#221

De office boy armado a padre: a história do Osvaldir e da Pousada Bom Samaritano | #221

30 de maio de 2023 • 8 min de leitura

Este texto vem do episódio #221 do AdamiCast

No episódio #221 do AdamiCast, em 30 de maio de 2023, o padre Osvaldir Ribeiro Mendes contou a história que o levou de Malacacheta, no norte de Minas Gerais, até Dracena, onde chegou em outubro de 2022 para assumir a direção da Pousada Bom Samaritano, obra fundada pelo Frei Moacir, dos Frades Capuchinhos, e a Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, ao lado do padre Gilmar e do clérigo Luís Carlos. Foi uma conversa de mais de duas horas, com gargalhadas, citações, e a história da ordenação dele, em 2012, que começou com café com o padrasto que viria a morrer fulminante horas depois, e terminou com a primeira missa sendo a missa de sétimo dia do próprio padrasto.

Osvaldir é orionita, congregação fundada por São Luís Orione, e a história dele passa por Foz do Iguaçu, onde cresceu a partir dos 4 anos, pela Ponte da Amizade, onde trabalhou quatro anos armado na Receita Federal com um revólver .38 que nunca disparou em ninguém, pelo magistério e a pedagogia, pelo namoro de três anos e meio com a catequisanda Vanessa, terminado no dia 2 de setembro de 1999, e pelo seminário em Quatro Barras e Cotia, onde ficou dez anos antes de se ordenar padre em 8 de dezembro de 2012, na mesma paróquia onde começou a namorar a vida de Igreja. É uma história que o próprio Pedro definiu como digna de uma novela mexicana, mas que ele contou, ao longo de toda a conversa, com a tranquilidade e a gratidão que define o jeito de padre dele.

A infância em Malacacheta, o trabalho aos 10 anos, e o namoro de catequese que acabou em 1999

Osvaldir nasceu em 1974 em Malacacheta, norte de Minas, Diocese de Teófilo Otoni, na divisa com a Bahia. A mãe, que já estava grávida de quase cinco meses, casou com o ex-namorado por imposição da família, e ele brinca que participou do casamento da barriga, como testemunha. A mãe o consagrou a Nossa Senhora ainda na gestação, e ele cresceu num berço católico, com seis filhos, o pai que saiu de casa, e a responsabilidade de trabalhar desde cedo. Com 10, 11 anos, foi office boy num escritório, e a bicicleta sem marcha era o transporte. Quando a família se mudou para Foz do Iguaçu, em busca de trabalho na Itaipu, ele entrou na onda da igreja, virou coroinha, catequista, ministro da Eucaristia, coordenador de comunidade.

No fim da adolescência, ele namorou três anos e meio a catequisanda Vanessa, com quem ia à missa das 7 da noite, e o namoro foi se desgastando pelo excesso de exposição na comunidade. Terminaram no dia 2 de setembro de 1999. Ele conta que, logo depois, já decidiu amadurecer a questão vocacional, fazer os encontros com a Congregação de Dom Orione, em Curitiba, e tentar entrar no seminário. O livro que mudou tudo, segundo ele, foi o Dom Orione em Imagens, que ganhou do padre Marcelino no Natal de 1999, e que o fez se apaixonar pela história do santo italiano, filho de família pobre, do norte da Itália, que passou pelo mundo fazendo o bem pela caridade e pelo amor.

Os 4 anos armado na Receita Federal, e o dia em que largou tudo para entrar no seminário

Antes do seminário, Osvaldir passou quatro anos trabalhando armado, com farda cinza, camisa branca, boné preto e revólver .38, prestando serviço para a Receita Federal, para o Detran e para a Sanepar, na Ponte da Amizade, entre Brasil e Paraguai. Ele conta que nunca disparou em ninguém, e que até hoje estranha quando vê fotos dele de farda, como se fosse outra pessoa. Saiu do trabalho em fevereiro de 2002, depois de quase dois anos e meio fazendo os encontros vocacionais em Curitiba, viajando duas a três vezes por ano.

No dia 9 de fevereiro de 2002, ele saiu da casa da mãe em Foz do Iguaçu, rumo ao seminário de Quatro Barras, no Paraná. A mãe assistia à novela das sete, chorou no sofá quando ele se despediu, e ele disse, na porta: mãe, hoje a senhora chora porque estou indo, amanhã a senhora vai sorrir me vendo feliz. Um ano depois, na Páscoa de 2003, ela foi visitá-lo no seminário em São José dos Pinhais, durante uma missa em que ele fazia o comentário, e ele disse, olhando pra ela: mãe, a senhora está aqui feliz, chorando de alegria por me ver no seminário. Ela chorou, e ele conta que, dali em diante, a mãe virou a primeira apoiadora da vocação dele.

A ordenação de 2012: o padrasto que veio pra ordenação, e morreu fulminante horas depois

Osvaldir foi ordenado padre no dia 8 de dezembro de 2012, em Foz do Iguaçu, na paróquia onde fez catequese, primeira eucaristia, e começou a namorar a vida de Igreja. A primeira missa dele estava toda planejada, com a roupa branca, a festa, a celebração, mas o que aconteceu, segundo ele, é que naquela semana o padrasto, que ele sempre chamou de pai, veio de São Paulo pra participar da ordenação, tomou café na casa da mãe dele, saiu pra passear com o filho, e teve um ataque cardíaco fulminante, morrendo nos braços do enteado, no dia 2 de dezembro, que era justamente a noite da missa de abertura da semana vocacional da ordenação.

