Era funcionário da Engra em São Paulo quando o dono, também servidor público federal, avisou que precisava fechar a empresa. Há uma década ele já tinha se formado em engenharia, trabalhado no reator nuclear do IPI na USP por três anos, e dado aula em quatro estados. A proposta veio com um preço de cem mil reais, parcelado em três ou quatro vezes, mais um carro zero na troca do Belina que ele tinha. Em 1995 ele aceitou, em 1996 já estava em Dracena, e vinte e seis anos depois a Engra Medicina do Trabalho tem quase mil clientes mensalistas, mil e quinhentos avulsos, e cerca de quarenta funcionários. Hélio Guastaldi e o filho Guilherme Guastaldi contaram no AdamiCast #155 a história de uma empresa de segurança do trabalho que foi comprada a prazo e virou referência na região, com um pai engenheiro-perito que fundou o curso de radiologia da Fundec, e um filho biólogo que veio em 2014 e hoje lidera a equipe, sem que o pai tenha dado ajuda financeira pra ele.
De funcionário em São Paulo a comprador da Engra em 1995
O Hélio começou na Engra como funcionário, só fazendo laudo de raio-x, e ficou dois anos até o dono, que era servidor público federal, avisar que ia fechar. O preço pedido foi cem mil reais, e o Hélio fez as contas friamente: não tinha o dinheiro, mas tinha um carro Belina AB, e o dono ofereceu parcelar em três ou quatro vezes mais um carro zero na troca. A combinação era simples: ele sairia com o carro zero, o dono receberia a Belina mais as parcelas, e o Hélio passaria os próximos anos tocando o negócio com o próprio trabalho. “Eu fui até o correio, despachei os documentos pra São Paulo, e o negócio veio pra Dracena no final de 1996.” Na época, a empresa já fazia radioproteção e laudo de raio-x, e foi o primeiro serviço que o Hélio consolidou na cidade.
A mudança pra Dracena não foi um acaso. O Hélio já dava aula de medicina do trabalho no interior de São Paulo, Paraná e Santa Catarina, e conhecia a região por dentro. Quando a Engra virou dele, ele trouxe a expertise de quem tinha trabalhado no reator nuclear do IPI, na USP, e sabia que a segurança do trabalho não é papelada, é prevenção. O que começou como radioproteção e laudo virou, ao longo dos anos, o pacote que ele oferece hoje: exame admissional, periódico, retorno, mudança de função, demissional, treinamento, laudo técnico, consultoria pra Previdência, orientação pro eSocial. A diferença, segundo ele, é que a Engra não vende exame: vende a certeza de que o funcionário entrou e saiu da empresa sem risco, e o empregador dorme tranquilo.
Vinte e seis anos, mil clientes, e o caso Fibria como prova de modelo
O tamanho que a Engra atingiu em 2022 é resultado de duas décadas e meia de oferta consistente, e o caso de referência que o Hélio conta com mais orgulho é o da Fibria, hoje Suzano, na implantação de uma fábrica de celulose em Três Lagoas, em 2007. A obra teve cinco mil e quinhentos funcionários num período de um ano e quatro meses, e o resultado da segurança do trabalho foi o que sustentou o prazo. “Nós tivemos três acidentes na obra toda. Dois foram na rodovia, acidente de trânsito, e um único acidente dentro do site.” O que começou como avaliação de risco virou modelo de gestão, e o que era pra ser uma prestação de serviço técnico virou o portfólio que atende, hoje, cerca de mil clientes mensalistas e mil e quinhentos avulsos, com quarenta funcionários.
A escala de atendimento mostra como o negócio foi construído. A meta é chegar a dezembro com mil e quinhentos clientes fixos, e mil e quinhentos no avulso, num total de três mil operações mensais. A mão de obra é tão qualificada que o gargalo está em contratar, não em vender. “Eu pego um técnico de segurança, não tenho como colocar ele pra trabalhar amanhã. Demora três meses pra ele ser treinado, porque ele tem software pra aprender, treinamento pra fazer, e o cliente que ele atende exige.” O nível de investimento em gente, em software, em laudo, é o que diferencia a Engra de um serviço de medicina do trabalho genérico, e o que sustenta o preço de quem faz prevenção de verdade em vez de carimbo.
O filho biólogo que veio em 2014 e que se cobra mais que o pai cobra
O Guilherme, biólogo e hoje empresário, voltou pra Dracena em 2014 com o currículo de biólogo, sem experiência em gestão, e o pai fez o que tinha aprendido com o próprio pai, e que recomenda a qualquer pai que não quer perder o filho no negócio: não dar nada de graça. “Meu pai não me ajuda financeiramente desde 2014. Quando eu vim pra cá, ele me deu uma moto e uma bicicleta em vez de um carro zero. E quando eu voltei, o carro que eu trouxe foi um negativo.” A regra era a mesma que o Hélio aprendeu com o próprio patrão em São Paulo: não entra querendo mandar em quem está há dez anos, começa de baixo, ganha confiança, e quando a confiança vier, você mostra que pode tocar mais. Hoje o Guilherme lídera a equipe, e a frase que o pai repete é a de que o elogio de ser filho funciona como “uma zona de conforto” se não for dosado.
