Quando Tom Chinchio queimou o cabelo da irmã da tia pela primeira vez, ele tinha uns 17 anos e a avó tinha acabado de pagar o curso de cabeleireiro, o primeiro, em Junqueirópolis. Não foi a última vez. A irmã chorou, e o Tom lembra, no episódio, da frase exata que ela disse: “da próxima vez que você queimar sua irmã…” A história, contada no episódio #188 do AdamiCast, em janeiro de 2023, é a de um menino de Junqueirópolis, criado entre bonecas e trancinhas, que a avó foi a única a apostar, e que sete anos depois de chegar em Dracena, com um salão que tinha um lavatório, um espelho, uma cadeira e um armário, é o dono do próprio salão, com 10 mil seguidores no Instagram, e a maior parte da clientela na faixa etária que é o público que elegeu, e que, segundo ele, “vira rápido, indica rápido, e fideliza rápido”.
Ao longo do episódio, Tom mostrou que a diferença entre o auxiliar que começa e o cabeleireiro que fica, não é técnica, é a capacidade de enxergar o que não está sendo feito, e fazer enquanto os outros esperam. Ele descreveu, sem esconder, os dois anos de estágio em Pacaembu, no salão que era o único que o aceitou como auxiliar, e o momento em que aprendeu penteado, e como esse foi o divisor de águas. Também contou, com a franqueza de quem queimou a própria irmã, a vez em que alugou a salinha em frente ao Cartório Civil, fez três cortes de graça em meninas de escolas diferentes, e, no dia seguinte, não parou mais. É a história de quem decidiu ser cabeleireiro quando o comum era ser auxiliar, e de quem fez da salinha de um metro e meio a primeira sede do Tom C Salon.
Da avó que pagou o curso à irmã que ele queimou de tanto treinar
Tom cresceu em Junqueirópolis, em uma família de Araras e Mogi Mirim, com a cabeça que ele descreve como sempre ligada em cabelo. Desde criança, ele conta, ficava com as bonecas da tia, virava trancinha, e desmanchava, para refazer, e refazer, até aprender o que era cacheado, o que era liso, e o que era transitionar de um para o outro. A avó, segundo ele conta, foi a primeira a levar a vocação a sério, e pagou, com o que podia, o primeiro curso de cabelo dele, perto dos 17 anos. “Só a minha avó que botou fé em mim.” Foi o que ele disse, e é o que define, para ele, o que é ter alguém que aposta na hora errada. A partir daí, ele passou todo final de semana fazendo trancinha nela, e na tia, e em qualquer voluntária que topasse ser cobaia, até chegar a vez da irmã.
Foi treinando na irmã que o Tom queimou o cabelo pela primeira vez, em casa, e a cena, segundo ele, virou história em família. A irmã chorou, gritou a frase que ele guarda até hoje, e ele nunca mais esqueceu. Foi o que o fez levar a sério, segundo ele, e foi o que o fez buscar estágio em Pacaembu, na região, em um salão que era o único que o aceitou como auxiliar. Ficou dois anos lá, e foi onde, segundo ele, aprendeu a fazer penteado, e onde, segundo ele, virou a “chavinha” da carreira. É o que ele repete, no episódio, como princípio para quem está começando: começa com a tia, com a irmã, com quem estiver disposto, e não abre o próprio negócio antes de saber cortar.
Pacaembu, dois anos de estágio, e a salinha de um lavatório em frente ao Cartório
Quando o Tom terminou os dois anos em Pacaembu, os pais dele mudaram para Dracena, e ele foi atrás, sem saber se ia dar certo, e com uma conta a pagar, que era o salário de auxiliar, e a perspectiva de virar cabeleireiro. Chegou na cidade, mandou e-mail para salões, e não foi respondido. Até o dia em que apareceu uma vaga em um salão da cidade, em que ele foi para a entrevista, e foi avaliado, segundo ele conta, com o olhar de cima a baixo, com a dona do salão, em cima da lambreta. Ele entrou. Ficou mais dois anos no salão, e foi o período em que aprendeu penteado de verdade, e em que, pela primeira vez, foi reconhecido na cidade. “Foi o que virou a chavinha.” Quando saiu, segundo ele, já tinha 10 mil seguidores no Instagram, e o apelido que ele não queria: menino do penteado.
A primeira decisão de negócio dele, depois de Pacaembu, foi sair da comissão. Ele conta, no episódio, que a comissão funciona, mas que o custo de produto, com o tempo, come mais do que ela devolve, e que, quando o cabeleireiro começa a fidelizar a clientela, o próprio salão começa a fazer mais sentido. Foi o que ele fez, alugando a salinha em frente ao Cartório Civil, com um lavatório, um espelho, uma cadeira, e um armário, por uns seis meses. É o tamanho, segundo ele, da sala em que ele está agora no podcast, ou um pouco menos, e foi de onde, segundo ele, saiu o Tom C Salon, e a primeira leva de cliente fiel que até hoje fala dele. É o que ele cita, no episódio, como o momento em que ele percebeu que o negócio era dele, e não do salão.
