Fátima Pereira Viana é uma corredora amadora de Dracena que começou a correr depois dos 50 anos pra escapar de uma série de problemas de saúde. Hoje, com mais de 60 anos, soma 116 corridas no currículo, ganhou uma maratona internacional no Chile patrocinada pela GOL, e se prepara pra estrear na maratona de 42 km ainda em 2022. A história dela é contada junto com a da filha, Beatriz Pereira Viana, profissional de Educação Física e personal trainer de corrida que é quem treina a mãe.
A conversa do AdamiCast mostrou os bastidores da dupla mãe-atleta e filha-treinadora: a cobrança por resultado, o sonho de correr a primeira maratona aos 60 anos, a saga da viagem ao Chile com o marido escondido, e a relação das duas com o esporte que mudou a vida de ambas. Uma história de saúde, disciplina e parceria que começa com uma recomendação médica e termina com viagem internacional.
Da pressão alta à corrida: como Fátima virou atleta aos 52 anos
Fátima começou a correr tarde. Tinha pouco mais de 50 anos quando recebeu o diagnóstico: pressão alta, pré-diabetes e colesterol alto. Magrinha, mas doente. A médica da família recomendou atividade física, e o primeiro ortopedista consultado disse pra ela fazer hidroginástica. “Água, pra mim, é só no chuveiro.” Fátima voltou pra casa determinada a achar outra solução. Procurou um segundo ortopedista, que foi direto: “Faça tudo que não te cause desconforto. Corra, pule, nade, pegue peso. Com fortalecimento.” Foi a liberação que ela precisava. Começou a correr.
A primeira prova veio por acaso, no aniversário da cidade. “Eu me perdi na Avenida Sete de Setembro e fui correndo atrás de uma menina. Quando olhei pra trás, era a primeira colocada. Eu cheguei em primeiro lugar seguindo ela.” A história resume a filosofia que ela adotou desde o início: atleta não olha pra trás. Olha pra frente. De lá pra cá, não parou mais. Hoje, ela soma 116 corridas, virou atleta oficial da cidade, e é patrocinada indiretamente pela Secretaria de Esporte e pela prefeitura. Mas o ganho mais importante não está nos números. “Pressão normalizada, pré-diabetes revertida, colesterol controlado. A corrida me deu saúde de verdade.”
A filha treinadora: Beatriz, da Unesp à personal de corrida
Beatriz é a outra ponta da história. Começou no atletismo aos 11 anos, na escola. Aos 15, passou no teste do Centro de Excelência em Bragança Paulista. Depois foi pra Unesp de Presidente Prudente, fazer Educação Física, com a pista da universidade como quintal de casa. “Sempre foi um sonho. Prudente era o celeiro do atletismo brasileiro, velocidade pura.” Na faculdade, parou de competir, mas não parou de correr. Voltou pra região, virou personal trainer de corrida, e há 12 anos trabalha com a área.
Quando a mãe decidiu correr, foi a filha quem montou o planejamento, passou a acompanhar nas provas, e foi tomando o papel de treinadora dentro da própria casa. “Eu cobro bastante dela. Hoje a senhora só vem passear, mãe. Quando ela não bate a meta, eu falo isso.” O tom é firme, mas com afeto. Fátima aceita. “Ela é minha treinadora. Na hora da prova, eu sou atleta e ela é minha treinadora. Em casa, a gente é mãe e filha.” A relação inverteu: era a mãe que levava a filha no treino. Hoje é a filha que leva a mãe.
O Chile: a primeira maratona internacional, patrocinada pela GOL
A virada internacional veio por acaso. Uma atleta que treinava com a filha tinha uma amiga que trabalhava na GOL Linhas Aéreas. A amiga viu a história da Fátima, ligou pra Beatriz e ofereceu: “Eu quero patrocinar sua mãe. Posso?” No início, era só as passagens. Depois, a GOL entrou de verdade: marketing, redes sociais, divulgação nacional. A história da corredora de 60 anos do interior paulista casava com a campanha da companhia.
Fátima nunca tinha voado de avião. A filha armou a maior logística da vida pra levar o pai junto, sem a mãe saber. Inventaram que o carro tinha dado problema. O pai embarcou num voo separado, ficou em outro hotel, e no dia da maratona, quando Fátima cruzou a linha de chegada em primeiro lugar na categoria, o marido apareceu de trás de uma árvore. “Eu quase desmaiei. Não esperava.” A maratona de Santiago teve um detalhe difícil: os pontos de água. No Brasil, a cada três quilômetros. No Chile, a cada cinco ou sete, com meio copo descartável que ela tinha que pegar em movimento. “No início achei estranho, mas fui me virando.” Voltou com vinho na bagagem e a vaga nas competições internacionais.
O duelo mãe-filha: a treinadora brava e a atleta que não olha pra trás
A dinâmica das duas é direto. Beatriz cobra metas, e quando Fátima não bate, é chamada pra sentar. “Hoje a senhora só vem passear.” A cobrança não é pessoal. “Ela quer resultado. Eu quero resultado. A gente combina meta, e se não bate, eu cobro. É minha função.” Fátima já chorou depois de uma prova em que ficou em segundo. “Eu sei que um dia eu vou perder. Quando isso acontecer, vou chorar muito.” A história da primeira prova resume a relação: começou perdida e acabou em primeiro. Olhou pra frente, não olhou pra trás.
Hoje, Beatriz trabalha como personal trainer de corrida, atende alunos na região, e tem uma equipe de corrida que reúne atletas de várias cidades vizinhas, com perfis variados (alguns fazem ultramaratona, outros estão começando a caminhar). Fátima treina com a equipe, compete, e divide o tempo com a musculação que o médico pediu. “Musculação não é gasto, é investimento.” A frase da Beatriz virou lema da dupla.
