sangramentos, colo curto ou outros fatores de risco, não existe contraindicação. O medo costuma vir mais dos parceiros, que temem machucar o bebê ou que enxergam a companheira como mãe e se afastam. Ela garantiu: pode.
O mesmo vale para a atividade física. Natália derrubou o mito de que gestante precisa ficar em repouso. Desde que não haja contraindicação, a prática pode e deve começar desde o início da gravidez, com acompanhamento de um profissional de educação física que adapte as cargas a cada trimestre. Um estudo recente mostrou que pacientes com histórico de perdas gestacionais repetidas que praticaram 40 minutos de atividade física diária tiveram melhora significativa no prognóstico da gestação seguinte.
Sobre o álcool, a resposta é zero. Não existe dose segura na gestação. O bebê pode desenvolver a síndrome de abstinência fetal, com prejuízos neurológicos sérios. Se a mãe tomou antes de saber que estava grávida, Natália costuma dizer que “Deus protege”, mas depois que souber, é proibido.
Como saber se você está em trabalho de parto
O trabalho de parto tem duas fases: a fase latente, com contrações irregulares que não necessariamente dilatam o colo, e o parto ativo, quando as contrações ganham ritmo definido, chegando a 40 ou 50 segundos de duração a cada três minutos. Junto com isso, o colo do útero vai se apagando, amolecendo e dilatando. A dilatação completa são 10 centímetros.
Natália contou o caso mais rápido que acompanhou: uma paciente chegou com 5 centímetros de dilatação no hospital em Adamantina. O acompanhante pediu licença para buscar as malas no carro. Quando voltou, o bebê já tinha nascido. Já o parto mais demorado foi uma indução que durou 32 horas do início ao nascimento.
Epigenética: o que você faz na gravidez afeta o bebê para sempre
Natália trouxe um conceito importante: a epigenética. A ideia é que a genética não é sentença. Um gene alterado para câncer, por exemplo, precisa de um gatilho para ser ativado. O ambiente do útero durante a gestação pode ligar ou desligar genes do bebê. Estudos mostram que mães obesas têm filhos com maior chance de desenvolver câncer intestinal, entre outras condições, justamente por mudanças epigenéticas. O que você come, como você dorme e se você pratica exercício durante a gravidez não afeta apenas você, mas a saúde do filho pelo resto da vida.
Ganho de peso, diabetes gestacional e hipertensão
O ganho de peso ideal na gestação depende do IMC de cada paciente. Natália disse ser “bem chata” com esse controle, e a razão é técnica: o principal problema obstétrico da atualidade não são mais as doenças infecciosas como HIV, sífilis ou toxoplasmose. São o diabetes gestacional e a hipertensão. A hipertensão é a principal causa de prematuridade e de morte materna e fetal. O ganho excessivo de peso aumenta diretamente o risco de desenvolver os dois.
No terceiro trimestre, a placenta começa a jogar glicose no sangue para o bebê crescer. Se a mãe já come em excesso, o pâncreas não dá conta, e o diabetes se instala. Os picos de hiper e hipoglicemia aumentam o risco de o bebê ficar acima do peso, de morte fetal dentro do útero e de autismo.
Gestação gemelar: por que é sempre alto risco
Toda gestação gemelar é considerada de alto risco. O útero não foi feito para dois, e o risco de parto prematuro é muito maior. Pode haver uma ou duas placentas e uma ou duas bolsas. Quando há uma placenta só, existe o risco de um feto “roubar” mais nutrientes do que o outro. Natália contou que um dos partos mais bonitos da residência foi um gemelar: o primeiro nasceu cefálico e o segundo estava pélvico, mas ela conseguiu fazer o parto vaginal dos dois.
Outubro Rosa: câncer de mama, prevenção e sintomas
O episódio foi gravado em outubro e Natália aproveitou para falar sobre o câncer de mama, o tipo mais comum entre as mulheres brasileiras, ficando atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Ela derrubou um mito importante: a maioria das pessoas acha que o câncer de mama é principalmente genético. Na verdade, apenas 5 a 10% dos casos têm causa genética comprovada. O restante, mais de 60%, está relacionado ao estilo de vida: obesidade, sedentarismo, má alimentação.
