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Edu Dracena: do ônibus para Campinas aos gramados do mundo | #364

17 de dezembro de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #364 do AdamiCast

Eduardo Gonçalves de Araújo, o Edu Dracena, é um dos maiores produtos do futebol do interior paulista. Nascido e criado em Dracena, ele saiu da cidade ainda criança para perseguir um sonho que muitos têm, mas poucos pagam o preço de realizar. Ao longo de mais de duas décadas, defendeu clubes como Guarani, Cruzeiro, Santos, Corinthians e Palmeiras, além de passagens pela Grécia e pela Turquia, e encerrou a carreira aos 38 anos com títulos importantes, incluindo a Libertadores.

O episódio #364 do AdamiCast é um daqueles papos que misturam futebol e vida de verdade. Edu veio acompanhado da esposa Milena, nutricionista de Panorama que ele conquistou com força-tarefa de amigos e muita conversa por Skype à madrugada. Juntos, eles contaram sobre lesões, filhos nascidos no timing certo, beach tennis na areia e a decisão de trocar o futebol profissional pela presença em casa.

O menino que pegava ônibus para Campinas

Edu queria sair de Dracena desde os 11 anos, mas os pais seguraram até os 13. O primeiro teste foi no Guarani de Campinas, onde passou. No primeiro ano, porém, não havia alojamento: ele viajava de ônibus na quarta à noite, chegava de madrugada, esperava o guichê abrir para comprar a passagem de volta, treinava na quinta, dormia na casa de um amigo, jogava o torneio na manhã de sábado e voltava à tarde. Toda semana, ou quase.

Saía chorando da rodoviária, mas quando chegava no trevo já cortava o choro. Essa clareza sobre o que queria foi o fio que conduziu toda a carreira. Aos 14 anos, finalmente com alojamento, mudou definitivamente para Campinas. Quando a mãe foi visitar e viu as beliches de tijolo embaixo da arquibancada, quis levar o filho de volta. Ele não foi.

Assinar o primeiro contrato e entender o dinheiro

Com 15 para 16 anos, Edu assinou o primeiro contrato profissional por R$ 600. Aos 17 estreou como profissional e o salário foi para R$ 2.000. A primeira orientação do pai foi direta: compra uma casa. Ele comprou, e essa casa existe até hoje como marca afetiva de tudo que veio depois.

A lição atravessou toda a carreira. Ele frisou que 95 a 96% dos jogadores de futebol no Brasil ganham entre um e três salários mínimos, e apenas 1% ultrapassa R$ 50 mil. O glamour que o futebol projeta esconde a realidade financeira da maioria. Saber guardar, não esbanjar e ter a família puxando a orelha foram diferenciais que ele reconhece como decisivos.

O nome da cidade como responsabilidade

O apelido Edu Dracena não foi escolha sua. Em Campinas havia três Eduardos no elenco, e o treinador os batizou pela cidade de origem. Não foi uma decisão planejada, foi uma coisa que aconteceu. Mas desde então ele carrega uma responsabilidade grande de ser um exemplo para quem olha.

Esse peso do nome rendeu uma das passagens mais honestas do episódio: aqui em Dracena ele não é Edu Dracena, é Eduardo. Sai à vontade, vive a vida, visita os pais, encontra os amigos. É o lugar onde ele volta a ser só uma pessoa, sem o peso da imagem pública.

Quatro ligamentos cruzados e a cabeça que não parou

Quatro cirurgias de LCA, duas em cada joelho, ao longo da carreira. A primeira aos 25, no Cruzeiro. A segunda no Fenerbahçe, na Turquia, em 2009. Mais duas no Santos, em 2012 e 2014. Encerrou a carreira em 2019, aos 38 anos, sem mais lesões desde a última operação.

A visão dele sobre esse histórico surpreende: as lesões o motivaram. Seis meses de recuperação intensa, fortalecimento diário, volta sempre muito bem. Ele foi um dos primeiros jogadores do Palmeiras a buscar acompanhamento nutricional especializado. Quando os colegas viram o rendimento, foram atrás também, e o profissional acabou sendo contratado pelo clube.

