No episódio #443 do AdamiCast, Pedro e Mariana receberam o casal Carolina Rossi e Caio D’Emilio. Ela é médica radiologista especializada em abdômen. Ele é médico oftalmologista com subespecialidade em retina. Os dois se formaram em Jundiaí, se conheceram lá, foram para São Paulo, voltaram para Dracena em 2016, voltaram para São Paulo em 2017 e vieram de vez para Dracena em 2022. Uma história de ida e volta com muita formação no meio do caminho.
Caio: o oftalmologista que queria usar oculos desde crianca
Caio cresceu em São Paulo. Os pais levavam os quatro filhos ao mesmo oftalmologista, um senhor engraçado e gentil chamado Dr. Carlos. Os outros irmãos usavam óculos. Caio não usava, mas queria ir junto. Ficou com a referência do Dr. Carlos na cabeça e entrou na faculdade já pensando em oftalmologia. Não veio de família médica, ninguém tinha referência de carreira, mas a especialidade estava clara desde o começo.
Carolina: queria dermato, acabou na rádio
Carolina tem pai dentista e mãe enfermeira. Sempre soube que faria algo na área da saúde, mas a medicina em si só foi se firmar perto do vestibular. Passou a faculdade inteira querendo fazer dermatologia, fez todos os estágios em dermato. Formou, prestou residência de clínica médica, passou, mas não assumiu a vaga. Ficou trabalhando e estudando. Num dia qualquer foi ver uma aula de um radiologista renomado da Unicamp. Saiu pensando: quero ser inteligente assim. Fez residência em radiologia, depois um ano de fellowship em abdômen. Hoje lauda tomografias e ressonâncias de casa, com fone de abafamento de ruído, focada.
Como se conheceram: o churrasco do sexto ano e o pai que acordou
Os dois estudaram medicina em Jundiaí. Carolina era dois anos à frente. A irmã dela estava na turma do Caio. Se conheciam da faculdade pequena mas nunca tinham realmente se encontrado. A conexão aconteceu num churrasco de formatura do sexto ano, a festa da turma da irmã. Uma amiga em comum inventou para os dois que o outro havia dito que ia se aproximar, e assim cada um foi esperando o outro agir. Foram parar numa república às 5 da manhã. Carolina foi buscar o carro, o pai estava acordado no apartamento. Não deixou ela sair sozinha. Dirigiu até a casa de Caio, exigindo saber onde ele morava. Caio nunca esqueceu. O pai, Francisco, hoje é sogro e compadre.
A ida para Sao Paulo, o retorno a Dracena e o vai e vem
Carolina terminou a residência e o fellowship e foi chamada para trabalhar como radiologista em Dracena em 2016. Caio veio junto, mas como médico do trabalho, pois ainda não tinha feito a residência de oftalmologia. Não ficou muito tempo: a cidade não absorvia bem medicina do trabalho na época. Carolina o incentivou a ir atrás do que realmente queria. Voltaram para São Paulo em 2017. Caio fez três anos de residência em oftalmologia e mais três em retina. Ficaram até 2022 em São Paulo. Caio adorava a cidade e não queria sair. Nasceu a Laura em 2021. A violência no bairro aumentou. Caio foi chamado de volta para Dracena pelo “Tastão” da Clínica Bosco. Uma colega que tinha a mesma subespecialidade anunciou que ia sair da cidade. As peças foram se encaixando. Uma mensagem de Carolina num domingo de manhã cedo foi o sinal que Caio havia pedido a Deus antes de dormir. Vieram de vez.
Sao Paulo formou, Dracena realizou
Os dois falam de São Paulo com afeto. Caio diz que todo médico deveria morar e estudar lá um tempo: é onde tudo acontece primeiro, os congressos são frequentes, os casos são raros, o network é imenso. Carolina saía de casa às 6 da manhã e voltava às 8:30 da noite todo dia e adorava. Mas com a Laura pequena e o bairro ficando violento, a equação mudou. Hoje têm a Laura e o Francisco em Dracena. O pai de Carolina aposentou a clínica e se mudou para perto. O sogro, que sempre enfiou o nome de Dracena nas conversas quando estavam em São Paulo, ficou satisfeito.
Retina e radiologia de abdomem no interior: da para fazer bem feito
Caio trabalha com retina na Clínica Bosco e diz que dá para oferecer em Dracena o mesmo que se oferece nos grandes centros. O OCT (tomografia de coerência ótica) é o equipamento central para retina. Estava restrito a grandes hospitais há 10 ou 15 anos, hoje está disponível no consultório. Fundamental para tratar diabetes ocular, degeneração macular e oclusão de veias da retina. Carolina lauda tomografia e ressonância com foco em abdômen. Os aparelhos evoluíram: ressonâncias que levavam 15 minutos agora levam 7. Fundamental para quem tem claustrofobia. No CDD de Dracena a equipe consegue direcionar por área de especialidade, o que aumenta a assertividade dos diagnósticos.
Inteligencia artificial como chave de fenda
Na radiologia, a IA já atua há pelo menos 10 anos. Na pandemia havia software que quantificava o comprometimento pulmonar na COVID. Hoje existe software que detecta fraturas. O radiologista ainda assina, ainda se responsabiliza, ainda humaniza o atendimento. Carolina usa IA para criar conteúdo para o Instagram, organizar resumos de histórico de pacientes, agilizar rotina. Caio usa para as mesmas coisas. Os dois concordam com a definição: é uma chave de fenda. Não resolve sozinha, não pensa, não examina. Mas em mãos certas, agiliza muito.
