No episódio #257 do AdamiCast, em 5 de outubro de 2023, a Cabeleireira e Maquiadora Claudia Batista, de Dracena, contou a história que começa com ela nascendo em Dracena (e o dom artístico que veio de família, o irmão engenheiro, a irmã Nadir que faz artes plásticas, a mãe que também tem o dom), e que ela sempre quis mexer com cabelo (desde pequenininha, e a mãe fala que ela gostava de ganhar boneca com cabelo porque queria cortar, e ela cortava o cabelo das amigas em mecha, e a mãe falava “os pais delas vão te matar”, e ela respondia “vão nada, elas que pedem, e eu fazia direitinho”), e que o início profissional foi quando ela casou e foi morar em Presidente Prudente (e teve a filha Lívia, e ela trabalhava no shopping durante o dia, e à noite fez o cursinho do Senac de 2 anos, e a Lívia pequenininha ficava com a avó), e que no Senac ela conheceu a Terê (que tem salão enorme em Prudente, e que na época tinha 10 funcionários, e que depois de dar o curso de penteado falou “eu quero você na minha equipe”), e que ela voltou pra Dracena (e ficou com aquele quilinho), e que uma médica que tava no salão uma vez falou pra ela “não faça isso com a tua família, não monta salão, não, não faz isso com a tua família, é muito puxado”), e que ela resolveu vender roupa infantil (Best Friends, e vendia em casa, e era um perrengue, e ela saía de casa com a Lívia no colo, e ia a pé levar condicional), e que quando se separou ela voltou pro salão (porque as pessoas começaram a ir em casa pra arrumar, e ela arrumou noiva na cadeira da cozinha, e enxaguou permanente no tanque), e que ela trabalhou 18 horas por dia, dormia 1h30-2h por noite, era um zumbi, e a filha Lívia com 9 anos já foi no médico sozinha (no oculista sozinha, e ela já chegou na apresentação do Dia das Mães com 1 hora de atraso porque tava fazendo a mãe de alguém), e que ela fez mais de 1000 noivas antes da pandemia, e que o jeito dela de tratar a noiva é como se fosse a única (e segundo ela, “pode ser a milésima pra gente, mas pra ela é o dia dela, é o único dia pra ela ser noiva, pode até não dar certo casar de novo, mas aquele é único, e a gente tem que tratar como se fosse também único pra gente, porque a noiva tem que se sentir única”), e que no dia que o melhor amigo morreu de câncer no hospital (e o Pastor Jetro chegou lá e falou pra ela “vai filha, porque elas não têm culpa”), ela fez 2 noivas (e não perceberam nada, e quando foi 1 da tarde ele faleceu, e ela foi pro velório chorar), e que a pandemia mudou tudo (e ela teve o 1o sábado livre da vida, e quase parou de fazer noiva, e quase desistiu, e ligou depois pra noiva que tinha recusado pra voltar a fazer, e a noiva ficou toda feliz, e hoje ela tá num ritmo mais tranquilo, e a filha Lívia casou, formou, e ela pode se dar alguns luxos), e que ela trabalha com a equipe dela (a Ever, a Bia, e a Lívia freelancer de sábado que é muito parceira), e que o dom dela é de família, e que a única opção seria ser cabeleireira mesmo (a segunda opção também é cabeleireira), e que o Instagram dela é (@eu.claudiabatista).
