#353

Amor e tesoura: a história de Lorraine Vasques e Ricardo Jacomeli | #353

04 de novembro de 2024 • 6 min de leitura

Este texto vem do episódio #353 do AdamiCast

Quando Lorraine Vasques decidiu largar o comércio para se dedicar inteiramente às unhas, sua mãe respirou fundo e quase não acreditou. Quando Ricardo Jacomeli trancou a faculdade de Educação Física em Adamantina para perseguir uma tesoura em São Paulo, a família ficou surpresa. Anos depois, os dois se encontraram em Dracena, construíram uma vida juntos e hoje dividem o mesmo endereço profissional: o Espaço Glam, salão de beleza que carrega a história de duas carreiras construídas com calma, método e muita persistência.

No episódio #353 do AdamiCast, Lorraine e Ricardo contaram como foi essa jornada, do primeiro kit de esmalte cor-de-rosa até as decisões difíceis de mudar de ponto, atravessar a pandemia e gerir um negócio a dois sem perder nem a sociedade nem o relacionamento.

Da cadeira da vizinha ao salão próprio

Lorraine começou fazendo unhas em casa ainda adolescente, com um kit que a mãe comprou em um curso no Instituto Laurindo. Sem muito apego aos estudos e com uma passagem rápida pelo comércio, logo percebeu que ganhava mais após as seis horas fazendo unhas do que no emprego formal. A virada veio quando uma amiga cabeleireira a indicou para cobrir o salão da Silvana, que havia acabado de ter bebê. Ali, Lorraine ficou cinco anos, aprendeu a dinâmica de um salão de verdade e saíu mais confiante do que entrou.

Depois vieram outros cinco anos com a Débora, colega que conheceu na Silvana e que abriu seu próprio espaço. Lorraine acompanhou cada ciclo, cobriu licenças-maternidade, cuidou de filhos de colegas ao lado da bancada. Quando Ricardo começou a insistir para que ela viesse trabalhar com ele no Espaço Glam, ela demorou a aceitar. Medo de misturar relacionamento com trabalho, dificuldade de sair de onde estava bem. Mas a sala ficou vazia, o prazo esgotou e ela foi.

São Paulo como escola

Ricardo cresceu numa família de professores de Educação Física em Junqueiroópolis. Fugindo da faculdade, entrou num curso no Instituto Laurindo e logo foi parar em São Paulo, onde trabalhou por quatro anos na rede Jacques Janine, uma das maiores franquias de cabeleireiros do Brasil. Lá fez cursos dentro do centro técnico da L'Oréal na Avenida Paulista, aprendeu a preparar produtos na frente da cliente e entendeu que excelência exige bom profissional e bom produto juntos, sem exceção.

Quando o pai teve um AVC e os avós adoeceram, Ricardo voltou para o interior. Chegou em Dracena em 2006 com a cabeça já formada: sabia exatamente o que queria fazer e como. A bagagem de São Paulo virou diferencial. Começou com uma cadeira de corte e um lavatório de qualidade, porque para ele o produto usado no cabelo da cliente nunca poderia ser algo que ela não visse sendo preparado.

Loiro, gel e especialização

Na conversa, os dois falaram com propriedade sobre as mudanças do mercado. Ricardo tem o loiro como especialidade e não esconde que é o trabalho mais exigente: requer produto de altíssima qualidade na hora do clareamento, porque um cabelo poroso agredido dificilmente volta ao estado anterior. Para ele, o grande erro de muitos salões do interior é querer fazer tudo, de sobrancelha a depilação, sem se especializar em nada.

Lorraine, por sua vez, escolheu o caminho da esmaltação em gel sobre unhas naturais, sem alongamento. Com uma agenda fechada que a mantém trabalhando dez, onze horas por dia, ela sabe que migrar completamente para o alongamento significaria dispensar 80% da clientela atual. Os dois concordam: conhecer o próprio nicho e o próprio público vale mais do que correr atrás de toda tendência nova.

