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Do xadrez ao funcional: Carla Alves e a história do Espaço C em Dracena | #441

22 de janeiro de 2026 • 10 min de leitura

Este texto vem do episódio #441 do AdamiCast

No episódio 441 do AdamiCast, Pedro e Mariana Adame recebem Carla Alves, educadora física e proprietária do Espaço C. Funcional e Musculação, um dos estúdios de treinamento mais consolidados de Dracena. Conhecida carinhosamente como Pit pelos familiares e como Carlinha por alunos e parceiros, Carla construiu uma trajetória que começa nos tabuleiros de xadrez da Escola 9 de Julho, passa por 12 anos de dedicação ao ensino em colégios da cidade e desemboca na criação de um método próprio de treinamento que mistura musculação, funcional e pilates. O episódio é um retrato genuíno de como a persistência, a paixão pelo movimento e a coragem de abrir mão da segurança de um salário fixo podem transformar uma carreira e impactar a vida de centenas de pessoas.

A conversa revela os bastidores de uma empreendedora que começou atendendo uma única aluna na casa dela, carregando colchonete debaixo do braço enquanto pilotava uma moto, e que hoje administra um espaço completo com aparelhos de musculação e treinamento funcional, atendendo turmas de até 12 pessoas, casais e alunos individuais. Carla compartilha com honestidade os momentos de medo, como quando zerou a poupança numa reforma do estúdio exatamente antes da pandemia, e os momentos de virada, como quando transformou seu carro numa academia ambulante e fechou a agenda de atendimentos domiciliares em pleno lockdown. O episódio é uma aula de resiliência e reinvenção para quem sonha em viver do que ama.

Do xadrez aos tatames: uma infância marcada pelo esporte

Carla Alves cresceu em Dracena como uma criança que não parava quieta. Entre quedas, remendos e brincadeiras na rua com primos e vizinhos, o esporte sempre foi parte da sua rotina, seja andando de bicicleta, jogando futebol na rua ou transformando o portão de casa em rede de vôlei. Na Escola 9 de Julho, onde estudou a vida toda, Carla se destacou nas aulas de educação física e encontrou no xadrez uma paixão que a levaria a conhecer o estado de São Paulo inteiro. Como integrante da equipe de xadrez de Dracena, ela participou de jogos regionais, jogos da juventude e jogos escolares, chegando várias vezes às finais estaduais. O talento era tão reconhecido que a cidade de Santa Bárbara do Oeste enviava carro da prefeitura para buscá-la e levá-la a campeonatos patrocinados pela Unimed.

Quando chegou a hora do vestibular, não houve dúvida: seria educação física. “Eu nunca me imaginei fazendo outra coisa”, confessa Carla. Ela entrou na faculdade em Adamantina por volta de 2006, aos 17 anos, a caçulinha da sala. Viajava todos os dias de ônibus, trabalhava meio período numa floricultura no centro de Dracena, a Toque Final, onde ganhava R$ 370, dinheiro que mal cobria o transporte e uma apostila. Mas o plano era claro: se formar, entrar numa escola e se aposentar dando aula de educação física para crianças. O destino, no entanto, tinha outros caminhos preparados.

O encontro que mudou tudo: do estágio ao colégio Dask

Durante os estágios obrigatórios da faculdade, Carla fazia suas horas na Escola Luísa Roça Ribeiro, a mais próxima da sua casa, já que não tinha carro nem bicicleta e fazia tudo a pé. Foi ali que ela conheceu o professor Anderson, apelidado de D, que dava aulas de xadrez para crianças através de um projeto da prefeitura. Carla contou sua trajetória no esporte, e Anderson se interessou imediatamente. Ele a convidou para estagiar com ele, tanto no Luísa Roça quanto no Colégio Objetivo, hoje Colégio Dask. “Eu aceitei na hora. Era o que eu queria”, lembra Carla. “Já vou fazer o estágio e já vou vendo como funciona.”

Porém, poucas semanas depois de Carla começar a ajudá-lo, o professor Anderson teve um problema grave de saúde e precisou se afastar. As escolas, que tinham turmas engajadas e resultados pedagógicos excelentes com o xadrez, entraram em desespero. Com 75% da faculdade concluída, Carla foi convidada pelo Colégio Dask para assumir as turmas sob supervisão do coordenador Paulo Cosan. “Quando é para ser nosso, o negócio é”, reflete Carla. Ela ficou 12 anos no Colégio Dask, e paralelamente conseguiu passar num concurso temporário da prefeitura para um projeto de xadrez nas escolas municipais. Com dois salários, férias, 13º e vale-alimentação, Carla se viu recém-formada e acomodada. “Falei: vou ficar aqui pro resto da vida”, brinca.

