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Medicina, maternidade e retorno ao interior: a historia de Cláudia Batista Fabro | #301

10 de abril de 2024 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #301 do AdamiCast

Neste episodio do AdamiCast, o casal Mariana e Pedro Adami recebeu a pediatra Cláudia Batista Fabro, natural de Dracena, para contar uma trajetoria que passou por Campinas, Santos e Ribeirao Preto antes de voltar para a cidade natal e construir ali uma carreira de quase 25 anos cuidando de criancas. A conversa passeou por escolhas de juventude, a dificuldade de estar longe de casa ainda adolescente, os desafios de uma gestacao complicada e as mudancas que a maternidade trouxe para a forma como ela exerce a medicina.

Uma vocacao sem duvida

Cláudia conta que nunca cogitou outra profissao. “Sempre foi a primeira opcao”, relembra, explicando que a decisao de ser medica veio cedo, ainda sem as facilidades de hoje, quando nao havia faculdade por perto e ela sabia que teria que sair de Dracena para estudar. Fez o colegial em Campinas, cursinho em Sao Paulo, faculdade em Santos e residencia em Ribeirao Preto, tudo distante de casa e da familia. A inspiracao veio de perto: o tio, Jose Poli, foi pediatra da cidade por muitos anos, e ela admirava o trabalho dele. A escolha pela pediatria, no entanto, so se firmou durante o internato da faculdade, quando pensou em outras especialidades antes de se encantar de vez pela area, que ela descreve como uma especie de clinica geral da crianca. Segundo ela, o desafio de investigar sintomas em pacientes que muitas vezes nao conseguem dizer onde doi foi o que mais a atraiu.

Anos fora e um retorno inesperado

Morar sozinha desde os 15 ou 16 anos em Campinas, depois em Santos e Ribeirao Preto, exigiu adaptacao numa epoca sem celular, com orelhao e ficha, e viagens raras para casa. Quando terminou a residencia, Cláudia nao pretendia voltar para Dracena. “Eu achava que se eu voltasse, eu ia voltar derrotada”, diz, explicando que via a cidade grande como sinonimo de sucesso profissional. Foi o convite do tio, que estava se aposentando do atendimento pediatrico para seguir apenas como otorrino de adultos, que a trouxe de volta. Os primeiros anos foram dificeis, sem pacientes proprios, atendendo ao lado do tio, que ela descreve com carinho quase paterno pelo apoio que deu naquele periodo. Aos poucos foi conquistando espaco, passou pelo pronto-socorro, construiu sua propria clinica e hoje reconhece que voltar foi a melhor escolha que fez, inclusive por ter encontrado o marido, advogado, na cidade natal.

Uma gestacao marcada pela depressao e pelo diabetes gestacional

Um dos momentos mais marcantes do papo foi o relato pessoal de Cláudia sobre a propria gravidez. Ela conta que enfrentou depressao durante os nove meses de gestacao e optou por nao tomar a medicacao que usava por medo de prejudicar a filha. “Eu lia a bula e ficava naquele negocio, minha filha vai nascer assim, com problema”, relembra. A ansiedade a levava a pedir ao medico do ultrassom que conferisse cada dedo das maos e dos pes do bebe. Foi nesse contexto que ouviu de um obstetra o relato de um caso em que o proprio filho nasceu sem uma das maos, uma fala que ela descreve como um divisor de aguas na forma como passou a enxergar a propria preocupacao. Alem da depressao, ela desenvolveu diabetes gestacional e teve que controlar a alimentacao rigorosamente, sem poder recorrer a insulina. A filha nasceu saudavel, hoje com nove anos, mas Cláudia relata que, por causa dos medicamentos que precisou retomar apos o parto, nao conseguiu amamentar, uma frustracao que ela relativiza ao pensar na importancia de estar bem para cuidar da crianca.

Ser mae mudou a forma de atender

A experiencia da maternidade, segundo Cláudia, transformou completamente sua relacao com as pacientes. “Eu tenho uma paciencia com as maes que eu nao tinha nunca”, afirma, explicando que antes de ser mae ela via certas preocupacoes como exageradas, e depois passou a se colocar no lugar de quem esta ali desesperada com o filho. Essa proximidade emocional com os casos, segundo ela, e algo recorrente na profissao, ainda que ela prefira nao se aprofundar demais em casos que a marcaram por envolverem doencas na propria familia.