A cobrança que o Guilherme coloca em si mesmo é a mais alta da conversa, e ele explica com clareza: “Se o elogio é por ser filho, eu tenho medo de folgar. É por isso que minha cobrança é maior. Eu sei que não posso deixar o amigo de compromisso em zona de conforto, porque o Hélio é exigente, e ele não faz isso só comigo, faz com a equipe toda.” O Hélio, quando ouve, complementa: “O pai pode falar a vida inteira alguma coisa, mas não fizer aquilo, não demonstra as atitudes, é maior do que falar. Eu não bebo, não fumo, e falo pro filho não beber não fumar. Isso é dar exemplo.” A herança que o Guilherme conta com mais clareza vem da mãe, falecida em 2018, que ensinou o que ele leva pra vida adulta: ser carinhoso com o próximo, e fazer caridade sem esperar nada. É a parte que não cabe em planilha, e que sustenta o resto.
Perito da Justiça Federal, professor, e a Engra como negócio de família
O currículo do Hélio fora da Engra é parte do que dá peso à assinatura. Perito da Justiça Federal desde 1991, ele já produziu mais de cinco mil laudos, e o que se aprende a fazer laudo com rigor é o que se leva pra dentro da empresa. O outro lado é a sala de aula. O Hélio é professor há vinte e cinco anos na Fundec, deu a aula inaugural do curso técnico de radiologia, e foi ele quem sugeriu a criação do curso em Dracena porque os colegas de São Paulo alertaram que os alunos da região estavam vindo estudar lá sem estrutura local. Hoje o curso existe, e o Hélio continua lecionando, e o que ele ensina em sala é o que ele aplica no consultório da Engra. A dimensão do que ele construiu é proporcional ao que ele formou, e o que o Guilherme agrega é o olhar do biólogo, com a sensibilidade pra saúde ambiental, caridade, e a noção de que o negócio de segurança do trabalho é, antes de tudo, negócio de gente.
O futuro que os dois desenham é o de continuar crescendo sem perder a marca, que é o que a Engra construiu em vinte e seis anos: rigor técnico, atendimento consultivo, e a cobrança de quem é o filho que quer ser reconhecido pelo trabalho, não pelo sobrenome. O prédio da antiga OAB, que eles mencionaram com carinho, virou referência de história da cidade, e a próxima referência é o que eles vão escrever nos próximos vinte e seis anos.
Onde encontrar a Engra
A Engra Medicina do Trabalho atende em Dracena, SP, com atuação em toda a região e em outros estados, oferecendo exames admissionais, periódicos, laudos, radioproteção, treinamentos, consultoria previdenciária e gestão de SST. Para acompanhar: @ui_guastaldi e @engramedicinadotrabalho. A conversa com o AdamiCast é o tipo de história que mostra o que acontece quando uma empresa é comprada a prazo por quem tem a expertise técnica, e quando o sucessor é preparado com a regra de não receber nada de graça, que é a única regra que prepara o filho pra dar continuidade sem destruir a empresa.
Resumo do episódio
Hélio Guastaldi comprou a Engra em 1995 por cem mil reais parcelados, trocando seu carro Belina por um carro zero, e transformou a empresa de radioproteção em referência regional de medicina do trabalho com mil clientes fixos e quarenta funcionários em vinte e seis anos. Seu filho Guilherme, biólogo, chegou em 2014 sem ajuda financeira, começou de baixo e hoje lidera a equipe, seguindo o princípio de que rigor técnico e exemplo pessoal constroem um negócio de gente, não de papelada.
Principais aprendizados
- A compra de negócio a prazo é viável quando o comprador tem expertise técnica e oferece sua própria força de trabalho como garantia de retorno.
- Segurança do trabalho vende prevenção e a certeza de que o funcionário entra e sai sem risco, não apenas exames e documentação.
- O sucessor preparado sem ajuda financeira desde o início desenvolve cobrança pessoal maior e contribui melhor para a continuidade do negócio.
- Treinamento técnico de pessoal qualificado em segurança do trabalho demora três meses mínimo e é o gargalo do crescimento, não a venda.
- O exemplo pessoal do fundador, demonstrado em atitudes cotidianas, é mais eficaz que fala para formar o sucessor e a equipe.
Perguntas respondidas neste episódio
Como foi a compra da Engra em 1995?
O dono, servidor público federal, precisava fechar a empresa. Hélio não tinha cem mil reais em dinheiro, mas tinha um carro Belina AB. O acordo foi parcelar cem mil reais em três ou quatro vezes, com o dono recebendo a Belina além das parcelas e um carro zero para Hélio.
O que diferencia a Engra de um serviço de medicina do trabalho comum?
A Engra vende prevenção real, não apenas papelada. O diferencial está no nível de investimento em gente qualificada, software, e rigor nos laudos, o que sustenta a cobrança de quem faz prevenção técnica de verdade em vez de carimbo.
Como o filho Guilherme foi preparado para trabalhar na empresa?
O pai aplicou o mesmo princípio que aprendeu: não dar nada de graça. Guilherme chegou em 2014 como biólogo sem experiência em gestão, recebeu uma moto e bicicleta em vez de carro, e começou de baixo para ganhar confiança antes de liderar a equipe.
Qual foi o case de referência que comprova o modelo da Engra?
A implantação da fábrica Fibria, hoje Suzano, em Três Lagoas em 2007 teve cinco mil e quinhentos funcionários em um ano e quatro meses, com apenas três acidentes na obra toda, dois na rodovia e um no site, sustentando o prazo da obra.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.