A história de Jéssica Ellen é a história de uma personal trainer de Dracena que, durante a pandemia, parou pra olhar pra dentro de si mesma e decidiu fazer algo que sempre achou impossível: competir no fisiculturismo. A do Coach Bandeca (Lucas) é a história de um consultor que atende atletas de fisiculturismo pelo Brasil inteiro, só online, e que vem construindo uma metodologia própria de preparação e peak week que já levou vários atletas ao palco.
Juntos, eles formam uma das duplas mais sérias do fisiculturismo amador do interior paulista. Jéssica ganhou duas competições na categoria Biquíni, ficou com a vaga para o Sul-Americano na Argentina, e subiu no palco principal de um campeonato internacional. A conversa do AdamiCast mostrou os bastidores de uma preparação de 4 a 5 meses, a manipulação de água e sódio da peak week, e o lado psicológico de quem precisa abrir mão do açúcar enquanto o marido faz churrasco do lado.
De Dracena ao palco: como uma personal trainer virou atleta de biquíni
Jéssica Ellen é formada em Educação Física e sempre trabalhou como personal trainer em Dracena, com atendimento de público feminino. Praticante de atividade física desde a adolescência, sempre manteve alimentação equilibrada, mas o fisiculturismo era um sonho que ela considerava inacessível. “Eu admirava as atletas, ficava torcendo, mas achava que nunca ia ser pra mim, pela minha vida, pela correria”, lembra ela. A pandemia mudou isso. Com academias fechadas e o ritmo de vida quebrado, ela teve tempo de parar e prestar atenção em si mesma. Foi quando decidiu procurar alguém que pudesse ajudar.
O Lucas (Coach Bandeca) apareceu primeiro pelos stories de alunas dela que já faziam consultoria com ele. Jéssica foi olhar o perfil, viu que a esposa dele também era atleta, viu que ele tinha experiência com atletas femininas, e mandou mensagem no mesmo dia. Ele respondeu em algumas horas, e a conversa começou ali. A preparação teve duração de 4 a 5 meses, com fase de manutenção e fase de corte antes da competição. A categoria Biquíni foi escolhida pelo biotipo: cintura fina, quadril mais largo, estrutura óssea que se encaixa no padrão da categoria. Ela não escolheu a categoria: a categoria escolheu ela. A partir daí, o trabalho foi lapidar: glúteo mais arredondado, posterior de coxa mais definido, abdômen com mais detalhe.
Coach Bandeca: o consultor que atende do Piauí ao interior paulista
Lucas, o Coach Bandeca, atende atletas de fisiculturismo pelo Brasil inteiro, todo o trabalho online. A consultoria inclui planilha de treino individual, diário alimentar, e o acompanhamento próximo que a modalidade exige. Ele tem pós-graduação em Nutrição Esportiva, pós-graduação em Coaching Bodybuilding, e está cursando Nutrição. A esposa dele também compete na categoria Biquíni, com histórico de segundo e terceiro lugares. Ele mesmo já competiu na categoria Classic (de sunga maior), depois na Fisiculturismo (de sunguinha fio dental), e hoje compete na Natural. Ouve atentamente antes de prescrever qualquer protocolo.
A consultoria começou de forma presencial, mas há uns quatro anos é totalmente online. Funciona porque o atendimento é individual e o contato é diário via WhatsApp. “Eu não vou ver o atleta treinar presencial, mas o diário dele me diz tudo: sono, alimentação, peso, refeições livres. A leitura que eu faço pelos dados é tão boa quanto presencial.” A experiência dele mostra: cada atleta responde de um jeito, e não há protocolo universal. “Eu troquei a estratégia de sódio da Jéssica entre a primeira e a segunda preparação justamente pra entender todas as formas como o corpo dela reage, e chegar na Argentina com o protocolo certo.”
