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O que é ser doula: cuidado, presença e humanização no parto com Talícia e Raqueli | #408

17 de julho de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #408 do AdamiCast

Quem acompanha os bastidores do parto logo percebe que há uma figura que não assina o prontuário, não prescreve medicação, mas está presente em cada respiração, em cada olhar, em cada contração: a doula. No episódio 408 do AdamiCast, gravado em Dracena, Mariana e Pedro receberam Talícia Cezario Fonseca, enfermeira e doula, e Raqueli Braga Flumian, psicóloga e doula, para uma conversa que combina ciência, humanidade e muito cuidado.

As duas chegaram ao estúdio pela ponte do Ninho Materno, onde também participaram do bate-papo “Pó de Café com a Mari”. Vieram dispostas a desmistificar preconceitos, responder às dúvidas mais comuns e defender, com leveza e firmeza, o direito das mulheres a um parto informado e respeitado.

O que significa a palavra “doula”

Em grego, a palavra doula significa “a mulher que serve” ou “a mulher que se doa”. E essa etimologia não é acidente: a doula é aquela que entrega cuidado antes, durante e principalmente no pós-parto. Ao contrário do que muitos imaginam, ela não é a parteira nem substitui o médico. Ela ocupa um espaço diferente: o do apoio físico e emocional integral à mãe.

Talícia explicou a divisão de papéis com clareza: o médico opera com 100% de foco técnico, a enfermeira obstetra divide atenção entre o técnico e o emocional, e a doula está 100% presente para o bem-estar da mãe. Não há competição entre esses papéis. Há complementaridade.

Uma presença que começa antes do parto

Um dos pontos mais importantes do episódio foi desmistificar a ideia de que a doula aparece só no dia do parto. As duas enfatizaram que o trabalho mais essencial acontece antes: é a educação perinatal. Nesses encontros, a mãe aprende sobre as etapas do parto, sobre violência obstétrica, sobre como vocalizar e respirar para aliviar a dor, e sobre como confiar no próprio corpo.

Quanto antes esse vínculo é construído, melhor. Raqueli, que traz também a escuta psicológica para o processo, ressaltou que traumas emocionais e bloqueios inconscientes podem travar o parto, e que trabalhar essas questões no pré-natal faz diferença real. A pessoa que vai acompanhar a mãe no dia, seja o pai, uma amiga ou a própria doula, também participa desses encontros.

Parto normal, cesárea e o direito à informação

Talícia e Raqueli deixaram claro: a doula não é contra a cesárea. Elas acompanham partos de todos os tipos. O que elas defendem é que a mulher tenha acesso à informação real para fazer uma escolha genuína. O parto humanizado não é sinônimo de parto vaginal. Um parto humanizado é aquele em que a mãe é respeitada, informada e tratada como protagonista, seja qual for a via.

O que incomoda as duas é quando a mulher não recebe essa chance de escolher. Quando o médico empurra para a cesárea por conveniência de agenda sem ser honesto sobre isso. Quando a gestante chega no oitavo mês descobrindo que o profissional que a acompanhou desde o início não vai estar disponível no dia do parto. Transparência e respeito são o mínimo.

O puerpério e o “bebê imaginado”

Raqueli, como psicóloga, foi além do parto e tocou num tema ainda pouco falado: o puerpério. A queda brusca de hormônios após o nascimento, o encontro entre o bebê imaginado e o bebê real, o corpo que ainda não voltou ao normal, os palpites de todos os lados e a sensação de não poder dizer que está exausta. Tudo isso forma o cenário do pós-parto.

Ela explicou o que é o baby blues: não é depressão pós-parto, mas é real. É o choque entre a maternidade romantizada e a maternidade vivida. A doula também está presente nesse momento, não para resolver, mas para escutar sem julgamento. Um serviço simples e raro.

A hora dourada e o vínculo que começa no nascimento

Um conceito central do episódio foi o da “hora dourada”: a primeira hora de vida do bebê no colo da mãe. Pesquisas mostram que esse contato imediato estimula a ocitocina, facilita a amamentação, reduz o risco de depressão pós-parto e cria o primeiro elo de vínculo. Não é poesia. Está prescrito pela OMS e pela pediatria.

