O AdamiCast recebeu Cristiano Junqueira, conhecido como Ré, e Paulo Borotti para contar a historia do Clube de Tiro de Dracena, que completa 14 anos de existencia. Os dois sao os idealizadores do clube e hoje tocam junto a administracao de um espaco que comecou como uma necessidade de atletas locais e se transformou em referencia nacional dentro da modalidade, com reflexos diretos na seguranca publica e na vida social da regiao.
Uma paixao de familia que virou profissao
Cristiano contou que cresceu em uma familia armamentista, entre avos, bisavos e pai que sempre tiveram contato com armas. Ainda crianca, ele frequentava a loja de armas Casa Sao Bento, em Dracena, enquanto os amigos preferiam vitrines de brinquedo. “Eu ia la, as vezes, a tarde, ficava la com o Sr. Luiz”, relembrou, contando ainda que, décadas depois, em 2021, o proprio Sr. Luiz visitou a loja de armas que Cristiano havia aberto, num reencontro emocionante depois de mais de 35 anos.
Foi um amigo, apelidado de Japa, quem sugeriu que Cristiano prestasse a prova de instrutor de armamento e tiro credenciado pela Policia Federal. Ele passou entre os cerca de 20 aprovados de uma turma de mais de 230 inscritos, tornando-se um dos primeiros profissionais da regiao nessa area, que antes obrigava atiradores e agentes penitenciarios a se deslocarem até cidades como Birigui ou Presidente Prudente para conseguir laudos e exames.
Do barranco ao clube de referencia
Antes do clube existir, o tiro de guerra de Dracena treinava num barranco, sem qualquer estrutura, no antigo matadouro da cidade. A carencia de espacos na regiao levou um grupo de 13 amigos, todos atiradores esportistas, a se reunir em 2009 e decidir criar o proprio clube. Cada um contribuiu com cerca de R$ 100 numa vaquinha inicial. Com o tempo, o numero de socios fundadores cresceu para 33, e o estatuto do clube limitou a 50 cotas de socios proprietarios, todas hoje vendidas.
O crescimento foi tao expressivo que o clube passou a ceder espaco para o curso de formacao de novas turmas da Policia Civil do Estado de Sao Paulo, o Denter 8, alem de receber o tiro de guerra de Adamantina. “Aqui em Dracena tinha essa carencia”, explicou Cristiano, lembrando que antes os atiradores da regiao precisavam viajar para Presidente Prudente ou Ilha Solteira so para treinar.
O boom do esporte e as novas regras
Paulo trouxe numeros para ilustrar a expansao do tiro esportivo no Brasil: em 2008 havia 56 mil atiradores registrados, numero que subiu para 117 mil em 2018, ano em que existiam 163 clubes no pais. Hoje, segundo eles, o Brasil ja passa de 1 milhao e 200 mil atiradores e conta com mais de 3 mil clubes, um crescimento que tambem se refletiu na regiao, com novos clubes surgindo em cidades como Alvares Machado, Andradina, Tupa e Birigui.
A dupla tambem explicou as mudancas recentes na legislacao. Hoje nao existe mais aula experimental: quem quer conhecer o esporte precisa primeiro se tornar atirador esportivo, com exame psicologico, laudo de tiro e comprovacao de residencia, entre outras exigencias. “Hoje nao e qualquer um que consegue”, reforcou Cristiano, destacando que a arma do atirador esportivo tem finalidade especifica para a pratica do esporte.
Reconhecimento nacional e ligas de competicao
O Clube de Tiro de Dracena ja teve ate 1.300 socios ao longo de sua historia e hoje mantem cerca de 800, entre eles cerca de 400 moradores da cidade. Recentemente, o clube recebeu uma notícia comemorada pela dupla: entre os 1.260 clubes inscritos na Linad, a Liga Nacional dos Atiradores Esportivos, o clube de Dracena ficou em primeiro lugar em numero de inscricoes de campeonatos em 2024.
Cristiano e Paulo explicaram como funciona o sistema de etapas online, que permite ao atirador competir no clube de sua preferencia, entre os cadastrados no pais, ao longo do ano, culminando num play-off regional que reune os classificados em Presidente Prudente. O formato, segundo eles, democratizou a competicao ao criar subcategorias por pontuacao, dando chance tanto a atiradores de ponta quanto a iniciantes.
O braco social do clube
Alem do esporte, o clube desenvolveu um trabalho social conduzido principalmente por Paulo. Durante a pandemia, uma carreata organizada pelo grupo arrecadou 120 cestas basicas para o Fundo Social de Solidariedade de Dracena. Em outra campanha, um leilao para a Santa Casa, motivado pela doacao de uma moto por um associado, arrecadou 537 mil reais e permitiu a compra de um tomografo e, posteriormente, de um gerador para o hospital.
O clube tambem ja doou brinquedos e leite para projetos sociais, ajudou a custear a viagem de uma jovem missionaria para a Amazonia e recentemente recebeu, como parte da premiacao da Linad, tres cadeiras de rodas que serao destinadas a entidades da cidade. Paulo destacou que o clube reune pessoas de diferentes profissoes, “desde juiz, medico, pedreiro”, o que amplia a capacidade de mobilizacao em cada campanha.
