Laís Silveira cresceu numa casa onde o pai já se preocupava com alimentação muito antes disso virar pauta. Nutricionista em Dracena, ela foi a convidada do episódio 5 do AdamiCast para falar sobre comida, corpo, pandemia e tudo aquilo que uma consulta nutricional nunca te conta. A conversa misturou ciência, experiência pessoal, live com perguntas da audiência e muita conversa honesta sobre o que realmente significa comer bem.
Você pode acompanhar a Laís Silveira no Instagram em @laisilveiranutri.
A infância com o pai saudável e a escolha que veio de dentro
Diferente de muita gente que chega na nutrição por exclusão ou acidente, Laís cresceu num ambiente que já valorizava a alimentação. O pai sempre foi uma referência de cuidado com o que se come. Isso não significava rigidez, mas consciência. Ela absorveu aquilo e foi construindo uma relação própria com a comida ao longo dos anos.
Em casa com o filho João Miguel, ela aplica uma versão parecida: sem proibições absolutas, mas com presença. Não compra Nutella não porque acha errado, mas porque simplesmente não acha graça. Doce de leite é outra conversa. Já o coelho Danilo, nomeado pelo filho numa fase entre dinossauros e Godzilla, descobriu a horta de tomilho e manjericão antes de qualquer regra ser estabelecida.
A paciente que virou profissional
Um dos pontos mais importantes da conversa foi sobre a experiência de Laís do outro lado da mesa. Antes de ser nutricionista, ela foi paciente. E foi paciente numa época em que as consultas de nutrição tinham uma pegada mais punitiva, focada em restrição e no número da balança. Ela sentiu na pele o quanto isso não funciona.
Isso moldou a forma como ela trabalha hoje. Ela questiona a obsessão com o manequim e com a balança. Uma mulher musculosa pode pesar mais e usar um número maior de roupa sendo completamente saudável. Uma pessoa magra no manequim 38 pode ter excesso de gordura corporal. O número não conta a história toda. E uma dieta que funciona para uma pessoa pode não fazer sentido algum para outra.
Comer emocional não é o mesmo que compulsão
No bloco de perguntas da live, uma das questões trouxe uma distinção que muita gente confunde. Laís explicou a diferença entre comer emocional e compulsão alimentar. O comer emocional existe em quase todo mundo: aquela vontade de doce quando está de TPM, a busca por uma comfort food depois de uma briga. É situacional, eventual, ligado a momentos específicos de estresse ou cansaço.
A compulsão alimentar é diferente em intensidade e frequência. Não é uma meia barra de chocolate quando está nervosa. É um volume muito superior de comida, com uma regularidade que ultrapassa os episódios pontuais. A fronteira está aí: na frequência e na quantidade. Ela mesma admitiu que, quando está estressada, não perde o apetite, perde a paciência. Fome não é problema, ficar com fome é que complica.
A pandemia, a rotina alimentar e o pai que mandava comida
O episódio foi gravado durante a pandemia, e o contexto apareceu o tempo todo. Laís falou sobre o que observou na sua clínica: pessoas mais ansiosas, mais pesadas, crianças que ganharam muito peso, adultos que perderam a rotina alimentar completamente. A recomendação dela não foi fazer dieta restritiva naquele momento. Foi manter horários. Ter um café da manhã, um almoço, uma janta. Saber quando vai comer já diminui a ansiedade.
O relato mais pessoal veio quando ela falou sobre o pai. Um homem que ficou com muito medo do vírus e se isolou completamente. Por mais de um ano, ele não entrou na casa dela, e ela não entrou na casa dele. Nas duas vezes que ele apareceu, foi pelos fundos. No Natal, passaram juntos sem se abraçar. A maneira que ele encontrou de demonstrar que estava presente foi mandando comida. Ele sabia o que ela gostava, o que o neto gostava. E mandava. Para ela, aquilo foi a prova de que a comida não é só nutrição. É afeto em forma de gesto.
Segunda sem carne e a nutrição sem dogmas
Laís não é vegetariana, mas passou três anos sem comer carne vermelha. Hoje come raramente. Toda segunda-feira ela segue a campanha “Segunda sem Carne” da Sociedade Vegetariana Brasileira, que propõe reduzir o impacto ambiental da produção animal sem exigir que ninguém vire vegetariano. Ela posta o que está fazendo e recebe críticas de quem acha que nutricionista não pode ficar sem proteína animal. Ela discorda.
A postura dela na nutrição segue essa linha. Não tem fórmula. Não tem dieta que serve para todos. Ela compara com relacionamento: você não pega dez passos na internet e garante para sempre. É construção diária. O mesmo vale para a saúde. Fazer exercício e comer bem um mês não muda nada se não virar estilo de vida. O que sustenta é o hábito, não o esforço pontual.
Resumo do episódio
Laís Silveira, nutricionista em Dracena, compartilha como sua experiência como paciente de nutrição moldou sua prática profissional focada em abandono de restrições e obsessão com números. A conversa aborda a diferença entre comer emocional e compulsão alimentar, o impacto da pandemia na rotina alimentar, a comida como expressão de afeto e a importância dos hábitos sustentáveis em vez de dietas pontuais.
Principais aprendizados
- Comer emocional e compulsão alimentar são distintos: o primeiro é situacional e eventual, enquanto o segundo envolve volume muito superior de comida com regularidade que ultrapassa episódios pontuais.
- O peso e o tamanho de roupa não revelam a história toda da saúde, pois uma pessoa musculosa pode pesar mais sendo saudável e outra magra pode ter excesso de gordura corporal.
- Manter horários de refeição durante períodos de ansiedade e incerteza diminui a ansiedade mais do que restrições dietéticas severas.
- A comida é uma forma de expressar afeto e presença, funcionando como gesto que vai além da nutrição.
- Hábitos sustentáveis a longo prazo determinam a saúde mais do que esforços pontuais, exigindo construção diária como um relacionamento.
Perguntas respondidas neste episódio
Qual é a diferença entre comer emocional e compulsão alimentar?
Comer emocional é situacional e eventual, ligado a momentos específicos de estresse ou cansaço, como comer doce durante TPM. Compulsão alimentar envolve um volume muito superior de comida com frequência que ultrapassa esses episódios pontuais, marcada pela regularidade e intensidade.
Como evitar que a ansiedade afete a rotina alimentar?
A recomendação é manter horários de refeição estabelecidos: ter um café da manhã, um almoço e uma janta definidos. Saber quando vai comer já diminui a ansiedade, proporcionando mais estrutura à rotina alimentar mesmo em períodos de incerteza.
Por que o peso na balança não reflete completamente a saúde?
O número na balança não conta a história toda porque pessoas musculosas podem pesar mais e usar tamanho maior de roupa sendo completamente saudáveis, enquanto pessoas magras no manequim 38 podem ter excesso de gordura corporal.
Como construir uma relação sustentável com a alimentação?
A nutrição funciona como um relacionamento: não basta seguir passos pontuais da internet. Requer construção diária. Fazer exercício e comer bem por um mês não muda nada se não virar estilo de vida. O que sustenta é o hábito contínuo, não o esforço isolado.
Este texto foi gerado por Inteligência Artificial com base na transcrição do episódio do AdamiCast.