Ele conta que, na hora em que recebeu a notícia, na sacristia, de túnica e estola de diácono na mão, pediu pro padre que presidia a missa que celebrasse tudo como planejado, e que ele daria o recado no final. Mais de 600 pessoas saíram da igreja em silêncio, ele foi pra casa, e a mãe, no carro, perguntou: por que me tiraram da igreja, o que aconteceu. Ao chegar em casa, ele contou da morte. A mãe desmaiou no sofá. O velório foi no cemitério, com a decisão dele de não levar o corpo pra casa, e com a ex-mulher do padrasto de um lado, a mãe dele do outro, e os filhos de cada lado. A ordenação aconteceu como planejada, e a primeira missa, no dia 9, foi a missa de sétimo dia do padrasto. No dia da ordenação, a mãe sentou com uma cadeira vazia, com uma rosa vermelha em cima, representando o padrasto.

11 meses em Dracena: a Pousada Bom Samaritano, a Perpétuo Socorro, e o povo que é o milagre

Osvaldir chegou a Dracena em 3 de outubro de 2022, depois de seis anos como padre em Siderópolis, no sul de Santa Catarina, atendendo convite da Diocese de Marília e da Congregação dos Padres Orionitas, que assumiram a direção da Pousada Bom Samaritano, obra terapêutica fundada pelo frei Moacir, dos Frades Capuchinhos. Ao lado do padre Gilmar, que chegou dez dias depois, e do clérigo Luís Carlos, Osvaldir passou a cuidar também da Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, comunidade que, segundo ele, caminha para virar paróquia, e onde a missa de domingo das 8:30 já ficou pequena.

No bate-papo, ele lembrou que Dracena é, em termos de tamanho, uma cidade pequena, mas o milagre, segundo ele, é o tamanho do coração do povo. A diferença, segundo ele, é grande em relação à Granja Viana, em São Paulo, de onde veio, onde as pessoas são mais frias e a vida não para. Em Dracena, segundo ele, as pessoas se abraçam, perguntam, dão graça de almoço, pagam café. A comunidade da Perpétuo Socorro, segundo ele, foi a primeira coisa que o fez se apaixonar, e a primeira Festa do Milho, em junho de 2023, com a primeira quermesse dos padres orionitas, é a marca que ele quer que fique como primeira de muitas. No dia 10 de junho, segundo ele, o bispo de Marília vai rezar a missa das 18 horas lá, como ato concreto de acolhida da nova fase.

Sobre o trabalho na Pousada, Osvaldir foi direto: visitar a Pousada Bom Samaritano é visitar Deus que ali se encontra em tratamento, é uma obra que cuida de quem precisa, e que é a alma do frei Moacir pra Dracena, deixada pra sempre. As confissões na Perpétuo Socorro acontecem todas as quartas de manhã, das 8:30 às 11:30, e ele ouve de tudo, de aborto a vingança, de morte a praga, e a única coisa que ele pede, segundo ele, é pra Deus, todos os dias, que tire o que ele ouve da gaveta, pra que ele volte no dia seguinte inteiro, com a família e com os sobrinhos, sem carregar tudo. Sobre a formação, ele defende que a educação é o único jeito de mudar a sociedade, e que o grito não educa, machuca, e que a família não pode terceirizar a missão de pai e mãe pra escola.

Onde encontrar

O padre Osvaldir Ribeiro Mendes é religioso orionita, mora na Pousada Bom Samaritano em Dracena, e atende a Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. A missa na Perpétuo Socorro é aos domingos às 8:30, com confissões às quartas de manhã das 8:30 às 11:30. Acompanhe o trabalho dele pelo Instagram @ribeiro_osvaldir.

Resumo do episódio

O padre Osvaldir Ribeiro Mendes compartilha sua trajetória de office boy armado na Receita Federal até a ordenação sacerdotal em 2012, passando por seminário, vida religiosa na congregação orionita e chegada a Dracena em 2022 para dirigir a Pousada Bom Samaritano. A conversa aborda desde a infância em Malacacheta até seu trabalho atual na Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, revelando momentos marcantes como a morte súbita do padrasto na noite anterior à sua ordenação.

Principais aprendizados

  • O trabalho armado na Receita Federal durou quatro anos na Ponte da Amizade com revólver .38 que nunca foi disparado em ninguém.
  • A ordenação de Osvaldir em dezembro de 2012 teve como primeira missa a celebração de sétimo dia do padrasto que faleceu dias antes.
  • A Pousada Bom Samaritano é uma obra terapêutica fundada pelo frei Moacir dos Frades Capuchinhos.
  • Confissões na Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro ocorrem todas as quartas de manhã das 8:30 às 11:30.
  • A educação é defendida como único jeito de mudar a sociedade, enquanto gritar machuca e não educa.

Perguntas respondidas neste episódio

Como era o trabalho de Osvaldir antes de entrar no seminário?

Osvaldir trabalhou quatro anos armado na Ponte da Amizade entre Brasil e Paraguai, prestando serviço para a Receita Federal, Detran e Sanepar com farda cinza, camisa branca, boné preto e revólver .38. Ele nunca disparou a arma em ninguém durante esse período.

O que aconteceu na noite anterior à ordenação de Osvaldir em 2012?

O padrasto de Osvaldir, que tinha vindo de São Paulo para participar da ordenação, sofreu um ataque cardíaco fulminante na noite de 2 de dezembro e morreu nos braços do enteado. A primeira missa de Osvaldir, realizada no dia 9 de dezembro, foi convertida na missa de sétimo dia do padrasto.

Como funcionam as atividades na Área Missionária de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro?

A missa é celebrada aos domingos às 8:30, e as confissões ocorrem todas as quartas de manhã das 8:30 às 11:30. O padre Osvaldir atende essa comunidade junto com o padre Gilmar e o clérigo Luís Carlos.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.