No episódio #254 do AdamiCast, em 27 de setembro de 2023, a artesã Vanda Maria Meireles, de Dracena, contou a história que começa com ela nascendo em Herculândia (criada até os 13 anos na região de Tupã, filha única dos pais biológicos, e depois filha da “tia Jó” e do “tio”, os pais adotivos que ela considera os pais do coração), e que mudou pra Rondonópolis (MT) com 15 anos junto com os pais adotivos (a tia Jó pôs o primeiro pincel na mão dela), e que voltou pra região e se instalou em Dracena aos 17 anos (chegou em setembro, em fevereiro já tava trabalhando com 18), e que começou pintando guardanapos (flores e frutas) por encomenda, e que a casa foi virando ateliê (chegou a ter 60 alunas dando aula de manhã, tarde e noite), e que a pintura em porcelana entrou na vida (com cursos no Senac, na Aba, com a Téo, com a Cecília, com a Beth, com a Denise), e que ela abriu o próprio ateliê (que atende toda a região, com alunas em Tupi Paulista, em Pacaembu, em Junqueirópolis, e alunas de mais de 30 anos de curso), e que na pandemia os vasos com suculentas e a área de jardim salvaram o ateliê (aumento de 75% nas pesquisas de decoração, e ela vendia a peça com a plantinha dentro), e que o trabalho mais desafiador da carreira foi a Via Sacra da igreja de Pacaembu (15 peças, técnica que ela não praticava, 2 semanas de entrega), e que ela foi mãe solo, criou a filha, e a filha hoje dá aula junto com ela, e que o próximo desafio é aprender a pintar animais na porcelana (depois do workshop do Felipe Pereira em Andradina), e que a frase que ela mais repete é que “você nunca pode dizer que sabe tudo, porque quem acha que sabe tudo cai na mediocridade”, e a frase que ela mais gosta é a da Cora Coralina, “felizes aquele que ensina o que sabe e aprende com que ensina”.
Da Herculândia, da “tia Jó” que pôs o pincel na mão dela com 15 anos, da ida pra Rondonópolis (MT), e da vinda pra Dracena aos 17 anos
A Vanda, lembra ela, nasceu em Herculândia, cresceu até os 13 anos na região de Tupã, é filha única dos pais biológicos, e aos 12 anos foi morar com os segundos pais (a “tia Jó” e o “tio”), que ela considera os pais do coração, e que a criaram com muito amor, e segundo ela, “a tia Jó era uma mãe pra mim, a gente se dava super bem, e ela foi a pessoa que me apresentou a pintura, e foi a pessoa que me ensinou, e ela me levava pra fazer artesanato, e eu não desenhava nada, não fazia nada, e ela falou “Vanda, vamos pintar”, e me ensinou a pintar tecido, e eu comecei a pintar toalhas de mesa, e foi a tia Jó que pôs o pincel na minha mão com 15 anos de idade, e eu nunca mais tirei”, e ela lembra que os pais biológicos são vivos até hoje (com 70 e 90 anos), que os pais adotivos ela perdeu (a tia Jó faleceu com 100 anos, o tio com 81), e que ela nunca deixou de pintar (literalmente nunca mais parou), e aos 15 anos a família mudou pra Rondonópolis (MT) (e o pai foi pra lá pra trabalhar na linha de produção de guaraná), e ela ficou 2 anos lá (frequentou a escola, e começou a vender uns quadrinhos no Centro de Tradições), e segundo ela, “a minha escola ficava no Centro de Tradições, e os professores tinham aquelas lojinhas, e o pessoal vendia artesanato, e eu olhava e pensava, meu Deus do céu, eu sei fazer isso, e aí comecei a vender, e a professora de educação artística me chamava pra fazer o cenário de formatura, e eu fazia, e eu ganhava por aquilo, e foi ali que eu comecei a ganhar dinheiro com a pintura”, e em Rondonópolis foi a virada de chave (a tia Jó pôs o pincel na mão dela, e o cenário de formatura deu o ponta-pé inicial), e aos 17 anos ela voltou pra região, se instalou em Dracena (chegou em setembro), e segundo ela, “cheguei aqui com 17 anos em setembro, e em fevereiro eu já tava com 18, e já comecei a trabalhar, e foi ali que começou uma coisa a crescer, crescer, crescer, e já comecei com a minha profissão, e olha, se não tivesse passado esse tempinho em Rondonópolis, talvez não tivesse profissão, e tinha que ir lá, porque foram só dois anos, mas foi uma passagem mesmo, acho que foi só pra buscar um aprendizado, e quando veio, eu mudei de chave de tecido pra tela”, e foi assim que começou a história da Vanda em Dracena, com 18 anos, e com o pincel que a tia Jó tinha posto na mão dela.
