O episódio 298 do AdamiCast recebeu Adriana Miaghi, diretora, e Ademir Muniz Lemos Júnior, o Zebrão, presidente da APAE de Dracena, num mês especial para os dois lados da mesa: o podcast completava três anos e se aproximava dos 300 episódios, e a APAE comemorava 52 anos de historia, oficialmente celebrados no dia 27 de abril. Adriana está na instituição ha 27 anos e Ademir soma outros seis, o que rendeu a piada inicial de que ele mal conhecia a casa perto da experiência da colega. O bate-papo veio depois de uma visita do casal Mariana e Pedro Adami à sede da APAE, e por isso a conversa carrega esse gostinho de quem viu de perto o que estava sendo contado.
Uma casa de 52 anos e uma equipe que sustenta tudo
Ademir fez questão de situar o tamanho do desafio de presidir uma entidade com mais de meio século de historia. “É um desafio, porque é uma entidade já 52 anos”, disse, destacando que sem uma equipe forte nada se sustenta: “Se eu não tiver uma equipe, você não toca”. Hoje a APAE de Dracena conta com 58 funcionários, entre professores, equipe de saúde, monitoras, motoristas, cozinheiras, telemarketing e financeiro, atendendo 225 alunos e destinatários. A instituição atua em três pilares, assistência social, saúde e educação, e atende deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista, recebendo também pelo SUS. São cerca de 15 profissionais técnicos de saúde, entre fonoaudiólogas, psicólogas, terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, assistentes sociais, nutricionista, coordenadora, médico e psiquiatra, além de dentistas voluntários.
Da alfabetização à autonomia para a vida
Adriana explicou que o trabalho vai muito além de ensinar a ler e escrever. “Tem muito mais que isso, pra ele aprender a não ser só a ler e escrever, é pra ele ter independência, tomar decisões, saber escolher, saber pedir, saber tomar uma água sozinho, pegar uma comida sozinho.” A porta de entrada é sempre pela assistente social, que faz uma triagem com a família e, confirmada a deficiência, encaminha para avaliação com os técnicos de saúde. A instituição atende desde bebês, porque a estimulação nos primeiros anos de vida é essencial, até pessoas com mais de 70 anos, caso da Maria Odeciana, que atualmente está afastada em tratamento médico mas com expectativa de retorno. A APAE também mantém centros de convivência para maiores de 30 anos, com projetos de arte terapia e uma parceria de longa data com uma casa de cachorro-quente da cidade, para quem os destinatários confeccionam embalagens de papel craft.
Histórias que emocionam quem trabalha lá
Um dos momentos mais tocantes da conversa foi quando Ademir contou sobre um aluno que o recepcionou com um abraço e um “seja bem-vindo” no dia em que assumiu a presidência, e que repetiu o gesto recentemente, na entrega do ovo de Páscoa, sem dizer nada, apenas abraçando e passando a mão em suas costas. “Você tá ali porque você tem que tá ali. Você tem que fazer”, refletiu. Ele contou ainda que, em dias difíceis, o remédio é ir até a instituição: “Sabe o que que eu faço? Eu vou na Pai. Lá você não consegue ficar de cabeça baixa.” Adriana concordou e falou da pureza que encontra todos os dias: “Eles são muito cativantes. Isso me move muito.” A dupla também lembrou, emocionada, a despedida recente do professor de educação física Aguinaldo, que ficou quase duas décadas na instituição antes de se mudar de cidade, e citou a história de uma aluna que chegou sem falar e sem andar e hoje é casada há treze anos com outro colega que conheceu ali dentro.
Espaço pequeno, sonho grande: a ampliação em curso
Apesar do tamanho que impressiona quem visita pela primeira vez, Adriana e Ademir foram categóricos: para quem trabalha lá dentro, o espaço já ficou pequeno. A instituição está em obras para ampliar o Centro de Atendimento Especializado de Saúde, com mais quatro salas, em uma área de cerca de 117 metros quadrados, contando com o apoio de parceiros da construção civil citados na conversa. Ademir explicou que a procura cresce constantemente, inclusive por conta do aumento nos diagnósticos de autismo, e que a maior limitação hoje não é a quantidade de profissionais, mas o espaço físico mesmo. “É de grão em grão”, resumiu, lembrando que cada gestão e cada colaborador ajudam a construir a instituição “tijolinho por tijolinho”.