Da infância cortando cabelo de boneca e das amigas, do aviso da mãe “os pais vão te matar”, e do dom artístico que veio de família
A Claudia, lembra ela, é de Dracena, e o dom artístico veio de família, e segundo ela, “o meu dom é de família também, porque todo mundo tem esse dom artístico, o meu irmão era engenheiro, a minha irmã ela desenhava muito, fez artes plásticas antes de tudo, a Nadir, ela tem um dom muito grande com coisas de manual, e a minha mãe tem, então isso vem de família”, e ela lembra que desde pequenininha ela já queria mexer com cabelo, e segundo ela, “minha mãe fala que eu gostava de ganhar boneca com cabelo, porque eu queria cortar, cortava o cabelo, acabava a graça, não gostava muito de brincar com boneca”, e ela começou a cortar cabelo de gente de verdade com 11 anos, e segundo ela, “eu já cortava o cabelo delas em mecha, e a minha mãe falava, Cláudia, pais delas vão te matar, vão aparecer aqui em casa, e eu falava, vão nada, elas que pedem, e eu fazia direitinho, nunca doidura não, mais ou menos, e já tinha um dom”, e a mãe dela tinha um medo, e segundo ela, “a minha mãe tinha medo porque a pessoa podia ficar careca, e ela tinha razão, porque mecha marida às vezes a pessoa podia pegar o cabelo e sair quebrando tudinho, dependendo derreter, resumindo a pessoa podia ficar careca, e aí tem que entender o grau”, e ela lembra de uma amiga, a Flávia (que hoje é gerente do SEC), e segundo ela, “a Flávia ela é gerente do SEC hoje, e ela vê que eu já tinha o salão, e me deu uma no meu salão, gente, e eu tinha acabado de montar o salão, que medo, e aí eu passei a tinta nela, e era um loiro, porque ela não queria que puxasse pro dourado, e eu não sei qual foi a mistura que eu fiz, eu sei que ela ficou cor de rosa, caramba, e hoje ela tá lá né, graças a Deus, e eu falo assim que tem muitas pessoas que eu tenho gratidão eterna, e uma delas é a Flávia, porque naquela hora eu saí correndo, e ela é minha amiga desde sempre, minha amiga irmã, e eu dormia na casa dela, aquela coisa gostosa, a gente se conhece no olhar, e aí eu falava assim, ai, graças a Deus que foi com você, e ela assim, como assim, graças a Deus que foi comigo, e depois dessa amizade não acabou, e ela continua confiando, e tem essas coisas, e assim o meu começo não tem como falar, não dá pra falar assim, olha, eu comecei porque aí, profissionalmente, foi quando eu casei e fui morar em Prudente”.
Do casamento, da mudança pra Prudente, do cursinho do Senac à noite, da filha Lívia que era pequenininha, e da Terê que falou “eu quero você na minha equipe”
Quando ela casou, lembra ela, ela foi morar em Presidente Prudente, e o início profissional foi lá, e segundo ela, “quando eu casei e fui morar em Prudente, aí eu tive a Lívia, e assim tinha um cursinho do Senac, e eu trabalhava no shopping durante o dia, e à noite eu fiz esse cursinho do Senac, e foi um tempo difícil porque a Lívia era muito pequenininha, e teve dias de eu chegar em casa porque eu saía de manhã e voltava 10 horas da noite, e a hora que eu chegava eu queria pegar ela no colo, e ela tipo fazia assim, sabe, tipo, nossa, como quem diz, você me abandonou, eu não te quero, e assim são coisas, todo começo é muito difícil, e a gente precisava muito naquele tempo, e aí eu fiz esse cursinho”, e o cursinho era de 2 anos no Senac, e no começo ela procurou um salão pra trabalhar, e segundo ela, “e aí eu conheci a Mazé, que é lá de Prudente, uma pessoa incrível, eu trabalhei com ela por um tempo, e aí eu tava ainda fazendo o cursinho, que era um cursinho de 2 anos no Senac, e aí a Terê, que tem salão lá em Prudente, você já ouviu falar, por um salão enorme, é muito grande mesmo, hoje ela atende num lugar que era uma agência bancária bem grande, e na época ela tinha 10 funcionários, que pra época era gigante, era gigante, e a hora que ela foi dar o curso era de penteado, e a hora que ela deu o curso ali ela olhou, e falou assim, eu quero você na minha equipe, e aí eu falei, Terê, nossa, já sabia o nome dela, falei, fui, tô indo”, e ela lembra que a Terê era uma referência em Prudente, e a equipe dela era grande, e a Claudia aprendeu muito com ela, e o cursinho do Senac foi a base técnica, e segundo ela, “a gente aprende muito com a prática, mas o curso dá a base, e o Senac é uma escola boa, e o professor que a gente teve era muito bom, e a gente aprendeu muito, e eu saí de lá com uma base boa, e aí eu fui pra Terê, e a Terê me ensinou muito, e eu aprendi muito com ela, e eu tenho gratidão por isso”, e a Terê foi a pessoa que abriu a porta pra ela no mercado, e a Claudia trabalhou com ela por um tempo, e depois voltou pra Dracena.
