#343

Bastidores do rodeio: a historia de Ailton Boy e Paulinho Chagas | #343

27 de setembro de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #343 do AdamiCast

O AdamiCast recebeu dois nomes que conhecem o rodeio brasileiro por dentro, de um jeito que poucos espectadores imaginam. Ailton Boy e Paulinho Chagas sao juizes de rodeio, profissao que exige tecnica, sangue frio e uma bagagem de anos dentro das arenas mais importantes do pais. Os dois sao amigos de infancia, de Dracena e regiao, e passaram pela experiencia de ser competidores e criadores de touros antes de chegar ao apito e a bandeira que definem notas em fracoes de segundo. A conversa revelou um universo de regras, tecnologia e disputa que fica escondido para quem assiste ao rodeio apenas pelo show.

De criador de touros a juiz

Ailton Boy contou que sua ligacao com o rodeio comecou como competidor, montando ainda garoto, ate parar em 2006 apos um acidente no joelho. A partir dali passou a criar touros em sociedade, chegando a ter uma boiada de 43 animais, alguns deles disputando as finais de Barretos. Ele lembrou com orgulho do touro Paradigma, que obteve nota de 90,25 montado por Alex Marcilio, alcancando uma das maiores medias individuais entre os tropeiros do Brasil naquele ano. “Eu, como tropeiro, consegui fazer coisa que eu nem imaginava que a gente ia chegar”, resumiu.

Foi a esposa, Aline, ainda namorada na epoca, quem o inscreveu num curso de juiz do Tiao Procopio, referencia do rodeio de touro no Brasil. Boy foi mais por amizade com Paulinho do que por ambicao de carreira, mas o destino colocou nas suas maos, ainda cedo, um julgamento de peso: uma etapa master da PBR Brahma Super Buu em Jaguariuna. “Aquilo ali abriu muitas portas pra mim”, disse, destacando o papel de Rogerio Paide, dono do Circuito Rancho Primavera, que lhe deu oportunidades decisivas. Hoje Boy ja julgou os maiores campeonatos do pais: PBR, Rancho Primavera, Rosetta, Liga Nacional, ACR e Top Team Cristal.

A sorte que encontrou preparo

Paulinho Chagas contou uma trajetoria parecida em espirito, mas diferente em caminho. Envolvido com touros desde crianca, levou animais a rodeios amadores em Dracena nos anos 90 e comecou a julgar em 2015, quase por acaso, aceitando julgar de graca um rodeio em Emilianopolis por falta de juiz na regiao. De uma ponta a outra, foi convidado para julgar em Vilena, Rondonia, e dali recebeu um telefonema que mudaria sua trajetoria: substituir o juiz oficial numa final do campeonato MAR, evento de grande porte com Ivete Sangalo e Jorge e Mateus no palco e dois carros de premiacao em jogo. “Eu não sou juiz”, disse ter respondido, mas topou e o rodeio saiu bem. Paulinho resume a propria historia com uma frase que valoriza o preparo por tras da oportunidade: “Eu tive sorte, mas quando eu tive a sorte, eu fui preparado pra ela.”

Como se julga um touro e um competidor

Os dois explicaram, com detalhes raros de se ouvir fora do universo do rodeio, como funciona a nota de uma montaria. O touro e avaliado em cinco quesitos, pulo, coice, giro, intensidade e dificuldade, cada um valendo cinco pontos, somando ate vinte e cinco. O competidor recebe outros vinte e cinco pontos pelo dominio que demonstra sobre o animal. Com dois juizes, a nota maxima de uma montaria chega a cem. Paulinho destacou que a nota do touro nasce antes da nota do competidor: “A avaliacao e do touro. O que acontece? O touro pode ser novo, mas pode ser até um touro velho, as vezes ele escorregou na hora de dar um pulo muito bom que ele dá, ele caiu, ele prejudicou o competidor. Então o competidor não pode ser prejudicado.”

Existe ainda a bandeira amarela, usada quando o touro nao rendeu o esperado e o competidor merece outra chance, e a vermelha, que desclassifica na hora, por exemplo quando a mao livre do competidor toca no animal ou em qualquer estrutura. Boy lembrou um caso em Tres Lagoas em que desclassificou um competidor da casa numa final concorrida, mesmo sob vaias da arquibancada, porque viu a irregularidade com clareza. Depois do rodeio, o proprio competidor reconheceu a decisao: “Cara, pode ficar em paz, eu sabia que se eu fosse montar naquele touro de forma limpa eu não ia parar nele.”

Touros de milhoes e a pressao da genetica

Um dos pontos mais reveladores da conversa foi sobre o valor economico dos touros de rodeio hoje. Boy citou touros ofertados por valores que passam de um milhao de reais em leiloes recentes, o que aumenta a pressao sobre o trabalho dos juizes. Segundo ele, donos de touros caros tendem a esperar notas altas por emocao e investimento, nao pela performance real do animal naquele dia. “A gente tem que esquecer do nome do touro, do valor do touro… A gente tem que usar a razão”, afirmou, destacando que aprendeu a nao se abater nem se inflar com criticas ou elogios depois de julgar.

