#290

apoio a pacientes de câncer em Dracena: a história da Vapac | #290

01 de março de 2024 • 7 min de leitura

Este texto vem do episódio #290 do AdamiCast

O episódio 290 do AdamiCast recebeu duas mulheres que dedicam suas vidas a uma causa que toca praticamente todas as famílias de Dracena e região em algum momento: o cuidado com quem enfrenta o câncer. Dona Ivone, fundadora da Vapac (Associação Apoio ao Paciente de Câncer), e Rosana, assistente social da entidade, contaram como a instituição, com 26 anos de história, se tornou uma rede de apoio que vai muito além do que muita gente imagina.

O que é a Vapac e como funciona o encaminhamento

Dona Ivone explicou de forma direta o propósito da entidade: “a Vapac é a Associação Apoio ao Paciente de Câncer. Ela é um apoio, e nós cuidamos, não importa pra nós aonde ele trata. Se é Jaú, Prudente, Campinas, aonde for.” Rosana detalhou o caminho que o paciente percorre até chegar à Vapac: geralmente ele passa pelo posto de saúde, entra no sistema CROSS (Central de Regulação de Ofertas de Serviço de Saúde) e é direcionado ao tratamento em Presidente Prudente, referência regional. Quem quer se tratar no Hospital Amaral Carvalho, em Jaú, precisa manifestar esse desejo antes de ser inserido no sistema CROSS, porque uma vez cadastrado em Prudente não há mais como mudar. Rosana reforçou que não existe diferença de qualidade entre os dois polos: “Prudente é tão eficiente quanto, e mais próximo. Quem faz quimio, rádio, Prudente é aí pertinho. Dá pra ir todo dia e voltar.”

Um ponto que as duas quiseram deixar bem claro durante a conversa é que muita gente que trata em Presidente Prudente não sabe que também pode contar com o suporte da Vapac. “Não importa onde você quer que vá. Pelo fato de saber que a gente caminha pra Jaú, eles acham que Prudente, por ser de Prudente, nós não damos suporte”, disse Rosana, esclarecendo que o apoio é dado independentemente de onde o tratamento aconteça.

Medicação, alimentação e todo tipo de suporte

A Vapac atua desde a orientação documental até a ajuda financeira direta. Segundo Dona Ivone, “nós ajudamos desde a medicação até a alimentação enteral”, e a entidade também empresta cadeiras de rodas, cadeiras de banho e camas hospitalares para os pacientes acamados, sempre por meio de projetos e doações. Rosana contou que a parceria com a prefeitura garante um valor anual que é usado justamente para comprar remédios, fraldas e itens de nutrição, e destacou a importância de agir rápido quando o paciente está com dor: “ninguém merece passar dor… a gente já vai ali e já compra rapidinho a medicação.”

Também emocionou o relato sobre doações espontâneas que chegam nos momentos mais inesperados. Dona Ivone lembrou o caso de um exame caro que a Vapac pagou sem ter certeza de onde viria o dinheiro, e no dia seguinte recebeu um envelope anônimo com exatamente o valor gasto. Contou ainda sobre um senhor que ligou perguntando como fazer uma doação e, ao pedir o recibo, revelou que o valor era de dez mil reais: “eu falei assim, é de quanto, qual é o valor? Ele falou assim, é pouquinho, tá? É dez mil.” Casos assim, segundo ela, mostram como a comunidade de Dracena abraça a causa.

Visitas, urgências e o peso emocional do trabalho

Antes de qualquer estrutura mais organizada, Dona Ivone fazia visitas praticamente sozinha, inclusive de madrugada, para ajudar pacientes a conseguir internação. “Quantas vezes que eu fui, meia-noite, uma hora da manhã, eu ia lá”, relembrou, contando que o marido nunca reclamou e sempre abria o portão para ela saír. Um dos casos que mais marcou sua trajetória foi o de uma paciente de Brasilândia que acompanhou por mais de seis anos, até o momento da morte, ao lado da família. Hoje, segundo ela, a demanda mudou: “antigamente a gente conseguia [internar todo mundo]. Hoje não consegue mais… a demanda é grande.”

Rosana, que está há dez anos na entidade, contou que inicialmente tinha até medo de trabalhar numa instituição voltada ao câncer, mas encontrou ali um sentido que não esperava: “eu saio da Vapac assim com o dever cumprido… eu não levo pra casa.” As duas concordaram que a família do paciente costuma sofrer tanto quanto ele, e que o suporte psicológico oferecido pela psicóloga da entidade, Isabel, é fundamental tanto para quem está em tratamento quanto para os parentes.

O cantinho da autoestima e a força emocional no tratamento

Uma das novidades mais celebradas na conversa foi a inauguração, durante o Outubro Rosa, de um espaço de beleza dentro da própria sede da Vapac, batizado de “Fortaleza de Vínculos”. Ali, cabeleireiras e manicures voluntárias atendem pacientes e familiares de graça, geralmente na última segunda-feira do mês. Rosana contou a emoção de ver o projeto se concretizar: “foi um sonho realizado, na verdade.” Dona Ivone lembrou de uma paciente que decidiu cortar o cabelo de forma criativa sabendo que ele cairia com a quimioterapia, e saiu do salão radiante.