Do ateliê que começou na cozinha, das 60 alunas dando aula de manhã tarde e noite, e da frase “você nunca pode dizer que sabe tudo”
Quando chegou em Dracena, lembra ela, ela começou a pintar guardanapos (flores e frutas, era a especialidade da época, e ela vendia muito por encomenda), e a casa foi virando ateliê (a cozinha virou espaço de produção, e a sala virou sala de aula, e os quartos viraram depósito de material), e segundo ela, “eu comecei a pintar guardanapos, e fazia muito todo dia, e fazia flores, flores e frutas, e fazia muita coisa, e ganhava dinheiro com esse negócio, e aí começou a aparecer gente interessada em aprender, e eu comecei com 2 alunas, depois 5, depois 10, depois 15, depois 20, e cheguei até 60 alunas dando aula todos os dias de manhã, tarde e noite, e o foco virou pra aula, e a produção deu uma baixada porque não tinha tempo, mas ainda fazia e pegava encomendas”, e o detalhe é que ela tinha alunas de 17, 18, 20, 30 anos, e ela lembra com carinho, “eu tenho alunas de 30 e poucos anos de curso, gente, não vem cá, eu acho que virou terapia, porque cria um vínculo de amizade, e cada uma chega com a xícara, com o negócio do bar no braço pra beber, e é uma amizade, e uma coisa, e eu tenho 3-4 alunas dessa época que tão comigo até hoje, e já são mais de 30 anos”, e a frase que ela mais repete pras alunas, segundo ela, é a da Cora Coralina, “felizes aquele que ensina o que sabe e aprende com que ensina”, e a outra frase que ela vive repetindo é “você nunca pode dizer que sabe tudo, porque quem acha que sabe tudo cai na mediocridade, e acaba não aprendendo mais nada, e não se abre pras coisas, e não enxerga mais nada, e acha que ele já sabe, e o dom da razão, e ele já é o dono”, e essa frase, segundo ela, é o que mantém ela de pé até hoje (porque mesmo com 44 anos de ofício, ela ainda se permite não saber, e ainda vai atrás de curso, e ainda aprende com alunas e com artistas novos).
