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Futsal, Corinthians e Seleção Brasileira: a história de Tatinho | #376

18 de fevereiro de 2025 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #376 do AdamiCast

Renato Sá, o Tatinho, cresceu em Dracena chutando bola desde os cinco anos e saiu de casa antes de completar dezesseis para tentar a vida no futebol profissional. Poucos daqueles que partem com esse sonho chegam aonde ele chegou: campeão pelo Corinthians, convocado para a Seleção Brasileira e atleta em Portugal. A história, porém, não foi uma linha reta.

No episódio 376 do AdamiCast, Tatinho sentou com Pedro e Mariana para contar uma trajetória marcada por coragem, desilusão e uma virada que nem ele mesmo esperava. De uma temporada no Japão aos vinte anos aos títulos no maior clube do Brasil, passando por uma pausa de um ano sem tocar em bola, o papo revelou o lado que a torcida raramente vê.

Das escolinhas de Dracena ao futebol de campo profissional

Tudo começou cedo. Com quinze para dezesseis anos, Tatinho foi para Presidente Prudente iniciar a vida profissional no futebol de campo. De lá foi para Londrina, onde jogou pelo PSTC, e aos dezenove recebeu uma proposta que poucos jovens teriam coragem de aceitar: jogar no Japão. Era futebol de campo, país desconhecido, inverno pesado, neve abaixo de zero logo após vir de Dracena com quase quarenta graus. Chegou ainda no período de recuperação pós-tsunami.

A adaptação foi dura nos primeiros meses. Sem falar a língua, dependia de um intérprete que o acompanhava dentro e fora de campo. Mas ficou um ano, disse que gostaria de voltar um dia e guarda memórias boas da disciplina e organização japonesas. O que o tirou de lá não foi a dificuldade de adaptação, mas circunstâncias que o deixaram desiludido com o esporte.

Um ano parado e o convite que mudou tudo

De volta a Dracena, Tatinho ficou doze meses sem encostar o pé numa bola. A desilusão com o futebol de campo foi grande o suficiente para ele considerar encerrado aquele sonho. Foi então que Amarildo Lucas Batista, o Luquinha, montou um time de futsal pela Tempersul e foi pessoalmente buscá-lo. Tatinho trabalhava na empresa, e Luquinha foi direto: um cara sem jogar bola é desperdício.

O convite mexeu com algo que parecia adormecido. Tatinho aceitou, mas com uma ressalva honesta: futebol de campo para futsal é uma transição difícil, e não o caminho mais comum. O maior desafio não foi o ritmo, mas os vícios técnicos. No campo, domina-se a bola de chapa. No futsal, a bola entra pisando. Tirar esse vício levou tempo. Com cinco anos jogando pela equipe de Dracena, o nome de Tatinho foi crescendo no Estado de São Paulo.

Corinthians, Seleção e os títulos que vieram de uma vez

Em 2021, com a reputação construída em Dracena, veio a proposta do Corinthians. Tatinho foi. E no primeiro ano no clube, aconteceu algo que ele não imaginava: a convocação para a Seleção Brasileira. O telefone tocou com um número desconhecido. Ele não atendeu duas vezes. Quando o supervisor do Corinthians avisou que era o staff da Seleção, saiu correndo e chorou na casa da sogra.

Vestir a camisa amarela e ouvir o hino com a mão no peito foi, segundo ele, uma atmosfera completamente diferente de tudo que já tinha vivido em campo. No Corinthians, conquistou o Estadual, a Copa do Brasil, a Liga Nacional e a Supercopa, jogando em um CT com estrutura equivalente à do futebol de campo. Em 2022, foram mais de sete mil pessoas dentro do Parque São Jorge para a final do Campeonato Brasileiro.

A vida profissional no futsal: o que ninguém conta

A conversa foi fundo no que sustenta, ou não, um atleta de futsal no Brasil. Fora dos grandes clubes, a realidade é dura: contratos de um ano, elencos enxutos, dependência de prefeituras e patrocínios. Tem jogador que treina três vezes por semana e trabalha. Tatinho foi direto ao ponto: poucos ganham acima de vinte mil reais, e mesmo quem ganha bem precisa saber guardar, porque a carreira tem prazo curto e uma lesão pode virar o jogo a qualquer hora. Ele mesmo passou pela mesa de cirurgia em 2019 e ficou seis meses parado com problema no joelho.