As duas reforçaram como o estado emocional influencia diretamente na resposta ao tratamento. “Quando a pessoa se entrega, ela vai muito bem… quando a pessoa se entrega, ela vai muito mais rápido”, disse Rosana, citando o exemplo de uma sobrinha que enfrentou duas cirurgias mantendo o bom humor com os filhos pequenos. A rotina da Vapac inclui ainda um grupo de bordado que se reúne todas as segundas-feiras e um coral às quartas, atividades que ajudam pacientes e voluntárias a criar vínculos e aliviar o peso do tratamento.

Eventos, arrecadação e como ajudar

Para se manter, a Vapac depende de carnês de contribuição mensal, sem valor fixo, além de eventos beneficentes que voltaram a acontecer com mais força depois da pandemia. Estava confirmado, na época da gravação, um chá em parceria com o Lions Clube de Dracena, marcado para o dia 7 de abril, e um churrasco beneficente em parceria com a maçonaria, no dia 13, além do tradicional Torra Torra, com participação de lojas do comércio local que destinam parte das vendas à entidade. Também estava nos planos retomar a bacalhoada de julho, feita tradicionalmente na pousada e que este ano deve ocorrer no novo salão da própria sede, com capacidade para mais de 380 pessoas.

Quem quiser contribuir pode se tornar voluntário, doar cestas básicas, equipamentos médicos como camas e cadeiras de rodas, ou simplesmente levar roupas para o brechó permanente da instituição, que funciona de segunda a sexta, das treze às dezessete horas. Dona Ivone resumiu o espírito que sustenta o trabalho de décadas: “a gente ama, eu amo trabalhar ali.” Rosana completou lembrando que a informação sobre a existência da Vapac muitas vezes chega tarde para quem precisa, e por isso reforçou o convite para que mais pacientes e familiares de Dracena procurem a associação, independentemente de onde estejam realizando o tratamento.

Onde encontrar

Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @ivonerodolpho_, @quirino2070 e @avapacdracena.

Resumo do episódio

O episódio recebe Dona Ivone e Rosana, voluntárias da Vapac (Associação Apoio ao Paciente de Câncer) de Dracena, que explicam como a entidade funciona há 26 anos. Elas detalham como o paciente chega até o apoio, a diferença entre tratamento em Jaú e Presidente Prudente, quais documentos são necessários, e como funcionam as doações de medicamentos, cadeiras de rodas, camas hospitalares e cestas básicas. Também contam sobre os eventos beneficentes, o brechó permanente, o cantinho da autoestima com salão de beleza e como qualquer pessoa pode se voluntariar ou colaborar financeiramente.

Principais aprendizados

  • O paciente que inicia o tratamento pelo sistema CROSS em Presidente Prudente não consegue mais transferir o cadastro para Jaú, mesmo que deseje.
  • A Vapac atende e dá suporte a pacientes independentemente de onde eles fazem o tratamento, seja em Jaú, Prudente ou outro lugar.
  • Para encaminhamento a Jaú são necessários documentos como guia de encaminhamento do SUS, certidão de nascimento ou casamento, comprovante de residência, cartão SUS, biópsia, CPF, RG e exames recentes.
  • A entidade oferece suporte que vai além da medicação, incluindo empréstimo de cadeiras de rodas, camas hospitalares, cestas básicas e apoio psicológico para pacientes e familiares.
  • A colaboração financeira com a Vapac é feita por carnês de valor livre, sem quantia fixa, além de eventos beneficentes organizados em parceria com clubes de serviço da cidade.

Perguntas respondidas neste episódio

Como faço para conseguir apoio da Vapac se estou fazendo tratamento de câncer em Presidente Prudente?

Basta ir até a sede da Vapac em Dracena e fazer o cadastro, mesmo que o tratamento já tenha começado em Presidente Prudente. A entidade dá todo o suporte necessário, incluindo medicamentos, alimentação enteral, fraldas e apoio psicológico, independentemente do local onde o paciente está sendo tratado.

Quais documentos são necessários para ser encaminhado para tratamento em Jaú pela Vapac?

São necessários guia de encaminhamento do SUS, certidão de nascimento ou casamento, comprovante de residência, cartão SUS, biópsia, CPF, RG e exames recentes de laboratório. A biópsia é importante porque o hospital de Jaú já trata o paciente, não faz investigação diagnóstica, então é preciso já ter confirmação da doença antes de ser encaminhado para lá.

É possível continuar tratamento em Jaú se um parente já tratou lá antes, mesmo já estando cadastrado em Prudente?

Não é possível. Uma vez que o paciente entra no sistema CROSS vinculado a Presidente Prudente, ele fica registrado nesse sistema e não consegue mais ser transferido para Jaú, mesmo que exista desejo pessoal ou histórico familiar de tratamento naquela cidade. O sistema cruza as informações e identifica onde o paciente já foi cadastrado.

Como funciona a colaboração financeira com a Vapac através do carnê?

Não existe valor fixo para a colaboração mensal. Cada voluntário é responsável por um grupo de colaboradores, que podem contribuir com o valor que desejarem, seja cinco, dez ou quinze reais. O dinheiro arrecadado ajuda a manter as atividades da entidade e comprar medicamentos, alimentação e outros itens necessários aos pacientes.

Como uma pessoa pode se tornar voluntária na Vapac?

Basta comparecer à sede da entidade, informar interesse e participar de uma reunião para que seja avaliado o perfil da pessoa e onde ela pode se encaixar, seja no brechó, na recepção, em visitas a pacientes, na cozinha ou em outras atividades. É preciso preencher um termo de voluntariado para formalizar a colaboração.

Ouça no Spotify ou assista no YouTube.

Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.