A virada na pandemia e o trabalho de graça com três meninas de escolas
Foi na salinha que Tom decidiu fazer o movimento que, segundo ele, virou o salão. Ele chamou três meninas de escolas diferentes da cidade, fez para cada uma um trabalho diferente, loiro, iluminado, corte, e soltou de graça. A ideia, segundo ele, era simples, e de uma clareza que ele atribui ao Fernando, consultor de marketing que o ajudou a pensar: pegar três meninas que, na cidade, influenciam outras meninas, e fazer com que o próprio cabelo fosse a propaganda. No dia seguinte, ele conta, o salão não parou mais. Foi assim que, segundo ele, o Tom C Salon virou o que é, e o que a clientela jovem que ele atende, até hoje, se identifica.
A pandemia, segundo Tom, foi o período em que o salão dele não parou, e em que ele trabalhou todos os dias, com máscara, e com medo, e com a conta de aluguel chegando. Foi quando ele foi para o salão da Fer Carvalho, em Dracena, trabalhar com estrutura melhor, e quando montou, por seis meses, uma salinha de emergência na kitnet em que morava, para atender quem tinha vergonha de ir em salão chique. Foi o que ele chama, no episódio, de fase que andou para caramba, apesar de tudo. E foi o que o levou, no fim da pandemia, a montar o salão que ele toca hoje, no próprio endereço, e com a clientela que, segundo ele, “é jovem, e é isso que faz a diferença”.
Sair da comissão, o salão próprio, e a frase que define
A frase que Tom repete, e que define a pegada dele, é a de que não basta ser penteador, tem que ser cabeleireiro. Foi o que ele aprendeu, segundo ele, depois de virar conhecido como menino do penteado, e o que ele decidiu quando montou a salinha, e começou a oferecer corte, coloração, e os outros serviços que, segundo ele, compõem o salão de verdade. É o que ele chama, no episódio, de a diferença entre o profissional que se acomoda em uma coisa, e o profissional que vira referência. É a diferença que ele tenta passar para quem está começando, e que ele resume na frase: “começa com a tia, com a irmã, com quem estiver disposto, e não abre o próprio negócio antes de saber cortar.”
Hoje, aos 27 anos, Tom atende em Dracena, com clientela majoritariamente jovem, e com o que ele aprendeu, segundo ele, em 12 a 14 anos de salão, antes de virar o Tom. O salão dele é resultado, segundo ele, da avó que apostou, da irmã que queimou, do estágio em Pacaembu, da salinha em frente ao Cartório, e do movimento das três meninas de graça. É o que ele mostra, no episódio, com a franqueza de quem sabe que queimou a própria irmã de tanto treinar, e que, mesmo assim, foi em frente. É o tipo de história que o Pedro Adami, no episódio, descreve como a de quem “começou com uma salinha de um lavatório, e hoje tem clientela que fideliza rápido, indica rápido, e faz do salão o que ele é”.
Onde encontrar
Tom Chinchio atende em Dracena, no Tom C Salon, e trabalha com corte, coloração, penteado e visagismo, com clientela majoritariamente jovem na região. Para acompanhar a rotina, os trabalhos e o salão, siga o Tom C Salon no @tomcsalon e o Tom no @tom.chinchio.
Resumo do episódio
Tom Chinchio começou aos 17 anos quando a avó pagou seu primeiro curso de cabeleireiro em Junqueirópolis, treinou em família até queimar o cabelo da irmã, fez estágio de dois anos em Pacaembu, alugou uma salinha de um lavatório em frente ao Cartório Civil em Dracena, e cresceu ao oferecer trabalhos gratuitos para meninas influentes da cidade, consolidando um salão com clientela jovem fiel que identifica com seu trabalho em penteado, corte e coloração.
Principais aprendizados
- A avó foi decisiva ao apostar no curso de cabeleireiro quando ninguém mais acreditava na vocação.
- Aprender penteado foi o divisor de águas que permitiu sair da comissão e fidelizar clientela própria.
- Sair do sistema de comissão faz mais sentido quando o cabeleireiro começa a fidelizar a clientela, pois o custo de produto consome mais do que a comissão devolve.
- Fazer trabalhos gratuitos para pessoas influentes da cidade funcionou como estratégia de propaganda, pois o cabelo das meninas se tornou a publicidade do salão.
- A diferença entre um auxiliar que fica e um que sai não é técnica, mas a capacidade de enxergar o que não está sendo feito e fazer enquanto outros esperam.
Perguntas respondidas neste episódio
Como começar carreira como cabeleireiro sem experiência?
Comece treinando com familiares e voluntários dispostos, pratique na irmã, na tia ou em qualquer cobaia que aceite. Não abra negócio próprio antes de aprender a cortar. O estágio em salão é fundamental para aprender penteado de verdade, que marca a virada na carreira.
Vale a pena trabalhar na comissão em um salão?
A comissão funciona no início, mas com o tempo o custo de produto consome mais do que ela devolve. Quando o cabeleireiro começa a fidelizar clientela, montar negócio próprio faz mais sentido economicamente.
Como transformar um salão pequeno em referência na cidade?
Ofereça serviços diferenciados para pessoas influentes gratuitamente, de forma que o próprio cabelo delas vire propaganda. Além disso, seja completo: não é suficiente fazer apenas penteado, precisa oferecer corte, coloração e visagismo para ser cabeleireiro de verdade.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.