A falta de vínculo olímpico pesa na valorização do esporte, mas Tatinho defende com convicção que o nível do futsal brasileiro está entre os mais altos do mundo. A Liga Nacional tem dez, doze times que podem ser campeões. Ele jogou na UEFA Champions League pelo Sporting contra Pito e Ferrão, do Barcelona. E ficou com a impressão que ainda vai levar.

Europa, Portugal e os diferentes estilos de jogo

A passagem pela Europa acrescentou uma camada nova à carreira. Em Portugal, o time tinha brasileiros, russos, guineenses e italianos dividindo o vestuário. A adaptação foi bem mais tranquila que no Japão: a língua é próxima, o acolhimento foi bom. O que chocou no começo foi o literalismo português. No bar, perguntou se tinha cerveja, o garçom disse que sim e não trouxe nada. Lição aprendida.

Em campo, o contraste ficou claro. Times da Hungria e do Cazaquistão jogam na intensidade física, sem muita técnica com a bola. Espanha lembra o Brasil, com espaço e criatividade. Portugal está crescendo, mas ainda orbita em torno de três times: Sporting, Benfica e Braga. O título português veio, e se somou a uma lista que Tatinho foi completando quase sem perceber. Na segunda-feira seguinte à gravação, já partia para o próximo clube.

Tatinho, a sunga da sorte e o apelido que não larga

O apelido veio da infância. O irmão mais velho era Tatão. O menor ficou com Tatinho. O irmão esqueceu o dele, Tatinho não saiu mais. Quando chegou ao Corinthians e pediu para colocar "Renato" na camisa, o clube devolveu a pergunta: Renato quem? Tatinho todo mundo sabe. E ficou. Junto com o apelido veio uma superstitição que faz parte do ritual de jogo: a mesma sunga, usada até rasgar. Reza antes de todo jogo, escuta música para relaxar a cabeça. E garante que o friozinho na barriga na hora de entrar em quadra nunca foi embora, e que no dia em que for, é hora de trocar de profissão.

Onde encontrar

Tatinho é de Dracena, SP. Para acompanhar a trajetória do jogador profissional de futsal, siga no Instagram: @tatinhofutsal02_

Resumo do episódio

Renato Sá, conhecido como Tatinho, saiu de Dracena aos quinze anos em busca da carreira no futebol profissional, passando por Londrina, Japão e uma pausa de um ano até ser convidado para o futsal. No Corinthians, conquistou múltiplos títulos e foi convocado para a Seleção Brasileira, além de atuar na Europa. A conversa revela os desafios da profissão, a transição entre modalidades e o que sustenta um atleta de futsal no Brasil.

Principais aprendizados

  • A transição do futebol de campo para futsal exige eliminar vícios técnicos, como dominar a bola de chapa em vez de pisá-la.
  • Poucos atletas de futsal ganham acima de vinte mil reais, e a carreira tem prazo curto com risco constante de lesões.
  • O futebol no Japão aos dezenove anos foi marcado por choque climático e dependência de intérprete, mas ofereceu aprendizado sobre disciplina e organização.
  • O nível do futsal brasileiro está entre os mais altos do mundo, com times capazes de competir em competições internacionais como a UEFA Champions League.
  • Fora dos grandes clubes, o futsal funciona com contratos de um ano, elencos reduzidos e dependência de prefeituras e patrocínios.

Perguntas respondidas neste episódio

Qual foi o maior desafio ao mudar do futebol de campo para futsal?

O maior desafio não foi o ritmo, mas eliminar os vícios técnicos. No campo, domina-se a bola de chapa. No futsal, a bola entra pisando. Tirar esse vício levou tempo e foi a transição mais dura da modalidade.

Como é a vida profissional de um atleta de futsal fora dos grandes clubes?

A realidade é dura, com contratos de um ano, elencos enxutos e dependência de prefeituras e patrocínios. Poucos ganham acima de vinte mil reais, e mesmo quem ganha bem precisa saber guardar, porque a carreira tem prazo curto e uma lesão pode virar o jogo.

Como foi a experiência de jogar no Japão aos dezenove anos?

O choque foi imediato: inverno pesado, neve abaixo de zero após vir de Dracena com quase quarenta graus, e a adaptação nos primeiros meses foi dura sem falar a língua, dependendo de intérprete dentro e fora de campo. Ficou um ano e guarda memórias boas da disciplina e organização japonesas.

Qual foi o momento da convocação para a Seleção Brasileira?

A convocação veio no primeiro ano no Corinthians através de uma ligação de número desconhecido. Ele não atendeu duas vezes. Quando o supervisor do Corinthians avisou que era o staff da Seleção, saiu correndo e chorou na casa da sogra.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.