Da volta pra Dracena, da médica que disse “não faça isso com a tua família, não monta salão”, da venda de roupa infantil Best Friends, e da separação que trouxe ela de volta pro salão (com noiva na cadeira da cozinha e permanente no tanque)
Quando ela voltou pra Dracena, lembra ela, ela ficou com “aquele quilinho” (que é a dívida/pendura que ela tinha do começo do salão em Prudente), e uma médica que tava no salão uma vez deu um conselho que ela nunca esqueceu, e segundo ela, “teve uma médica que tava no meu salão, e ela falou assim, eu trabalhando em feriado ela falou, nossa Cláudia, nossa profissão é igual, né, e eu falei assim, doutora, só o conta bancária que é diferente, e pudesse cobrar da você também tem os seus plantões, né, diferente, e aí ela pegou e ela falou pra mim, ela falou assim, faz qualquer coisa minha filha, era pequenininha né, ela falou, faz qualquer coisa com a tua família, é de profissão, mas não monta salão, não, não faz isso com a tua família, ela falou isso pra mim, puxado, porque é muito puxado, ela falou, você é nova, provavelmente vai ter outros filhos, né, então não faça isso”, e ela lembra que essa médica tinha razão, e segundo ela, “eu vim pra Dracena, eu fiquei com aquele quilinho, eu comecei a lembrar da história dela, pensei na história de outras cabeleireiras que eu conhecia, e aí eu falei, ah, eu acho que eu não quero isso pra minha vida, mesmo não”, e ela resolveu mudar de ramo, e começou a vender roupa infantil (Best Friends), e segundo ela, “eu vendi em casa roupa infantil, e vendi, e me dei super bem, tinha uma marca lá chamada Best Friends, pensa que fazia um sucesso, olha só, vendia muito, só que era em casa, e era um perrengue, porque o meu marido saía com o carro pra trabalhar, e eu ficava vendendo essas roupas, e quando o pessoal não tava em casa, não ia em casa, eu pegava sacola, eu ia a pé levar a condicional, com a Lívia pequenininha, eu morava lá perto do Fórum, na Rua Argentina, e aí eu saía de lá, às vezes eu ia lá perto da Santa Casa, Nossa, aqui é longe, tá, gente, e a casa de clientes que eu tinha ali, e eu parava no prédio da minha mãe, deixava a Lívia, que ela era pequenininha, né, e continuava a pé, então foi uma vida, era uma vida bem difícil, bem puxada mesmo, puxada, mas aí eu peguei, aí foi onde eu separei”, e quando se separou, ela voltou pro salão (porque o salão não tinha saído dela), e segundo ela, “eu falei quer saber, o que eu gosto é salão, e as pessoas, eu deixei o salão, mas o salão não me deixou, e as pessoas começaram a ir em casa pra arrumar, então eu arrumei noiva na cadeira da cozinha, eu enxaguei na época permanente, né, que deixava os cabelos cacheadinhos, eu enxaguei permanente no tanque, então era umas coisas assim, e eu falei assim, quer saber, eu gosto de, não tem como fugir, né, salão eu gosto de mexer cabelo, maquiagem eu amo isso, e o que que eu vou ficar fazendo, eu gosto de roupa mas não é o meu amor, entendeu, o meu amor é cabelo, é maquiagem, é tá ali no contato com a pessoa, e você viu que o pessoal ia atrás, né, tipo assim, você saiu do salão, o salão não sai de você, não saiu, não saiu, porque lá em Prudente até tinham muitas pessoas daqui que iam no salão de Prudente, da Terê, já conhecia, e as outras que conheciam antes, né, quando eu era adolescente, né, então sabiam, né, que eu tava lá em Prudente trabalhando com isso”.
