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Medicina, gastro e pneumo: a historia do Dr. Rodrigo e da Dra. Natália | #305

30 de abril de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #305 do AdamiCast

O episódio recebeu o casal de médicos Dr. Rodrigo e Dra. Natália, ele gastroenterologista, ela pneumologista, que chegaram há pouco tempo em Dracena e trouxeram uma trajetória cheia de coincidências, mudanças de cidade e muita dedicação aos estudos. Junto com eles também esteve presente o Matheus, que acompanha de perto a rotina do casal. A conversa passeou por como os dois se conheceram na faculdade em Curitiba, o caminho até a especialização, os anos vividos entre Paraná e São Paulo, a experiência intensa da pandemia e, claro, como acabaram parando em Dracena.

Do namoro em Curitiba aos PBLs cheios de briga

Rodrigo é prudentino e Natália é paranaense, criada em Cianorte. Os dois se conheceram na PUC do Paraná, em Curitiba, na mesma turma de medicina, dentro do sistema de PBL, os tutoriais em grupo. Foi ali que a relação começou, ainda que no início fosse marcada por embates dentro de sala. “Teve uma vez que o professor falou, Rodrigo, não vai falar nada na aula? Daí eu virei, que jeito essa radialista não deixa ninguém falar?”, contou ele, lembrando que depois, no corredor da faculdade, ela foi tirar satisfação. Começaram a namorar no final do segundo ano, e hoje somam quase 12 anos juntos, sendo quase três anos de casados. O contraste de personalidades também apareceu na entrevista: ele descrito como mais festeiro, ela como mais caseira e ligada à rotina da missa de domingo, o que exigiu, nas palavras dos dois, uma boa dose de equilíbrio ao longo dos anos.

O caminho até a gastro e a pneumo

Rodrigo sempre quis ser médico, sem nenhuma referência direta na família, já que os pais são advogados. Natália, por sua vez, chegou a pensar em administração, influenciada pelo comércio do pai, até decidir por medicina no mesmo período em que a irmã optou por psicologia. Os dois fizeram clínica médica, ele na UEL de Londrina e ela na UEM de Maringá, morando cerca de uma hora de distância um do outro. A afinidade com procedimentos levou Rodrigo à gastroenterologia, enquanto Natália se apaixonou pela pneumologia depois de passar por UTIs e hospitais oncológicos. “Agora eu consigo respirar. Nossa, você me ajudou a respirar”, relatou sobre a satisfação de ver pacientes recuperando funções básicas como respirar e dormir.

A pandemia, os plantões e a vacina como cobaia

A trajetória dos dois foi marcada de perto pela pandemia. Rodrigo relembrou noites de até nove admissões seguidas em UTIs exclusivas para Covid em Curitiba, além de um caso que o marcou profundamente: uma jovem de 17 anos que sofreu doze reanimações em uma única madrugada, sem sucesso. Natália, por sua vez, participou como voluntária de um estudo de vacina da Federal do Paraná, recebendo, sem saber, o grupo placebo antes de ser efetivamente vacinada meses depois. “Vou falar pros meus netos, isso é um orgulho”, contou sobre a experiência. O período também trouxe uma reviravolta pessoal: os dois estavam num casamento no Canadá e voltavam por Nova York quando perceberam o início do isolamento mundial, chegando ao Brasil dias antes do fechamento dos aeroportos.

Botucatu, Curitiba e o caminho até Dracena

Depois da residência, escolheram subespecialidades em cidades diferentes: Natália foi para a Federal do Paraná, em Curitiba, e Rodrigo para a Unesp de Botucatu, motivado pela maior oferta de procedimentos em endoscopia e colonoscopia. Ficaram cerca de dois anos morando a mais de 400 quilômetros de distância, mantendo a relação em meio a plantões intensos. Rodrigo chegou a dar aula em Dracena por concurso da faculdade local, sem nunca antes ter pisado na cidade, apesar de ser de Prudente. A partir daí, começou a atender no AME e a se credenciar na Unimed, o que foi trazendo o casal cada vez mais para Dracena, até que decidiram se fixar definitivamente na cidade, abrindo consultório e se mudando de vez.

Foodmaps, eixo cérebro-intestino e prevenção

Boa parte da conversa girou em torno das especialidades dos dois e de como se complementam na prática. Rodrigo explicou o teste respiratório de hidrogênio, usado para identificar aumento de bactérias fermentadoras no intestino, quadro que muitas vezes é confundido com intolerância à lactose. Também comentou a relação entre a bactéria H. pylori e o risco de úlceras e câncer gástrico, reforçando a importância da colonoscopia a partir dos 45 anos como prevenção do câncer colorretal. Natália, do lado da pneumologia, destacou o aumento de doenças ocupacionais e os riscos do cigarro eletrônico, hoje ligado a casos de lesão pulmonar irreversível. Os dois reforçaram ainda a relação entre esteatose hepática, a gordura no fígado, e o avanço de casos de cirrose no país, hoje uma das principais causas de transplante hepático nos Estados Unidos.

