PodCafé #02

Ninho Materno: o projeto que quer restaurar a aldeia da maternidade | #002

15 de junho de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio PodCafé #02 do AdamiCast

Maternidade é uma experiência visceral. É brutal, no bom sentido, como definiu uma participante do primeiro encontro do projeto Ninho Materno: aquilo que chacoalha a identidade, reorganiza prioridades e revela capacidades que a mulher sequer sabia ter. Mas também pode ser profundamente solitário, especialmente num tempo em que a aldeia foi substituída pelas redes sociais e cada mãe parece criar seus filhos no isolamento de um feed perfeito.

Foi para resgatar essa aldeia que Ana Helena Chiari, a Dra. Tassiane Stivari e Ana Cândida Junqueira criaram o Ninho Materno. As três se encontraram no estúdio do PodCafé com a Mari para o segundo episódio da série, numa tarde de domingo que virou um verdadeiro encontro em si.

Quando três amigas perceberam a mesma lacuna

Ana Helena, idealizadora do projeto Criança que Cresce, a Dra. Tassiane, ginecologista e obstetra, e Ana Cândida, psicóloga com formação em psicoterapia psicanalítica, vieram de caminhos profissionais diferentes, mas chegaram à mesma conclusão: muitas mulheres atravessam a maternidade se sentindo completamente sozinhas.

A percepção veio da escuta cotidiana, do consultório e das amizades. Relatos de gestantes que sentiam que precisariam dar conta de tudo sem apoio, mães no puérperio que não tinham com quem compartilhar medos, dúvidas que ficavam sem resposta por vergonha ou falta de espaço seguro. O projeto surgiu também da vontade de trabalhar juntas, de unir o conhecimento técnico das três áreas em algo maior do que cada uma poderia oferecer isoladamente.

O que é o Ninho Materno e como funciona

O projeto é estruturado em encontros presenciais, em formato de roda de conversa, realizados aos sábados a partir das 15h30. O valor simbólico de R$20 por encontro serve para cobrir os custos de condução e brindes. Não é um curso com currículo fechado: quem não foi ao primeiro encontro pode participar do segundo, quem quiser só comparecer ao terceiro também é bem-vindo.

A turma inaugural foi heterogênea, reunindo mulheres tentando engravidar, gestantes em diferentes trimestres e mães com bebês recém-nascidos. Exatamente essa mistura é o coração do projeto: a experiência de quem está um pouco à frente no caminho acolhe quem ainda está no começo, e quem está no começo oferece um olhar fresco para quem já passou por ali. As inscrições ficam abertas pelo Instagram @projetoninhomaterno.

Os quatro “ovinhos”: como os encontros estão organizados

Com uma delicadeza que revela o cuidado colocado no projeto, as três organizadoras usaram a metáfora do ciclo dos passarinhos para nomear os módulos. O primeiro, “Formação do ninho”, tratou do período pré-concepcional e dos medos de quem está tentando engravidar. O segundo, “Chocar”, trará discussões sobre parto humanizado, planejamento do parto e o papel da rede de apoio, com participação de doulas. Os dois encontros seguintes, “Eclosão” e “Nascer”, abrangerem puérperio e cuidados com o recém-nascido, com a participação de uma pediatra.

A ginecologista Dra. Tassiane aproveitou o espaço para desmistificar conceitos como parto humanizado, que não significa necessariamente parto natural em casa, mas sim o respeito à autonomia e aos desejos da mulher, seja por via vaginal ou cesárea. No encontro inaugural, a contribuição de uma fisioterapeuta pélvica abriu os olhos de muitas participantes sobre a saúde do assoalho pélvico antes, durante e depois da gestação.

Maternidade solo, saúde mental e o peso da perfeição

Um dos temas mais ricos do bate-papo foi a pressão cultural sobre as mães. A psicóloga Ana Cândida trouxe a perspectiva da psicanonálise: o conceito winnicottiano da “mãe suficientemente boa” mostra que uma mãe não precisa ser perfeita, ela precisa ser suficiente. A frustração faz parte do desenvolvimento da criança. O problema está numa sociedade que cobra das mulheres simultaneamente ser mãe exemplar, profissional realizada, parceira presente e ainda cuidar de si mesmas.