O nascimento do Espaço C: de uma aluna a um estúdio completo

A virada aconteceu dentro do próprio colégio. Marcinha, Márcia São João, secretária do Dask e mãe de aluna, chamou Carla para conversar. “Achei que era bronca”, ri Carla. Na verdade, Marcinha queria saber se Carla poderia atendê-la em casa com exercícios físicos. “Um dinheirinho a mais, vamos encarar”, pensou Carla. Correu para comprar livros de yoga e pilates, já que há 14 anos não existiam as facilidades de cursos online e vídeos no YouTube. Comprou caneleiras, elásticos e pesinhos que cabiam na mochila, e começou a atender Marcinha três vezes por semana: dois dias de treino na casa dela e um dia de caminhada.

Logo veio a segunda aluna, Cásia Campos, esposa do Rufino, que tinha uma lesão no pé por recomendação do Dr. Oscar Aram, mas não conseguia sair de casa por causa do bebê. Carla atendia Cásia às 5h30 da manhã, com o bebê no carrinho ao lado, alternando aulas de hidro na piscina e ginástica localizada. Uma terceira aluna apareceu, e o pai de Carla percebeu que a filha não podia mais continuar carregando colchonete debaixo do braço enquanto pilotava a moto. Ele ofereceu um espaço anexo ao seu comércio, e ali nasceu o primeiro estúdio: cerca de 2 metros quadrados, um colchonete, uns pesinhos e um ventilador. Com o tempo vieram o ar-condicionado, mais equipamentos e mais alunas. “Marcinha criou um monstro”, brinca Pedro Adame no episódio.

A decisão mais difícil e a pandemia que mudou o jogo

Depois de quatro a cinco anos conciliando o estúdio com as aulas no Colégio Dask e na prefeitura, Carla chegou ao limite. “Eu não estava rendendo nem lá, nem cá”, confessa. Em 2017, tomou a decisão de exonerar do cargo na prefeitura, mantendo apenas o Dask com carga horária reduzida. A pós-graduação em treinamento funcional e atendimento de personal trainer já estava feita, impulsionada pelos conselhos de um amigo fisiculturista do marido Neto, que trabalhava em academias grandes de São Paulo como Reebok e Biorritmo e previu que o funcional seria o futuro do fitness. Carla investiu tudo na primeira ampliação do estúdio, dobrando o espaço de 2 para 10 metros quadrados. Para quem começou no mínimo, era uma conquista enorme.

Mas o timing foi cruel: em 2019, exatamente quando Carla decidiu deixar o Dask e se dedicar 100% ao estúdio, a pandemia chegou. “Zerei minha poupança na reforma e fechou tudo”, lembra. O desespero durou pouco. Com a criatividade de quem já começou atendendo em domicílio, Carla deitou os bancos do carro, encheu o porta-malas com colchonete, corda, peso e até cama elástica, e voltou a atender nas casas. O resultado foi surpreendente: com a demanda por exercício físico disparando por conta dos estudos sobre massa muscular e imunidade, Carla fechou a agenda inteira. Saía de casa às 5h30 da manhã e voltava às 11 da noite. “Eu vi um dinheiro que nunca tinha ganhado na vida”, conta, explicando que o atendimento domiciliário cobra mais pelo deslocamento e combustível.

Reinvenção e método próprio: o Espaço C hoje

A pandemia trouxe uma mudança inesperada para o perfil do Espaço C. Até então, Carla atendia exclusivamente mulheres. Com os atendimentos domiciliares, os maridos das alunas começaram a pedir para participar dos treinos, e assim nasceram os horários de casais, que se mantêm até hoje. Carla também começou a atender corredores, ciclistas e famílias inteiras, como a família Maeda, que vai em cinco pessoas no mesmo horário: pai, mãe, dois filhos e uma neta. Com os aparelhos comprados de academias que fecharam durante a pandemia, o estúdio voltou equipado e pronto para crescer.