Seguranca, familia e o legado de um amigo
Os dois reforcaram varias vezes que o clube preza pela seguranca acima de tudo, com regras rigidas seguidas por qualquer socio, independente de cargo ou profissao. Tambem lembraram com carinho do amigo Andre Fioravanti, atirador desde 1990 e parceiro na fundacao do clube, que fazia parte da diretoria e ensinou tecnicas de disparo a varios dos atuais instrutores.
Cristiano contou ainda que sua filha mais velha, Isabela, e apaixonada pelo esporte e ja treinou com o proprio Andre, enquanto outra atiradora ligada ao clube, filha do instrutor Paulo Alain, ocupa hoje o quarto lugar no ranking nacional da modalidade. Para eles, esses exemplos mostram que o ambiente do clube e muito mais familiar do que muita gente imagina de fora, reunindo homens e mulheres de todas as idades em torno de um esporte que, segundo contam, teve na primeira medalha de ouro olimpica do Brasil, conquistada no tiro esportivo em 1920, uma de suas origens mais simbolicas.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @clubedetiro_dracena, @cristianojunqueira.ctd e @pauloborotti.
Resumo do episódio
O episódio recebe Cristiano Junqueira e Paulo Borotti, fundadores do Clube de Tiro de Dracena, que contam como o clube nasceu em 2009 a partir de uma vaquinha entre 13 amigos atiradores cansados de viajar para competir fora da região. Ao longo da conversa eles explicam como funciona o esporte do tiro esportivo, as categorias e calibres usados, a burocracia atual para se tornar atirador, o crescimento do número de atiradores e clubes no Brasil, e as ações sociais realizadas pelo clube, como doações e campanhas para a Santa Casa de Dracena. Também relatam a parceria do clube com a formação de policiais civis e o uso das instalações pelo Tiro de Guerra local.
Principais aprendizados
- O Clube de Tiro de Dracena foi fundado em 2009 por 13 amigos atiradores que fizeram uma vaquinha de R$100 cada para criar o CNPJ e o estatuto.
- Desde a mudança na legislação, não existe mais aula experimental de tiro; é preciso se tornar atirador esportivo cumprindo exames psicológicos, laudo de tiro e comprovação de residência antes de atirar.
- O calibre .22 é uma opção mais barata para praticar o esporte, custando em torno de R$1,20 por tiro, e é o mais utilizado nas provas.
- O sistema de categorias por faixa de pontuação, trazido pela Linad, permite que atiradores iniciantes e avançados tenham chances reais de ganhar, diferente do formato antigo com categoria única.
- O clube desenvolveu um braço social que já arrecadou cestas básicas, ajudou a comprar um tomógrafo e um gerador para a Santa Casa de Dracena, além de doar cadeiras de rodas para entidades da cidade.
Perguntas respondidas neste episódio
Como faço para começar a praticar tiro esportivo hoje em dia?
É necessário se tornar oficialmente um atirador esportivo antes de poder atirar. Isso envolve passar por exame psicológico, exame de tiro no clube, comprovar cinco anos de residência no estado de São Paulo, comprovar renda e apresentar certidões que comprovem não ter antecedentes criminais. Não existe mais a possibilidade de fazer uma aula experimental apenas para conhecer o esporte antes de se filiar.
Quanto custa praticar tiro esportivo?
O custo varia bastante conforme o calibre escolhido. É possível praticar com munição calibre .22, que é relativamente barata, saindo em torno de R$1,20 por tiro, permitindo participar de várias provas com esse calibre. Também existem munições de valores mais altos para quem quiser calibres maiores, então dá para praticar o esporte tanto com um investimento baixo quanto mais alto, dependendo do equipamento escolhido.
Como funcionam as categorias nas competições de tiro esportivo?
As competições são organizadas por modalidades conforme o tipo de arma, como carabina .22, revólver ou pistola, e dentro de cada modalidade existem subcategorias definidas pela faixa de pontuação do atirador. Isso significa que quem está começando e tem pontuação mais baixa compete em uma categoria diferente de quem já é mais experiente, dando a todos a chance real de ganhar prêmios, ao invés de existir apenas uma categoria única como acontecia antigamente.
Como se tornou tão comum a prática de tiro esportivo no Brasil nos últimos anos?
O número de atiradores cresceu de forma expressiva ao longo dos anos: em 2008 eram 56 mil atiradores no Brasil, em 2018 esse número chegou a 117 mil com 163 clubes, e depois disso houve grande crescimento até ultrapassar 1 milhão e 200 mil atiradores e mais de 3 mil clubes de tiro no país atualmente. Esse aumento também gerou a abertura de vários clubes novos em cidades da região que antes não tinham nenhuma estrutura para o esporte.
Um clube de tiro é seguro e adequado para toda a família?
O ambiente é descrito como familiar, com regras rígidas de segurança seguidas por todos, independente do cargo ou profissão da pessoa, incluindo a exigência de manter o dedo fora do gatilho e respeitar ângulos de disparo durante as provas. Há associados de diversas profissões, como juízes, médicos e pedreiros, e desde a fundação do clube em 2011 não ocorreu nenhum problema de segurança nas instalações.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.