Alergias, informacao em excesso e vinte anos de vinculo com os pacientes

A conversa tambem passou por temas do dia a dia do consultorio, como o aumento perceptivel de casos de alergia alimentar em criancas, que Cláudia associa a fatores como alimentos transgenicos, hormonios e agrotoxicos, alem de um diagnostico mais preciso do que existia no passado. Ela lembrou como era distinto o preparo de formulas para bebes alergicos a leite anos atras, comparando com a variedade de opcoes sem lactose e sem gluten disponiveis hoje. Tambem comentou sobre a dificuldade de acompanhar tanta informacao disponivel na internet, ponderando que a facilidade de qualquer pessoa ganhar voz nas redes sociais nem sempre significa qualidade ou veracidade no que e divulgado. Por fim, destacou como consegue acompanhar pacientes desde bebes ate a vida adulta, tendo hoje pessoas que a procuram desde a infancia e continuam voltando ja com mais de vinte anos, numa relacao de confianca construida ao longo de duas decadas de trabalho em Dracena.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @CBFabbro.

Resumo do episódio

O episodio recebe a pediatra Claudia Batista Fabro, de Dracena, que conta como saiu de casa aos quinze anos para estudar em Campinas, Santos e Ribeirao Preto antes de retornar a cidade natal para clinicar junto ao tio, tambem medico. Ela relata a rotina de atender criancas desde recem nascidos até pacientes de vinte e poucos anos, os desafios de diagnosticar sem que o paciente fale onde sente dor, e episodios pessoais como a depressao na gestacao, o diabetes gestacional e a impossibilidade de amamentar por causa da medicacao. A conversa tambem aborda o aumento de alergias infantis, a evolucao das formulas lacteas e os riscos da informacao sem filtro nas redes sociais.

Principais aprendizados

  • Em pediatria o diagnostico exige investigar os pais e observar a crianca, pois bebes e criancas pequenas nao conseguem relatar onde sentem dor.
  • A depressao pode ocorrer durante a gestacao, nao apenas no pos-parto, e a interrupcao de medicacao por medo de prejudicar o bebe pode agravar o quadro.
  • Alergias alimentares infantis parecem ter aumentado, associadas por hipoteses a alimentos transgenicos, hormonios e agrotoxicos.
  • Alimentos dieteticos para diabeticos nao contem acucar mas podem ter alto teor de carboidrato, o que exige atencao mesmo em produtos rotulados como especiais.
  • O leite de vaca puro e considerado altamente alergenico para bebes, por isso hoje se prioriza prorrogar seu uso e recorrer a formulas modificadas.

Perguntas respondidas neste episódio

Diabetes gestacional desaparece depois do parto

Sim, no caso relatado, apos o nascimento do bebe a condicao se resolveu, pois estava relacionada ao periodo em que o corpo precisava produzir insulina suficiente para dois organismos ao mesmo tempo. Isso nao significa uma regra geral, pois existem pessoas que podem desenvolver diabetes posteriormente, mas no relato especifico o quadro sumiu apos a gestacao.

Por que hoje se ve mais criancas com alergias alimentares do que antes

Parte do aumento pode ser explicada por melhores metodos de diagnostico que antes nao existiam, mas tambem ha um crescimento real nos casos, associado a fatores como alimentos transgenicos, uso de hormonios e agrotoxicos na produção de carnes e frutas. Hoje aparecem alergias a alimentos que antes nao eram vistas como problematicas, como banana e batata, mesmo em pessoas que nunca tiveram sintomas antes.

E seguro dar leite de vaca puro para bebes recem nascidos

O leite de vaca e considerado muito alergenico para bebes porque seu teor de gordura e proteina e muito maior do que o indicado, podendo causar diarreia e outros problemas na crianca pequena. Por isso hoje existem formulas maternizadas modificadas especificamente para reduzir esses riscos, e a orientacao atual e prorrogar ao maximo a introducao do leite de vaca puro na alimentacao infantil.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.