Do “trabalhei 18 horas por dia, dormia 1h30”, da filha Lívia indo sozinha ao médico com 9 anos, do “zumbi”, e do dom como serviço
Quando ela montou o salão de verdade, lembra ela, ela entrou num ritmo que era desumano, e segundo ela, “eu tive momentos de muito, muito glamor, muita doidura, muito, só que eu falo assim, as pessoas quando elas trabalham, elas têm que pensar muito, eu quero falar um pouquinho sobre isso, assim, porque eu trabalhava, tinha dia que eu trabalhava 18 horas por dia, eu dormia 1h30, duas por noite, eu vivia assim, né, um zumbi, né, é muito, trabalhava muito, e aí eu deixava a minha filha com 9 anos já foi no médico sozinha, no oculista sozinha, eu já cheguei na apresentação do Dia das Mães tava atrasada, eu tinha chegado atrasada, eu tinha me arrumado correndo, e o marido da outra mãe falou, onde tá a Cláudia, e eu falei, tô aqui, e a menina falou, não, é que a minha mãe não veio ainda, porque eu não tinha chegado, e aí eu cheguei atrasada, e aí eu falei, gente, é muito puxado”, e a frase dela sobre o dom é emblemática, e segundo ela, “eu sempre falo que uma coisa é um dom natural, né, é aquela coisa que Deus te dá, e outra coisa é você decidir ser, sim, você talvez vai perder a paciência, você não vai fazer com aquele amor, né, tem uma diferença, e aí eu sei que quando eu fazia essas meninas, minhas amigas, tinha a Sílvia Diniz que é irmã da Dr. Oto, nossa, foi muito minha cobaia, a Simone, filha do Dr. X, e a Flávia, que é gerente do SEC hoje, e elas eram minhas cobaias, e eu fazia nelas, e às vezes dava errado, e a pessoa podia ficar careca, e tinha que entender o grau, e essas coisas me ensinaram muito, e eu tenho gratidão eterna por essas pessoas, porque sem elas eu não seria nada, e o dom é uma coisa que a gente tem que lapidar, e o dom é uma coisa que a gente tem que trabalhar, e o dom é uma coisa que a gente tem que estudar, e o dom é uma coisa que a gente tem que respeitar, e o dom é uma coisa que a gente tem que agradecer, e o dom é uma coisa que a gente tem que dividir, e o dom é uma coisa que a gente tem que colocar a serviço, e o dom não é pra ficar guardado, e o dom não é pra ficar em casa, e o dom é pra ser usado, e o dom é pra ser compartilhado, e o dom é pra ser serviço, e o dom é pra ser amor”.
