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Fundec 54 anos: como Edson Kai e Fernando Nunes levaram a medicina a Dracena e mudaram a saúde de 12 municípios | #086

01 de fevereiro de 2022 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #86 do AdamiCast

A Fundec — Fundação Dracenense de Educação e Cultura — completa 54 anos em 2022 com um patrimônio que pouca gente de fora da região dimensiona. Foi convidado do episódio 86 do AdamiCast, em fevereiro de 2022, o Diretor Executivo Edson Kai e o Secretário Executivo Fernando Nunes. A conversa passou pela história da fundação, a chegada do curso de medicina a Dracena em 2017 e o impacto direto na saúde de 12 a 17 municípios da Nova Alta Paulista.

Mantenedora do Colégio Anglo Cid (ensino fundamental e médio, que completa 50 anos em 2022), das escolas profissionalizantes e da Unifadra (13 cursos superiores, incluindo medicina), a Fundec atende hoje alunos vindos de 16 estados brasileiros e disputa 9 candidatos por vaga no vestibular. Edson está frente da instituição desde 2002, depois de 20 anos; Fernando chegou em 2003/2004, convidado por Edson pra cuidar da comunicação. Os dois — que se conheceram nas viagens de carro, comendo esfirra de catupiry em Presidente Prudente, sem frota institucional — lideraram a transformação que levou Dracena a ter o primeiro curso de medicina antes de Bauru, Jaú e Araçatuba.

1968: a fundação que criou faculdade onde só havia cidade de interior

A Fundec nasceu em 1968 como fundação pública de direito privado, criada pela Prefeitura de Dracena, com o objetivo claro de levar curso superior pro interior — porque naquela época, como contou Edson, curso superior só existia em capital. “Nós começamos com pedagogia, letras, matemática e ciências. Eram licenciaturas de três anos, formando professores pra toda a Nova Alta Paulista.” Nos primeiros anos, foram 2 mil alunos de graduação — de Dracena, Tupi, Junqueirópolis, Pacaembu, Panorama e até São José do Rio Preto.

Ao longo das décadas, a Fundec virou mantenedora de três unidades: Colégio Anglo Cid (do fundamental ao médio, parceiro do Sistema Anglo de Ensino há décadas e hoje dentro do portfólio da Kroton), as escolas profissionalizantes (técnico em contabilidade há mais de 50 anos, técnico em enfermagem, etc.) e a Unifadra (faculdade). Hoje, ela atende do aluno de 6 anos no Anglo Cid até o médico residente no internato da Santa Casa de Dracena. “Temos soluções educacionais para todas as etapas da vida”, resume Fernando.

Edson Kai e Fernando Nunes: a dupla que modernizou a Fundec e cresceu de 4 para 13 cursos

Edson Kai é da área de tecnologia, veio de São Paulo pra Dracena e foi professor de informática no antigo CID por dois anos nos anos 90. Saiu, abriu uma empresa, mas foi convidado em 2002 a voltar como consultor. Virou Diretor Executivo. Fernando, ex-aluno da escola pública e depois do próprio CID, entrou em 2003/2004 como Secretário Executivo vindo da comunicação. A dupla transformou a Fundec numa instituição conectada com o que vem depois no ensino superior.

Quando Edson assumiu, em 2002, a Unifadra tinha 4 cursos de graduação. Hoje são 13 — pedagogia, letras, matemática, ciências, educação física, psicologia, enfermagem, sistemas de informação, engenharia, pedagogia, e medicina. O curso de Enfermagem (superior) foi o primeiro emplacado depois de 30 anos de história em 2004, abriu a área da saúde dentro da Unifadra, puxou laboratórios novos e criou o ambiente pra a medicina caber anos depois. “A gente tava naquele momento em que 4 cursos não davam mais conta. Precisávamos buscar outras coisas pra nossos jovens”, lembra Fernando.

O curso de medicina: 7 anos de projeto, aprovado antes de Bauru, Jaú e Araçatuba

O Curso de Medicina da Unifadra começou em 2017, depois de quase dois anos de projeto formal (iniciado em 2015). Antes, a dupla foi buscar consultores entre os maiores do país, escreveu o projeto pedaço por pedaço, e levou a aprovação no Conselho Estadual de Educação de São Paulo. Dracena conseguiu o curso antes de Bauru, Jaú e Araçatuba. “Foi importante porque mostrava que o interior do interior conseguia dar conta de um projeto desses, com seriedade”, lembra Edson. Esse ano, em 2022, forma a primeira turma — T1 —, a sexta já está entrando em sala.

Aluno desde o primeiro ano vai pra Unidade de Saúde da Família (USF) dos municípios parceiros — Dracena, Junqueirópolis, Tupi Paulista e Ouro Verde — junto com as equipes do PSF pra atender a população. É o oposto do modelo tradicional, em que a ida pro hospital só acontece a partir do terceiro ou quarto ano. “A gente usa metodologias ativas, aluno constói o conhecimento dele com o professor como tutor. Ele sai com outra visão da profissão.” A concorrência no vestibular atual é de 9 candidatos por vaga, e a turma mais recente trouxe alunos do Paraná, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Brasília e da capital paulista — 16 estados no último processo.

