#354

De atleta de basquete a fisiculturista: a jornada de João Felipe e Fábio Codo | #354

07 de novembro de 2024 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #354 do AdamiCast

Quando o assunto é disciplina, Dracena tem cada vez mais nomes para mostrar. No episódio 354 do AdamiCast, Mariana e o marido receberam dois convidados ligados ao fisiculturismo competitivo: Fábio Codo, personal trainer com mais de dez anos de carreira e atleta de palco, e João Felipe, jovem de 18 anos que estreou nas competições após apenas cinco meses de preparação específica. O papo foi honesto, cheio de detalhes que raramente aparecem nas redes sociais, e deixou uma mensagem clara: o que você vê no palco é o menor pedaço de uma história muito maior.

João chegou ao esporte pelo caminho menos óbvio. Começou no basquete aos 12 anos, treinava em Junquirópolis depois da escola, carregava marmita desde os 13. Uma lesão na posterior mudou os planos, e enquanto fingia para a galera do basquete que ainda estava se recuperando, ele agachava na academia e começava a descobrir um amor novo. Fábio, por sua vez, já estava nessa história antes mesmo de João perceber: era o personal que treinava o pai do menino na Top Fitness, aparecia nos vídeos que João assistia de madrugada para se motivar, e acabou sendo o elo que o levou até o treinador Jefferson.

De basquete à academia: como tudo começou

João tinha o perfil clássico do atleta que não se encaixa no esporte coletivo por questão de altura, mas carregava uma disciplina fora do comum. Aos 13 anos já levava marmitinha para a escola, já entendia que alimentação e treino andam juntos. Quando a lesão na posterior o afastou do basquete, ele descobriu que gostava mais de ir à academia do que às quadras. O processo foi gradual: entrou em contato com a dieta, começou a ver diferença no corpo, os amigos comentaram que ele puxava peso acima da média para alguém que tinha começado há pouco tempo.

O pai de João teve papel central nesse caminho. Era ele quem preparava shakes de whey com banana, colocava vídeos do Fábio para o filho assistir, cobrava a alimentação em casa. Esse ambiente familiar fez diferença real: João cresceu vendo que comer bem e treinar não era excentricidade, era rotina.

Cinco meses do zero ao palco

A preparação de João para o primeiro campeonato durou cinco meses sob o comando do treinador Jefferson. O desafio era grande: João tinha pouco mais de um ano de treino de academia, maturidade muscular ainda em construção. A estratégia foi em duas fases. Nos dois primeiros meses, comer bem e treinar pesado para consolidar massa. Nos três seguintes, restrição progressiva até chegar ao palco com o físico pronto.

A parte mais dura, João disse sem hesitar, foi passar fome na reta final. O repolho refogado virou personagem da história: era o alimento de volume e baixo caloria que enganava o estômago sem atrapalhar o corte. Fábio emendou que passou pela mesma experiência, e os dois descobriram no bate-papo que tinham feito a mesma receita, pela mesma inspiração, sem saber. A mãe de João ia ao mercado às dez da noite buscar repolho. A mãe de Fábio saiu de um churrasco com salada para o filho. O fisiculturismo é esporte de família inteira.

O palco, a pose e o detalhe que decide campeonato

Chegar com shape bom é necessário, mas não suficiente. Fábio e João explicaram com detalhes como a pose pode ganhar ou perder uma competição. Travar a perna, expandir o dorsal, encaixar a posterior, fazer o vácuo. Cada músculo tem que ser contraído na hora certa, sem espelho, sob tensão, com juízes observando. Jefferson criou um método para resolver isso: ficava na beira do palco gritando as instruções durante as poses, porque João travava na hora H se não tivesse o comando externo.

Fábio trouxe um ponto importante sobre o contexto competitivo. Ir a campeonatos grandes, em São Paulo, Rio Preto ou Balneário Camboriú, é onde a visibilidade acontece de verdade. Os custos são altos: inscrição na federação em dólar, tinta para o corpo, viagem, hospedagem. Fábio fez rifas, correu atrás de patrocinadores, seguiu o conselho de não ter vergonha de pedir. João, que competiu localmente, já pensa nos próximos passos fora da região.

A mente no limite: compulsão, rebote e consciência

Um dos momentos mais reveladores do episódio foi quando Fábio falou sobre compulsão alimentar pós-campeonato. Depois de meses em restrição, o corpo e a mente reagem ao contato com comida de forma intensa. Ele ganhou 11 kg em uma semana depois de uma competição, parte disso retenção de líquido, parte o organismo recompondo o que faltou. João passou mal no próprio aniversário depois de comer um pedaço de bolo após três meses comendo limpo. O estômago simplesmente rejeitou.

