Leandro Cruz cresceu na Vila Barros, em Dracena, e chegou ao basquete quase por acaso: uma indicação do conselho tutelar o levou até uma escolinha no Ginásio Duvino Moura, onde apareceu de chinelo e chamou atenção pela altura. Com pouco mais de 13 anos e já perto de 1,80 m, ele foi notado pelo técnico Paulinho Maldonado e levado para São José do Rio Preto para disputar os primeiros campeonatos. Ali começava uma carreira profissional que duraria até os 39 anos.
Do interior paulista para Ribeirão Preto, Mogi das Cruzes, Campos dos Goytacazes, Bauru e o Minas Tênis Clube, Leandro acumulou mais de duas décadas vivendo do basquete. Jogou ao lado e contra nomes que depois foram para a NBA. Disputou campeonatos sul-americanos, torneios na Holanda e a Liga das Américas. E foi convocado para a seleção sub-20 brasileira, ao lado de Leandrinho, Nenê, Alex e Thiago Splitter. Neste episódio #411, ele veio ao estúdio do AdamiCast em Dracena para contar como foi tudo isso.
A escolinha, o conselho tutelar e o começo sem tênis
Antes do basquete, Leandro era um moleque de rua: pipa, bolinha de gude, fliperama. Sua mãe ficava brava com as arruáças e acabou levando-o ao conselho tutelar, que o encaminhou para as escolinhas no Ginásio Duvino Moura. Ele chegou de chinelo, sem saber muito bem o que estava fazendo ali. O técnico Vinícius levou um susto quando viu aquele garoto de 12, 13 anos já maior do que boa parte dos adultos. Menos de um ano depois, Paulinho Maldonado o levou para Rio Preto, o primeiro passo para fora de Dracena.
Em Rio Preto a ficha começou a cair. Um treinador plantou a semente: “você tem condição de virar jogador, mas precisa treinar.” A rotina ficou pesada: escola de manhã, academia, treino de tarde, estudo à noite. Leandro já treinava duas categorias ao mesmo tempo e ia ao banco do time juvenil. A carreira estava tomando forma.
Ribeirão Preto e a virada de chave
Foi em Ribeirão Preto que Leandro teve a certeza de que daria para viver do basquete. Ficou lá de 1999 a 2002, três anos de muito crescimento. O time chegou a vice-campeão brasileiro juvenil numa final contra o Vasco de Hélio Rubens, que tinha na equipe o Sandro Varejão, irmão do Anderson Varejão, o Demétrius e importados americanos. Perder era quase certo, mas o feito de chegar até ali com um time inferior ficou marcado.
No CT de Ribeirão, Leandro morava a 20 passos da quadra. As folgas eram gastas arremessando. Foi nesse período, repetindo o gesto centenas de vezes por dia, que ele desenvolveu o arremesso de três pontos, algo que o diferenciaria nos anos seguintes. Antes disso, era só alemão de dois, como ele mesmo brinca. Seis meses de treino diário fizeram o que anos de talento natural não conseguiriam sozinhos.
Uma carreira por todo o Brasil e além das fronteiras
Depois de Ribeirão, Leandro rodou. Mogi das Cruzes, Campos dos Goytacazes, Assis, Bauru e o Minas Tênis Clube, que ele considera o melhor clube do Brasil na sua avaliação pessoal. Pelo Minas, viajou para o México, Argentina e disputou um torneio de Natal na Holanda, onde sentiu pela primeira vez o estilo europeu: mais coletivo, menos individual, com árbitros que deixavam o jogo rolar. Foi uma experiência que o moldou como jogador e hoje ele transmite para os garotos que ajuda a treinar.
Pelo caminho, Leandro cruzou com quem depois foi para a NBA: o Leandrinho, o Alex, o Nenê, Marcelinho Machado, Anderson Varejão. Também foi convocado para a seleção sub-20 brasileira, onde jogou ao lado de Nenê, Thiago Splitter e Leandrinho numa campanha que ficou na memória. Ele guarda com orgulho a enterrada histórica sobre o pivô Vargas, da seleção dominicana, que ficou uma semana “remoendo” por ter levado o corte. Jogou até os 39 anos, carreira longa para qualquer esporte.