Telemedicina, doutorado e a vida em Dracena

Ambos atuam também em projetos de telemedicina pelo Hospital Albert Einstein, atendendo pacientes de regiões de baixo IDH no norte e centro-oeste do país, muitas vezes em parceria com médicos locais que fazem o exame físico enquanto eles complementam a avaliação a distância. Rodrigo ainda cursa doutorado pela Unesp de Botucatu, contando com apoio da própria Natália na coleta de dados. Encerrando a conversa, o casal comentou a adaptação ao calor de Dracena, tão diferente do clima de Curitiba, e a boa recepção da cidade e da equipe médica local. Hoje esperam a chegada do primeiro filho, previsto para agosto, e seguem construindo a rotina profissional e familiar na cidade que, segundo os dois, “sugou” os dois de vez.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @gastro.talks e @dramarianataliamarques.

Resumo do episódio

O episódio traz o casal de médicos Rodrigo, gastroenterologista, e Natália, pneumologista, contando como se conheceram na faculdade em Curitiba, a trajetória até se especializarem e a mudança para Dracena. Ao longo da conversa eles explicam diferenças entre alergia e intolerância alimentar, o funcionamento de exames como o teste respiratório de hidrogênio e a calorimetria, a relação entre emoções e sintomas gastrointestinais, riscos do cigarro eletrônico e da gordura no fígado, além de comentarem sobre telemedicina e prevenção de câncer de intestino e pulmão. Também relatam experiências pessoais durante a pandemia, incluindo participação em estudo de vacina e rotina de trabalho intensa em UTI.

Principais aprendizados

  • A partir dos 40-45 anos é recomendado fazer colonoscopia de rastreio para pólipos e câncer colorretal, independente do sexo.
  • Tabagistas com mais de 50 anos ou que fumam há mais de 20 anos devem fazer tomografia de tórax mesmo sem sintomas.
  • A gordura no fígado (esteatose hepática) pode evoluir para hepatite, fibrose e cirrose, sendo hoje uma das principais causas de transplante hepático nos Estados Unidos.
  • O cigarro eletrônico já foi associado a lesões pulmonares graves e irreversíveis, incluindo fibrose pulmonar, além de ser considerado tão ou mais prejudicial que o cigarro comum.
  • Sintomas intestinais como gases, distensão e alteração do hábito intestinal podem estar relacionados a fatores emocionais, através do chamado eixo cérebro-intestino, além de fatores alimentares e desequilíbrio da microbiota.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual a diferença entre alergia alimentar e intolerância alimentar?

A intolerância alimentar causa principalmente sintomas intestinais como gases, distensão abdominal, diarreia ou constipação, e permite algum contato parcial com o alimento. A alergia é diferente porque não permite nenhum contato, podendo desencadear reações mais amplas, inclusive respiratórias, como ocorre em quadros de asma e outras alergias respiratórias.

Como funciona o teste respiratório de hidrogênio para avaliar o intestino?

O paciente faz uma dieta não fermentativa por 24 horas, chega em jejum ao consultório e bebe um líquido que não é absorvido pelo intestino. Se houver excesso de bactérias, elas fermentam esse líquido e liberam gases como hidrogênio e metano, que não são produzidos naturalmente pelo corpo. Esses gases passam para o sangue, chegam ao pulmão e são detectados quando o paciente assopra em um dispositivo, indicando se há supercrescimento bacteriano no intestino.

O cigarro eletrônico faz mal à saúde?

Sim, já existem diversos estudos, incluindo relatos de casos graves nos Estados Unidos, principalmente em adolescentes e jovens, que desenvolveram lesões pulmonares irreversíveis e fibrose pulmonar associadas ao uso do cigarro eletrônico. Além disso, ele está relacionado ao enfisema, que é hoje a terceira doença que mais mata no mundo, atrás apenas de infarto e câncer, e também há relação com câncer.

Existe relação entre ansiedade e problemas no estômago ou intestino?

Sim, existe uma conexão chamada eixo cérebro-intestino, em que estados emocionais como ansiedade e depressão interferem diretamente no funcionamento intestinal e estomacal. Isso pode alterar a motilidade do intestino e desencadear sintomas como dor abdominal, diarreia ou desconforto gástrico mesmo sem uma causa alimentar aparente, sendo necessário às vezes até o uso de antidepressivos para tratar esses sintomas físicos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.