Lu Andrade não planejou virar cabeleireira. Ela queria ser enfermeira e morava num bairro afastado de Presidente Prudente quando um vento forte jogou um jornal no seu colo, aberto exatamente na página do curso de cabeleireiro do Senac. Esse episódio, que ela conta com encanto ainda hoje, virou o marco zero de uma trajetória de mais de 42 anos no mundo da beleza, construída com fé, dedicação e muita tesoura.
No episódio #474 do AdamiCast, Lu e a filha Priscila Pontes, parceira de trabalho e co-dona do LP Espelho Meu Salão de Beleza em Dracena, sentam com Pedro e Mariana para contar como esse negócio familiar foi crescendo, errando, se reinventando e, finalmente, ganhando um prédio próprio. Uma conversa cheia de histórias reais, de noivas, de cabelo verde, de câncer e de fé.
Da Vila Nova de Presidente Prudente ao Senac que mudou tudo
Sentada na calçada de casa, Lu Andrade recebeu literalmente um sinal do destino: um jornal voando no vento pousou no seu colo com o anúncio de um curso de cabeleireiro no Senac de Presidente Prudente. Ela foi até lá, entrou no salão-escola só para dar uma olhada, e saiu já com a inscrição feita. O curso durou dois anos e oito meses, de segunda a sábado até as 17h30, tudo isso com a pequena Priscila recém-nascida em casa, deixada aos cuidados de vizinhas enquanto Lu pegava a circular e ia aprender o ofício.
Ela começou praticando aos domingos no cabelo das amigas, fazendo trocas: cuidava das filhas das vizinhas em troca de uma cobaia para o corte. Quando terminou o curso, foi trabalhar no salão do sindicato do comércio em Presidente Prudente, ficou cinco anos lá, depois abriu o próprio salão na cidade. Mais tarde, uma separação a trouxe de volta a Dracena, sua terra natal. O que parecia uma virada difícil abriu uma porta nova.
Dracena, a clientela de 30 anos e os primeiros cortes
Ao retornar a Dracena, Lu foi trabalhar com outras profissionais até ter condições de montar seu próprio espaço. Priscila cresceu dentro do salão, literalmente, porque moravam no mesmo espaço onde a mãe atendia. Aos 15 anos, enquanto a mãe viajava para fazer cursos em São Paulo e Ribeirão Preto, Priscila já ficava atendendo a clientela. A primeira experiência sozinha foi uma escova que durou três horas em um cabelo bem crespo, na época em que não havia progressiva e tudo era feito no muque. A cliente gostou tanto que pediu para nunca mais mudar de cabeleireira.
Tem cliente que frequenta o LP Espelho Meu há quase 30 anos. Uma delas, que a mãe atendia desde bebê, hoje já leva a própria filha para o primeiro corte com Lu, criando uma cadeia afetiva de três gerações. Essa lealdade, dizem as duas, vem de uma combinação simples: tratar bem, usar bons produtos e nunca parar de aprender.
O LP Espelho Meu e a conquista do prédio próprio
A sigla LP une as iniciais de Lu e Priscila, e o “Espelho Meu” é uma referência direta ao universo da beleza, aquele espelho que cada cliente enfrenta na cadeira antes e depois do serviço. Hoje o salão funciona de terça a sábado, com agenda cheia e espaço próprio que as duas construíram. Para Lu, ver as portas do prédio abrirem pela primeira vez foi como um filme passando na cabeça, cheio de gratidão pela mãe que a criou sozinha com outros dois filhos e que sempre a incentivou a ir em frente.
Empreender vai muito além de cortar e pintar bem, elas deixam isso claro. Gestão de estoque, precificação, agenda, relacionamento com clientes de última hora, tudo isso faz parte do dia a dia. Elas abrem o salão com uma oração e fecham da mesma forma, não importa o horário. Priscila chegou a fazer a faculdade de enfermagem por pressão da avó, mas desmaiou dentro do hospital durante o estágio e confirmou o que sempre soube: o lugar dela é no salão, não na Santa Casa.
