Carla Deponte e Marcelo Mansano se conheceram em 2009 no primeiro ano da faculdade de medicina, na Santa Casa de São Paulo, e desde então não largaram a mão um do outro. Sete anos depois de vir pra Dracena — primeiro Marcelo, depois Carla — tocam clínica, casaram, treinam corrida juntos e têm até um Iron Man no currículo.
A conversa foi ao ar em 22 de março de 2022 no episódio 99 do AdamiCast e seguiu uma linha clara: como dois médicos formados em São Paulo decidem trocar metrópole por cidade do interior, como escolheram a especialidade cada um e por que esporte, hoje, é parte da rotina de consultório.
De São Paulo para Dracena: a história de amor que virou mudança de cidade
Marcelo é de São Paulo capital e foi o primeiro médico da família. Quando a turma começou a “cobiçar” os dois solteiros do grupo e Carla falou que existia a chance de uma vaga em Dracena com a aproximação da aposentadoria do Dr. Carlos André, ele topou. “O cara de São Paulo pra vir pra Dracena — você vai contar muita lorota”, brincou na mesa. Anos depois, admite que gostou da cidade desde a primeira visita e que continuar ao lado de Carla valeu cada quilômetro de ônibus interestadual.
Carla conhecia a cidade pelo lado da família. O pai é cirurgião em Dracena e a m&eilde;e pediatra, e foi a estabilidade da cidade que viabilizou a vinda do casal. Marcelo chegou em 2015, Carla fechou a residência em 2016 e o casamento aconteceu em 2014, na metade do caminho da mudança. Hoje os dois atendem no mesmo município em que Carla cresceu passando as férias.
As escolhas dentro da medicina: pediatria, hepatologia, ortopedia e o quarto ano que decide tudo
Carla entrou na faculdade querendo pediatria, influência direta da mãe. No terceiro ano percebeu que tinha mais habilidade e interesse por intervenção, passou pra cirurgia geral e se encantou pelo aparelho digestivo, com um caso de amor à parte por hepatologia. A guinada veio na residência de cirurgia geral: rodando pela plástica, apaixonou. “Meus pais nem esperavam, porque nem sou muito vaidosa assim.” Fechou na plástica e nunca mais mudou.
Marcelo começou a faculdade querendo ser cirurgião cardíaco. A liga de ortopedia, encontros regulares com dois ou três amigos apaixonados pela área, somada à vivência dele como atleta amador, virou o ponteiro. O lateral canhoto de futebol de campo da Intermed no campus gostava da parte resolutiva da especialidade, do “caiu, quebrou, opera, pronto, resolveu”. No terceiro ano de faculdade já era certeza: ortopedia. E a paixão por esporte virou diferencial de carreira — ele cuida de atletas, acompanha times e faz a ponte entre consultório e campo que a própria especialidade permite.
Atletas amadores em fim de semana: Iron Man, maratona e a mãe que corre mais rápido
Fora do plantão, Carla e Marcelo são dois corredores competitivos. Maratonaram em Porto Alegre em 2016, têm meia maratona como a “distância mais gostosa” e, juntos, finalizaram um Iron Man — “a maior experiência atlética”, resume Marcelo. Para Carla, não é difícil separar a cabeça de médica e a cabeça de atleta quando se entra na prova: “é você lutando com a mente, com o corpo, com o físico”.
A entrada na corrida foi despretensiosa. Marcelo, depois de anos sedentário na residência, chamou Carla para uma prova de 5 km — “a gente nem corria direito”. Foi uma das piores experiências dela, com vomitar no meio do caminho e terminar correndo na pista de cavalos. Mas a ficha caiu: se o senhorzinho da categoria acima passa, eles podem mais. Vieram as 10 km, a meia, a maratona. Carla ainda fez uma travessia do Rio Paraná em Panorama e mantém a natação desde a infância. Marcelo já jogou futebol de campo como lateral canhoto, “completava o time”, e usa essa experiência pra entender o que o atleta esportivo quer quando procura um ortopedista.
O detalhe que resume bem o exemplo que Carla e Marcelo têm em casa é a história da mãe dela, a Fátima, com 63 anos na época da conversa, que bateu recorde na categoria dela em uma corrida de Touros com tempo melhor que corredor de 30 anos. Os organizadores demoraram pra soltar o resultado, achando que era erro da planilha. Não foi: a mãe corre mais rápido que boa parte do público, e a família de Carla cita o caso como exemplo — “já não é mais novinha também”.
Dracena, por escolha e por família
O fio condutor do episódio é a escolha consciente de viver em cidade pequena depois de formado em capital. Marcelo brinca que largou São Paulo pra manter a esposa feliz e que hoje não trocaria o tamanho do plantão pela confusão da capital. Carla confirma: “a gente sabe que se precisar de alguma coisa, consegue resolver em um lugar pequeno, com pouco recurso, numa boa vontade”.
A combinação dos dois consultórios atende a uma demanda regional que justifica manter os dois no mesmo endereço. Marcelo virou a principal referência em ortopedia de Dracena, com a clientela que Carlos André deixou quando se aposentou, e Carla atende plástica na mesma cidade. O resultado é uma vida em que o plantão dos dois conversa com a corrida no fim de semana — e a corrida faz o plantão ficar melhor.
Onde encontrar
A conversa foi gravada em Dracena, SP, onde os dois atendem. Para acompanhar a clínica e o trabalho do casal, e a rotina de corrida, siga os perfis no Instagram:
Carla Deponte: @carlinha_tica e @medicina.deponte
Marcelo Mansano: @mansano42
Resumo do episódio
Carla Deponte e Marcelo Mansano são um casal de médicos que deixou São Paulo para montar clínica em Dracena. O episódio revela como ambos escolheram suas especialidades durante a faculdade, por que decidiram se mudar para o interior e como conciliam a profissão com treinamentos de corrida, incluindo um Iron Man que completaram juntos.
Principais aprendizados
- A escolha da especialidade médica pode mudar radicalmente durante o terceiro ou quarto ano de faculdade, mesmo com influências familiares iniciais
- A vivência do atleta amador do médico pode ser um diferencial profissional, especialmente em ortopedia
- A corrida competitiva começou com uma prova de 5 km despretensiosa, evoluindo para maratonas e ultraprovas
- Médicos em cidade pequena podem atender demanda regional justificando dois consultórios no mesmo endereço
- A rotina de exercício físico intenso nos fins de semana potencializa o desempenho profissional durante os plantões
Perguntas respondidas neste episódio
Por que um médico de São Paulo se muda para Dracena?
A oportunidade surgiu com a aposentadoria de um médico consolidado, oferecendo estabilidade profissional. Para Carla, a cidade já era familiar pela família: seu pai é cirurgião e sua mãe é pediatra em Dracena. O casal também confirmou que a vida em cidade pequena oferece qualidade de vida, permitindo resolver demandas com boa vontade.
Como a experiência como atleta influencia a carreira de um ortopedista?
O histórico de jogador de futebol permite ao médico compreender melhor o que o atleta esportivo busca na consulta. A paixão por esporte se torna diferencial de carreira, permitindo cuidar de atletas, acompanhar times e fazer a ponte entre consultório e campo, algo que a própria especialidade permite.
Como começou a prática de corrida do casal?
A entrada foi despretensiosa, quando Marcelo, após anos sedentário na residência, convidou Carla para uma prova de 5 km. Carla teve uma das piores experiências dela, vomitando no caminho, mas a situação inspirou ambos a perceber que podiam ir além. Depois vieram as 10 km, a meia, a maratona e o Iron Man.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.