Hoje, o carro-chefe do Espaço C é um protocolo criado por Carla que integra elementos de pilates, treinamento funcional e musculação numa única aula de uma hora. Inspirada no MIT (Método Integrado de Treinamento), ela desenvolveu sequências que alternam alongamentos e mobilidades do pilates com protocolos de musculação como biset, drop set e triset, intercalados com movimentos aeróbicos do funcional, como polichinelo e burpee. “É uma aula que passa voando e dá muito resultado”, explica Carla. O estúdio atende turmas de até 12 mulheres por horário, além de atendimentos individuais e de casais. Carla também mantém um trabalho especial com grupos que ela chama de “especiais”: idosos, pessoas com fibromialgia, condropatia e problemas de coluna, um público que exige atenção redobrada e que encontra no Espaço C o acolhimento que nem sempre existe em academias convencionais.

Tópicos do episódio

  • A origem do apelido Pit e o nome verdadeiro Rose Carla, homenagem aos pais.
  • A trajetória no xadrez: da Escola 9 de Julho às finais estaduais e campeonatos em Santa Bárbara do Oeste.
  • O professor Anderson e a oportunidade no Colégio Dask que rendeu 12 anos de carreira escolar.
  • Marcinha, a secretária que se tornou a primeira aluna e deu início ao Espaço C.
  • O estúdio que começou em 2 metros quadrados no espaço anexo do pai.
  • A decisão de exonerar da prefeitura em 2017 para se dedicar ao estúdio.
  • A pandemia: poupança zerada, carro transformado em academia e agenda lotada.
  • A entrada do público masculino e os horários de casais que nasceram durante o lockdown.
  • O método próprio que integra pilates, funcional e musculação numa aula dinâmica de uma hora.

Quer conhecer a trajetória completa de Carla Alves, do xadrez ao treinamento funcional? Assista ao episódio no YouTube ou ouça no Spotify. Siga o AdamiCast em todas as plataformas e acompanhe as histórias de quem faz Dracena e região acontecer. Se você procura um treino personalizado que respeita o seu corpo e os seus limites, o Espaço C. Funcional e Musculação é o lugar certo. Siga a Carla no Instagram @carlaenetao e agende sua aula experimental!

Resumo do episódio

Carla Alves construiu uma trajetória que começou na educação física escolar, passando 12 anos no Colégio Dask com aulas de xadrez, e desembocou na criação do Espaço C. Funcional e Musculação. O episódio mostra como ela começou atendendo uma única aluna em domicílio com equipamentos que cabiam numa mochila e hoje administra um estúdio com protocolo próprio que integra pilates, funcional e musculação, tendo atravessado crises como a pandemia que zerou sua poupança mas abriu novos mercados como atendimentos de casais.

Principais aprendizados

  • Um estúdio de treinamento pode começar muito pequeno, em 2 metros quadrados com colchonete e pesos, e crescer conforme aumenta a demanda.
  • A decisão de deixar uma carreira estável no setor público exige redução de custos e foco total no negócio, como ocorreu quando Carla exonerou da prefeitura em 2017.
  • Treinos domiciliares geram receita superior aos atendimentos em estúdio por incluir custos de deslocamento e combustível no valor cobrado.
  • Um método próprio de treinamento deve integrar diferentes disciplinas como pilates, musculação e funcional em sequências que alternam alongamentos, protocolos aeróbicos e exercícios de força.
  • Públicos especiais como idosos e pessoas com fibromialgia e problemas de coluna constituem um nicho importante que exige acolhimento e atenção diferenciada.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar um negócio de treinamento físico sem investimento inicial?

Pode-se iniciar atendendo clientes em domicílio com equipamentos portáteis como caneleiras, elásticos e pesos pequenos que cabem numa mochila. Com o crescimento da clientela e receita, é possível alugar ou adaptar um espaço próprio e adquirir equipamentos maiores gradualmente.

Qual foi o impacto da pandemia para estúdios de treinamento físico?

A pandemia fechou os estúdios, zerou poupanças investidas em reformas, mas criou oportunidade para reinvenção através de atendimentos domiciliares. A demanda por exercício físico disparou por conta dos estudos sobre massa muscular e imunidade, permitindo que profissionais fechassem agendas lotadas com atendimentos em casa.

Como funciona o método de treinamento do Espaço C?

O protocolo integra pilates, treinamento funcional e musculação numa aula de uma hora. Alterna alongamentos e mobilidades do pilates com protocolos de musculação como biset, drop set e triset, intercalados com movimentos aeróbicos do funcional como polichinelo e burpee.

É possível deixar uma carreira estável para investir em um negócio próprio?

Sim, mas exige planejamento. Carla passou quatro a cinco anos conciliando o estúdio com seus empregos, fez pós-graduação em treinamento funcional, e apenas em 2017 exonerou da prefeitura, mantendo inicialmente o colégio com carga horária reduzida enquanto expandia o estúdio.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.