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Da influência do pai à cirurgia torácica: a historia de Marcelo Manzano | #294

14 de março de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #294 do AdamiCast

O convidado do episódio é o médico pneumologista e cirurgião torácico Marcelo Manzano, dracenense que construiu uma carreira marcada por mudanças de cidade, aprendizado na base da prática e por um período especialmente duro na linha de frente da pandemia de Covid-19. Ao longo da conversa, Marcelo relembra a infância cercada pela medicina, a trajetória de formação em Marília e São Paulo, o retorno para Dracena e, no fim, revela uma paixão mais recente e bem mais leve: o beach tennis.

A influência do pai e o caminho até a Famema

Marcelo conta que cresceu ouvindo histórias sobre a trajetória do pai, também médico, que havia enfrentado dificuldades para poder estudar. “Meu avô deu uma opção para ele, ele já tinha mais de 20 anos, se ele queria continuar trabalhando no sítio com eles ou se ele gostaria de estudar”, relembra. Essa convivência, somada ao fato de ser o terceiro de três irmãos homens, sendo os outros dois também médicos em Dracena, acabou pesando na escolha profissional, ainda que ele frise que nunca houve uma cobrança direta da família.

Aos 17 anos, prestou vestibular e foi aprovado na Famema, em Marília, numa época em que entrar em medicina era extremamente concorrido. A aprovação veio em um momento delicado, já que o pai havia sofrido um infarto grave durante uma viagem e passou 60 dias sem poder se mexer. Para completar o quadro, dias antes de se mudar para Marília, Marcelo quebrou o pé pulando carnaval no Xadrez Tênis Clube e teve que se virar sozinho, de gesso, em uma cidade desconhecida, hospedado na casa de uma tia da mãe.

A escolha pela cirurgia torácica em meio a um momento difícil

Formado aos 23 anos, Marcelo seguiu para residência em cirurgia geral também em Marília, cursando dois anos antes de decidir a especialização. Essa decisão coincidiu com o agravamento da saúde do pai, que passou os últimos meses de vida internado. Foi nesse contexto emocionalmente pesado que ele prestou as provas de residência para cirurgia torácica, sendo aprovado tanto em Marília quanto em São Paulo, optando por ir para a capital, onde os irmãos já haviam estudado.

Em São Paulo, ficou conhecido pelo apelido de “Dracena”, em referência à cidade natal, já que os irmãos mais velhos tinham sido chamados de “Fernando Dracena” e “Draceninha” antes dele. Ali, cursou três anos de cirurgia torácica em uma unidade conjunta com a pneumologia, o que ampliou muito seu aprendizado: “Eu passava visita com o pessoal clínico, eu ia nas reuniões clínicas deles”. Ainda em São Paulo, aproveitou um congresso em Recife para prestar e ser aprovado no título de especialista em pneumologia.

Um dos casos que mais marcou esse período foi o de um menino da Bahia que precisou remover um tumor de dois quilos entre o coração e o esterno, e que durante a cirurgia teve uma parada cardíaca por compressão do tumor, mas se recuperou bem. No mesmo procedimento, os médicos encontraram um segundo tumor, pequeno e maligno, no timo do paciente, que também foi tratado.

Da tentativa em Palmas e Goiânia até o retorno a Dracena

Ao concluir a residência, Marcelo precisou decidir entre seguir carreira acadêmica em São Paulo ou abrir seu próprio caminho. Optou por buscar uma cidade para se estabelecer, passando primeiro por Palmas, no Tocantins, ainda em fase inicial de desenvolvimento, onde não conhecia ninguém. Depois seguiu para Goiânia, onde trabalhou ao lado de um amigo da mesma especialidade, mas sempre na posição de auxiliar nas cirurgias. Foi esse incômodo que o fez decidir voltar para Dracena, cidade em que, segundo ele, já chegava com nome e bagagem construídos fora.

Sobre a escolha, ele reforça que sempre priorizou qualidade de vida: “Eu sabia que eu não faria muita coisa que eu tinha aprendido a fazer, mas eu podia viver tranquilamente”. De volta à cidade natal, passou a atuar na clínica que levava o nome do pai, o Doutor João Manzano, e mais tarde se especializou também em medicina do sono, fazendo um curso no Instituto do Sono ligado à Escola Paulista, o que o levou a montar um espaço próprio para realizar exames de polissonografia voltados ao diagnóstico de apneia obstrutiva do sono.

A pandemia e o peso da linha de frente

Um dos momentos mais intensos do relato é sobre a pandemia de Covid-19. Marcelo descreve como sua rotina de trabalho foi tomada quase que exclusivamente pelo atendimento a pacientes com o vírus, incluindo atendimentos domiciliares e hospitalares. “Praticamente, no meu trabalho, só tinha Covid”, resume. Ele relembra cenas fortes, como ter chegado à Santa Casa em um sábado de manhã e encontrado cinco pessoas já preparadas para serem enterradas.

O próprio médico e sete pessoas de sua casa acabaram contraindo o vírus, incluindo sogros e cunhados, embora a esposa e os filhos não tenham sido infectados. Mesmo doente, ele continuou orientando pacientes à distância, em um período que descreve como extremamente desgastante emocionalmente, inclusive relatando o caso de um amigo próximo que quase morreu e de outros pacientes, incluindo familiares de conhecidos, que não resistiram. Segundo ele, a experiência deixou marcas que ainda hoje reaparecem quando atende casos graves na UTI que funcionava exclusivamente para Covid.

