Quando Bia Froio Gregio estava com 40 semanas da primeira filha, ela entrou em pânico. Queria ter o bebê de parto normal, mas não fazia idéia de como era o trabalho de parto, a médica não explicava nada, a família pressionava, e ela acabou cedendo à cesárea, tremendo de medo no centro cirúrgico, com o médico que teve que abraçá-la para ela não chorar. Foi uma cesárea com perda de sangue acima do esperado, um puerpério que começou aos tropeços, e uma apojadura que só desceu no sétimo ou décimo dia, quando a bebê já tinha ganhado fórmula. A história, contada no episódio #186 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de uma enfermeira que viveu na pele o que hoje ela ensina para outras mães, e que resume, com a franqueza de quem é técnica, o tamanho do abismo entre a maternidade que a mulher imagina e a maternidade que ela vive, quando não há informação, há pressão, e não há rede de apoio.
Ao longo do episódio, Bia mostrou que a diferença entre a gestação que termina em trauma e a gestação que termina em parto humanizado, nem sempre está no corpo, está na cabeça, e na preparação que a mulher recebe antes do trabalho de parto começar. Ela descreveu, com a precisão de quem trabalha com puerpério, o que acontece com o corpo da mulher nos primeiros dias depois do parto, o papel da prolactina e da ocitocina, o que é apojadura, e por que as intervenções em cascata, do tipo usar ocitocina sintética para acelerar a dilatação, podem ajudar e atrapalhar ao mesmo tempo. Também contou, sem esconder, o dia em que ela própria quase chorou no centro cirúrgico, e o dia em que a segunda filha quase nasceu em casa, depois de uma segunda gestação inteiramente diferente da primeira. É a história de quem decidiu virar consultora, e o que ela aprendeu nesse caminho.
A enfermeira que viveu a maternidade antes de virar consultora
Bia é enfermeira, e tem duas filhas, a Rafa e a Bela. Foi a primeira gestação que mostrou, para ela, o tamanho do abismo entre a maternidade que a mulher espera e a maternidade que ela vive. Na época, ela queria parto normal, não sabia como era um trabalho de parto, e a médica que a acompanhava era, segundo ela conta no episódio, do tipo mecânico, que não explicava o que ia acontecer. A médica olhava a barriga, dizia que estava tudo bem, e passava para a próxima consulta. Bia chegou com 40 semanas insegura, ansiosa, e ouviu da família que não podia mais esperar. Acabou marcando cesárea sem entrar em trabalho de parto, e foi para o centro cirúrgico tremendo, com medo de morrer, e com o médico que, segundo ela conta, teve que abraçá-la para ela não chorar. “A ignorância é uma benção”, ela diz, quando lembra que, depois que formou em enfermagem, não é mais capaz de encarar uma cirurgia do mesmo jeito.
A cesárea trouxe uma complicação que ela não esperava. Ela perdeu mais sangue do que o normal, sem uma razão clara até hoje, e o que deveria ter sido uma recuperação rápida virou um puerpério lento, com o corpo todo dedicado a repor o sangue perdido, e não a produzir o leite para a bebê. A apojadura, que normalmente desce entre o terceiro e o quinto dia, desceu no sétimo ou décimo, e quando desceu, não era suficiente. A Rafa já estava com fórmula, e Bia, sem rede de apoio, sem orientação, e sem curso de consultoria em amamentação, aceitou o que a época ofereceu. “Não tive ninguém que me apoiasse e me orientasse exatamente de fato.” Foi o que ela disse, e é o que justifica o que ela faz hoje, com outras mães, e o que ela nunca mais admitiu repetir em casa.
