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Do problema no pulmão ao Mundial de Karatê: a história de João Gabriel e do sensei Rafael Bernardelli | #490

17 de setembro de 2026 • 5 min de leitura

Este texto vem do episódio #490 do AdamiCast

João Gabriel Rodrigues do Nascimento tem 15 anos, faixa roxa, e é hoje o único atleta brasileiro da categoria cadete (14 a 15 anos, até 70kg) convocado para o Campeonato Mundial da WKF, que acontece na Polônia em outubro. Ao lado dele, no episódio 490 do AdamiCast, estava o sensei Rafael Nascimbem Bernardelli, professor em Pauliceia desde 2014 e responsável por formar, até hoje, cinco atletas classificados para mundiais de Karatê.

A conversa, gravada em Dracena, atravessa duas histórias que se cruzam: a de um adolescente que trocou a natação por um esporte de combate e virou seleção brasileira em pouco mais de dois anos de tatame, e a de um professor que pagou a própria mensalidade de Karatê com pão caseiro e hoje briga, junto com a família dos alunos, para bancar uma viagem à Europa.

Do problema no pulmão à faixa roxa

João começou na natação por causa de um problema de desenvolvimento pulmonar, e foi tentando resolver uma questão de saúde que ele esbarrou no Karatê. A adaptação foi rápida: treino de segunda a sábado e entrada no alto rendimento em pouco tempo, segundo o relato do próprio sensei no episódio.

O ponto de virada aconteceu quando ele, ainda faixa laranja, disputou sua primeira seletiva nacional contra atletas de faixa roxa e faixa preta. “Tinha uma faixa laranja e um sonho, mais nada”, resume Rafael sobre aquele momento, frase que carrega o tom do episódio inteiro: aqui ninguém tinha vantagem de estrutura, só disposição para treinar mais que os outros.

A seletiva que quase escapou pelos dedos

Em 2024, a mãe de João props ão sensei que ele disputasse a fase classificatória em Joinville. Rafael, mais realista que otimista, tentou dosar a expectativa, mas topou. João ficou em segundo lugar, surpresa para quem entrava numa seletiva contra faixas mais graduadas.

Na tentativa seguinte, a vaga escapou por uma decisão apertada dos árbitros. Foi só na seletiva de Niterói que a vaga na Seleção Brasileira veio de fato, e Rafael descreve a cena como emoção pura: “eu só chorava de felicidade mesmo.”

O caminho do sensei: pão caseiro e uma hamburgueria na pandemia

Rafael começou no Karatê em Tupi Paulista, ainda menino, convidado por um professor da vizinhança. Sem dinheiro para pagar a mensalidade, ele propos um acordo: pagaria com o pão e o salgado que a mãe vendia na rua. Foi naquela época, aos 12 anos, que decidiu que queria ser professor de Karatê.

A trajetória profissional passou por Monte Castelo, por Dracena (onde ele deu aula em 2015) e se firmou em Pauliceia a partir de 2014, com turmas também em Panorama e Brasilândia, no Mato Grosso do Sul. Na pandemia, com os contratos suspensos, ele sobreviveu de uma hamburgueria até o convite de voltar às aulas aparecer, e a decisão de mudar de vida veio no mesmo dia.

Bronze no Pan-Americano e a vaga única no Mundial

Em 2026, João disputou o Pan-Americano na Costa Rica e, segundo o relato feito no episódio, subiu ao pódio com uma medalha de bronze, vencendo o representante dos Estados Unidos na disputa pelo terceiro lugar. O resultado abriu a vaga para o Campeonato Mundial da WKF, na Polônia, com embarque previsto para 10 de outubro.

No episódio, Rafael explica a dimensão da conquista: João é hoje o único atleta brasileiro da categoria cadete, até 70kg, que vai representar o país no Mundial. Uma vaga por categoria, por país, o que torna a presença dele ainda mais rara vindo de uma cidade sem estrutura esportiva formal.

Quanto custa levar um atleta do interior a um Mundial

O episódio não escondeu o lado financeiro da história. Segundo estimativa apresentada por Rafael, atribuída ao diretor técnico da Confederação Brasileira de Karatê, o custo médio por atleta para a viagem à Polônia gira em torno de R$ 25 mil, valor que a família e a equipe técnica ainda precisam viabilizar.