Das mais de 1000 noivas antes da pandemia, do “ela é única, é o dia dela”, e do dia em que o melhor amigo morreu de câncer e ela fez 2 noivas (Pastor Jetro falou “vai filha, elas não têm culpa”)
Em 20 anos de salão, lembra ela, ela fez mais de 1000 noivas antes da pandemia, e o jeito dela de tratar a noiva é emblemático, e segundo ela, “antes da pandemia eu fiz a conta, já tinha dado mais de 1000, caramba, então pra nós pode ser a milésima, mas pra ela, ela é única, é o dia dela, né, é o único dia pra ela ser noiva, pode até não dar certo casar de novo, mas aquele é único, e a gente tem que tratar esse momento como se fosse também único pra nós, porque a noiva tem que se sentir única, e eu acho que toda cliente quando entra no salão ela tem que sentir isso, mas noiva, aniversariante, de 15 anos também, e mas noiva principalmente tem que ter isso de se sentir única”, e ela lembra de um dia que foi o mais difícil da carreira dela, e segundo ela, “eu me lembro um dia, eu tinha duas noivas, e naquele dia eu tinha passado a noite no hospital com o melhor amigo, ele tava em agonia, agonizando, ele tinha câncer, e quando foi 11 horas da manhã já tava assim, totalmente entregue, desenganado, já tava numa situação muito difícil, e eu tinha que fazer aquelas noivas, e eu lembro que o Pastor Jetro chegou no hospital, e eu falei assim, pastor, eu tenho que ir embora, porque eu tenho duas noivas, e o Pastor Jetro olhou, e falou pra mim o que eu já tinha certeza que eu ia fazer, ele falou, vai filha, porque elas não têm culpa, e eu falei, não, eu já tô, e é bem isso, né, e quando eu arrumei aquelas noivas, elas não perceberam nada, e quando foi 1 hora da tarde ele faleceu, mas vieram me contar as três, eu fui lá dentro, tipo, coloquei uma toalha assim em mim, chorei muito, respirei, e falei, Deus me conduza, que elas fiquem lindas, e eu acho que eu nunca fiz uma noiva, duas noivas tão lindas, porque assim foi totalmente conduzida por Deus ali, sabe, e a hora que terminou, aí eu falei, agora vou deixar vocês com as meninas, e preciso ir pro velório do meu amigo, e foi aí que elas souberam, mas aí já tava tudo pronto, já tinha feito a sua parte, tá tudo certinho, e então tem momentos, Mari, que são muito difíceis, eu falo assim, a minha história de salão é uma história assim, são porque são vários ciclos, né, e a gente tem que saber respeitar eles, a gente tem que saber viver cada um, a gente tem que ter muito Deus, porque tem momento que é muito difícil, né, em toda profissão, né, mas quem mexe com a área de beleza é uma coisa que, sabe, você tá mexendo de cima das pessoas, é beleza, é autoestima, e assim a tua também, entendeu, é uma coisa, né, artística, né, é a coisa, o artista tem uma sensibilidade com as coisas, e certeza, e o dom é de família também, porque todo mundo tem esse dom artístico”.
Da pandemia (1ª vez com sábado livre), da noiva que quase fez ela parar, da ligação depois pra voltar, e do “ritmo mais tranquilo”
A pandemia, lembra ela, mudou tudo na carreira dela, e segundo ela, “a pandemia mudou muito, não teve cabelo e maquiagem, não teve, então fazer alguns cabelos e maquiagem, mas assim pra pessoal que ia fazer Live, né, aquelas coisas assim, que aliás depois olha, é uma coisa muito engraçada, porque a gente se sentia bandido no salão, né, trabalhando pra, e aí tá, e aí com o negócio de não trabalhar de sábado, teve gente que achou ruim ficar em casa com o marido, eu achava uma delícia, a gente se deu super bem, era muito gostoso, né, e eu gostei, porque eu nunca tinha tido sábado, verdade, porque pensa, eu comecei muito nova com salão, porque eu não tinha o meu salão, mas eu trabalhava em salão, né, eu comecei muito novinha, com 21 anos eu tive a Lívia, né, então comecei