Os dois tambem explicaram que os touros de alta performance, mais rapidos e verticais, sao justamente os que mais podem errar, ao contrario dos touros mais previsiveis, “de arroz com feijao”, que raramente decepcionam mas tambem raramente encantam. Boy citou o touro americano Airtime como exemplo historico de animal espetacular que nunca foi eleito o melhor do mundo justamente por falhar nas finais decisivas. Falaram ainda da genetica como o caminho atual da criacao de touros de rodeio, describendo touros como o Bandido, considerado um otimo avo reprodutivo mesmo sem ter sido, segundo eles, um touro perfeito para procriar diretamente.

Um esporte que a regiao de Dracena ajudou a escrever

Ao longo da conversa ficou claro que a regiao teve e tem participacao relevante no cenario nacional do rodeio. Boy lembrou da epoca em que sua boiada, a Boa Esperanca, levava touros para disputar as classificatorias de Barretos entre os tropeiros regionais, e destacou nomes de competidores da regiao que alcancaram peso nacional, como Rafael Marcelino, vice-campeao de Barretos e campeao brasileiro pelo CRP em 2017. Os dois juizes tambem julgaram a ultima montaria de touros que entraram para a historia do rodeio brasileiro, caso do Doce Amargo, animal que Boy classificou como um dos melhores touros que o Brasil ja teve.

Ao final, Paulinho e Boy defenderam que o rodeio precisa ser enxergado como esporte, com atletas de dois lados, o competidor e o touro, e nao apenas como espetaculo ou tradicao rustica. Para eles, falta informacao ao publico que assiste aos rodeios sem entender o que acontece na arena, e a conversa no AdamiCast foi uma tentativa de aproximar esse universo de quem esta de fora. Encerraram o papo agradecendo o espaco e reforcando o convite para acompanhar de perto os proximos eventos da regiao, entre eles a etapa que se aproximava em Seruva.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @ailtonboyjuiz e @paulimchagas.

Resumo do episódio

O episodio reune dois juizes de rodeio de touros, Ailton Boy e Paulo Chagas, que explicam como funciona o julgamento de uma montaria, os criterios usados para avaliar touro e competidor, o uso de tecnologia como o VAR nas competicoes e os desafios de tomar decisoes rapidas sob pressao. Eles tambem contam como cada um comecou na profissao, partindo da criacao de touros de rodeio e de oportunidades que surgiram quase por acaso, alem de comentar sobre a genetica dos animais e a importancia de encarar o rodeio como esporte.

Principais aprendizados

  • A nota de uma montaria se divide em ate 50 pontos para o touro e 50 para o competidor, avaliados por dois ou mais juizes.
  • O touro e avaliado em cinco quesitos: pulo, coice, giro, intensidade e dificuldade, cada um valendo ate cinco pontos por juiz.
  • A bandeira amarela indica que o touro nao rendeu o esperado e da ao competidor direito a outra montaria, enquanto a vermelha desclassifica a disputa por irregularidade.
  • Recursos tecnologicos como multiplas cameras permitem revisar lances duvidosos de penalidade, mas a nota da montaria é sempre imediata e não pode ser alterada depois por video.
  • A genetica dos touros de rodeio evoluiu muito nas ultimas decadas, tornando os animais mais aptos para a competicao e valorizados financeiramente, com exemplares vendidos por valores milionarios.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona a pontuacao de uma montaria de touro no rodeio?

A montaria e avaliada por dois juizes que julgam separadamente o touro e o competidor. Cada juiz da uma nota de zero a vinte e cinco para o touro, considerando pulo, coice, giro, intensidade e dificuldade, e outra nota de zero a vinte e cinco para o desempenho do competidor. A soma das notas dos dois juizes forma o resultado final da montaria, que pode chegar a cem pontos.

O que significa a bandeira amarela e a vermelha no julgamento do rodeio?

A bandeira amarela e usada quando o touro nao teve um bom rendimento ou aconteceu algo que prejudicou o competidor, dando a ele direito a montar em outro touro. Ja a bandeira vermelha desclassifica a montaria na hora, quando o juiz percebe alguma irregularidade, como o competidor tocar no touro ou em si mesmo com a mao de equilibrio.

Como a tecnologia de video ajuda no julgamento dos rodeios atualmente?

Cameras posicionadas em varios angulos permitem que os juizes revejam lances duvidosos, como se o competidor tocou no touro com a mao livre, algo que acontece muito rapido para ser visto claramente ao vivo. Esse recurso e pedido quando ha duvida sobre uma penalidade, mas nao serve para revisar ou alterar a nota da montaria, que precisa ser dada no momento, vindo da percepcao imediata do juiz.

A experiencia do competidor influencia a nota dada pelo juiz?

Nao. A avaliacao e feita sobre o desempenho do touro e do competidor naquele momento especifico, sem levar em conta se a pessoa e estreante ou ja tem muitos anos de carreira. O juiz muitas vezes nem sabe quem esta montando, pois esta distante ou observando apenas a performance tecnica, entao o nome ou a fama do competidor nao interfere no julgamento.

Por que os touros de rodeio nao sao maltratados apesar do esporte parecer violento?

Os touros usados em rodeio sao animais de alto valor, tratados com acompanhamento veterinario e alimentacao balanceada, muito diferente do gado criado para abate. Depois que encerram a fase de competicao, eles nao sao abatidos e passam a ser usados para reproducao, pois carregam genetica valorizada. Alem disso, poucos touros conseguem realmente ter bom desempenho nas provas, o que reforca que sao animais selecionados e cuidados como atletas.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.