Mesmo sem secretaria de esportes, a prefeitura de Pauliceia tem bancado parte do transporte e da alimentação de atletas e professores em competições fora do estado, algo que Rafael destaca como incomum até em cidades maiores. É nesse contexto que ele reforça o convite a empresários da região para pensar em patrocínio esportivo como forma de apoiar o time e, ao mesmo tempo, ganhar visibilidade.

Onde encontrar

O episódio 490 foi gravado em Dracena, SP, sede do AdamiCast. Para acompanhar a trajetória de João Gabriel rumo ao Mundial da Polônia, siga @joaonascimentokrt. Para conhecer o trabalho do sensei Rafael Bernardelli à frente das equipes de Pauliceia, Panorama e Brasilândia, siga @rafaelnbernadelli.

Resumo do episódio

No episódio 490 do AdamiCast, gravado em Dracena, SP, o atleta João Gabriel Rodrigues do Nascimento, de 15 anos, e seu sensei Rafael Nascimbem Bernardelli, professor em Pauliceia desde 2014, contam como um adolescente que trocou a natação por causa de um problema respiratório virou, em pouco mais de dois anos, o único atleta brasileiro da categoria cadete convocado para o Campeonato Mundial de Karatê da WKF, na Polônia. A conversa passa pela primeira seletiva nacional disputada ainda como faixa laranja, pela conquista da vaga na Seleção Brasileira em Niterói, pelo bronze no Pan-Americano de 2026 na Costa Rica e pela trajetória pessoal do sensei, que pagou a própria mensalidade de Karatê com pão caseiro e chegou a largar as aulas para tocar uma hamburgueria durante a pandemia. O episódio termina no tema que sustenta toda a história: o custo real de levar um atleta do interior a um Mundial e a falta de patrocínio estruturado para o esporte amador na região.

Principais aprendizados

  • João entrou no Karatê depois de deixar a natação por um problema de desenvolvimento pulmonar, e em 2024, ainda faixa laranja, disputou sua primeira seletiva nacional contra atletas de faixa roxa e preta.
  • A vaga na Seleção Brasileira veio na seletiva de Niterói, depois de uma primeira tentativa em Joinville (segundo lugar) e de uma derrota apertada na fase seguinte.
  • Em 2026, João conquistou o bronze no Pan-Americano disputado na Costa Rica, resultado que garantiu a vaga no Mundial da WKF, na Polônia, com embarque previsto para 10 de outubro.
  • Rafael Bernardelli dá aulas em Pauliceia desde 2014, com turmas também em Panorama e Brasilândia (MS), e já formou cinco atletas classificados para campeonatos mundiais.
  • Segundo estimativa apresentada no episódio, o custo médio por atleta para a viagem à Polônia gira em torno de R$ 25 mil, valor que ainda depende de apoio de patrocínio e da própria prefeitura de Pauliceia.

Perguntas respondidas neste episódio

Como João Gabriel Nascimento começou no Karatê?

João praticava natação por causa de um problema de desenvolvimento pulmonar e, buscando uma alternativa, chegou ao Karatê. Em pouco tempo, migrou para o treino de alto rendimento e, ainda faixa laranja, já disputava seletivas nacionais contra atletas de faixas mais avançadas.

Como João Gabriel se classificou para o Campeonato Mundial da WKF?

A classificação veio depois de um bronze conquistado por João no Pan-Americano de 2026, disputado na Costa Rica. O resultado, somado à sua posição na categoria cadete (14 a 15 anos, até 70kg), garantiu a única vaga brasileira daquela categoria para o Mundial, que acontece na Polônia com embarque em 10 de outubro.

Quem é o sensei Rafael Bernardelli e como ele se tornou professor de Karatê?

Rafael começou a treinar ainda criança em Tupi Paulista e pagava a mensalidade com pão e salgado que sua mãe vendia na rua. Decidiu aos 12 anos que queria ser professor, e hoje dá aulas em Pauliceia desde 2014, além de turmas em Panorama e Brasilândia (MS).

Quanto custa levar um atleta do interior de São Paulo a um Campeonato Mundial de Karatê?

Segundo estimativa apresentada no episódio, o custo médio gira em torno de R$ 25 mil por atleta, considerando viagem, hospedagem e participação no evento. Parte desse valor tem sido viabilizada pela prefeitura de Pauliceia, mesmo sem uma secretaria de esportes formal, e o restante depende de patrocínio privado ainda em busca de estrutura na região.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.