tudo muito novinha, e aí quando eu tive o sábado eu amei, eu falei, eu eu não quero mais cabelo e maquiagem, mas não pelo cabelo e maquiagem, mas pra não ter o sábado, pra ter o sábado, né, pra ter o meu momento”, e aí ela quase parou de fazer noiva, e segundo ela, “e aí eu falei assim, bom, eu vou fazer assim, eu vou pegar cabelo e maquiagem, mas eu não vou pegar noiva, vou fazer só cabelo e maquiagem assim, a pessoa chega, Cláudia, tem um horário, amanhã tem horário essa semana, mas não aquela agenda lá longe, né, e aí foi a primeira noiva que eu decidi, falei, anun, sei, meu marido falou, am, você tem certeza, falei, não, tô decidida, não vou pegar noiva, não quero agenda lá longe, e aí a primeira noiva que chegou no salão falou assim, Cláudia, toda feliz, queria marcar tal, né, sempre sonhei fazer com você, e aí eu falei assim, então eu não, não vou mais fazer noiva, como assim, e eu falei assim, ah, então quase que eu falei, vai embora, que eu vou chorar, difícil, a pandemia mudou alguma coisa, e falei, não, consegui, falei, não, e ela foi embora, mas eu fiquei mal, e eu fiquei mal, e aquilo me remoía, e aí eu vi que eu tava sofrendo tanto, tanto, tanto, e aí eu falei assim, quer saber, eu vou fazer noiva, eu amo, e aí eu peguei e liguei pra ela, falei, olha, já tinha passado um tempo, né, falei, eu sei que você já deve ter ligado em outro lugar, né, que já deve ter, mas eu vou te falar, pra você não achar que foi pessoal, então eu vou voltar a fazer noiva, e ela, imagina, tô voltando, aí, maravilha, aí fizemos, e então assim até passou a pandemia me fez pensar em parar, né, claro que eu mudei, eu não atendo aquela coisa alucinada de antes, eu, nossa, cabelo e maquiagem não sei nem quanto eu fazia por dia, era uma doidura, um, sabe, assim, tô num ritmo mais tranquilo, tirei o pé do acelerador, e hoje, hoje a minha filha casou, formou, então hoje, hoje a gente pode, né, se dar alguns luxos, né, mas assim, parar de fazer eu não consigo, é é o que você ama, né, é o meu amor, ainda não tem como, né, até quando você não fazia isso, você fazia isso, né, de roupa, o pessoal ainda traz pra fazer isso, então às vezes as pessoas perguntam, se você não fosse cabeleireira, o que seria, e eu falo, não tem como não ser, é segundo, segunda opção seria cabeleireira, então a segunda opção é maquiadora, pronto, isso, mais ou menos isso, juntando tudo, né”.
Do trabalho em equipe (Ever, Bia, Lívia), do salão em Dracena, e do “cabeleireira é a única opção, a segunda seria cabeleireira mesmo”
Hoje, lembra ela, ela tem uma equipe no salão, e segundo ela, “eu tenho uma equipe, eu tenho a Bia, que é minha, e a Lívia, que é freelancer, ela ela ia, hoje ela é muito mais constante comigo, ela tem um outro serviço, mas de sábado ela tá comigo todo sábado, e é parceirona, assim, sabe, só tenho a agradecer, uma pessoa que Deus colocou de um humor, de uma bondade, de um coraçãozão, sabe, então eu falo assim, que Deus é maravilhoso, coloca pessoas abençoadas, com certeza”, e ela lembra que o começo no salão foi com a Ever, e depois com a Bia, e hoje a equipe tá menor (porque ela tirou o pé do acelerador), e segundo ela, “eu já tive uma equipe grande, eu já tive 4, 5 pessoas comigo, mas hoje eu tô com a equipe menor, porque eu quero qualidade de vida, porque eu quero ter sábado, porque eu quero ter o meu momento, porque eu quero ter tempo pra mim, porque eu quero ter tempo pra minha família, porque eu quero ter tempo pra Deus, e a gente tem que saber a hora de tirar o pé do acelerador, e a hora de dizer não, e a hora de falar assim, não vai dar, e a hora de falar assim, hoje eu não vou, e a gente tem que ter essa coragem, e a gente tem que ter essa sabedoria, e a gente tem que ter esse discernimento, e