Mesmo assim, muitos hospitais ainda separam mãe e bebê por horas sem necessidade clínica. As doulas, ao entrar como profissionais no centro cirúrgico ou na sala de recuperação, ajudam a garantir que esse momento aconteça. E quando não é possível, preparam a mãe para pedir, para saber que ela tem esse direito.

As histórias por trás da escolha de cada uma

Raqueli foi psicóloga antes de ser doula. Passou pelo Xingu trabalhando com saúde indígena, se formou na USP, engravidou em Florianópolis e viveu um parto domiciliar com uma parteira mexicana de renome internacional. Aquela experiência mudou tudo. Ao voltar para o interior e se instalar em Dracena, percebeu que a cidade não tinha quase nada nessa área. Começou pelas amigas, ganhou escala e hoje diz com simplicidade: “quando sou doula, lembro que a vida vale a pena”.

Talícia foi enfermeira primeiro, depois professora, depois encantada com o materno-infantil. Chegou à doula por um caminho parecido com o que descreve para as mães: ouviu a chamada, resistiu um pouco, pesquisou, entendeu, e percebeu que já era. Hoje tem consultório próprio em Dracena, leciona enfermagem e trabalha em parceria com a fisioterapeuta pélvica Rafaela Camargo.

Onde encontrar

Talícia e Raqueli atuam em Dracena, SP. Você pode acompanhar o trabalho delas nas redes sociais: Talícia em @enfermeiratalicia e Raqueli em @psicologia_raqueliflumian.

Resumo do episódio

No episódio 408, a enfermeira e doula Talícia Cezario Fonseca e a psicóloga e doula Raqueli Braga Flumian explicam o papel da doula no acompanhamento do parto e puerpério, desmistificando preconceitos e mostrando como o trabalho começa no pré-natal com educação perinatal, continua durante o parto com apoio físico e emocional integral, e se estende ao pós-parto. Elas defendem partos humanizados informados, independentemente da via, e destacam a importância da hora dourada no vínculo materno-infantil.

Principais aprendizados

  • A doula oferece apoio físico e emocional integral com 100% de foco no bem-estar da mãe, enquanto o médico opera com foco técnico e a enfermeira divide atenção entre os dois aspectos.
  • O trabalho mais essencial da doula ocorre antes do parto, durante a educação perinatal, quando a gestante aprende sobre as etapas do parto, violência obstétrica, respiração e como confiar no próprio corpo.
  • Um parto humanizado é aquele em que a mãe é respeitada, informada e tratada como protagonista, independentemente de ser vaginal ou cesárea.
  • A primeira hora de vida do bebê no colo da mãe, chamada hora dourada, estimula ocitocina, facilita amamentação e reduz risco de depressão pós-parto.
  • O puerpério envolve queda brusca de hormônios, encontro entre o bebê imaginado e o real, e sensação de exaustão, momento em que a doula oferece escuta sem julgamento.

Perguntas respondidas neste episódio

O que é uma doula e qual seu papel no parto?

A doula é a profissional que oferece apoio físico e emocional integral à mãe antes, durante e após o parto. Não substitui o médico nem a enfermeira obstetra, mas ocupa um espaço diferente de complementaridade, estando 100% presente para o bem-estar da mãe.

Quando começa o trabalho da doula com a gestante?

O trabalho da doula começa antes do parto, durante a educação perinatal, quando a mãe aprende sobre as etapas do parto, violência obstétrica, técnicas de vocalizacao e respiracao para aliviar dor, e como confiar no próprio corpo. Quanto antes esse vínculo é construído, melhor.

A doula acompanha apenas partos normais?

Não. A doula acompanha partos de todos os tipos, incluindo cesáreas. O que importa é que o parto seja humanizado, ou seja, que a mãe seja respeitada, informada e tratada como protagonista, independentemente da via de parto escolhida.

Por que a primeira hora de vida do bebê no colo da mãe é importante?

A primeira hora de vida do bebê no colo da mãe, chamada hora dourada, estimula a ocitocina, facilita a amamentação, reduz o risco de depressão pós-parto e cria o primeiro elo de vínculo. Isso não é poesia, mas sim prescrito pela OMS e pela pediatria.

Como a doula atua no período pós-parto?

No pós-parto, a doula está presente durante o puerpério, momento em que ocorre queda brusca de hormônios, encontro entre o bebê imaginado e o bebê real, e a mãe enfrenta exaustão e pressões sociais. A doula oferece escuta sem julgamento, um serviço simples e raro.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.