Beleza com técnica: colorimetria, terapia capilar e visagismo
Acompanhar as tendências é ao mesmo tempo a graça e o desafio do ramo. Hoje, se uma influenciadora pinta o cabelo de manhã, à tarde as clientes já chegam pedindo a mesma cor. Lu e Priscila explicam que nem sempre o que está na moda é o ideal para cada fio ou para cada tom de pele, e é aí que entra o visagismo, técnica que Priscila estudou recentemente para ajudar a indicar a coloração mais favorável para o rosto de cada cliente.
Priscila é especialista em alisamentos, enquanto Lu tem a mão para os cachos, e essa divisão natural criou dois perfis de clientes dentro do mesmo salão. Para queda de cabelo, elas oferecem sessões de terapia capilar, começando pela desinflação do couro cabeludo antes de qualquer tratamento. A dica que dão às clientes que usam medicamentos para emagrecer é clara: não esperar a queda para tratar, mas iniciar o fortalecimento do folículo enquanto o processo ainda está acontecendo.
Histórias que ficam: noivas, câncer e uma rosa na missa
O salão de beleza é um espaço de confiança, e ao longo de 42 anos muita coisa fica gravada na memória. Uma cliente chegou para raspar o cabelo durante o tratamento de câncer. Lu tentou segurar as lágrimas, mas não conseguiu. A cliente, por sua vez, ficou animada na cadeira dizendo que ia ser curada e que o cabelo ia nascer de novo. Anos depois, ela se casou, e foram Lu e Priscila que arrumaram a noiva.
Lu também conta sobre um episódio numa missa de Nossa Senhora de Fátima, quando deu uma rosa a uma cliente que parecia triste. Semanas depois, a cliente voltou para contar que naquele dia estava pedindo a Deus uma confirmação para abrir o próprio negócio, e a rosa chegou como resposta. Histórias assim mostram que o salão, para muita gente, é muito mais do que um lugar de cortar cabelo.
Onde encontrar
Priscila Pontes e Lu Andrade atendem no LP Espelho Meu Salão de Beleza, em Dracena, SP. Siga o perfil delas no Instagram para agendar e ver as transformações: @lpespelhomeu.
Resumo do episódio
Lu Andrade descobriu a profissão de cabeleireira por acaso quando um jornal voado caiu no seu colo anunciando um curso do Senac, iniciando uma trajetória de mais de 42 anos. Junto com a filha Priscila, construiu o LP Espelho Meu Salão de Beleza em Dracena, conquistando clientes fiéis por décadas e um prédio próprio através de dedicação, bons produtos e aprendizado contínuo. O episódio revela como empreender na beleza envolve gestão, visagismo, terapia capilar e criar um espaço de confiança além dos serviços técnicos.
Principais aprendizados
- A lealdade de clientes vem de tratar bem, usar bons produtos e nunca parar de aprender.
- Empreender em beleza vai além de técnica, incluindo gestão de estoque, precificação, agenda e relacionamento com clientes.
- Nem toda tendência de moda é adequada para cada tipo de fio ou tom de pele, exigindo conhecimento de visagismo.
- Clientes em queda de cabelo por medicamentos devem iniciar fortalecimento do folículo durante o processo, não após a queda.
- Um salão de beleza funciona como espaço de confiança onde histórias pessoais e momentos significativos são compartilhados.
Perguntas respondidas neste episódio
Como Lu Andrade começou na profissão de cabeleireira?
Lu recebeu um jornal voando ao vento que caiu no seu colo com o anúncio de um curso de cabeleireiro no Senac de Presidente Prudente. Ela compareceu para apenas olhar, mas saiu já inscrita. O curso durou dois anos e oito meses, de segunda a sábado até as 17h30.
Como é feita a colorimetria e o visagismo no salão?
A colorimetria usa técnicas como o visagismo para indicar qual cor é mais favorável para cada tom de pele e tipo de rosto. Nem sempre a tendência moda é ideal para o fio ou para a pele, sendo necessário esse conhecimento técnico para orientar a cliente na escolha mais adequada.
Qual é a dica para quem usa medicamentos para emagrecer e sofre queda de cabelo?
A orientação é não esperar a queda de cabelo começar para tratar, mas iniciar o fortalecimento do folículo capilar enquanto o processo de emagrecimento ainda está acontecendo, através de terapia capilar que inclui desinflação do couro cabeludo.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.