a gente tem que ter essa paz”, e a frase dela sobre o dom é a mais bonita do bate-papo, e segundo ela, “as pessoas quando elas se voltam só pra elas mesmas, quando elas fazem só o que elas querem, do jeito que elas querem, elas perdem muito, e as pessoas ainda não se deram conta disso, porque fazer tudo o que você deseja, o que você tem vontade, aquilo te leva pra um lugar ruim, porque você vai ferir pessoas, você vai perder muitas coisas, e quando você vê, você tá numa tristeza sem fim, aí você pensa assim, ah, Deus me abandonou, não, foi esse ser voltado pra você mesmo, quando você se volta pra você, só o que eu quero, do jeito que eu quero, você perde muito, e as pessoas ainda não entenderam, é, quando você quer só o que você quer, e não o que Deus quer, você se afasta dele, né, sim, você perde muito, você perde muito, então às vezes você tem que sacrificar, sabe, e todos os dias quando você acorda de manhã você fala assim, ai, que alegria, levantar pra trabalhar hoje, e tem dia que você fala assim, eu queria ficar na cama, e tem dia que é assim, e a gente tem que ter a sabedoria de saber o que é prioridade, e o que não é, e o que é urgência, e o que não é, e a gente tem que ter o discernimento de saber falar não, e a gente tem que ter a coragem de falar sim, e a gente tem que ter a paciência de esperar, e a gente tem que ter a fé de acreditar, e a gente tem que ter o amor de servir, e a gente tem que ter o dom de dar, e a gente tem que ter a graça de receber, e a gente tem que ter a humildade de pedir, e a gente tem que ter a coragem de mudar, e a gente tem que ter a sabedoria de crescer, e a gente tem que ter a paz de aceitar, e a gente tem que ter o amor de perdoar, e a gente tem que ter a coragem de amar, e a gente tem que ter a coragem de viver”.
Onde encontrar
A Claudia Batista atende como Cabeleireira e Maquiadora em Dracena, SP, com salão próprio na cidade (que faz cabelo, maquiagem, e noivas, com equipe, e com hora marcada), e a história dela começa com ela nascendo em Dracena (e o dom artístico que veio de família, o irmão engenheiro, a irmã Nadir que faz artes plásticas, a mãe que também tem o dom), e que ela sempre quis mexer com cabelo (desde pequenininha, e a mãe fala que ela gostava de ganhar boneca com cabelo porque queria cortar, e ela cortava o cabelo das amigas em mecha, e a mãe falava “os pais delas vão te matar”), e que o início profissional foi quando ela casou e foi morar em Presidente Prudente (e teve a filha Lívia, e ela trabalhava no shopping durante o dia, e à noite fez o cursinho do Senac de 2 anos, e a Lívia pequenininha ficava com a avó), e que no Senac ela conheceu a Terê (que tem salão enorme em Prudente, e que na época tinha 10 funcionários, e que depois de dar o curso de penteado falou “eu quero você na minha equipe”), e que ela voltou pra Dracena (e ficou com aquele quilinho), e que uma médica que tava no salão uma vez falou pra ela “não faça isso com a tua família, não monta salão, é muito puxado”), e que ela resolveu vender roupa infantil (Best Friends, vendia em casa, e era um perrengue, e ela saía com a Lívia no colo, e ia a pé levar condicional), e que quando se separou ela voltou pro salão (porque as pessoas começaram a ir em casa pra arrumar, e ela arrumou noiva na cadeira da cozinha, e enxaguou permanente no tanque), e que ela trabalhou 18 horas por dia, dormia 1h30-2h por noite, era um zumbi, e a filha Lívia com 9 anos já foi no médico sozinha (e ela já chegou na apresentação do Dia das Mães atrasada porque tava fazendo a mãe de alguém), e que ela fez mais de 1000 noivas antes da pandemia (e o jeito dela de tratar a noiva é como se fosse a única, e segundo ela “pode ser a milésima pra gente, mas pra ela é o dia dela, é o único