Da pintura em porcelana (com ouro e prata), da “limpeza é a cereja do bolo” antes da queima, e do forno a 4h30-5h30
A virada pra porcelana, lembra ela, veio depois dos tecidos, e ela foi fazer curso no Senac, e curso na Aba, e curso com a Téo, e curso com a Cecília, e curso com a Beth, e curso com a Denise, e segundo ela, “a porcelana é uma coisa muito delicada, muito fina, e a gente trabalha com ouro e prata sobre porcelana, e o ouro e a prata, se você não limpar bem, finalizar a limpeza, na hora que queimar ele vai produzir uma mancha roxa, e aquela mancha roxa não vai sair dali, e vai perder a peça, e você pega a peça bonita, olha, e vira a bordinha atrás, tá com a mancha roxa, tá com o risco roxo, e a flor atrás não combina, e não vira, e a limpeza tem que limpar, e eu falo não tenha dó de algodão, não tenha dó do álcool, limpa a peça, a cereja do bolo tem que tá bonitinho, o trabalho tem que ser limpo, e o problema não é a gente saber que durante a manuseia pode acontecer, mas sim verificar, e a peça às vezes, olha, quantas vezes, às vezes vou fazer forno, e a hora que eu vou enfiar a peça na prateleira pra queima, falo, nossa, tem uma mancha vermelha aqui, e volta com a peça, leva na mesa, limpa a peça, porque tem que tá limpo, e aí você pega o negócio, e às vezes tá lá com aquela mancha, uma sujeira, uma marca de dedo, e queimou, não sai mais, e não tem volta”, e o detalhe é que a peça é guardada no armário pra ninguém ficar pondo a mão, e mesmo assim, segundo ela, “a gente sempre dá uma passada de olho, porque pode ter acontecido alguma coisa, sim, porque até no último minuto dá aquele produzir na barriga, dá, tem que conferir tudo, e tem que conferir no forno, e tem que conferir depois que sair”, e o forno dela, segundo ela, é especial, e ela faz a queima em 4h30 a 5h30, e ela é considerada a “louca do forno” pelas amigas, porque consegue queimar em 4 horas uma peça que o povo leva 6-7 horas, e segundo ela, “eu faço queima de 4h30 a 5h30, eu consigo queimar em 4 horas uma coisa que o povo leva queima em 6-7 horas, e é porque forno de porcelana, de cerâmica, cada um trabalha com seu forno ao seu modo, e lógico que eles têm uma tabela de queima, mas você tem o seu esquema de queima que dá certo pra você, dá certo pra mim, de repente não dá pra você, e vai do material que você usa, da marca, da potência do forno”, e é esse cuidado com a limpeza, com a peça, com o forno, que faz o trabalho dela ser referência na região.
Da pandemia, dos vasos com suculentas que “salvaram” o ateliê, e do aumento de 75% nas pesquisas de decoração
A pandemia, lembra ela, foi o momento mais difícil (e mais transformador) do ateliê, e segundo ela, “veio a pandemia, e eu pensei, gente, o que eu faço, ninguém vem, ninguém entrega, as lojas não têm, ninguém entrega, e eu falei, nossa, se tivesse, eu ia dormir 2 da manhã mesmo, e o pessoal começou a ficar muito tempo dentro de casa, e passava pela minha casa, e passava aquela parede todo dia, mas hora que você tem que ficar dentro de casa encarando ela, isso você acaba querendo mudar alguma coisa”, e o detalhe é que a casa dela tem um portão vazado, e os vizinhos viam os vasinhos na parede com suculentas, e olhavam pela grade, e diziam “olha lá, pela vitrina, vê minha parede lá, iluminada, vê o vaso, vê o prato na parede, no jardim, ah eu quero, é chourum, se deixar leva aquele almotivo da parede”, e ela começou a vender os vasos pintados com suculentas dentro, e ensinava a plantar, ensinava a fazer o substrato, ensinava a fazer a mistura dela, e segundo ela, “eu ensinava a plantar, ensinava a fazer o substrato, fazer a minha mistura de substrato, e plantar, e quando eu vi já tava vendendo o prato, o vaso plantado, e vendi tudo, e vendia muito, a área de jardim foi o que segurou o ateliê na pandemia”, e o dado que ela lembra com clareza é que “a área de decoração aumentou em 75% nas pesquisas pelo menos, e o pessoal realmente comprou muito, e isso é prova viva, porque você trabalha com isso, e eu senti isso, e o material tava em falta, e era muito mais caro, e eu ficava sozinha no ateliê, e rendia o dia inteiro, e ninguém podia entrar, e às vezes a gente insistia, e eu falava, não pode, você passa um fiscal, vai dar problema, e a gente punha uma cortina, e a gente perdia venda, mas tinha que deixar passar na frente, e vendi muita área de jardim, e ainda vendo, e vende muito no ateliê, porque agora as pessoas vão visitar, e vê quem fez, e vê, e não tem quem não gosta, e os números, fiz isso outra coisa que eu fiz muito, números de casa, pandemia foi vasos, a parte de jardinagem, os números de casa, todo mundo reformou as casas”, e foi assim que a pandemia, em vez de fechar o ateliê, abriu uma frente nova (a de jardim), que virou carro-chefe.