A pandemia, a mudança de ponto e as placas solares

A pandemia assustou no primeiro mês, mas logo ficou claro que quem faz unha convencional não para: Lorraine trabalhou praticamente o tempo todo, enquanto Ricardo operou com 50% de rotatividade por cerca de dois anos. Foi também nesse período que os dois amadureceram a decisão de mudar de endereço.

Após dez anos no centro, souberam por uma cliente que a casa da Dona Miti, cabeleireira antiga que tinha o imóvel já adaptado como salão, ia ficar disponível. Lavatório instalado, parte elétrica trifásica, espaço para os dois, privacidade em relação à moradia. Ricardo já instalou placas solares no telhado. Como ele mesmo disse, hoje só sai de lá para construir algo próprio.

Trabalhar a dois: vantagens, ruídos e WhatsApp no meio do atendimento

Dividir o mesmo espaço profissional com o parceiro tem lados bons e lados que pedem jogo de cintura. Os dois têm perfis parecidos: rigorosos com horários, avessos a atrasos, exigentes com a própria entrega. Isso cria uma sintonia que a clientela percebe. Mas também cria momentos em que Ricardo opina sobre o cabelo das clientes de Lorraine, ela comenta sobre os pedidos de estoque dele, e a comunicação acontece por mensagem de WhatsApp mesmo estando na sala ao lado.

O que mais os desafia hoje é o marketing. Ricardo admite que a maior dificuldade é parar no meio do atendimento para filmar um antes e depois. Lorraine praticamente não mexe no celular enquanto trabalha. A consciência de que o Instagram move a agenda está lá, mas a execução ainda é o nó. O trabalho, porém, fala por si: clientes vêm de Ouro Verde, de Pacaembu, da região toda, porque o resultado chega antes da propaganda.

Onde encontrar

Lorraine e Ricardo atendem no Espaço Glam, em Dracena, SP. Siga nas redes: @lolarraine e @rickcoiffeur2.

Resumo do episódio

Lorraine Vasques e Ricardo Jacomeli construíram carreiras paralelas na beleza, ele em cabelo após trabalhar em São Paulo na rede Jacques Janine, ela em unhas começando em casa ainda adolescente. Os dois se encontraram em Dracena, estabeleceram o Espaço Glam após dez anos no centro e hoje dividem o mesmo endereço profissional, tendo navegado juntos pela pandemia, mudança de ponto e os desafios de administrar negócio em casal sem perder a sociedade nem o relacionamento.

Principais aprendizados

  • Especializar-se em um nicho específico vale mais do que tentar dominar todas as tendências e serviços do mercado.
  • A qualidade do produto e do profissional precisam caminhar juntos na beleza, sem exceções.
  • Trabalhar com um parceiro no mesmo espaço exige sintonia em perfil, mas também criação de limites para evitar interferências no atendimento.
  • Unhas convencionais e cabelo colorido têm dinâmicas mercadológicas distintas: uma aguenta pausa, o outro requer consistência mesmo em crise.
  • Trocar de endereço após dez anos de funcionamento em um ponto consolidado demanda amadurecimento da decisão e reconhecimento de que o novo espaço oferece estrutura diferencial.

Perguntas respondidas neste episódio

Como começar a trabalhar com beleza sem experiência formal?

É possível iniciar com um curso básico em um instituto e praticar em pequena escala, em casa ou em domicílio, enquanto se adquire experiência. Posterior atuação como funcionário em salões consolidados permite aprender a dinâmica real do negócio, cobrir licenças e ganhar confiança antes de empreender.

Por que se especializar em apenas uma técnica ou serviço dentro da beleza?

Porque permite domínio profundo, agenda fechada com clientes de qualidade e maior lucratividade. Tentar fazer tudo, de sobrancelha a depilação ou alongamento, sem especialização reduz a excelência e dispersa o foco do negócio no mercado.

Como a pandemia impactou negócios de beleza em horários diferentes?

Unhas convencionais mantiveram fluxo contínuo de atendimento, enquanto cabelo colorido operou com redução de rotatividade. A dinâmica depende da natureza do serviço: alguns serviços são essenciais e resilientes, outros enfrentam maior volatilidade em períodos de restrição.

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Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.