A apresentadora Mariana compartilhou a experiência de uma amiga que passou pelo puérperio sem rede de apoio, em silêncio, enquanto o entorno subestimava a gravidade do que ela vivia. O papo também tocou na saúde mental materna: a depressão pós-parto é uma condição médica real, mas a linha entre o puérperio fisiológico e o adoecimento é tênue, e ainda há muito tabu em reconhecer que a maternidade pode ser simultaneamente a experiência mais transformadora e a mais exaustiva da vida.

A aldeia que a gente precisa reconstruir

Existe um ditado africano que diz que é preciso uma aldeia para criar uma criança. As três convidadas concordam: antigamente, as mulheres criavam seus filhos cercadas por outras mulheres na mesma fase. Hoje, a mãe muitas vezes está sozinha com o bebê num apartamento, enquanto no feed do Instagram todos parecem ter tudo sob controle.

O Ninho Materno não se propõe a substituir a consulta médica ou o acompanhamento psicológico. Ele se propõe a ser o espaço onde a mãe lembra que não está sozinha, onde pode falar o que não consegue falar em outros lugares, e onde aprende que o seu jeito de maternar não precisa ser igual ao de ninguém. Como resumiu Ana Cândida: não existe uma receita de bolo que, passada de mão em mão, produz o mesmo resultado. Cada mãe faz a sua.

Onde encontrar

O projeto Ninho Materno realiza seus encontros em Dracena, SP. Acompanhe e faça sua inscrição pelo Instagram @projetoninhomaterno. Siga também as idealizadoras: Ana Helena Chiari em @aninhahelenachiari, a Dra. Tassiane Stivari em @dratassianestivari e Ana Cândida Junqueira em @anacjunqueira_.

Resumo do episódio

O Ninho Materno é um projeto criado por Ana Helena Chiari, Dra. Tassiane Stivari e Ana Cândida Junqueira para resgatar a rede de apoio que as mães perderam na modernidade. Estruturado em encontros presenciais aos sábados, o projeto reúne mulheres em diferentes fases da maternidade para compartilhar experiências, medos e aprendizados em um espaço seguro, reconhecendo que a maternidade é transformadora mas também pode ser profundamente solitária.

Principais aprendizados

  • A maternidade reorganiza prioridades e revela capacidades que a mulher sequer sabia ter, mas pode ser profundamente solitária quando realizada sem rede de apoio.
  • O conceito winnicottiano da mãe suficientemente boa mostra que uma mãe não precisa ser perfeita, ela precisa ser suficiente e que a frustração faz parte do desenvolvimento da criança.
  • A saúde do assoalho pélvico é um aspecto importante a cuidar antes, durante e depois da gestação.
  • Parto humanizado não significa necessariamente parto natural em casa, mas sim o respeito à autonomia e aos desejos da mulher, seja por via vaginal ou cesárea.
  • A linha entre o puérperio fisiológico e o adoecimento é tênue, e a depressão pós-parto é uma condição médica real que ainda carrega muito tabu social.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona o Ninho Materno?

O projeto é estruturado em encontros presenciais em formato de roda de conversa realizados aos sábados a partir das 15h30. O valor é R$20 por encontro para cobrir custos de condução e brindes. Não é um curso com currículo fechado, permitindo que participantes ingressem em qualquer encontro. As inscrições ficam abertas pelo Instagram @projetoninhomaterno.

Quais são os temas dos encontros do Ninho Materno?

Os encontros estão organizados em quatro módulos nomeados com metáfora do ciclo dos passarinhos. O primeiro, Formação do ninho, trata do período pré-concepcional e medos de quem tenta engravidar. O segundo, Chocar, aborda parto humanizado e planejamento do parto com participação de doulas. Os dois seguintes, Eclosão e Nascer, abrangem puérperio e cuidados com recém-nascido com participação de pediatra.

Para quem é o Ninho Materno?

O projeto reúne mulheres em diferentes fases da maternidade: desde quem está tentando engravidar, gestantes em diferentes trimestres e mães com bebês recém-nascidos. Essa mistura é intencional, pois a experiência de quem está mais à frente acolhe quem está no começo, enquanto quem está no começo oferece um olhar fresco para quem já passou por ali.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.