Américo Lanzoni Neto é ex-tenista profissional de Dracena, SP. Começou a jogar tênis com 9 anos, virou atleta de alto rendimento e construiu uma carreira que atravessou obesidade severa, anorexia e a fase mais dura do tênis de base no interior paulista. Saiu do circuito, voltou pra cidade, e hoje trabalha na Bike Center de Dracena enquanto ajuda a revelar o próximo tenista.
No AdamiCast, ele contou o que poucos tenistas contam em público: a jornada que começa com 110kg de corpo de criança, passa por uma decisão de profissional aos 12 anos sem nunca ter vencido nada, e atravessa um dos episódios mais graves de anorexia entre jovens atletas do Brasil. A virada toda aconteceu num aniversário de família, num prato de comida árabe.
A infância em Dracena e o peso da decisão
Américo veio de São Paulo pra Dracena com 1 ano de idade. Os pais se conheceram jogando tênis, e a casa virou ponto de encontro de quem jogava na cidade. Ele passou por judô, futebol, várias tentativas, até o tênis virar caminho.
Aos 9 anos começou a treinar com o pai duas vezes por semana às 6h da manhã. Virou crônico no tênis. Mas tinha um detalhe que acompanhava ele desde pequeno: era gordinho. Com 12 anos, pesava 110kg. Obesidade grau 3. O tênis virou obstáculo em vez de caminho.
A virada veio numa conversa com o pai. Américo falou que queria ser tenista profissional. O pai, que já tinha visto o moleque desistir de vários esportes, ficou meio cético. Não foi contra, nem foi a favor. Esperou.
O emagrecimento extremo e a anorexia
Quando voltou pra quadra, perguntou ao treinador o que precisava pra ganhar. Resposta curta: emagrecer. Américo começou a correr sozinho no campo, escondendo da mãe, voltando e voltando até onde aguentava. Em poucos meses virou obsessão: deixou de comer direito, mentia pros pais, jogava comida fora.
Em 6 meses, foi de 110kg pra 50kg. O corpo foi junto: ossos fracos, pele escura, cansaço de respirar no frio de Dracena. Dormia no sofá com três blusas, duas calças e duas meias porque não tinha energia pra subir pro quarto. A irmã quis brigar com ele e ele não tinha força nem pra isso. A família toda entrou em colapso com ele.
A virada veio num aniversário do pai, num almoço com comida árabe. O Américo olhou pra mesa e disse: “eu não aguento mais ficar sem comer”. Passou mal na hora, o corpo não estava mais acostumado. Mas começou de novo no dia seguinte. Levou cerca de um ano pra estabilizar.
Lesões, escadinha e o tênis profissional
Com o corpo fragilizado pela anorexia, vieram as lesões. Por quase cinco anos, dos 14 aos 19, viveu um ciclo: treinava pesado, lesionava, parava semanas, voltava, lesionava de novo. Cotovelo, costas, costela. Pagou caro no ciclo esportivo, mas não a vida.
A escadinha pra virar profissional no tênis paulista é longa: começa nos regionais, passa pela 5ª classe, sobe pra 4ª, 3ª, 2ª, 1ª, e só então chega ao profissional. Américo subiu cada degrau, jogou os torneios da Federação Paulista, depois os brasileiros, e por fim entrou no circuito profissional. Foi alto nível, do jeito que ele queria desde os 12 anos.
O saldo de tudo isso
Sair do circuito foi quase tão difícil quanto entrar. Américo viveu isso e voltou pra Dracena. Hoje trabalha na Bike Center, dá aulas de tênis pra moleque que quer começar, e olha pra trás sem ressentimento. “Se não fosse na loucura, acho que não teria acontecido. Foi muito duro, mas foi o que deu certo pra mim, no fim.”
A maior lição que ele tira da história é simples: treinar com fome mata. Ninguém performa sem energia, e a carreira de atleta se construí em cima de saúde, não só de talento. Por isso ele fala com clareza pra quem quer entrar no esporte: começe, ame, mas não negocie a saúde em troca do sonho. Comida é parte do treino. Foi o que ele aprendeu do jeito difícil, aos 14 anos, no sofá da casa dos pais.
Onde encontrar
Américo Lanzoni Neto mora em Dracena, SP, onde dá aulas de tênis e trabalha na Bike Center. Para acompanhar o trabalho e as aulas, basta seguir o perfil no Instagram: @lanzoninetto.
Resumo do episódio
Américo Lanzoni Neto, ex-tenista profissional de Dracena, relata sua trajetória do sobrepeso na infância até o circuito profissional, passando por obesidade grau 3 aos 12 anos, uma anorexia severa que o levou de 110kg a 50kg em seis meses, lesões recorrentes dos 14 aos 19 anos, e a posterior decisão de deixar o esporte. Ele compartilha como a recuperação começou em um almoço de família e por que a nutrição adequada é indispensável para o desempenho atlético.
Principais aprendizados
- A decisão de virar tenista profissional aos 12 anos levou Américo a um emagrecimento extremo que resultou em anorexia severa, com perda de 60kg em seis meses.
- A anorexia deixou o corpo tão frágil que Américo dormia no sofá com cinco peças de roupa pois não tinha energia para subir as escadas.
- O ciclo de lesões dos 14 aos 19 anos, alternando treinamento intenso com pausas forçadas, foi consequência da fragilidade corporal causada pela desnutrição.
- A recuperação começou quando Américo decidiu comer novamente, embora tenha passado mal no primeiro dia e levado cerca de um ano para estabilizar o corpo.
- Treinar com fome prejudica o desempenho e a saúde, porque ninguém consegue performar sem energia e a carreira de atleta se constrói sobre saúde e não apenas talento.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que Américo precisou emagrecer para se tornar tenista profissional?
Quando perguntou ao treinador o que precisava para ganhar, a resposta foi direta: emagrecer. Aos 12 anos pesava 110kg e a obesidade era considerada um obstáculo para a carreira no tênis.
Quanto peso Américo perdeu e em quanto tempo?
Em seis meses, Américo foi de 110kg para 50kg. Começou correndo sozinho no campo, escondendo da mãe e intensificando a atividade até deixar de comer direito e mentir para os pais.
Quais foram as consequências físicas da anorexia que Américo desenvolveu?
O corpo ficou com ossos fracos, pele escura, cansaço ao respirar no frio. Dormia no sofá com três blusas, duas calças e duas meias porque não tinha energia para subir para o quarto.
Como Américo começou a se recuperar da anorexia?
A virada veio em um almoço de aniversário do pai com comida árabe, quando Américo disse que não aguentava mais ficar sem comer. Passou mal no momento, mas começou a comer novamente no dia seguinte, levando cerca de um ano para estabilizar.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.