A virada da saúde regional: Pediatria 12h/dia, AME em 17 municípios, neurocirurgia chegando

O internato da medicina começou em 2021 e já mudou o perfil da Santa Casa de Dracena. A Pediatria, que há mais de 20 anos não tinha equipe completa de atendimento, agora tem médicos pediatras 12 horas por dia. Clínica Médica e Ortopedia funcionam 24h. A Irmandade da Santa Casa de Dracena — que tem 96 médicos, mais de 400 colaboradores e atende 12 municípios — foi a primeira parceira do curso de medicina. “Sem o apoio da Santa Casa nada disso teria acontecido. Eles apostaram antes de todo mundo”, reconhece Edson.

Os próximos passos já estão em curso. A Santa Casa vai ganhar alta complexidade em neurocirurgia, hemodinâmica e cardiologia (angioplastia e marca-passo). Em 2022, tá chegando o neurocirurgião Dr. Carlos, da equipe de Botucatu, pra montar a estrutura local. “Neurocirurgia tem hora. Não dá pra correr risco de mandar paciente pra Presidente Prudente no tránsito e perder tempo. Quando você tira isso da equação, você salva vidas que antes não tinham salvação.” Além disso, o novo prédio de hemodiálise (1.500m²) e o AME (Ambulatório Médico de Especialidades, referência em 17 municípios) compõem uma rede que praticamente não existia há 10 anos na região.

A pandemia que não parou as aulas: EAD com Unopar e Google for Education já rodavam desde 2018

A Fundec tinha preparação que a maioria das escolas do país não tinha quando a pandemia chegou em março de 2020. A parceria com a Unopar, de Londrina, em EAD começou em 2006 e durou 13 anos. Desde 2018, já estavam implantando Google for Education com licença (não era Gmail de graça, era versão corporativa paga). 20% de toda a graduação da Unifadra já era EAD. O Anglo Cid usa a plataforma Plural do Sistema Anglo (hoje Somos Edu, maior tráfego digital da América Latina). “Quando fechou tudo, a gente continuou dando aula. Não paramos nenhum dia letivo, nem o conteúdo nem a entrega. Outras escolas tiraram férias antecipadas pra se reestruturar, nós seguimos.”

Fernando resume o que vem pela frente. “A instituição chegou ao patamar que sempre quisemos. A cidade veio junto, a política veio junto, a comunidade veio junto, a imprensa veio junto. Mas não paramos aqui. Outros virão depois de nós e darão continuidade, porque esse é o ciclo da vida de quem toca fundação. A gente formou médicos pela primeira vez, e isso nunca saiu da história da cidade.” Edson acrescenta: “A gente sonhou esse sonho há 20 anos e metade do que está aqui não era previsível. Mas a gente tinha pressa de fazer.”

Onde encontrar

A Fundec mantém o Colégio Anglo Cid, as escolas profissionalizantes e a Unifadra em Dracena. Pra acompanhar o trabalho e o vestibular de medicina, basta seguir o perfil da Unifadra no Instagram: @unifadra. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.

Resumo do episódio

A Fundec, fundação criada em 1968 para levar educação superior ao interior, completou 54 anos sob liderança de Edson Kai e Fernando Nunes, que expandiram de 4 para 13 cursos superiores e trouxeram o curso de medicina a Dracena em 2017, transformando a saúde de 12 a 17 municípios da região com internato na Santa Casa, novas especialidades e metodologia que leva alunos às unidades de saúde desde o primeiro ano.

Principais aprendizados

  • O curso de medicina da Unifadra começou em 2017 depois de projeto iniciado em 2015 e foi aprovado antes de cidades maiores como Bauru, Jaú e Araçatuba.
  • O internato de medicina iniciado em 2021 permitiu que a Pediatria da Santa Casa de Dracena, que há 20 anos não tinha equipe completa, contasse com médicos pediatras 12 horas por dia.
  • A metodologia ativa do curso coloca alunos em Unidades de Saúde da Família desde o primeiro ano, oposto ao modelo tradicional que os leva ao hospital só no terceiro ou quarto ano.
  • O vestibular de medicina atrai 9 candidatos por vaga, com alunos vindos de 16 estados brasileiros, incluindo Paraná, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás e Brasília.
  • A Fundec nasceu em 1968 como fundação pública de direito privado criada pela Prefeitura de Dracena para oferecer educação superior no interior, começando com licenciaturas em pedagogia, letras, matemática e ciências.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona o curso de medicina da Unifadra?

Os alunos vão para Unidades de Saúde da Família dos municípios parceiros desde o primeiro ano junto com as equipes do PSF pra atender a população. A metodologia usa alunos como construtores do conhecimento com o professor como tutor, diferente do modelo tradicional em que a ida pro hospital acontece a partir do terceiro ou quarto ano.

Qual foi o impacto do curso de medicina na Santa Casa de Dracena?

O internato iniciado em 2021 transformou o hospital. A Pediatria, que há mais de 20 anos não tinha equipe completa, agora tem médicos pediatras 12 horas por dia. Clínica Médica e Ortopedia funcionam 24h. A Santa Casa atende 12 municípios com 96 médicos e mais de 400 colaboradores.

Quantos candidatos disputam uma vaga no vestibular de medicina da Unifadra?

A concorrência atual é de 9 candidatos por vaga. A turma mais recente trouxe alunos de 16 estados brasileiros, incluindo Paraná, Rondônia, Mato Grosso do Sul, Goiás, Brasília e da capital paulista.

Quando foi criada a Fundec e qual era seu objetivo?

A Fundec nasceu em 1968 como fundação pública de direito privado criada pela Prefeitura de Dracena com o objetivo de levar curso superior para o interior. Naquela época, curso superior só existia em capital, então começaram com licenciaturas em pedagogia, letras, matemática e ciências formando professores para toda a Nova Alta Paulista.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.