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De Dracena para a Itália: a trajetória de César Tavoloni, o Alemão | #409

22 de julho de 2025 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #409 do AdamiCast

César Augusto Tavoloni cresceu em Dracena jogando futebol de campo e futsal nas escolinhas da cidade. Ainda adolescente, percebeu suas limitações no futebol de campo e apostou no futsal, onde seu talento logo chamou atenção. Com 16 ou 17 anos, foi convocado pelo treinador Antônio Libarino, o Bassãn, para integrar um time organizado pela Transousa, e a partir dali tudo mudou.

O “Alemão” conta como esse grupo de jovens dracenenses foi campeão da Série Bronze no Campeonato Paulista, depois pulou direto para a Série Ouro e, em 1989, ganhou os Jogos Regionais em Paraguaçu Paulista por 14 a 6 na final. A equipe juvenil chegou a aparecer entre as dez melhores do Brasil na Revista Bola Pesada. Era o começo de uma carreira que levaria César por Marília, Bebedouro, Sertãozinho, Tupã e, décadas depois, para o outro lado do Atlântico.

O encontro que abriu as portas da Itália

Tudo começou num bar, num sábado à noite em 1999. Um ex-companheiro de equipe chamado Fábio reapareceu do nada e revelou que estava jogando na Itália. Num guardanapo que um garçom trouxe, César anotou o telefone do procurador Fabrício Correia. Para conseguir usar o telefone fixo do pai em Dracena, chegou a forçar o terceiro cartão amarelo na partida seguinte para pegar a suspensão e viajar no fim de semana. A estratégia funcionou.

Quando ligou para Fabrício, descobriu que o procurador já o conhecia pelas fitas de vídeo do Fábio e estava à sua procura. O motivo era a ascêndência italiana: o bisavô de César havia optado por manter a cidadania italiana quando chegou ao Brasil, o que abria a possibilidade da naturalização. Bastava reunir a documentação.

A maratona da cidadania italiana

O que pareceu simples se tornou uma saga de anos. Cartório por cartório, César e a família foram juntando certidões de nascimento, casamento e óbito pela região de Brotas, Dois Córregos, Jaú, Pederneiras e Limeira, cidades por onde o ramo paterno se estabeleceu depois que o bisavô desceu do navio. Erros de grafia, retificações e um Passat 84 vendido por R$ 3.800 para pagar o advogado de Bebedouro foram parte do caminho.

Mesmo depois de tudo traduzido e carimbado, o consulado italiano em São Paulo era um pesadelo. César chegou a ir às quatro da manhã pegar senha e ser atendido somente às dez. Foram duas idas à Itália como turista, uma volta forçada ao Brasil por problemas documentais e mais meses de espera. Quando finalmente recebeu o RG italiano na prefeitura de Vilorba, ligou imediatamente para os pais. A mãe chorou.

Doze anos jogando na Itália

Com a cidadania resolvida, César assinou com o Padova e começou a mostrar serviço. Na primeira temporada completa, fez 43 gols em um campeonato cujo artilheiro máximo marcou 46, conquistando de imediato respeito no vestitário. Entre 2003 e 2004, chegaram as convocações para a seleção italiana de futsal, onde foi chamado quatro vezes e jogou duas partidas na Itália e duas na Polônia, em Cracóvia.

Ao longo de 12 anos, César manteve seis temporadas na Série A italiana, passou pelo Pesaro, jogou com companheiros de seis nacionalidades diferentes e foi patrocinado por uma marca esportiva durante quase toda a carreira. Em 2002, antes mesmo de voltar definitivamente, tirou os pais do aluguel que pagavam há mais de quarenta anos com apenas um ano e meio de salário italiano na conta.

Casamento em Pádua e a família na Itália

Em 2002, César voltou ao Brasil, reencontrou sua namorada de juventude Michele e a convidou para ir com ele à Itália. Ela aceitou com uma condição: só casada. Como não havia tempo para organizar uma cerimônia antes do embarque, os dois se casaram na comune de Pádua, com o prefeito celebrando o ato, exatamente como funciona na Itália. Em 2006, repetiram a cerimônia no Brasil. César brinca até hoje que é “o único homem que casou três vezes com a mesma mulher”.