Tempos, trilhas e o sonho da maratona de 42 km
Os tempos da Fátima são expressivos pra idade dela: 10 km em 46min38s (recorde pessoal), meia maratona de Buenos Aires em 1h44min04s. A meta pra 2022 é estrear na maratona de 42 km, com tempo abaixo de 4 horas. Porto Alegre em junho e Buenos Aires em setembro são as duas opções no radar. A preparação mínima é de 16 semanas, com planejamento de carga, descansos e polimento. “Ela vai fazer, eu não tenho dúvida. Só não pode pular etapa.”
As trilhas, por outro lado, são território da Beatriz, e Fátima não entra. Bia já correu em Londrina (trajetos de 5, 10 e 21 km em terreno misto de soja e mata) e em Botucatu (provas pesadas de até 75 km, com largada de madrugada, sem apoio aéreo em caso de emergência). “A de Botucatu é outra coisa. Tem ribanceira, pedra escorregadia, rio. Minha mãe nesse lugar, Deus me livre.” Fátima fica nas provas de rua, mais curtas, mais urbanizadas. A divisão funciona.
A batalha com a artrose e o papel do esporte na vida das duas
O diagnóstico mais recente de Fátima é artrose grau 3 nos dois joelhos. O Dr. Marcelo pediu musculação obrigatória. Ela resistia, porque gosta mesmo é de correr. “Quando eu gosto, eu corro. Musculação eu acho chato.” A filha cobra, e ela vai. Antes da corrida, Fátima tinha ansiedade forte, TOC, e a casa como refúgio de limpeza obsessiva. Hoje, com a corrida e a musculação, o sono melhorou, o estresse melhorou, o corpo melhorou. “Estética é o fruto. Saúde é a base.” A frase da Beatriz virou doutrina da dupla.
A história de vida das duas se confunde com a história da corrida na região. Beatriz encontrou no esporte a profissão, as amizades, o propósito. Fátima encontrou a saúde, a disciplina, a alegria de subir num avião pela primeira vez aos 60 anos pra correr uma maratona patrocinada. “Eu quero continuar correndo, ajudar quem está começando, e mostrar que dá pra chegar lá.” A mensagem final da dupla: o esporte não é gasto, é investimento. Em saúde, em tempo, em vida.
Onde encontrar
Fátima Pereira Viana treina e compete na região de Dracena, e se prepara pra estrear na maratona de 42 km em 2022. Beatriz Pereira Viana atende como personal trainer de corrida na região, com equipe de corrida aberta a novos integrantes. Pra acompanhar o trabalho das duas, basta seguir os perfis no Instagram: @correndoaos63anosfatima e @beatriz_pereiraviana. O episódio completo do AdamiCast está no YouTube e no Spotify.
Resumo do episódio
Fátima Pereira Viana começou a correr depois dos 50 anos para reverter problemas de saúde como pressão alta e pré-diabetes, e aos 60 anos conquistou uma maratona internacional no Chile patrocinada pela GOL. A história é contada junto com a de sua filha Beatriz, profissional de Educação Física e personal trainer que treina a mãe e trabalha com uma equipe de corredores na região. O episódio mostra como o esporte transformou a vida das duas: para Fátima, recuperação da saúde e realização de sonhos; para Beatriz, profissão, amizades e propósito.
Principais aprendizados
- A corrida reverteu diagnósticos médicos: pressão normalizada, pré-diabetes revertida e colesterol controlado em quem começou sedentário após os 50 anos.
- A musculação é complemento necessário para corredores mais velhos, recomendada pelo médico e justificada como investimento em saúde, não gasto.
- Maratonas internacionais têm diferenças práticas significativas: o Chile oferecia pontos de água a cada cinco ou sete quilômetros com meio copo descartável, diferente dos três quilômetros brasileiros.
- Tempos competitivos para a faixa etária de 60 anos incluem 10 km em 46 minutos e 38 segundos e meia maratona em 1 hora e 44 minutos.
- A preparação mínima para estrear numa maratona de 42 km é de 16 semanas, com planejamento de carga, descansos e polimento.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que Fátima começou a correr aos 50 anos?
Fátima recebeu diagnóstico de pressão alta, pré-diabetes e colesterol alto. Um ortopedista recomendou atividade física, liberando exercícios como corrida, pulo, nado e musculação. A corrida foi a escolha que ela fez para escapar desses problemas de saúde.
Qual foi o ganho de saúde que Fátima obteve com a corrida?
Pressão normalizada, pré-diabetes revertida e colesterol controlado. Além disso, melhorou o sono, o estresse e o corpo em geral. Antes de começar a correr, ela tinha ansiedade forte, TOC e comportamentos de limpeza obsessiva que desapareceram.
Como Fátima conseguiu patrocínio para a maratona internacional no Chile?
A história começou por acaso. Uma atleta que treinava com Beatriz tinha uma amiga que trabalhava na GOL Linhas Aéreas. A amiga viu a história de Fátima, ligou para Beatriz e ofereceu patrocínio. A GOL entrou com passagens, marketing, redes sociais e divulgação nacional.
Qual é a meta de Fátima para a primeira maratona de 42 km?
A meta é estrear na maratona de 42 km em 2022 com tempo abaixo de 4 horas. As opções no radar são Porto Alegre em junho e Buenos Aires em setembro. A preparação mínima necessária é de 16 semanas.
Quantas corridas Fátima completou no total?
Fátima soma 116 corridas no currículo. Seus tempos expressivos incluem 10 km em 46 minutos e 38 segundos como recorde pessoal e meia maratona de Buenos Aires em 1 hora e 44 minutos.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.