Da Via Sacra da igreja de Pacaembu (15 peças, técnica nova, 2 semanas), do workshop do Felipe Pereira em Andradina, e da vontade de aprender a pintar animais na porcelana
O trabalho mais desafiador da carreira dela, segundo ela, foi a Via Sacra da igreja de Pacaembu, e segundo ela, “eu acho que não foi pela complexidade, mas pelo volume, eu diria que foi a Via Sacra, foram 15 peças, e foi no sentido porque muda de técnica, e volume de serviço com pouco tempo, e foi uma técnica que não é que não tirou você da zona de conforto, mas que você não praticava, e desafiadora é bacana, e a gente é isso mesmo, sair da zona de conforto, e isso é bom, e eu acho que eu ganhei muita experiência com isso, somado com bastante coisa, e às vezes a gente tira ideias, e a gente vê “nossa, eu sou capaz de fazer isso também nesse prazo”, e nesse prazo também”, e ela lembra que a entrega foi em 2 semanas, e que ela precisou ralar muito, e que o resultado foi dos mais bonitos que ela já fez, e o próximo desafio, segundo ela, é aprender a pintar animais na porcelana, e o gatilho foi o workshop do Felipe Pereira (um artista radicado em Portugal) em Andradina, e segundo ela, “em julho, acho que foi em julho, teve o Felipe Pereira, um artista que hoje mora em Portugal, radicado em Portugal, e ele veio aqui em Andradina dar um workshop de pintura de animal sobre porcelana, e era uma coisa, menina, era uma coisa assim, você foi lá, e era só pra assistir, não era oficina pra gente fazer, era só demonstração, e era uma coisa assim, espetacular, e parecia que o bicho ele pintou uma onça, gente, parecia que o bicho, você pegou a foto e colou na porcelana, que a vida, negócio, e a gente viu o homem fazendo pincelada, pincelada, do desenho, a pincelada, e o final, nossa, uma coisa assim, e eu falei, meu Deus do céu, eu vou ter que fazer isso aí, e você já corre e compra o pincel, porque o pincel pra fazer aquele negócio é o próximo desafio, e é esse”, e a ansiedade dela com esse novo desafio, segundo ela, é grande, “eu tô assim ansiosa, porque é uma coisa que você tem que se dedicar, você tem que sentar, tá ali, e fazer, e preparar a maleta de tinta, as coisas, e uma aluna falou que eu tenho toque de paleta, porque a minha paleta tem que tá aqui nessa posição, limpinha, arrumadinha, eu achei super organizado, e tem que tá ali, e eu já sento, e já limpo tudo, e já observei sua paleta é aqui, seus pincéis aqui, seu tecidinho aqui, tudo assim, é uma bagunça organizada, e tem que tá naquela ordem, só faltou rotina pra trabalho, e tem que ter, porque chega ali, eu quero chegar, e você fala, bom dia”, e é com essa ansiedade de aprender, com essa disciplina de limpar, e com essa coragem de pegar encomenda difícil, que a Vanda segue 44 anos depois de o pincel ter sido posto na mão dela.