Ao comentar o período pós-pandemia, Marcelo pondera que não houve grandes avanços terapêuticos específicos, já que o vírus perdeu força com o tempo, mas destaca que o episódio deixou um aprendizado importante sobre estruturas de atendimento emergencial, algumas mantidas até hoje, e alertou para o uso indiscriminado de antibióticos e corticoides que ficou como sequela do período de medo generalizado.

O beach tennis como válvula de escape

Depois de tantas histórias de peso, a conversa ganha um tom mais leve ao tratar do beach tennis, esporte que Marcelo começou a praticar após abandonar o tênis por conta de problemas no joelho. A entrada no esporte veio de forma inusitada: o filho mais novo lhe deu uma raquete de beach tennis de presente antes mesmo de ele conhecer a modalidade. Hoje ele já disputa campeonatos na região, tendo jogado recentemente em torneios no Aquafit e no Sunset.

Ele reconhece jogar com dor por causa das artroses no joelho, mas afirma ter alta tolerância à dor e destaca o clima descontraído da modalidade: “É muito gostoso, porque ele integra todo mundo. Todo mundo, família, amigo”. Ao final da conversa, reforça que a prática funciona como um alívio importante em meio à rotina pesada da profissão médica.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @marcelod.mansano.

Resumo do episódio

O episodio recebe o medico pneumologista e cirurgião torácico Marcelo Manzano, que conta como a influencia indireta do pai medico o levou a estudar em Marilia, passar por Sao Paulo e Goiania antes de voltar para Dracena. Ele detalha a formacao em cirurgia geral e toracica, a especializacao em medicina do sono com foco em apneia obstrutiva, e relata experiencias marcantes durante a pandemia de Covid-19, incluindo o proprio contagio e perdas de pacientes. A conversa tambem aborda a rotina de estudos continuos na medicina, o crescimento do beach tennis como hobby e reflexoes sobre o uso indiscriminado de antibioticos e corticoides no pos-pandemia.

Principais aprendizados

  • A trajetoria medica de Marcelo Manzano foi marcada por decisoes de mudanca de cidade, passando por Marilia, Sao Paulo, Goiania e Palmas antes de se estabelecer em Dracena.
  • A pandemia de Covid-19 gerou uma sobrecarga emocional intensa nos profissionais de saude, incluindo o proprio medico, que contraiu a doenca junto com familiares.
  • A polissonografia completa realizada com tecnico presente e considerada mais confiavel do que o exame feito em casa sem acompanhamento.
  • O uso indiscriminado de antibioticos e corticoides no periodo pos-pandemico e apontado como uma preocupacao atual na pratica medica.
  • A dengue, em relatos pessoais, provocou sintomas mais intensos do que a Covid-19 em um dos casos comentados, incluindo comprometimento hepatico.

Perguntas respondidas neste episódio

Como funciona o exame de polissonografia para apneia do sono

O exame pode ser feito de forma completa, com acompanhamento de um tecnico durante a noite, ou em casa sem esse acompanhamento. A versao completa monitora dados como oxigenacao e frequencia cardiaca durante os episodios de apneia, quando a respiracao para, o oxigenio cai e a frequencia cardiaca aumenta. A versao domiciliar sem tecnico pode perder dados, como quando o paciente retira o oximetro durante a noite, dificultando a conclusao do diagnostico.

Como foi a experiencia de trabalhar na linha de frente durante a pandemia de Covid-19

O periodo foi descrito como muito pesado e tenso, com consultas em que o paciente parecia bem mas a evolucao era incerta, medicacoes preconizadas sendo usadas mesmo sem concordancia total, e um dia em que cinco corpos aguardavam para serem enterrados pela manha durante o lockdown. O medico chegou a contrair a doenca junto com parte da familia e teve que orientar pacientes mesmo estando doente em casa.

Qual a preocupacao atual sobre uso de antibioticos apos a pandemia

Existe uma situacao preocupante em relacao ao uso indiscriminado de antibioticos e corticoides, que muitas vezes sao prescritos por medo ou de forma precoce sem necessidade real. Essa pratica se intensificou apos a pandemia e tem sido discutida em cursos de atualizacao medica, onde se reconhece que remedios estao sendo usados sem comprovacao de eficacia necessaria.

Por que as criancas que usaram mascara durante a pandemia ficaram menos doentes

Criancas estao em fase de desenvolvimento do sistema imunologico e normalmente pegam muitas viroses pelo contato com outras criancas. Durante o periodo em que usaram mascara e ficaram mais isoladas, essa transmissao diminuiu significativamente, o que foi observado na pratica hospitalar, onde a enfermaria de pediatria praticamente nao tinha pacientes internados nesse periodo.

Como e a experiencia de jogar beach tennis em dupla com o conjuge

Jogar em dupla com o conjuge costuma gerar tensao e discussoes durante a partida, algo relatado como comum entre casais na quadra, diferente do clima pacifico observado entre outras duplas. Por esse motivo, alguns casais preferem nao jogar juntos e escolhem outros parceiros, evitando levar as brigas de casa tambem para o esporte.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.