Fábio foi claro: isso faz parte do processo, é algo que muitos atletas escondem, mas acontece. A honestidade nesse ponto chamou atenção, porque tira o brilho excessivo que as redes sociais colocam sobre o esporte e mostra o custo real de chegar ao palco. Para os dois, o aprendizado maior foi entender que a mente comanda o corpo, e que construir essa mentalidade de atleta leva tempo.

O fisiculturismo que cresce na região

A conversa também passou pelo cenário local. O Junk Classic de Junquirópolis e o campeonato organizado pelo Alexandre em Dracena foram apontados como iniciativas importantes para movimentar o esporte na região. Fábio ponderou que campeonatos locais são valiosos, mas que a visibilidade para patrocínio e carreira profissional vem dos eventos grandes, onde as marcas estão presentes. O caminho para o procard exige deslocar, gastar, expor o nome fora da bolha regional.

Para João, com 18 anos e o primeiro campeonato no corpo, o horizonte é amplo. Para Fábio, com 33 anos, mais de quatro anos de competições e uma carreira consolidada como personal, a reflexão é mais longa: longevidade, família, saúde no longo prazo. Os dois lados da mesma moeda, num papo que mostrou bem o que é o fisiculturismo: um esporte de meses de sofrimento para minutos de palco, e uma escola de disciplina que vai muito além da academia.

Onde encontrar

Fábio Codo e João Felipe são de Dracena, SP. Siga o trabalho deles no Instagram: @fabiocodotreinador e @daherfit_.

Resumo do episódio

No episódio 354, dois fisiculturistas de Dracena revelam a realidade por trás das competições: João Felipe, que começou no basquete, sofreu uma lesão e se tornou atleta em apenas cinco meses de preparação, e Fábio Codo, personal trainer e competidor experiente. A conversa aborda a disciplina desde a infância, a estratégia de treino e alimentação, as dificuldades mentais da restrição calórica, a importância da pose no palco, e o custo financeiro e emocional de competir em eventos maiores fora da região.

Principais aprendizados

  • A lesão no basquete levou João a descobrir uma paixão maior pela academia, mostrando como obstáculos podem redirecionar carreiras.
  • A preparação de cinco meses para a primeira competição dividiu-se em duas fases: dois meses de ganho de massa e três de restrição progressiva até o palco.
  • A pose é decisiva em campeonatos e exige contrações musculares precisas sob tensão, algo que Jefferson treinou com instruções gritadas à beira do palco.
  • O rebote após competição é intenso e inclui ganho de peso rápido pela retenção de líquido e fome extrema, um aspecto que atletas raramente mostram nas redes sociais.
  • Competir em eventos grandes fora da região envolve custos altos com inscrição em dólar, viagem, hospedagem e tinta, sendo essencial para visibilidade e patrocínio profissional.

Perguntas respondidas neste episódio

Como um atleta se prepara para a primeira competição de fisiculturismo?

A preparação dura em torno de cinco meses dividida em duas etapas. Os primeiros dois meses focam em comer bem e treinar pesado para consolidar massa muscular. Os três meses seguintes envolvem restrição calórica progressiva até chegar ao palco. A maior dificuldade é a restrição alimentar na reta final, quando alimentos como repolho refogado são usados para enganar a fome com poucas calorias.

Qual é o papel da pose no resultado de uma competição de fisiculturismo?

A pose é fundamental para ganhar ou perder uma competição. Envolve travar a perna, expandir o dorsal, encaixar a posterior e fazer o vácuo, com cada músculo sendo contraído no momento exato, sem espelho e sob observação dos juízes. A falta de prática pode custar o campeonato se o atleta não conseguir executar as contrações corretamente sob pressão.

Qual é o custo financeiro para competir em campeonatos de fisiculturismo fora da região?

Os custos são bastante altos e incluem inscrição na federação em dólar, tinta para o corpo, viagem e hospedagem. Atletas precisam buscar patrocínios e fazer rifas para cobrir essas despesas. Competir em eventos grandes em cidades como São Paulo, Rio Preto ou Balneário Camboriú é onde acontece a visibilidade real e a exposição para marcas e oportunidades profissionais.

O que acontece com o corpo após uma competição de fisiculturismo?

O corpo reage intensamente ao fim da restrição calórica. O atleta pode ganhar muitos quilos em poucos dias devido à retenção de líquido e ao organismo recompondo o que faltou durante meses de dieta rigorosa. A mente também sofre com compulsão alimentar, causando desconforto físico ao comer alimentos que estavam proibidos há muito tempo.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.