O basquete que mudou e o que ainda é preciso mudar
Leandro olha para o basquete de hoje com análise afiada. O esporte mudou muito: ficou mais físico, mais rápido, com mais transição e menos jogada ensaiada. A boa notícia é que a molecada tem mais acesso a informação, mais campeonatos de base e um caminho mais direto para os Estados Unidos via College. Na sua época, um americano em Ribeirão chegou a oferecer uma vaga para ele treinar nos EUA. Ele recusou porque já estava ajudando financeiramente a mãe e não quis trocar o certo pelo incerto. Hoje admite que foi uma oportunidade perdida, mas entende que não havia informação para embasar aquela decisão.
A crítica que carrega é sobre a falta de agressividade que os treinadores apontavam nele. Jogador calmo por natureza, era chamado de “fisiológico” (nem bem nem mal) por um técnico que queria mais imposição. Leandro concorda que poderia ter explorado mais esse lado. Mas 25 anos de carreira profissional, terminando aos 39, falam mais alto.
De volta a Dracena: treinar, o master e a base
Hoje Leandro está de volta à sua cidade de origem e ajuda o técnico Paulinho a treinar a nova geração. Seu foco é transmitir o que ele queria ter recebido quando era moleque: a diferença entre o que funciona no treino e o que funciona no jogo, a importância de passar forte, de ter calma antes de finalizar, de entender o jogo coletivamente antes de mostrar habilidade individual.
Também joga no time master de Dracena, ao lado de amigos de longa data, com quem disputa campeonatos regionais. Seu filho Breno, com 14 anos, começou a jogar há pouco mais de um ano em Votuporanga. E Leandro acompanha tudo de perto, sem forçar nada, sabendo que o gosto pelo esporte não se impõe, vem com o tempo.
Onde encontrar
Leandro Cruz é de Dracena, SP. Para acompanhar a sua trajetória, siga no Instagram: @leandro6cruz
Resumo do episódio
Leandro Cruz começou no basquete aos 13 anos em Dracena após indicação do conselho tutelar e construiu uma carreira profissional de 25 anos jogando em diversos estados e competições internacionais, incluindo seleção sub-20 ao lado de futuros craques da NBA, e hoje treina novas gerações em sua cidade.
Principais aprendizados
- O arremesso de três pontos foi desenvolvido através de repetição diária sistemática durante seis meses em Ribeirão Preto, não apenas por talento natural.
- A experiência em competições europeias moldou o entendimento do basquete como jogo mais coletivo e menos individual.
- Uma carreira profissional no basquete brasileiro pode estender-se até os 39 anos com dedicação consistente.
- O acesso a informação e oportunidades para jogadores brasileiros evoluiu significativamente desde a época em que Leandro recusou uma vaga para treinar nos EUA.
- A transmissão de aprendizado para a nova geração enfatiza a diferença prática entre o que funciona em treino e em jogo competitivo.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar no basquete sem experiência prévia?
O ingresso pode acontecer através de escolinhas em ginásios públicos, onde técnicos identificam potencial em iniciantes. A rotina de desenvolvimento inclui escola pela manhã, academia, treino à tarde e estudo à noite para construir uma base sólida.
Qual é a importância da repetição no desenvolvimento de habilidades específicas no basquete?
A repetição diária é fundamental para dominar técnicas. No caso do arremesso de três pontos, seis meses de treino diário fazendo o gesto centenas de vezes por dia desenvolveu uma habilidade que anos de talento natural isolado não conseguiriam alcançar.
Como o basquete evoluiu nas últimas décadas em relação ao estilo de jogo?
O basquete ficou mais físico, mais rápido, com mais transição e menos jogada ensaiada. Hoje a molecada tem mais acesso a informação, mais campeonatos de base e caminho mais direto para os Estados Unidos via College.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.