A peak week: a semana mais louca da preparação
A preparação dura de 4 a 5 meses, mas a peak week (semana final antes da competição) é onde tudo se decide. A estratégia que o Bandeca montou pra Jéssica é complexa: começa com uma fase de super-hidratação, onde a atleta consome até 18 litros de água por dia durante seis dias. Depois, o corpo entra em um estado de aceleração em que começa a eliminar mais líquido do que ingere. Aí entra a manipulação de carboidrato (reduzido antes, carb-load no final) e sódio (zerado antes, reintroduzido depois). O objetivo é fazer o músculo puxar aígua de volta pra dentro, garantindo o aspecto “cheio” e definido que os árbitros avaliam.
No dia anterior à competição, a atleta para de beber água às 22h. No dia da competição, recebe 100ml de água logo cedo, e a primeira refeição é estratégica: salgadinhos Fini, bolacha Maisena, arroz branco, qualquer coisa com sódio pra puxar o carboidrato pra dentro do músculo. “Eu comprei quatro pacotes de salgadinho Fini no mercado pra ela, e ela ficou olhando pra mim assim, com medo de comer. Falei: vai, come. Ela comeu quatro unidades de cada. Eu também aproveitei.” A piada do marido mostra o tom da preparação: é tenso, controlado, mas com espaço pra leveza. No palco, ela ficou sem beber água por 15 horas seguidas.
A Argentina: o palco que ela queria e o Overall que quase veio
Jéssica competiu duas vezes e ganhou as duas na categoria Biquíni. A segunda vitória, num campeonato regional, deu a vaga pro Sul-Americano na Argentina. A viagem foi o pico da carreira dela até agora: dormir no mesmo hotel das outras atletas, subir no palco internacional, ser avaliada por árbitros de federação. Ela ganhou na categoria Biquíni acima de 1,63m de altura. Depois de ganhar a categoria, as vencedoras de cada subdivisão disputam o Overall, a categoria rainha, onde a melhor entre todas é premiada.
O Overall começou às 19h, e o campeonato só terminou depois da meia-noite e meia. Jéssica, que estava sem beber água desde o dia anterior, esperou quase seis horas até a chamada final. Ela ficou em segundo lugar no Overall, perdendo por detalhes. “A concorrente era uma atleta que já estava num nível acima, com mais tempo de palco, e a empresa que patrocinava ela era a mesma que patrocinava o evento. Coincidência ou não, aconteceu.” Mesmo assim, a experiência valeu: “Quando eu subi no palco e olhei pra plateia, passou um filme. Eu saí chorando. Foi a mesma sensação de quando vi meu filho pela primeira vez.”
O lado psicológico: açúcar, churrasco e marido
A parte mais difícil da preparação não é o treino nem a dieta em si. É a cabeça. Jéssica trabalhava como personal trainer em Dracena, casada com um churrasqueiro convicto, mãe de três adolescentes atletas. O Tiago, de 14 anos, joga na base do Palmeiras, e foi por causa dele que a família se mudou pra São Paulo há três anos. Lá, ela retomou a carreira de personal trainer e a vida de atleta. Mas o açúcar, segundo ela, é o maior vilão. “Antes de competir, meu lanche depois da aula era caldo de cana com bolacha recheada. Eu abro mão de pizza, de lanche, de qualquer coisa. Mas o chocolate, o bolo, o pudim, isso eu não consigo abrir mão.”
Hoje, depois de duas preparações, ela já não sente mais a mesma vontade. Aprendeu a separar opinião de decisão, e a se proteger de quem oferece. “As pessoas têm que aprender a respeitar. Eu decidi fazer dieta, os outros não têm nada a ver com isso. Se ofereceram, eu falo: não, obrigada. Respeita.” As refeições livres controladas (sábado ou domingo, uma vez por semana) viraram o respiro da rotina. O marido, depois de um período em que “esfregava” churrasco na cara dela, hoje respeita o processo.
O que o Coach Bandeca ensina a quem quer começar
As dicas do Coach Bandeca são simples, mas exigem consistência. Primeiro, escolher o profissional certo. “Escolha a pessoa que vai te conduzir. Chave pra você conseguir chegar.” Segundo, ser fiel a si mesmo. Terceiro, respeitar o processo. “As pessoas querem muito alcançar o objetivo, mas não querem passar pelas etapas. Não adianta pular.” Quarto, sono. “Se você não dormir, o GH não sobe, você não descansa, e a cabeça não fica apta pra um treino intenso.” Quinto, alimentação. “85% do resultado é alimentação. O resto é treino, sono e suplementação. Mas na verdade é 100% de tudo.”