A filha Natália nasceu em 25 de julho de 2007 e, com 40 dias de vida, já embarcou para a Itália com os pais. Em 2010, a família voltou definitivamente ao Brasil. Uma noite com a criança doente nevando a caminho do hospital às quatro da manhã convenceu Michele a não voltar mais. César cumpriu mais dois anos de contrato sozinho e encerrou a carreira europeia em 2012.

A dor que fica e a escolha pelo lar

Em 2009, enquanto jogava no Pesaro, César recebeu a notícia do falecimento do pai. Tentou conseguir voo no mesmo dia, mas as conexões só o trariam a Dracena depois do velório. A família o aconselhou a não tentar. Ele nunca se despediu. Essa é, segundo ele mesmo, uma dor que carrega até hoje.

A decisão de encerrar a carreira na Itália foi inevitável depois disso. Ao voltar, encontrou trabalho em Dracena e hoje integra a equipe da academia ComAFit, onde a proximidade com o esporte e com as pessoas que o conhecem desde criança faz toda a diferença. Aos 43 anos, com 13 depois de encerrada a carreira profissional, César ainda jogou o campeonato de férias local e fez o gol da vitória na final. O futsal nunca saiu de dentro dele.

Onde encontrar

César Augusto Tavoloni, o Alemão, é encontrado em Dracena, SP. Siga-o no Instagram: @cesartavoloni.

Resumo do episódio

César Tavoloni cresceu em Dracena jogando futsal, foi convocado aos 16 anos para um time que venceu campeonatos paulistas e regionais, e aos 19 recebeu um contato de um procurador italiano que o conhecia por vídeos. Com a documentação da cidadania italiana de seu bisavó, após uma longa saga burocrática, conseguiu naturalização e assinou com time na Itália. Jogou 12 anos lá, conquistou respeito imediato com 43 gols na primeira temporada, foi convocado pela seleção italiana quatro vezes, e retornou definitivamente ao Brasil em 2010 quando a família, especialmente sua esposa Michele, decidiu não voltar mais.

Principais aprendizados

  • O futsal dracenense produzia talentos que chamavam atenção de procuradores internacionais através de fitas de vídeo ainda nos anos 1990.
  • A cidadania italiana por ancestralidade abriu portas para a Itália, mas exigiu uma maratona de mais de uma década reunindo documentação em várias cidades do interior paulista.
  • Desempenho excepcional na primeira temporada, com 43 gols, conquistou respeito imediato do elenco e permitiu continuidade de contratos na Série A italiana.
  • Um salário de ano e meio do futebol italiano foi suficiente para tirar a família do aluguel que pagava há mais de quarenta anos.
  • A decisão de encerrar a carreira europeia foi motivada pela volta da família ao Brasil, quando a esposa e filha pequena convenceram-se de que não queriam permanecer na Itália.

Perguntas respondidas neste episódio

Como César Tavoloni conseguiu ir jogar na Itália?

Descobriu que estava na Itália um ex-companheiro de equipe chamado Fábio, que o recomendou a um procurador após vê-lo em fitas de vídeo. O procurador conhecia sua ascendência italiana e ajudou na naturalização. Com o bisavó tendo mantido a cidadania italiana ao chegar ao Brasil, foi possível reunir documentação e conseguir a cidadania italiana.

Quanto tempo durou o processo para conseguir a cidadania italiana?

O processo foi uma saga de anos. Envolveu reunir certidões de várias cidades do interior paulista, corrigir erros de grafia, vender um carro para pagar advogado, e múltiplas idas ao consulado italiano em São Paulo. Mesmo após tradução e carimbo de documentos, ainda houve duas viagens à Itália como turista e uma volta forçada ao Brasil por problemas documentais antes de receber o RG italiano.

Qual foi o desempenho de César na Itália como jogador?

Na primeira temporada completa fez 43 gols em campeonato onde o artilheiro máximo marcou 46, conquistando respeito imediato. Foi convocado quatro vezes para a seleção italiana de futsal, jogando duas partidas na Itália e duas na Polônia. Manteve seis temporadas na Série A italiana ao longo de 12 anos jogando em times como Padova e Pesaro.

Por que César encerrou a carreira na Itália?

A família, especialmente a esposa Michele, decidiu voltar ao Brasil permanentemente em 2010. Uma noite em que a filha Natália estava doente, precisando ir ao hospital aos quatro da manhã enquanto nevava, convenceu Michele que não queria permanecer na Itália. César cumpriu mais dois anos de contrato sozinho e encerrou a carreira europeia em 2012.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.