dia pra ela ser noiva”), e que no dia que o melhor amigo morreu de câncer no hospital (e o Pastor Jetro chegou lá e falou pra ela “vai filha, porque elas não têm culpa”), ela fez 2 noivas (e não perceberam nada, e quando foi 1 da tarde ele faleceu, e ela foi pro velório chorar), e que a pandemia mudou tudo (e ela teve o 1o sábado livre da vida, e quase parou de fazer noiva, e quase desistiu, e ligou depois pra noiva que tinha recusado pra voltar a fazer, e a noiva ficou toda feliz, e hoje ela tá num ritmo mais tranquilo, e a filha Lívia casou, formou, e ela pode se dar alguns luxos), e que ela trabalha com a equipe dela (a Ever, a Bia, e a Lívia freelancer de sábado que é muito parceira), e que o dom dela é de família, e que a única opção seria ser cabeleireira mesmo (a segunda opção também é cabeleireira), e a frase dela sobre o dom é a mais bonita do bate-papo: “o dom é uma coisa que a gente tem que colocar a serviço, e o dom não é pra ficar guardado, e o dom é pra ser usado, e o dom é pra ser compartilhado, e o dom é pra ser serviço, e o dom é pra ser amor”, e ela atende por Instagram (@eu.claudiabatista).
Resumo do episódio
Claudia Batista, cabeleireira e maquiadora de Dracena, conta sua trajetória desde a infância cortando cabelo de bonecas até montar seu próprio salão e realizar mais de 1000 noivas antes da pandemia. O episódio revela como ela equilibrou trabalho intenso (18 horas diárias) com maternidade, enfrentou crises que quase a afastaram da profissão, e redescobriu seu propósito ao recusar uma noiva durante a pandemia e depois mudar de ideia. Hoje trabalha num ritmo mais tranquilo com sua equipe, priorizando qualidade de vida e enxergando seu dom como serviço e amor.
Principais aprendizados
- O dom artístico pode ser desenvolvido desde a infância através da prática constante, como Claudia começou aos 11 anos cortando cabelo das amigas em mecha.
- Uma formação técnica (como o curso do Senac de 2 anos) fornece a base, mas a aprendizagem real acontece na prática diária com profissionais experientes.
- Tratar cada cliente como única, especialmente noivas, cria uma experiência diferenciada que faz a pessoa se sentir especial mesmo sendo a milésima do salão.
- O ritmo de trabalho desumano (18 horas diárias) afeta não apenas o profissional mas também sua família, como aconteceu com a filha que ia sozinha ao médico aos 9 anos.
- A pandemia permitiu repensar prioridades e estabelecer limites saudáveis, mudando de uma agenda alucinada para um ritmo que permite qualidade de vida e tempo com família.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar a trabalhar como cabeleireira sem experiência prévia?
É importante fazer um curso técnico que forneça a base teórica, como o Senac, e depois buscar trabalhar com profissionais experientes que possam ensinar na prática. A aprendizagem real acontece através da experiência diária, combinando a formação com a orientação de quem já está consolidado no mercado.
Qual é a importância de tratar cada cliente especial no salão de beleza?
Cada cliente, especialmente noivas, precisa se sentir única porque para ela é um dia único e especial. Mesmo que o salão tenha atendido mil noivas, é fundamental tratar cada uma como se fosse também única para o profissional, garantindo que ela se sinta especial durante toda experiência.
Como a pandemia mudou o ritmo de trabalho de uma cabeleireira?
A pandemia permitiu que a profissional experimentasse descanso nos fins de semana pela primeira vez após anos de trabalho intenso. Isso levou a uma reflexão sobre prioridades, redução de agenda e adoção de um ritmo mais tranquilo, mantendo a profissão mas com melhor qualidade de vida e tempo para família.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.