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José Roberto Rocha Leite, o professor de tênis que começou como gandula em 1983 e formou gerações em Dracena | AdamiCast #148

23 de agosto de 2022 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #148 do AdamiCast

Tinha 11 anos em 1983, ganhou a primeira raquete de madeira, e a primeira função foi a de gandula no clube onde a mãe lavava roupa. Daí pra dar aula, o caminho foi de cinco anos: aos 16, já ensinava em Presidente Prudente. Aos 18, mudou pra Presidente Venceslau sozinho. Em 1993, chegou em Dracena, e nunca mais saiu. José Roberto Rocha Leite é o professor de tênis que boa parte da região conhece pelo apelido, e que contou no AdamiCast a história de como um esporte de elite virou ferramenta de transformação pra ele e pros alunos que formou em quase quatro décadas.

De gandula a professor: a origem em 1983

José Roberto cresceu em uma família de cinco irmãos, com o pai e a mãe trabalhando fora. A mãe era lavadeira de um clube em Presidente Prudente, e foi conversando com o professor da época, o Hélio Roque, que pediu pra trazer o filho pra trabalhar. A função era a de gandula: pegar bolinha, ficar perto da mãe, e aprender. “Ela até falava: você não precisa pagar nada pra ele, só dele estar ali pertinho de mim já é uma preocupação a menos”, lembra. A paixão veio rápido, e a primeira raquete, de madeira, foi o presente que definiu o resto da vida.

Aos 14, 15 anos, a situação financeira apertou em casa, e o pai dele foi franco: precisava de mais receita. José Roberto entregava o que ganhava na mão do pai, e dormia com a convicção de que não ia largar o tênis. A primeira grande virada veio aos 16, quando recebeu a proposta de dar aula no mesmo clube onde tinha começado como gandula. “Eu cheguei em casa e não conseguia nem falar com o meu pai de tanta felicidade. Ia poder trabalhar com o que eu gostava e ajudar mais em casa.” Começou travado, sem conseguir dizer oi, mas a intimidade com a quadra veio junto com a intimidade com a sala de aula.

Presidente Venceslau, 1990: o teste de fogo aos 18 anos

Em abril de 1990, aos 18 anos, José Roberto aceitou o desafio de mudar pra Presidente Venceslau pra dar aula em três períodos. A promessa era de hospedagem e alimentação. A realidade foi um hotel abandonado que a prefeitura tinha comprado, onde moravam quarenta pessoas, do time de futebol a carteiros. No terceiro dia, sem celular, foi até um orelhão ligar pra mãe: não ia dar conta, queria voltar. A resposta da mãe veio firme: já tinha recebido o dinheiro de todo mundo, precisava cumprir o que prometeu.

Voltou na terceira semana, se adaptou, e ficou três anos em Venceslau. Foi o período em que começou a competir mais e levou os alunos pra torneios em outras cidades. Quando saiu, em 1993, veio direto pra Dracena, convidado pelo então presidente da ABD, Dr. Milton Kangussu, que o viu jogar nos regionais e perguntou se ele não queria vir dar aula na cidade. A resposta foi quase automática. “Ele falou assim: você não gostaria de vir dar aula aqui? Falei: podemos conversar. Em agosto de 1993 eu vim pra Dracena e já vim como professor da ABD.”

Dracena desde 1993: o lugar que virou casa e formou gerações

Em Dracena, José Roberto encontrou a combinação que define a carreira dele até hoje: a ABD, com a infraestrutura do clube, e a quantidade incomum de gente que joga tênis na cidade. “Eu falo pra você que é difícil, em proporção, uma cidade como Prudente ganhar da gente. Dracena é um posto sem fundo de talento e de quantidade de pessoas.” O reflexo veio nos torneios: a cidade passou a ser respeitada em qualquer lugar do Brasil, e os adversários já chegavam com medo quando sabiam que o próximo era de Dracena.

Em 2004, veio a oportunidade de trabalhar com a família dos irmãos Oncins em Araraquara, com o Jaime, ex-número 30 do mundo. A esposa estava grávida da primeira filha quando aceitaram mudar. Ficaram quatro anos, e em fevereiro de 2008 voltaram pra Dracena. De lá pra cá, a lista de alunos só cresceu: tem aluno que virou jogador profissional, aluno que virou professor em Tupi Paulista, em Araraquara, em Três Lagoas, em Sinop, em Araçatuba. E tem o Laércio Lobo, que começou como gandula e terminou como cidadão australiano, depois de passar pelos Estados Unidos com bolsa de tênis.