A Milena, o pedido e a força-tarefa

Edu conheceu Milena, nutricionista de Panorama, no casamento do irmão dele. Ele estava na Turquia. Para conseguir o telefone dela, mobilizou amigos que ligaram para o irmão dela pedindo consulta, alegando querer fazer um regime. O plano funcionou, o contato foi feito e eles passaram meses se conhecendo por Skype, com diferença de seis horas entre os fusos.

O pedido de casamento veio três meses depois, numa ligação da Alemanha, onde Edu estava em pré-temporada com o Fenerbahçe e dividia quarto com Roberto Carlos. O discurso que tinha preparado não serviu de nada: o pai dela anotou e disse que ia conversar com a esposa, e a mãe perguntou se não era cedo demais. Mas deu certo. Dezesseis anos juntos, dois filhos, e Milena recebeu o crédito mais alto do episódio: guerreira que cuidou de tudo enquanto ele ficava dois ou três dias em casa por semana no máximo.

A decisão de parar e voltar para casa

A última escolha veio quando recebeu uma proposta do Cruzeiro. Ficou dois dias pensando, assinou um contrato curto até dezembro para ver se a família toparia se mudar para Belo Horizonte. Os filhos, Lorenço e Luigi, já estavam adaptados em São Paulo, e ele reconheceu que tinha sacrificado muito a rotina deles ao longo da carreira. Decidiu voltar.

Hoje o Edu Dracena não é o Edu Dracena do futebol. É o Eduardo que vai cuidar da família. Ele disse que não descarta trabalhar com futebol no futuro, mas que o tempo, hoje, é da família. O filho mais novo, Luigi, joga nas categorias de base do São Paulo, representando o pai no clube que Edu nunca teve a chance de defender.

Onde encontrar

Edu Dracena está em Dracena, SP, onde passa os períodos em família e de onde nunca perdeu o vínculo verdadeiro. Acompanhe a trajetória dele pelo Instagram: @edudracenaoficial

Resumo do episódio

Edu Dracena saiu de Dracena aos 13 anos para treinar no Guarani de Campinas, viajando de ônibus semanalmente até conseguir alojamento. Ao longo de mais de duas décadas em clubes como Guarani, Cruzeiro, Santos, Corinthians e Palmeiras, além de passagens pela Grécia e Turquia, enfrentou quatro cirurgias de ligamento cruzado e aprendeu a gerir finanças de forma responsável enquanto construía patrimônio. Decidiu encerrar a carreira aos 38 anos para priorizar a família e estar presente com a esposa Milena e os filhos.

Principais aprendizados

  • A maioria dos jogadores de futebol no Brasil ganha entre um e três salários mínimos, com apenas 1% ultrapassando R$ 50 mil.
  • O primeiro contrato profissional deve resultar em investimento em patrimônio próprio, não em gastos impulsivos.
  • Quatro cirurgias de ligamento cruzado ao longo da carreira exigem recuperação intensa e especializada, mas podem ser superadas com foco.
  • A nutrição especializada melhora o rendimento dos atletas e pode influenciar a contratação de profissionais pelo clube.
  • A decisão de parar na carreira deve considerar o bem-estar e a adaptação dos filhos, mesmo com ofertas profissionais em mesa.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar no futebol profissional saindo de uma cidade pequena?

O processo exige testes em clubes maiores das regiões vizinhas. Mesmo sem alojamento no início, é possível viajar semanalmente para treinar e competir até conseguir acomodação permanente. A clareza sobre o objetivo e a disposição de enfrentar sacrifícios são fundamentais.

Qual é a realidade financeira da maioria dos jogadores de futebol?

A realidade financeira esconde-se atrás do glamour que o futebol projeta. Noventa e cinco a noventa e seis por cento dos jogadores ganham entre um e três salários mínimos, enquanto apenas 1% ultrapassa R$ 50 mil. A diferença entre sucesso e dificuldade está em saber guardar dinheiro e não esbanjar.

Como retornar às competições após múltiplas cirurgias de ligamento cruzado?

Quatro cirurgias de ligamento cruzado podem ser superadas com recuperação intensa de seis meses, fortalecimento diário e acompanhamento nutricional especializado. As lesões podem motivar o atleta a melhorar o rendimento e levar o clube a investir em profissionais de saúde especializados.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.