O episódio 319 do AdamiCast recebeu um casal que decidiu apostar no interior para construir uma carreira na medicina estética. O cirurgião plástico Alexandre Kobayashi e a fisioterapeuta Paula Kobayashi contaram como se conheceram dentro de um hospital em Araraquara, passaram por Catanduva e São José do Rio Preto durante as respectivas especializações e, depois de anos de formação, resolveram abrir uma clínica em Tupã, cidade que ficou no meio do caminho entre Marília e Presidente Prudente e que hoje atrai pacientes de várias cidades da região, incluindo Dracena.
Do hospital de Araraquara ao altar
A história dos dois comeca na faculdade, em Araraquara, onde Alexandre cursava medicina e Paula, fisioterapia. Os dois se cruzaram no internato, quando os futuros médicos passam a frequentar o hospital na prática. Paula já trabalhava como fisioterapeuta na UTI coronariana da Santa Casa, e foi ali que o casal se conheceu. Segundo Alexandre, “foi amor à primeira vista, que a gente fala”. Paula lembrou que entrou na faculdade já decidida pela área cardiorrespiratória, sendo a única de uma turma de sessenta alunos a escolher esse caminho, e contou que um professor a avisou, no primeiro dia de aula, que na UTI “é muito mais óbito do que vida”.
Enquanto Alexandre ainda cursava os últimos anos de medicina, Paula já havia prestado processo seletivo e assumido a UTI coronariana da Santa Casa de Araraquara, onde acompanhava cirurgias cardíacas e preparava os pacientes para o pós-operatório. O relacionamento nasceu literalmente dentro do ambiente hospitalar, entre plantões e a rotina de uma UTI, o que os dois relembraram com bom humor durante a conversa.
Formação, mudanças de cidade e a escolha pela cirurgia plástica
Depois da faculdade, Alexandre seguiu para a residência de cirurgia geral em Catanduva, cidade que tinha tradição na formação de cirurgiões e também um centro de referência em queimados. Foi ali que ele passou a conviver mais com cirurgiões plásticos e decidiu migrar da ideia inicial, que era seguir para a cirurgia do aparelho digestivo, para a cirurgia plástica. Segundo ele, a escolha veio também pelo caráter desafiador da especialidade: “o cirurgião plástico é praticamente a única especialidade que responde pelo resultado do procedimento”.
Paula, por sua vez, teve que abrir mão da vaga concursada que tinha conquistado em Araraquara para acompanhar o marido em Catanduva, já gestante da primeira filha, Giovanna. A decisão de não retornar ao trabalho como fisioterapeuta hospitalar naquele momento envolveu contas práticas: o salário não compensaria os custos com uma babá numa cidade onde o casal não tinha rede de apoio.
Enquanto Alexandre seguia para a subespecialização em cirurgia plástica, Paula aproveitou o período para investir em uma nova formação, cursando pós-graduação em dermatologia funcional e saúde da mulher na FAMERP, em São José do Rio Preto. Foi durante esse período que ela desenvolveu, e depois patenteou, uma técnica de bandagem para o pós-operatório de cirurgia plástica, adaptando um recurso até então mais usado na ortopedia esportiva para a recuperação de pacientes cirúrgicos.
A decisão de abrir a clínica em Tupã
Com a filha já com cinco anos e o desejo de se aproximar da família, que é de Bastos, Alexandre decidiu não seguir para grandes centros nem para lugares distantes que chegou a considerar, como Araguaína, no Tocantins. A escolha foi Tupã, por ser uma cidade maior, com estrutura hospitalar, e estrategicamente posicionada entre o público de Bastos e o de outras cidades vizinhas. Segundo ele, muitas pessoas o alertaram sobre a força econômica da região, mas o casal apostou que a procura por cirurgia plástica não está restrita a grandes centros: “tem o público que, independente de quanto for, a cirurgia plástica é uma prioridade, é um sonho na vida dela”.
O início foi difícil, sem carteira de clientes e sem o reconhecimento que vem com o tempo. Alexandre contou que juntou capital dando plantões extras durante toda a residência para conseguir alugar o prédio e montar a estrutura da clínica. Os primeiros pacientes vieram por indicação, de vizinha para conhecida, até que o boca a boca começou a crescer. Hoje, quatro anos depois, a clínica atende pacientes de cidades como Prudente, Marília, Flórida Paulista e São João do Pau D’Alho, criando o que o próprio Alexandre chamou de “contrafluxo”, já que tradicionalmente o movimento seria migrar para os grandes centros em busca desse tipo de procedimento.
Tecnologia, especialização e o trabalho a quatro mãos
Um dos pontos centrais da conversa foi o investimento em tecnologia para tornar a lipoaspiração mais segura, com o uso de ultrassom, vibrolipoaspirador e jato de plasma para tratar a flacidez de pele. Alexandre também comentou sobre a técnica MILA, uma abdominoplastia minimamente invasiva sem grandes cicatrizes, indicada para casos específicos de flacidez discreta.
O casal decidiu focar em poucos procedimentos, como cirurgias de mama, abdômen, lipoaspiração e blefaroplastia, em vez de atender a todas as demandas possíveis da especialidade, buscando se tornar referência nessas áreas. Alexandre destacou a importância da segurança em procedimentos como o enxerto de gordura no bumbum, que exige ultrassom durante a cirurgia para evitar riscos graves, e alertou sobre a banalização da lipoaspiração feita fora de ambiente hospitalar.
