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Mensageiros da Alegria (Kaique Ricardo e João Damasceno): como o grupo de palhaços de Dracena virou o braço humanitário de 4 hospitais da Nova Alta Paulista | #090

22 de fevereiro de 2022 • 9 min de leitura

Este texto vem do episódio #90 do AdamiCast

Kaique Ricardo e João Damasceno são os coordenadores do Mensageiros da Alegria de Dracena, grupo independente de clowns hospitalares que atende pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde em quatro municípios da Nova Alta Paulista. Foram convidados do episódio 90 do AdamiCast, em fevereiro de 2022, pra contar a história do projeto — do curso de palhaçaria no Rio de Janeiro à licitação hospitalar em duas semanas, da rotina semanal de visitas à virada que a pandemia provocou no grupo.

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A conversa passou pela formação de João em palhaçaria (ele era tímido e não conseguia falar em público), pelos 10 anos que ele passou no grupo Doutores da Alegria em São Paulo, pela fundação do Mensageiros em Dracena depois que ele saiu com Kaique, pelo crescimento até as 52 pessoas que formam a equipe hoje, e pela adaptação que a pandemia obrigou: o foco virou o profissional da saúde que estava em burnout dentro do hospital, com crise de pânico, com depressão.

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João era tímido: a história do palhaço que não conseguia falar em público

Antes do nariz vermelho, João Damasceno era tímido a ponto de não conseguir conversar com ninguém. Ele conta que mesmo quem o conhece hoje tem dúvida. A virada veio com um curso de palhaçaria de 4 dias perto do Rio de Janeiro, há pouco mais de 10 anos. O grupo era de 10 pessoas, com experiências variando — alguns acordavam, viravam de um lado pro outro, e na hora de sair do quarto já estavam jogando fogo pela boca, malabarisando, improvisando. “Quando eu cheguei lá, eu tava ainda muito receoso. No quarto e último dia eu me frustraria com aquilo que eu queria. Quando eu vi que era o que eu queria, voltei e entrei pro grupo.”

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De volta a Dracena, entrou para um grupo de palhaçaria de humanização hospitalar que já existia na cidade e ficou lá por 10 anos. O modelo que ele absorveu era baseado na figura do clown — o palhaço de hospital que não é o palhaço de circo. O nariz vermelho, o jaleco, a maquiagem que identifica o personagem. O diferencial, segundo ele, é que esse hobby não precisa de estrutura cara: um jaleco e um nariz vermelho compram-se em qualquer lugar, e o resto é você.

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10 anos nos Doutores da Alegria e a fundação do Mensageiros em Dracena

Há cerca de três anos, João saiu do grupo de humanização que ajudou a fundar e queria montar algo próprio. Falou com Kaique, que tinha passado por outro projeto na cidade por cerca de cinco anos antes de se afastar pra cuidar da vida. Já tinham a intuição comum de que a humanização hospitalar não precisava ficar presa a um hospital específico: podia mudar o ambiente em qualquer lugar, com qualquer paciente, com qualquer profissional de saúde. Começaram pelo caminho burocrático. “No início, as pessoas acham que por ser de palhaço é qualquer jeito, que você faz não é. A instituição do projeto é muito burocrática: a gente precisa fazer uma licitação. Foi ofícios pra vários hospitais. A gente falou: se aprovar rápido, a gente começa; se demorar, não faz. Em duas semanas tínhamos a licitação aprovada.”

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A primeira visita foi na Santa Casa de Tupi Paulista, depois na Santa Casa de Dracena, e o projeto foi tomando proporção. O núcleo inicial era João e Kaique, depois cresceu pra 10 pessoas, depois pra 20, depois voltou pra 10 que efetivamente entravam em campo. Quando abriram a inscrição para novos voluntários, apareceram quase 50 candidatos. Fizeram pré-seleção, escolheram 20, e dos 20 metade começou. A primeira visita oficial saiu dali.

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52 colaboradores, 4 hospitais: o crescimento do projeto

Três anos depois, o Mensageiros da Alegria conta com 52 colaboradores ativos, divididos em grupos que se organizam por cidade. Atendem hoje Tupi Paulista, Dracena, Junqueirópolis e Panorama, sempre em duplas ou trios de palhaços, com participação semanal antes da pandemia: Tupi Paulista e Junqueirópolis nos sábados, Panorama e Dracena nos domingos. É um trabalho voluntário, com escalas alternadas, e a maior parte das despesas (caracterização, transporte, pequenas ações) é bancada pelos próprios coordenadores e parceiros.

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A relação com o hospital é institucional: existe licitação aprovada, e os coordenadores não entram em visitação sem ser recebidos pela equipe médica. “A gente entende que vai ali pra mudar o ambiente. Se a gente tirou um sorriso, ótimo. Se tirou uma motivação de continuar a lutar, ótimo. Nosso objetivo é trazer uma mensagem de esperança.”

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A pandemia virou o foco pros profissionais da saúde: depressão, pânico e burnout

A chegada da covid-19 desorganizou o modelo presencial. Por questão de segurança, cada grupo foi limitado a 4 pessoas, e o que era 9 grupos virou 18, dividindo o contingente. Mas o lado mais profundo da transformação foi o foco. “Antes da pandemia o nosso objetivo sempre foi o paciente e o acompanhante. Com a pandemia, a gente não consegue atingir o paciente.” O olhar virou para o profissional de saúde que estava trabalhando dentro do hospital, lidando diariamente com doença nova, desinformada, com morte todo dia.