A Kombi, os torneios e o hábito de dar uma raquete

A imagem que resume a fase mais marcante da carreira dele é a Kombi da ABD lotada pra viajar pros torneios. Embarcavam trinta, quarenta pessoas, e quando alguém perdia na sexta à tarde, ficava até o domingo esperando a galera voltar. Quem perdia e tinha pai com carro voltava antes, e José Roberto ficava lá com a Kombi esperando o resto. “Se essa Kombi falasse, dava pra escrever um livro. Era uma Bíblia.” O detalhe mostra o tamanho do que ele construiu: cidade pequena que levava ônibus de atleta pra torneio.

Hoje, José Roberto dá aula dos 4 anos de idade até adulto, e tem uma opinião forte sobre a forma como a cultura brasileira trata o tênis. “A gente tem o hábito de dar uma bola de futebol pras crianças, mas não tem o hábito de dar uma raquete. Eu falo pros pais: o primeiro presente dá uma raquetinha de tênis e uma bolinha.” A tese dele é simples: uma raquete dura dez anos, uma chuteira não, e o tênis tem o atrativo extra das bolsas de estudo nos Estados Unidos, que já tiraram vários alunos dele de situações difíceis. O tênis, na vida dele, sempre foi mais do que esporte.

Onde encontrar o professor José Roberto

O professor José Roberto Rocha Leite atende na ABD e em outros espaços de tênis em Dracena, SP, com alunos a partir dos 4 anos de idade, do iniciante ao avançado. Para acompanhar a rotina dele e os torneios da região, siga em @joseroberto.leite.77. A conversa com o AdamiCast é o tipo de história que só uma cidade como Dracena consegue contar, e que mostra como um esporte de elite pode virar projeto de vida quando alguém decide olhar pra galera que está na arquibancada pedindo pra entrar.

Resumo do episódio

José Roberto Rocha Leite começou como gandula aos 11 anos em 1983 e se tornou professor de tênis que formou gerações em Dracena desde 1993. O artigo conta como um garoto de família humilde transformou o tênis em ferramenta de mobilidade social, levando dezenas de alunos a competições regionais e alguns a bolsas de estudo nos Estados Unidos, consolidando a cidade como referência no esporte.

Principais aprendizados

  • O primeiro emprego como gandula surgiu porque a mãe lavava roupa no clube e conversou com o professor Hélio Roque para trazer o filho para trabalhar e aprender.
  • Aos 16 anos recebeu sua primeira proposta de dar aula no mesmo clube onde havia começado como gandula, após anos de dedicação ao esporte.
  • A mudança para Presidente Venceslau aos 18 anos testou sua resiliência quando enfrentou hospedagem precária, mas cumpriu o compromisso de três anos.
  • Dracena possui quantidade incomum de pessoas que jogam tênis em proporção à população, o que a torna diferenciada como polo de talentos.
  • O hábito cultural de dar raquete às crianças desde cedo, em vez de apenas bola de futebol, estende a durabilidade do investimento e abre oportunidades de bolsas internacionais.

Perguntas respondidas neste episódio

Como alguém começa como gandula e se torna professor de tênis?

Começou aos 11 anos pegando bolinhas no clube onde a mãe trabalhava, ganhou uma raquete de madeira como presente e desenvolveu paixão pelo esporte. Aos 16 anos, após cinco anos nessa trajetória, recebeu proposta para dar aula no mesmo clube.

Por que a mudança para Presidente Venceslau foi tão difícil?

Aos 18 anos, aceitou trabalhar em três períodos com promessa de hospedagem e alimentação, mas encontrou um hotel abandonado onde moravam quarenta pessoas. No terceiro dia, desesperado, ligou para a mãe querendo desistir, mas ela recusou porque já havia recebido o dinheiro de todos.

O que torna Dracena diferente como cidade de tênis?

Dracena possui uma quantidade incomum de pessoas que jogam tênis em proporção à população, o que a torna um polo sem fundo de talento. Essa característica fez a cidade ser respeitada em torneios em todo o Brasil e os adversários já chegavam com receio.

Como o professor ajudou alunos a sair de situações difíceis?

Alguns alunos conseguiram bolsas de estudo nos Estados Unidos através do tênis, como Laércio Lobo que começou como gandula e se tornou cidadão australiano. Vários também se tornaram professores de tênis em outras cidades.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.