Paula, além do trabalho de fisioterapia no pós-operatório, também atua na gestão da clínica, incluindo parte financeira e controle de estoque. Os dois comentaram sobre a rotina de trabalhar juntos, driblando o estranhamento inicial e aproveitando a complementaridade das áreas de atuação.
Ao final da conversa, o casal agradeceu a oportunidade de mostrar o trabalho desenvolvido em Tupã para um público que talvez não conhecesse o serviço oferecido tão próximo de Dracena, reforçando que um atendimento de qualidade e humanizado pode ser construído fora dos grandes centros, com dedicação, atualização constante e responsabilidade profissional.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @clinicakobayashi, @dr.alexandrekobayashi e @dra_paula_vaccari.
Resumo do episódio
O episódio traz o casal doutor Alexandre Kobayashi, cirurgião plástico, e doutora Paula, fisioterapeuta especializada em pós-operatório, contando como se conheceram durante o internato e a residência em um hospital de Araraquara e como estruturaram juntos uma clínica de cirurgia plástica em Tupã. Eles detalham a trajetória profissional, as escolhas de especialização, os sacrifícios financeiros para abrir a clínica, as tecnologias usadas em lipoaspiração e cirurgias corporais, os cuidados com segurança em procedimentos como o enxerto de gordura no bumbum, e a importância do acompanhamento fisioterapêutico no pós-operatório. Também abordam como conciliam vida profissional e conjugal trabalhando juntos.
Principais aprendizados
- A lipoaspiração é uma cirurgia e deve ser feita em ambiente hospitalar com anestesista presente, pois procedimentos feitos apenas com anestesia local em clínicas podem ser fatais.
- O enxerto de gordura no bumbum tem risco de embolia se injetado dentro do músculo, por isso a aplicação deve ser feita fora do músculo e com auxílio de ultrassom portátil para garantir segurança.
- A cicatrização patológica, como o queloide, tem forte componente genético, sendo que negros, indígenas e asiáticos têm até oito vezes mais chance de desenvolver esse tipo de cicatriz.
- O sucesso de uma cirurgia plástica depende também da participação do paciente antes e depois do procedimento, incluindo alimentação e atividade física, pois hábitos não saudáveis podem comprometer o resultado a longo prazo.
- Existem técnicas mais modernas e menos invasivas, como a Mila (mini-abdominoplastia minimamente invasiva), que tratam pele, gordura e musculatura sem os grandes cortes tradicionais, resultando em recuperação mais rápida e cicatrizes menos aparentes.
Perguntas respondidas neste episódio
É seguro fazer lipoaspiração em consultório ou clínica de estética?
Não é recomendado, pois a lipoaspiração é uma cirurgia que envolve riscos e deve ser realizada em ambiente hospitalar, com anestesista presente e toda uma equipe médica de retaguarda. Procedimentos feitos em clínicas com apenas anestesia local podem gerar complicações graves e até fatais, já que não há suporte adequado para socorrer o paciente em caso de problema durante o procedimento.
Por que algumas pessoas não ficam satisfeitas com o resultado da lipoaspiração?
A insatisfação costuma ocorrer quando a indicação do procedimento não é adequada. A lipoaspiração foi criada para tratar gordura localizada, não para emagrecimento geral. Pacientes com percentual de gordura corporal acima de 30% tendem a ter menor índice de satisfação com o resultado, pois o procedimento não substitui mudança de hábitos alimentares e de atividade física necessários para reduzir a gordura corporal como um todo.
Como funciona o pós-operatório de uma cirurgia plástica com acompanhamento fisioterapêutico?
O acompanhamento começa antes mesmo da cirurgia, com preparação da pele, e continua durante o procedimento, quando a fisioterapeuta já aplica a primeira drenagem ainda no bloco cirúrgico, podendo usar laser, ozônio e bandagens. No dia seguinte há um segundo atendimento com troca de curativo e malha cirúrgica, e o retorno com acompanhamento pode se estender por até um ano, incluindo o uso de balança de bioimpedância para monitorar a composição corporal e ajudar a manter o resultado.
O que é a técnica Mila em cirurgia plástica?
É uma abreviação para mini-abdominoplastia minimamente invasiva, uma técnica sem cortes visíveis, em que o tratamento da pele e da flacidez é feito com um aparelho de jato de plasma, a gordura é tratada com tecnologias de lipoaspiração, e a correção da musculatura abdominal separada pela gestação é feita por vídeo através de três pequenos furos. É indicada para pacientes com pouca sobra de pele e resulta em recuperação mais rápida e aparência mais natural.
Por que profissionais de cirurgia plástica estão se especializando em poucos procedimentos ao invés de fazer de tudo?
Porque as técnicas e tecnologias evoluem constantemente e é praticamente impossível acompanhar todas as novidades em todas as áreas do corpo. Focar em poucos procedimentos, como cirurgias de mama, abdômen, lipoaspiração e pálpebra, permite que o profissional aprofunde o conhecimento, aumente a qualidade técnica e se torne referência, ao invés de fazer um pouco de tudo sem se destacar em nenhuma área específica.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.