#98

Dra. Aline Damasceno, cirurgiã-geral e nutróloga em Dracena: a história de Nina, que escolheu abrir barriga em vez de coração | AdamiCast #098

17 de março de 2022 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #98 do AdamiCast

Quando era pequena, em Dracena, no interior de São Paulo, Aline Damasceno — Nina, pros íntimos — disse ao dono de um cursinho que queria ser médica mas não sabia nem por onde começar. Anos depois, voltou pra mesma cidade como cirurgiã-geral e nutróloga, dona da Clínica Damasceno.

A história veio no episódio 98 do AdamiCast, gravado em 17 de março de 2022, e é uma das trajetórias mais malucas que passaram pela mesa do podcast: cursinho em Presidente Prudente, faculdade em Fernandópolis, 18 horas de estudo por dia, viagens de fim de semana num Escort a álcool que esquentava o motor e precisava de 30 litros de combustível e 6 litros de água pra rodar. Tudo pra voltar pra casa, atender no hospital que formou ela e abrir a própria clínica.

Dracena no DNA: a menina que disse “vou ser médica” sem saber como

Nina é filha única de uma mulher que ela descreve como “excepcional” e que, na conversa, virou coadjuvante principal. Foi a mãe quem correu atrás da primeira bolsa de estudos, quem bancou a ideia quando Nina decidiu largar quase tudo pra estudar em outra cidade e quem, até hoje, embarca no sonho dos outros como se fosse o próprio. “Ela nasceu pra sonhar o sonho de todo mundo”, resumiu.

A vocação veio cedo, mas sem patrimônio nem estrutura. Nina conta que entrou no cursinho em Presidente Prudente sem conhecer o caminho. Num certo dia, virou pro dono da escola e falou, na lata: “eu vou ser médica, só que eu preciso de ajuda porque eu não sei nem por onde começar”. O dono autorizou a bolsa. A partir daí, ela dava aula de reforço pra pagar o benefício e estudava 18 horas por dia.

O Escort a álcool, a batida na árvore e a bolsa que mudou tudo

Passou em três vestibulares — Presidente Prudente, Marília e Fernandópolis — e escolheu Fernandópolis por ser a mais acessível. O desafio seguinte era manter o vínculo com Dracena, trocando plantões, pegando carona com amigas e passando toda sexta dentro de um Escort a álcool que adorava superaquecer o motor.

“O porta-mala do Escort era grande, tinha que arrancar o tampão lógico”, lembra. Para não parar a cada 20 minutos pra colocar água no radiador, Nina levava 30 litros de álcool e seis garrafas de água de dois litros. Numa viagem, comprou uma água de coco pra levar pra avó, derramou a água na lombada tentando segurar o copo, perdeu o controle do volante e bateu numa árvore em Irapuru. “Acabei com o Escort, a água de coco e os livros, mas, graças a Deus, não me machuquei.” O motor só fundiu no terceiro ano, já com ela no terceiro ano da faculdade.

Do hospital em Dracena à primeira cirurgia que definiu a carreira

A formação prática de Nina começou em paralelo com o cursinho. Mesmo antes do primeiro dia de aula de medicina, ela já batia na porta do Pronto-Socorro de Dracena pedindo pra acompanhar plantão. “Eu nem tinha frequentado um dia de aula e já queria acompanhar o plantão, dentro do trote ainda”, lembra. A receptividade dos médicos da cidade — Marcelo Froio, Fernando Couto, Alcides e Pablo — virou o alicércio da carreira.

A paixão inicial era cardiologia. Nina fez o trabalho de conclusão de curso em placa carotídea e AVC, na época em que o Doppler de carótida começava a aparecer. Mas a virada aconteceu num diagnóstico certo em plantão do Pronto-Socorro, com o Dr. Fernando: como recompensa, foi chamada pra assistir a uma cirurgia. Era um abdome agudo perfurativo, com cheiro de fezes, dura, que acabou quase 1h30 da tarde. Quando saiu do centro cirúrgico, Nina virou pra casa da avó e disse: “eu vou abrir barriga, porque é muito massa isso”. Aos 20 anos, trocou cardiologia por cirurgia geral.