A mensagem final, de quem vive isso todo dia: “Nada te impede se você tiver o desejo. Barreiras vão aparecer, limitações vão aparecer. Mas a vontade tem que prevalecer.” E o conselho pra quem está começando do zero: “Procure um profissional capacitado, confie nele, espere o tempo que ele pedir. O corpo precisa de tempo pra dar a resposta. Um mês você não vai ter resultado.”
Onde encontrar
Jéssica Ellen mora em São Paulo, atende como personal trainer presencial com público feminino, e segue competindo no fisiculturismo amador. Coach Bandeca atende atletas de todo o Brasil pela consultoria online. Pra acompanhar o trabalho dos dois, basta seguir os perfis no Instagram: @jessicaellen.personal e @coach_bandeca. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.
Resumo do episódio
Jéssica Ellen, personal trainer de Dracena, decidiu competir no fisiculturismo durante a pandemia e, com orientação do Coach Bandeca, conquistou duas vitórias na categoria Biquíni e vaga para o Sul-Americano na Argentina. A conversa revela os detalhes de uma preparação de 4 a 5 meses, a complexa manipulação de água e sódio na peak week, e os desafios psicológicos de manter disciplina alimentar enquanto constrói uma carreira como atleta amadora.
Principais aprendizados
- A peak week funciona com super-hidratação inicial (até 18 litros de água em seis dias) seguida de manipulação de carboidrato e sódio para o músculo puxar água e garantir aspecto definido no palco.
- A consultoria online de fisiculturismo funciona através do diário alimentar diário do atleta, que informações como sono, peso e refeições livres permitem leitura tão precisa quanto acompanhamento presencial.
- O aspecto psicológico é a parte mais difícil da preparação, especialmente a renúncia a alimentos específicos como açúcar e doces, mais desafiadora que disciplina com treino ou dieta geral.
- A categoria Biquíni é determinada pelo biotipo da atleta: cintura fina, quadril largo e estrutura óssea específica, e não por escolha pessoal da competidora.
- Sono é componente crítico da preparação pois sua falta impede o aumento de GH, prejudica recuperação e compromete a capacidade mental para treinos intensos.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona a manipulação de água e sódio na peak week do fisiculturismo?
Começa com super-hidratação: a atleta consome até 18 litros de água por dia durante seis dias. Depois o corpo elimina mais líquido do que ingere. O sódio é zerado antes e reintroduzido no final, enquanto carboidrato é reduzido antes e aumentado no final. O objetivo é fazer o músculo puxar água para dentro, garantindo aspecto cheio e definido.
Como a consultoria online funciona para atletas de fisiculturismo?
O atendimento é totalmente online e funciona através do diário do atleta enviado diariamente via WhatsApp, que inclui informações sobre sono, alimentação, peso e refeições livres. O consultor afirma que a leitura feita pelos dados é tão precisa quanto acompanhamento presencial, permitindo ajustes de protocolo conforme o corpo de cada atleta responde.
Qual é a duração total de uma preparação para competição de fisiculturismo?
A preparação dura de 4 a 5 meses no total, incluindo fase de manutenção e fase de corte antes da competição. Dentro desse período, a última semana antes do campeonato, chamada peak week, é onde todas as estratégias de manipulação de água, sódio e carboidrato são executadas.
Por que o sono é importante na preparação de atletas de fisiculturismo?
Porque sem sono adequado, o GH não aumenta, o atleta não descansa propriamente e a cabeça fica incapaz para um treino intenso. O sono é fundamental para a recuperação do corpo e a capacidade mental necessária para manter consistência nos treinos.
Como é determinada a categoria de competição no fisiculturismo feminino?
A categoria Biquíni é definida pelo biotipo da atleta, especificamente cintura fina, quadril mais largo e estrutura óssea que se encaixa no padrão da categoria. Não é uma escolha pessoal da competidora, mas sim o biotipo que determina qual categoria ela se encaixa melhor.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.