Da filha que dá aula junto, das alunas em Tupi Paulista e Pacaembu, da frase da Cora Coralina, e do “prazer enorme de conversar com vocês”
Hoje, lembra ela, a filha dela dá aula junto com ela no ateliê, e a neta também já está aprendendo, e segundo ela, “minha filha segue em frente com o trabalho, com muita aula, com os alunos, ensinando, aprendendo, e quanto mais a gente ensina, mais a gente aprende”, e o ateliê atende a região inteira (Dracena, Tupi Paulista, Pacaembu, Junqueirópolis, Panorama, com alunas que vieram de Tupi Paulista e de Pacaembu, e que viraram professoras, e que hoje têm atelier próprio), e a frase que ela mais gosta, e que repete pras alunas, é a da Cora Coralina, “felizes aquele que ensina o que sabe, e aprende com que ensina”, e o detalhe é que ela aplica a frase no avesso também, porque ela mesma vai atrás de curso (de professora nova, de artista novo, de workshop novo), e segundo ela, “às vezes você vai num workshop, e fala, ai, mas que você vai fazer lá, você já sabe fazer isso, mas às vezes uma pincelada diferente daquele artista já te abre um leque pra outra coisa, e aí você fala, olha isso aqui eu não fazia assim, vamos testar, e aí você descobre outra coisa, e depois você faz de acordo com a sua personalidade ali na pintura, e você tá ali aprendendo, e a técnica é muito próprio, a maneira de que cada um faz, e isso cada um faz de um jeito, tanto que você quando olha num trabalho, você já é capaz de olhar, e você fala, esse é pintura de fulana, antes de ver assinatura, você já identifica”, e essa assinatura que ela deixa em cada peça, segundo ela, é o que a Vanda chama de “toque”, e segundo ela, “cada peça tem o meu toque, e o toque da aluna tem o toque dela, e quando você vê a peça, você sabe de quem é, e quando a peça tá ali, e você não tem o nome, e o pessoal pergunta, e eu sei de quem é, e isso é o que a Cora Coralina quis dizer, que a gente aprende ensinando, e que a gente ensina aprendendo”, e foi com esse aprendizado, e com esse ensinamento, que a Vanda passou os últimos 44 anos pincelando Dracena inteira, e o fechamento do bate-papo, segundo ela, foi um presente, “eu só tenho que agradecer ter vindo aqui bater um papo com vocês, e que o prazer é meu, e estar com vocês, nada, o prazer é tudo nosso, e foi uma delícia o bate-papo, e super tranquilo, e espero que tenha gostado, e que tenha sentido a vontade, e a gente ficou muito feliz de trazer você aqui, e registrar um pedacinho da sua história, e 44 anos a gente não consegue resumir, é muita coisa, e fica feliz de ter registrado um pouquinho dessa sua trajetória”, e a resposta dela, segundo ela, foi de gratidão, “eu que agradeço, e foi um prazer enorme conversar com vocês, e muito obrigada por essa oportunidade de falar do meu trabalho, de contar a minha história, e estamos aí, com muita aula, com os alunos, ensinando, aprendendo, e certeza, quanto mais a gente ensina, mais a gente aprende, e aprende né”.
Onde encontrar
A Vanda Maria Meireles atende como artesã em Dracena, SP, com ateliê próprio na cidade (que também é escola, com aulas pra todas as idades, e que produz peças personalizadas de porcelana, tecido, tela, e jardim), e o trabalho dela cobre toda a região (Dracena, Tupi Paulista, Pacaembu, Junqueirópolis, Panorama), e a história começa com ela nascendo em Herculândia, e sendo criada até os 13 anos na região de Tupã, e indo morar com os pais adotivos (a “tia Jó” e o “tio”), e a tia Jó foi quem pôs o primeiro pincel na mão dela aos 15 anos (e ela nunca mais parou de pintar), e a mudança pra Rondonópolis (MT) com 15 anos abriu a porta da venda (a professora de educação artística a chamava pra fazer cenário de formatura, e ela começou a ganhar dinheiro com a pintura), e a vinda pra Dracena aos 17 anos consolidou a carreira (chegou em setembro, em fevereiro já tava trabalhando com 18, e começou pintando guardanapos, e a casa foi virando ateliê, e chegou a ter 60 alunas dando aula de manhã, tarde e noite), e a pintura em porcelana entrou com os cursos (no Senac, na Aba, com a Téo, com a Cecília, com a Beth, com a Denise), e a limpeza da peça antes da queima virou marca registrada (porque mancha de dedo, ou sujeira, viram mancha roxa no ouro e na prata, e não tem volta), e o forno dela faz a queima em 4h30 a 5h30 (e ela é considerada a “louca do forno” pelas amigas, porque consegue queimar em 4 horas uma peça que o povo leva 6-7), e a pandemia foi transformada (os vasos com suculentas e a área de jardim salvaram o ateliê, com aumento de 75% nas pesquisas de decoração, e ela vendia a peça com a plantinha dentro, e ensinava a plantar, e ensinava a fazer o substrato), e o trabalho mais desafiador foi a Via Sacra da igreja de Pacaembu (15 peças, técnica nova, 2 semanas de entrega, e foi o que mais tirou ela da zona de conforto), e o próximo desafio é aprender a pintar animais na porcelana (depois do workshop do Felipe Pereira em Andradina, em que ela viu uma onça pintada com pincelada que parecia foto colada na porcelana), e ela é mãe solo, criou a filha, e a filha hoje dá aula junto com ela no ateliê, e a neta também está aprendendo, e a frase que ela mais repete é “você nunca pode dizer que sabe tudo, porque quem acha que sabe tudo cai na mediocridade”, e a frase que ela mais gosta é a da Cora Coralina, “felizes aquele que ensina o que sabe, e aprende com que ensina”, e ela atende por Instagram (@meirelesdartes) e por Facebook (/vanda.meirelesdartes), e o ateliê funciona com hora marcada, e ela também faz peça sob encomenda (vasos pintados, pratos, painéis, presente personalizado, decoração de casa, jardim, e peça religiosa).