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Eles perceberam que o profissional que eles atendiam na entrada do plantão ou na porta do refeitório muitas vezes tinha depressão, crise de pânico, burnout. A porta da Santa Casa era a válvula de escape. O clown passava a ser uma válvula pra quem cuidava, e não só pra quem estava sendo cuidado. Além das apresentações na frente do hospital, criaram um sistema de videochamada: levavam o celular ou tablet até a janela do quarto, e o paciente internado conseguia ver o palhaço, conversar, receber a cançãozinha da alegria. A humanização foi além da porta do hospital: foi pra dentro de casa, praquem tava isolado.

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Clown não é palhaço de circo: a caracterização que abre a porta do hospital

Detalhe que João e Kaique reforçam: o clown do hospital é uma figura diferente do palhaço de circo. A característica principal é o nariz vermelho, a maquiagem leve e o jaleco. O código de conduta é próximo do profissional de saúde: não faz barulho excessivo, não acorda quem está dormindo, não imita médico, não ignora as regras de cada ala. O clown serve pra chegar, não pra interromper. Kaique, que deixou a carreira secular pra se dedicar a humanização 100% do tempo (a mãe dele brinca que são 25 horas por dia), é uma das expressões mais fortes do projeto: “eu não tenho um serviço secular. Deixei tudo pra me dedicar.”

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A doutora Aline Damasceno, prima de João, é uma das incentivadoras históricas do projeto. “A gente cura o corpo. Mas quando o clown chega ali, com uma mensagem, uma música, uma atitude, isso faz grande diferença.” A frase que o João adota como lema é direta: “Quem sai ganhando somos nós. A gente vai pra ajudar, mas quem acaba sendo ajudado somos nós.”

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Como ajudar o projeto + onde encontrar

O Mensageiros da Alegria é mantido por doações, parcerias e trabalho voluntário de 52 pessoas. Pra ser voluntário, entrar em contato com Kaique ou João. Pra ajudar com doação de itens (cesta básica, material de caracterização, ou contribuição financeira), o link está na bio do Instagram oficial. Pra acompanhar as ações — notadamente uma próxima ação na frente da Santa Casa de Dracena com profissionais da saúde — o canal oficial no Instagram é @mensageiro_da_alegria. Os perfis pessoais: @kaiquericardo_ e @damasceno5542. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.

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Resumo do episódio

Kaique Ricardo e João Damasceno coordenam o Mensageiros da Alegria, grupo de 52 palhaços hospitalares que atende pacientes, acompanhantes e profissionais de saúde em quatro municípios da Nova Alta Paulista. A história passa pela transformação de João de uma pessoa tímida que não conseguia falar em público até se tornar clown após um curso de palhaçaria, seus 10 anos no grupo Doutores da Alegria em São Paulo, a fundação do projeto em Dracena há três anos com aprovação em licitação hospitalar em apenas duas semanas, e a adaptação durante a pandemia que reorientou o foco para o profissional de saúde em burnout, depressão e crise de pânico.

Principais aprendizados

  • A palhaçaria hospitalar requer estrutura simples: um jaleco e um nariz vermelho, sendo o resto responsabilidade pessoal do clown.
  • O modelo clown de hospital é diferente do palhaço de circo, com código de conduta próximo ao profissional de saúde, sem barulhos excessivos ou interrupções.
  • Um projeto de humanização hospitalar pode ser iniciado através de licitação burocrática formal, não sendo necessária autorização informal.
  • A pandemia redirecionou o foco de atendimento do paciente para o profissional de saúde que enfrenta burnout, depressão e crises de pânico.
  • O projeto utiliza tecnologia como videochamada com celular ou tablet na janela do quarto para alcançar pacientes isolados durante restrições presenciais.

Perguntas respondidas neste episódio

Como alguém tímido consegue se tornar palhaço hospitalar?

Através de um curso prático de palhaçaria que dura alguns dias e permite vivenciar o trabalho na prática. A transformação ocorre quando a pessoa percebe que é realmente o que quer fazer, como aconteceu durante o quarto dia de curso.

Qual é a diferença entre um clown de hospital e um palhaço de circo?

O clown hospitalar usa nariz vermelho, maquiagem leve e jaleco, seguindo código de conduta próximo ao profissional de saúde. Não faz barulho excessivo, não acorda dormindo, não imita médico e respeita regras de cada ala, servindo para chegar e não para interromper.

Como funciona o processo de aprovação para um projeto de humanização hospitalar?

Através de licitação formal enviada para os hospitais. No caso do Mensageiros da Alegria, foram enviados ofícios para vários hospitais e a aprovação ocorreu em apenas duas semanas, depois começaram as visitas na Santa Casa de Tupi Paulista e na Santa Casa de Dracena.

Como o projeto se adaptou durante a pandemia?

Cada grupo de palhaços foi limitado a quatro pessoas e o modelo de nove grupos se multiplicou para dezoito. Além disso, criaram um sistema de videochamada onde levavam celular ou tablet até a janela do quarto para que pacientes isolados pudessem ver o palhaço e conversar.

Quem é o público principal do Mensageiros da Alegria durante a pandemia?

O profissional de saúde que trabalha dentro do hospital, enfrentando burnout, depressão e crises de pânico. O foco mudou do paciente para quem cuida, atendendo profissionais na entrada do plantão ou porta do refeitório.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.