Mosquinhas, olho seco e presbiopia: o que ninguem explica
Caio explica três queixas frequentes. Presbiopia: natural a partir dos 40 anos, o cristalino perde a capacidade de acomodar. O braço começa a ficar curto para ler o celular. Democrático, todo mundo passa por isso. Olho seco: região quente como Dracena, ar condicionado constante, telas sem piscar. O cérebro entende que precisa absorver informação e não manda piscar. A superfície ocular resseca, dá ardência, embaçamento. Mosquinhas (moscas volantes): geralmente é o descolamento do vitréo, o gel do olho. Benigno na maioria das vezes, mas precisa de avaliação para descartar rasgo na retina. Rasgo na retina pode levar a descolamento e cegueira. Vale ir ao oftalmologista.
Topicos abordados no episodio
- Caio crescendo com a referência do Dr. Carlos, o oftalmologista da família em São Paulo
- Carolina com pai dentista e mãe enfermeira, medicina se firmando perto do vestibular
- A faculdade em Jundiaí onde os dois se formaram e se conheceram
- Carolina querendo dermato por toda a faculdade e mudando para radiologia depois de ver uma aula
- O churrasco do sexto ano, a amiga cupido e o encontro que não acontecia
- O pai Francisco acordado às 5 da manhã e dirigindo Caio para casa (“onde você mora, rapaz?”)
- A viagem ao exterior onde Carolina tinha certeza que ele ia pedir em noivado e ele não pensou nisso
- Casamento em janeiro de 2016, aniversário de 10 anos que os dois esqueceram
- Carolina vindo para Dracena como radiologista em 2016, Caio como médico do trabalho
- O retorno para São Paulo em 2017 para Caio fazer a residência de oftalmologia
- Três anos de oftalmologia mais três anos de retina em São Paulo
- Laura nascida em 2021, violência no bairro, Caio não queria sair de São Paulo
- A mensagem de Carolina num domingo cedo como “sinal” para voltarem para Dracena
- O pai de Caio sempre enfiando Dracena nas conversas para incentivá-los a voltar
- O OCT e a retina disponíveis em Dracena com a mesma qualidade dos grandes centros
- IA na radiologia há 10 anos: COVID, fraturas, ressonâncias mais rápidas
- IA como chave de fenda: não substitui o médico, mas agiliza o trabalho
- Carolina trabalhando de casa laudando com fone de abafamento e filhos batendo na porta
- Presbiopia, olho seco e mosquinhas: quando preocupar e quando não
- A criança com tumor abdominal: emocionar durante o laudo e a rede de médicos que agilizou o encaminhamento
- O filho Francisco nascido em Dracena e a qualidade de vida com as crianças pequenas
O AdamiCast #443 é um episódio sobre dois médicos que foram buscar o melhor da medicina em São Paulo e trouxeram de volta para Dracena. Siga no Instagram: @carolinarossidemilio e @caiodemilio.
Resumo do episódio
Carolina Rossi, radiologista especializada em abdômen, e Caio D'Emilio, oftalmologista com subespecialidade em retina, compartilham sua trajetória de formação em Jundiaí, aperfeiçoamento em São Paulo e retorno definitivo a Dracena em 2022. O episódio revela como ambos desenvolveram suas vocações desde a infância, o encontro que os uniu, e demonstra que especialidades médicas de alta complexidade como retina e radiologia de abdômen podem ser exercidas com excelência no interior, apoiadas por tecnologia moderna e inteligência artificial.
Principais aprendizados
- A tecnologia OCT, antes restrita a grandes hospitais, hoje permite oferecer tratamento de retina em consultórios do interior com a mesma qualidade dos grandes centros
- Inteligência artificial atua há mais de 10 anos na radiologia, detectando fraturas e quantificando comprometimento pulmonar, mas o radiologista permanece responsável pelos laudos e pela humanização do atendimento
- Presbiopia é um processo natural a partir dos 40 anos quando o cristalino perde a capacidade de acomodar, afetando democraticamente toda a população
- Olho seco em regiões quentes é agravado por ar condicionado constante e uso prolongado de telas sem piscar, causando ardência e embaçamento
- Moscas volantes geralmente indicam descolamento do vítreo, situação benigna na maioria das vezes, mas requer avaliação oftalmológica para descartar rasgo na retina que poderia levar a cegueira
Perguntas respondidas neste episódio
Como é possível oferecer retina e radiologia de abdômen com qualidade no interior?
Os equipamentos evoluíram significativamente, tornando tecnologias como OCT disponíveis em consultórios. Ressonâncias que levavam 15 minutos agora levam 7, beneficiando pacientes com claustrofobia. Direcionamento por área de especialidade nos centros de diagnóstico aumenta a assertividade dos diagnósticos.
Como a inteligência artificial é utilizada na prática médica?
Na radiologia, softwares detectam fraturas e quantificam comprometimento pulmonar. Ambos os médicos usam IA para criar conteúdo, organizar históricos de pacientes e agilizar rotinas. A IA funciona como ferramenta que não substitui o médico, mas o auxilia em tarefas repetitivas.
Quando moscas volantes no campo visual indicam um problema grave?
Moscas volantes geralmente resultam do descolamento do vítreo, condição benigna na maioria dos casos. Porém, é essencial avaliação oftalmológica para descartar rasgo na retina, que pode evoluir para descolamento da retina e cegueira.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.