Residência em Prudente e a escolha de voltar pra Dracena

Durante a faculdade, Nina manteve a rotina de fim de semana em Dracena. Dava aula particular de português e matemática na casa da avó, “quase sempre lotada”, segundo ela, porque a idosa tinha sete filhos e a casa vivia cheia. A formatura veio, a residência em Presidente Prudente, e com ela o dilema de carreira mais importante: ficar na cidade grande, onde havia propostas mais chamativas, ou voltar pra Dracena.

Nina tinha uma definição inabalável: queria voltar. “Eu encontrei aqui em Dracena algo que não existe em outros lugares, pelo menos eu não vi”, disse na conversa, citando o acolhimento dos médicos que a formaram e a proximidade da família. A mãe sozinha, o pai da amiga Lívia que checava se ela tinha chegado bem toda vez, o Dr. Alcides que orienta casos difíceis a qualquer hora. Tudo pesou na decisão.

Cirurgiã-geral e nutróloga na Clínica Damasceno

De volta, Nina abriu a Clínica Damasceno em Dracena e passou a atuar nos dois campos que construiu: cirurgia geral e nutrologia. A leitura que faz da combinação é clara: a nutrologia permite enxergar o paciente antes da mesa de cirurgia e depois dela, dando contexto ao cuidado. É uma prática comum em cidades de porte médio, onde o mesmo médico atende nas duas pontas.

A trajetória também incluiu episódios que não couberam em manuais: Nino pulou de paraquedas em Boituva, fez rapel em Bonito (sem coragem de entrar na cachoeira) e acampa até hoje. O filho João Pedro, de 5 anos, sonha pular de bungee jump. “É médica, mãe e avá por tabela, mas radical de fim de semana”, brinca quem convive com ela. A citação que abre o episódio, “vou abrir barriga porque é muito massa”, virou lema profissional.

Onde encontrar

A conversa foi gravada em Dracena, SP, onde Nina atende e mantém a Clínica Damasceno. Para acompanhar a rotina da médica e a agenda da clínica, siga no Instagram:

Nina Damasceno: @nina_damasceno

Clínica Damasceno: @clinica.damasceno

Resumo do episódio

Aline Damasceno, conhecida como Nina, voltou a Dracena como cirurgiã-geral e nutróloga após uma trajetória que incluiu cursinho em Presidente Prudente, faculdade em Fernandópolis com 18 horas de estudo diário e viagens de fim de semana em um Escort a álcool. A médica explica como a receptividade dos médicos locais desde o cursinho, uma cirurgia de abdome agudo perfurativo e o acolhimento da comunidade definiram sua carreira e a decisão de voltar para abrir a própria clínica.

Principais aprendizados

  • Nina entrou no cursinho pedindo ajuda direta ao dono da escola, que lhe concedeu bolsa de estudos em troca de aulas de reforço
  • Passou em três vestibulares mas escolheu Fernandópolis por ser a mais acessível financeiramente
  • A primeira experiência prática começou antes da faculdade, acompanhando plantões no Pronto-Socorro de Dracena
  • Trocou cardiologia por cirurgia geral após assistir a uma cirurgia de abdome agudo perfurativo aos 20 anos
  • A nutrologia complementa a cirurgia geral permitindo atender o paciente antes e depois da operação

Perguntas respondidas neste episódio

Por que Nina escolheu cirurgia geral em vez de cardiologia?

A mudança de especialidade ocorreu aos 20 anos após assistir a uma cirurgia de abdome agudo perfurativo no Pronto-Socorro. A experiência foi tão impactante que Nina decidiu abrir barriga em vez de trabalhar com coração.

Como Nina conciliou os estudos na faculdade com o trabalho em Dracena?

Manteve uma rotina de fim de semana na cidade durante toda a faculdade, pegando caronas com amigas e usando transporte próprio. Dava aulas particulares de português e matemática na casa da avó para complementar a renda.

Por que Nina decidiu voltar para Dracena após a residência em Presidente Prudente?

Encontrou na cidade o acolhimento dos médicos que a formaram, proximidade familiar e uma estrutura de relacionamento que não havia visto em cidades maiores. Pesaram a presença da mãe, o apoio de amigos e médicos como o Dr. Alcides.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.