Os principais sintomas a observar são: nódulo na mama ou na axila, vermelhidão, retração da pele da mama, e descarga papilar, especialmente quando o líquido é sanguinolento ou transparente. O autoexame é importante para que a mulher conheça o próprio corpo e perceba mudanças, mas ele não substitui os exames de imagem como mamografia e ultrassom. Natália reforçou: qualquer diferença que você sentir, procure o médico.
Resumo do episódio
Neste episódio com a Dra. Natália Hosoume, ginecologista e obstetra de Dracena, discutem-se aspectos essenciais da saúde reprodutiva e preventiva feminina. A conversa aborda parto humanizado em suas modalidades vaginal e cesárea, práticas seguras durante a gravidez como atividade física e relações sexuais, o impacto da epigenética no desenvolvimento fetal, gestão do ganho de peso e prevenção do diabetes gestacional, particularidades da gestação gemelar e fatores de risco do câncer de mama relacionados ao estilo de vida.
Principais aprendizados
- Parto humanizado coloca a mulher como protagonista, permitindo escolha de posição, intervenção mínima e contato pele a pele imediato entre mãe e recém-nascido
- Atividade física regular durante a gravidez pode melhorar significativamente o prognóstico em gestações subsequentes, especialmente em casos de perdas gestacionais repetidas
- Epigenética mostra que o ambiente do útero durante a gestação, incluindo alimentação, sono e exercício, afeta a expressão gênica do bebê permanentemente
- Diabetes gestacional e hipertensão são os principais problemas obstétricos atuais, ambos agravados por ganho excessivo de peso na gravidez
- Mais de 60% dos cânceres de mama estão relacionados a estilo de vida como obesidade, sedentarismo e má alimentação, e não apenas a fatores genéticos
Perguntas respondidas neste episódio
Qual é a diferença entre parto humanizado vaginal e cesariana humanizada?
No parto vaginal humanizado a mulher escolhe a posição, não há episiotomia ou ruptura de bolsa de rotina e o recém-nascido vai direto para o colo da mãe. Na cesariana humanizada, as mãos não são amarradas, o campo cirúrgico é abaixado para visualização do bebê, o clampeamento tardio do cordão ocorre aos três minutos e há contato pele a pele na sala com amamentação na primeira hora.
É seguro fazer atividade física durante a gravidez?
Sim, desde que não haja contraindicação, a atividade física pode e deve começar desde o início da gravidez com acompanhamento de profissional de educação física que adapte as cargas a cada trimestre. Um estudo recente mostrou que pacientes com histórico de perdas gestacionais repetidas que praticaram 40 minutos de atividade física diária tiveram melhora significativa no prognóstico da gestação seguinte.
Qual é a dose segura de álcool durante a gravidez?
Não existe dose segura de álcool na gravidez. O bebê pode desenvolver a síndrome de abstinência fetal com prejuízos neurológicos sérios. Se a mãe tomou antes de descobrir que estava grávida, isso é compreendido, mas após saber da gravidez o consumo é proibido.
Quais são os principais sintomas do câncer de mama que exigem atenção médica?
Os principais sintomas são nódulo na mama ou na axila, vermelhidão, retração da pele da mama e descarga papilar, especialmente quando o líquido é sanguinolento ou transparente. Qualquer diferença sentida exige avaliação médica, sendo importante conhecer o próprio corpo por autoexame, mas isso não substitui mamografia e ultrassom.
Como a epigenética afeta o bebê durante a gravidez?
O ambiente do útero durante a gestação pode ativar ou desativar genes do bebê. O que você come, como você dorme e se você pratica exercício durante a gravidez afeta a saúde do filho pelo resto da vida. Estudos mostram que mães obesas têm filhos com maior chance de desenvolver câncer intestinal por mudanças epigenéticas.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.