A segunda gestação, o estudo, e o parto que quase aconteceu em casa
A segunda gestação foi o que mudou tudo. Bia trocou de médica, e a nova profissional era, segundo ela, humanizada, e fazia o que a primeira não fazia: explicava. Foi a médica que falou, no consultório, que parto normal era possível, e que bastava preparar. Bia, a partir daí, estudou todos os dias, sobre parto, sobre hormônio, sobre o que esperar do trabalho de parto, e passou a meditar, mentalizar o momento, e se preparar com o mesmo rigor que tinha aprendido na faculdade de enfermagem. O resultado, segundo ela conta, com o sorriso de quem viveu o que estava esperando, foi um parto normal, natural, sem analgesia, e que quase aconteceu em casa, porque ela saiu de casa quase ganhando bebê. “Se eu ficasse, acho que mais um pouquinho lá em casa, era capaz de ter nascido lá.”
A diferença entre a primeira e a segunda gestação, segundo ela, não foi o corpo, foi a cabeça. Foi entender, antes, o que ia acontecer. Foi saber que ocitocina sintética, aplicada na veia para acelerar a dilatação, pode alterar o batimento do bebê, e gerar uma cascata de intervenções que não precisava. Foi saber que ir para a maternidade cedo demais, sem dilatação suficiente, abre espaço para que um plantonista com pressa use a ocitocina sem necessidade. “Tudo o que a gente mexe demais, não é assim? Se você afeta a mãe, você afeta o bebê.” Foi o que ela disse, e é a frase que resume, para ela, o que a informação muda na hora do parto. É o que ela ensina, hoje, para as mães que atende como consultora.
Puerpério, prolactina, ocitocina e o que ninguém explica
Um dos pontos altos do episódio é a explicação que Bia dá do puerpério, a fase que começa depois do parto, e que, segundo ela, é a menos falada, e a mais mal compreendida. Durante a gravidez, o corpo da mulher trabalha com um coquetel de hormônios que sustenta a gestação. No momento do parto, esses hormônios caem com tudo, e entram a prolactina, responsável pela produção do leite, e a ocitocina, responsável pela ejeção. É um período de transição brutal, em que o corpo está se readaptando, e em que a cabeça está aprendendo a viver 24 horas com outra pessoa. É, segundo ela, o período em que a depressão pós-parto mais aparece, e em que a família mais precisa ser rede de apoio, e não juíza.
O risco de a mulher achar que está ficando louca, ou de ouvir da própria família que “isso é frescura”, é o que faz, segundo Bia, a diferença entre uma mãe que se recupera e uma mãe que entra em depressão. Foi por isso que ela citou, no episódio, a importância de o parceiro, a parceira, a vó, o vô, entenderem que a mãe não está dramatizando, está atravessando uma transformação hormonal, fisiológica e psicológica ao mesmo tempo, e que, sem rede de apoio, a conta não fecha. É o tipo de orientação que ela faz como consultora, e que ela resume em uma frase que ela repete, e que define o tom do que ela ensina: “tudo o que a gente mexe demais, não é assim.” Menos intervenção, mais preparação, mais rede.
Consultoria em amamentação, a frase da ignorância e o que muda com a informação
Foi depois da primeira gestação que Bia decidiu fazer o curso de consultoria em amamentação. Foi, segundo ela conta, o que preencheu o buraco que ficou da falta de orientação que ela teve, e o que transformou o trauma pessoal em ferramenta de trabalho. No curso, ela aprendeu o que ela queria ter ouvido antes, do tamanho do estômago do bebê recém-nascido, da quantidade de leite que ele precisa, da importância de esperar a apojadura descer no tempo certo, e de não complementar com fórmula sem necessidade. Foi o que faltou para a Rafa, e o que ela garante que não vai faltar para nenhuma mãe que ela atender daqui para frente.
