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Do rúmen ao campo: a história do professor Danilo Millen, da Unesp de Dracena | #071

07 de dezembro de 2021 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #71 do AdamiCast

Danilo Millen é professor da Unesp de Dracena, zootecnista e Ph.D. em Nutrição de Ruminantes. Chegou na cidade em 2009 pra assumir o cargo na universidade e nunca mais saiu: casou, teve dois filhos, montou grupo de pesquisa em confinamento de bovinos de corte e criou o canal Rumenologia, onde traduz a ciência do rúmen pra linguagem do pecuarista.

No AdamiCast, ele trouxe o mapa do que faz um zootecnista na pecuária moderna: do papel na porteira da fazenda à disputa de alternativas de alimento quando o milho sobe, passando pelo fantasma da acidose ruminal, pela escada de adaptação do gado confinado, pela leitura de cocho, e por tecnologias como o boi 777 e a terminação intensiva a pasto.

Da fazenda do tio ao doutorado em Botucatu

Danilo cresceu em Bragança Paulista, interior de São Paulo, com tios maternos donos de produção leiteira. Veio o gosto pela lida com o gado, depois o colégio técnico em agropecuária, e a escolha pela Zootecnia quando teve contato com Agronomia, Veterinária e a área que mais falou com ele.

Fez graduação, mestrado e doutorado na Unesp de Botucatu, sob orientação do professor Mário Arrigoni, com foco em nutrição e confinamento de gado de corte. Saiu em 2009 pra assumir o concurso na Unesp de Dracena, onde atua até hoje, lecionando nutrição de ruminantes, bovinocultura de corte e sistemas de produção, e orientando alunos no programa de Ciência e Tecnologia Animal. Casou em 2008 e em Dracena nasceram os dois filhos, Gabriel e Rafaela.

O que faz o zootecnista (e por que confunde com veterinário e agrônomo)

A Zootecnia cuida da produção animal de forma eficiente e sustentável, do porteira pra dentro da fazenda: nutrição, manejo, melhoramento genético, bem-estar, gerenciamento da propriedade. O zootecnista é o engenheiro da produção animal. Enquanto o veterinário foca em saúde, clínica e reprodução, o agrônomo cuida da produção vegetal, e os três se complementam.

No campo, o trio vira o tripé da pecuária moderna: o agrônomo produz a forragem, o zootecnista formula a dieta e maneja os animais, o veterinário garante a saúde. É a sinergia que transforma pasto em carne com eficiência.

Acidose, escada de adaptação e leitura de cocho: o dia a dia do confinamento

O foco do trabalho dele em Dracena é o confinamento de bovinos de corte. A acidose é o grande fantasma do confinador: quando o boi recebe dieta muito rica em amido antes do rúmen estar adaptado, as bactérias produtoras de ácido lático proliferam, o pH despenca e o rúmen literalmente queima. Em casos agudos, o animal morre em horas. Em casos subclínicos, perde apetite, ganha menos e custa caro.

A prevenção passa por três pilares: dieta com fibra fisicamente efetiva (que faz o boi ruminar e produzir saliva), período de adaptação gradual de 9 a 14 dias com escada de dietas (50/50, 40/60, 30/70, até a terminação) e leitura de cocho diária, onde o operador avalia quanto sobrou do trato anterior e ajusta a dose do dia. Esse detalhe é o que separa o amador do profissional: a leitura de cocho afinada evita tanto a fome quanto a sobra estragada e a acidose.

Boi 777, alternativas ao milho e TIP

Duas tecnologias redesenharam a pecuária brasileira nos últimos anos, segundo Danilo. O boi 777, conceito criado pelos pesquisadores da APTA de Colina Flávio Resende e Gustavo Siqueira, estabelece meta de 7 arrobas na cria, 7 na recria e 7 na terminação, totalizando 21 arrobas em até 24 meses. Reduz o tempo de abate, melhora a qualidade da carne e aumenta a taxa de desfrute.

A TIP, ou Terminação Intensiva a Pasto, é o confinamento sem parede: mantém o boi no pasto e fornece concentrado equivalente a 1,8 a 2,0% do peso vivo. O pasto vira só fonte de fibra. Vantagens: menos infraestrutura, mais bem-estar animal, sem poeira nem lama. Funciona bem na transição águas-seca.

Na crise do milho, alternativas como DDG e WDG (resíduo da indústria de etanol), polpa cítrica, farelo de glúten e casca de soja permitem formular dietas de mínimo custo sem perder desempenho.

Onde encontrar

Danilo Millen atende e pesquisa em Dracena, SP, na Unesp. Para acompanhar as publicações, dicas técnicas e novidades do canal Rumenologia, basta seguir o perfil no Instagram: @danilomillen e o canal no YouTube: @rumenologia.

Resumo do episódio

Danilo Millen, professor de Zootecnia na Unesp de Dracena, explica o papel do zootecnista na pecuária moderna, com foco em confinamento de bovinos de corte. O episódio cobre os desafios práticos da nutrição de ruminantes, como prevenção de acidose ruminal, adaptação gradual do gado e leitura de cocho diária, além de tecnologias como o boi 777 e a Terminação Intensiva a Pasto que estão transformando a produção brasileira.

Principais aprendizados

  • A acidose ruminal ocorre quando o gado recebe dieta muito rica em amido antes do rúmen estar adaptado, causando morte em casos agudos ou redução de ganho em casos subclínicos.
  • A escada de adaptação leva 9 a 14 dias com dietas progressivas e a leitura de cocho diária são essenciais para prevenir acidose e separar o profissional do amador.
  • O zootecnista atua na nutrição, manejo, melhoramento genético e gerenciamento da propriedade, complementando o trabalho do agrônomo e do veterinário na pecuária.
  • O boi 777 estabelece meta de 7 arrobas em cria, recria e terminação, totalizando 21 arrobas em até 24 meses, reduzindo tempo de abate e aumentando desfrute.
  • A Terminação Intensiva a Pasto fornece concentrado de 1,8 a 2,0% do peso vivo, reduzindo infraestrutura e melhorando bem-estar sem comprometer desempenho.

Perguntas respondidas neste episódio

O que faz um zootecnista na pecuária?

O zootecnista é o engenheiro da produção animal, responsável pela nutrição, manejo, melhoramento genético, bem-estar e gerenciamento da propriedade. Trabalha porteira pra dentro da fazenda, enquanto o agrônomo cuida da forragem e o veterinário da saúde dos animais.

Como prevenir acidose ruminal no confinamento?

A prevenção passa por três pilares: oferecer dieta com fibra fisicamente efetiva que estimule ruminação e salivação, realizar período de adaptação gradual de 9 a 14 dias com escada de dietas progressivas, e fazer leitura de cocho diária para ajustar a quantidade fornecida.

O que é a Terminação Intensiva a Pasto?

É um sistema que mantém o boi no pasto enquanto fornece concentrado equivalente a 1,8 a 2,0% do peso vivo, com o pasto atuando como fonte de fibra. Oferece vantagens de menor infraestrutura, mais bem-estar animal e funciona bem na transição águas-seca.

Quais alternativas ao milho podem ser usadas em confinamento?

DDG e WDG, resíduo da indústria de etanol, polpa cítrica, farelo de glúten e casca de soja são alternativas que permitem formular dietas de mínimo custo sem perder desempenho do animal.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.