Eventos, parcerias e como ajudar
Como toda entidade sem fins lucrativos, a APAE de Dracena depende de eventos e parcerias para cobrir gastos que os recursos públicos não suprem. Ademir retomou este ano o tradicional leilão, que estava parado havia cerca de 12 anos, substituído no período pela ação entre amigos e pelo churrasco beneficente. O leilão de 2024 aconteceu no dia 28 de abril, na Estância MS, com porções, bebidas e apresentação da fanfarra, coincidindo com as comemorações dos 52 anos da instituição. Além disso, a APAE realiza anualmente o chá em parceria com o Clube das Acácias, a ação entre amigos e o churrasco beneficente no segundo semestre, e conta com uma feijoada organizada pelos Leos Cinquentenário, que reverte o valor arrecadado para a entidade. Também foi lembrado o grupo de voluntárias que se reúne semanalmente para produzir peças de vagonite, como toalhas e porta guardanapos, vendidas em prol da instituição, além dos colares havaianos e chaveiros de arte terapia feitos pelos próprios destinatários nos centros de convivência.
A conversa terminou com Adriana e Ademir reforçando o convite para que a população conheça de perto o trabalho realizado, seja como voluntário, doador ou simplesmente visitando a sede para entender, como eles mesmos resumiram, que ali não existe monotonia, apenas amor e respeito ao próximo.
Onde encontrar
Você encontra quem participou deste episódio no Instagram: @junior_muniz_mad_triangulo, @adriana.miyagui e @apaedracena.
Resumo do episódio
O episódio recebe Adriana Miaghi, diretora, e Ademir, presidente da APAI de Dracena, que completa 52 anos de atuação atendendo pessoas com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista. Eles explicam como funciona o ingresso na entidade, os atendimentos oferecidos nas áreas de educação, saúde e assistência social, o número de alunos e funcionários, e como a instituição se mantém financeiramente por meio de eventos, parcerias e doações da comunidade. A conversa também aborda a inclusão dos alunos no mercado de trabalho, os projetos de artesanato desenvolvidos internamente e a rotina de quem trabalha e convive diariamente com os atendidos.
Principais aprendizados
- O ingresso na APAI começa por uma triagem feita pela assistente social, que avalia a família e encaminha para os atendimentos necessários.
- A entidade atua em três pilares: assistência social, saúde e educação, atendendo desde bebês até idosos.
- Os recursos públicos recebidos não cobrem todos os gastos, por isso a APAI depende de eventos, doações e parcerias para se manter.
- A instituição estimula a autonomia dos alunos para tarefas do dia a dia, como se alimentar e se vestir sozinhos, além da alfabetização.
- Parte dos produtos artesanais feitos pelos destinatários, como embalagens e toalhas bordadas, é vendida e o valor arrecadado reverte para a APAI.
Perguntas respondidas neste episódio
Como funciona o processo para matricular alguém na APAI de Dracena?
O primeiro passo é procurar a assistente social da instituição, que agenda um horário e faz uma triagem com a família seguindo um roteiro específico. Depois dessa conversa, se for identificado que a pessoa tem deficiência intelectual, múltipla ou transtorno do espectro autista, ela passa por uma avaliação com os técnicos de saúde para verificar se vai precisar de fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicologia ou fisioterapia, entre outros atendimentos.
A partir de que idade a APAI atende os alunos?
O atendimento começa muito cedo, ainda nos primeiros meses de vida, já que a estimulação sensorial nesse período é considerada essencial para o desenvolvimento futuro. A instituição não tem limite máximo de idade, atendendo também adultos e idosos, incluindo pessoas com cerca de 60 e 70 anos que participam das atividades regularmente.
Como a APAI se sustenta financeiramente já que os recursos públicos não cobrem tudo?
A instituição funciona como uma empresa, com muitos custos fixos, e o dinheiro recebido de governos municipal, estadual e federal não é suficiente para cobrir despesas como manutenção da piscina, alimentação e reformas. Por isso, são realizados eventos ao longo do ano, como leilão, churrasco beneficente, ação entre amigos e feijoada em parceria com outras entidades, além de contar com doações da comunidade e telemarketing.
Quem pode ser atendido na APAI, é só pessoas com síndrome de Down?
Não, a instituição atende pessoas com deficiência intelectual, deficiência múltipla, que é a associação da deficiência intelectual com a física, e também pessoas com transtorno do espectro autista. Alguns destinatários não têm diagnóstico fechado. A avaliação de cada caso é feita pela assistente social, que decide se o atendimento deve ser feito ali ou se a família deve ser encaminhada a outro local.
Como funciona a inclusão dos alunos da APAI no mercado de trabalho?
Os alunos que conseguem trabalho remunerado são reconhecidos e valorizados como qualquer outro trabalhador, sem nenhuma diferença. Essa inclusão representa liberdade e autonomia, pois muitos precisam aprender a se virar sozinhos caso os pais não estejam mais presentes no futuro, sabendo cozinhar, lavar e cuidar de si mesmos, além de ter renda própria para pagar suas próprias contas.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.