Resumo do episódio
Vanda Maria Meireles começou a pintar aos 15 anos quando a tia Jó pôs o pincel na mão dela em Rondonópolis (MT), vendeu seus primeiros trabalhos em escolas locais, retornou a Dracena aos 17 anos e transformou sua casa em ateliê com até 60 alunas simultâneas. Ao longo de 44 anos, especializou-se em pintura em porcelana com ouro e prata, desenvolveu técnicas próprias de limpeza e queima, adaptou-se à pandemia criando uma linha de vasos com suculentas que salvou o negócio, e mantém uma postura contínua de aprendizado que aplica em seus desafios profissionais.
Principais aprendizados
- A pintura em porcelana com ouro e prata exige limpeza rigorosa antes da queima, pois qualquer resíduo produz mancha roxa que não sai mais da peça.
- A frase 'você nunca pode dizer que sabe tudo, porque quem acha que sabe tudo cai na mediocridade' é o que mantém um profissional em constante evolução mesmo após décadas de ofício.
- Durante a pandemia, produtos de decoração e jardim tiveram aumento de 75% nas pesquisas, permitindo que ateliês se reinventem com novos nichos de mercado.
- Cada artista tem um 'toque' próprio na pintura que identifica seu trabalho antes mesmo de ver a assinatura, fruto da personalidade e técnica individual.
- A mudança de ambiente ou desafio técnico novo, embora fora da zona de conforto, gera experiência e abre possibilidades antes não exploradas.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a queima de porcelana pintada com ouro e prata?
A queima ocorre em forno especial, com tempo variável conforme o equipamento e o artista. Vanda realiza o processo em 4h30 a 5h30, enquanto outros levam 6 a 7 horas. A temperatura e a curva de queima dependem da marca do material, potência do forno e método próprio desenvolvido por cada profissional.
Por que a limpeza é tão importante na pintura em porcelana com metais preciosos?
Ouro e prata produzem mancha roxa indelével se não forem limpos adequadamente antes da queima. Uma marca de dedo, sujeira ou resíduo queimado na peça não pode ser removido depois, arruinando o trabalho. Por isso é preciso revisar múltiplas vezes até o último instante antes do forno.
Como a pandemia impactou o mercado de decoração e itens de jardim?
As pesquisas por produtos de decoração aumentaram 75% durante a pandemia. As pessoas passavam mais tempo em casa e queriam reformar ambientes. Vasos pintados com suculentas plantadas dentro se tornaram muito procurados, pois os clientes aprendiam também como fazer o plantio e o substrato.
Qual foi o trabalho mais desafiador da carreira de Vanda?
A Via Sacra da Igreja de Pacaembu, composta por 15 peças em técnica não praticada rotineiramente, com prazo de apenas 2 semanas para entrega. O desafio não foi apenas pela complexidade, mas pelo volume de trabalho em pouco tempo, o que a tirou da zona de conforto e gerou experiência significativa.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.