A frase que Bia repete no episódio, e que define a pegada dela como consultora, é a da “ignorância é uma benção”, dita com o sorriso de quem sabe que é verdade, e de quem sabe que não é. A ignorância, segundo ela, protegeu a primeira cesárea dela, porque, sem o conhecimento que ela tem hoje, ela foi para o centro cirúrgico sem saber de todos os riscos. O conhecimento, por outro lado, é o que protege a segunda gestação, e o que ela tenta passar para as mães que atende: o tamanho do estômago do bebê, o papel da ocitocina, o que é a apojadura, e por que não é o caso de complementar com fórmula sem necessidade. É o tipo de conhecimento que, segundo ela, faz a diferença entre a mãe que sai da maternidade com a cabeça no lugar, e a mãe que sai em pedaços. E é o que ela faz, hoje, como o trabalho que escolheu.
Onde encontrar
Bia Froio Gregio é enfermeira e consultora materno-infantil, atende mães na região de Dracena, e trabalha com preparação para o parto, consultoria em amamentação, e orientação no puerpério. Para acompanhar o trabalho, os conteúdos e os atendimentos, siga a @biafroiogregio.
Resumo do episódio
Bia Froio Gregio, enfermeira e consultora materno-infantil, compartilha sua trajetória de uma primeira gestação que terminou em cesárea traumática, sem informações adequadas, até uma segunda gestação em que conseguiu um parto normal natural após preparação rigorosa e acompanhamento humanizado. No episódio, ela explica o que acontece no corpo da mulher durante o puerpério, o papel dos hormônios prolactina e ocitocina, os riscos das intervenções em cascata, e como a falta de informação e rede de apoio transformam a maternidade em trauma, enquanto o conhecimento e a preparação a tornam humanizada.
Principais aprendizados
- A diferença entre uma gestação traumática e uma humanizada está não apenas no corpo, mas na preparação e informação que a mulher recebe antes do trabalho de parto.
- A apojadura normalmente desce entre o terceiro e quinto dia, e complementar com fórmula sem necessidade pode afetar a produção de leite natural.
- Ocitocina sintética aplicada na veia para acelerar a dilatação pode alterar o batimento cardíaco do bebê e gerar uma cascata de intervenções desnecessárias.
- O puerpério é uma transição brutal em que hormônios caem drasticamente e a prolactina e ocitocina entram em ação, período crítico para depressão pós-parto e exigente de rede de apoio familiar.
- Entender o tamanho do estômago do bebê recém-nascido e a quantidade de leite que ele precisa são conhecimentos essenciais para evitar complementação desnecessária com fórmula.
Perguntas respondidas neste episódio
Por que intervenções em cascata durante o parto podem ser prejudiciais?
Quando ocitocina sintética é usada para acelerar a dilatação, pode alterar o batimento cardíaco do bebê e gerar uma série de intervenções seguintes que não seriam necessárias. Tudo que se mexe demais afeta a mãe e, consequentemente, afeta o bebê.
Como a preparação e o conhecimento mudam o resultado da gestação?
A diferença entre uma gestação traumática e uma humanizada não está no corpo da mulher, mas na preparação que ela recebe antes do trabalho de parto começar. Estudar sobre parto, hormônios, o que esperar do trabalho de parto, e se preparar mentalmente são fundamentais.
O que é apojadura e quando ela normalmente desce?
Apojadura é quando o leite materno desce após o parto. Normalmente ocorre entre o terceiro e quinto dia após o nascimento. Atrasos na apojadura podem estar ligados a complicações do parto ou do puerpério que afetam a produção de leite.
Qual é o papel dos hormônios prolactina e ocitocina no puerpério?
A prolactina é responsável pela produção do leite materno, enquanto a ocitocina é responsável pela ejeção do leite. Esses hormônios começam a atuar assim que os hormônios da gravidez caem drasticamente no momento do parto, marcando uma transição brutal para o corpo da mulher.
Por que a rede de apoio familiar é crucial no puerpério?
O puerpério é um período de transformação hormonal, fisiológica e psicológica intensa. Sem apoio da família, a mãe corre risco de desenvolver depressão pós-parto. O parceiro, família e entorno precisam entender que a mãe está atravessando uma transformação real, não dramatizando.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.